domingo, 27 de fevereiro de 2011

Movente

Ao som de bolero,

Tudo isso é tão só
Uma forma que qualquer
De dizer: vem!,
Vem dançar comigo.

Seja lá, que vá, um baile
Em meio à terra, arrasada,
Dessa enchente que deixou
Tanta dor nos escombros.

Pra melhor, uma valsa,
Vamos que sim, que mexer
As pernas braços quadris
É o melhor a refeito.

A velha ciranda
Da mão de todos enlaçada
Para o sempre e todo,
Que é só o que resta,

Que é só o que lastra.
Retirar do fundo da dor
Funda algo pra fundar
E afundar os desmundos.

De tudo que é mover
Que puder ir haver 
Revolver, deixar em estilhaços
As velhas muradas.

Que tudo quanto
Qualquer já disse
É tentar mesmo sem ver um:
Vamos!

Irmanadas as mãos,
Os passos, os pés.
Esmigalhar o desespero
A golpes de marreta

Ao som de bolero.

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