terça-feira, 27 de dezembro de 2011

um preparo (antes de retrospectivar à moda antiga)

sunshine, it's all i wanted, recortes que feitos com portátil no punho, nem pincel, mas registro. tomo-me tornado contorções, bem vejo. não vai escapar tão fácil quanto já o antes. buscando fundo securas? negativo!, são pequenos bibelôs, algo kitsch, portanto tolos, algo preciosos. kitsch é a verdade pois que fofa e banal?, não, kitsch eu nesse aqui-agora, e ainda assim sagradinho, dualidade algo bufa, mas deixemos a verdade de lado, pois bem.

domingo, 25 de dezembro de 2011

louco dia de natal

eaí galera... que maluquice toda, hein mano?

estar aqui em rp sempre faz pensar nos jogos de imagem todos. e dizer pra si, baixinho, ou ouvir a voz de dentro sabendo que "ça se passe" ou "ça commence" ou "ça arrive". é um consolo. poço límpido poço. toco meu nariz toco.

natal é meio ano novo sempre. a louca da mamá chapou pra sempre. dormi acordei leio muito é isso aê. vida doida, vida minha, 

e ainda assim... que ano fodido. posso dizer em breve... melhor da vida? provavelmente. aos trancos e barrancos, nóis vai, capota mas não breca, e vai, e por aí vai.

fiquei lembrando quando long-time-ago, mais conhecido como há uns três-cinco-sete anos atrás, eu ficava metaforizando o natal pra ele fazer algum sentido para mim, um agnóstico. acho que vou agradecer a beleza que a lenda de cristo acabou nos legando. 

beijinhos pra vxs, amores, fotolog na veia








adendo: alguém comentou de desejar paz e amor no natal. boto fé nessa também, hipponguices pride, e todos os sonhos dourados de jesus desde a long time ago de uma vida mais bacana pra geral, e mais livre de culpas também. pq, na real? o brother nem botava fé em neguinho carregando o mundo nas costas não...

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

et ça commence

"Beuveurs très illustres, et vous, Verolez très précieux - car à vus, non à aultres, sont dedieuz mes escriptz"

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

resumo recente

eu:::
essas bagunças


meu quarto:::
essas metáforas


minha fome:::
esses absolutos


minhas definições:::
essas incompletudes


meus sonhos:::
esses castelos


meus caminhos:::
esses silêncios


meus medos:::
esses amigos


meus finais:::
essas sementes

domingo, 4 de dezembro de 2011

assim

aí é só deixar ar e luz vir, vem
tudo florando em mim, de noite
com folga tomando superfícies todas
espalhando deixando cheiros rasgando
em profusão de cores tons
matizes tudo meio que dançando
assim

coisinha

ô coisa pequena, coisa mínima, tanto mistério que te rodeia, tanta vontade dentro e sempre, cansaço como montanhas que você sobe e crescem, é louco e insano, a gente dorme sonha e no dia seguinte é só ver... ver... ver...

terça-feira, 29 de novembro de 2011

A Carta

Caminho, caminha,
de longe ter avistado terra
e minha luneta cravejada
bem quis deixar escorrer uma

cândida, lágrima,
das doçuras que deveriam
nos tomar em braços nos
levar em bailes nus

e dizem que foi assim que
intuímos os cocares e agora
entoamos os enredos e sonhamos,
cálidos, teares dessas praias.

O vento - agora - ele brinca,
ou ele grita, ou ele brinca
de gritar?, pérolas pelo chão
e de meu chambre avisto

terra, és tu, que vens,
errantes, tolos, soprando rotas, mapas,
nós pobres, seda em minha cama,
é o que avisto? - me ajudem, eu levanto...

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

domingo, 27 de novembro de 2011

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

aviso

ok
levantei

e vou continuar nessa de cair e levantar

ad infinitum


e foda-se, é isso.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

de animais mortos (e gente morta)

eu tinha te lido, achei banal.
resolvi reler, achei bem mais bacana.
talvez fosse o sono que me tomava antes,
e ele faz isso comigo, de me deixar mole e indisposto,
e cético, e crítico.

outras vezes, iluminado demais,
içado feito bandeira e bandeirola de festa
junina, que é junho, que é julho logo logo,
depois vem agosto, setembro e os meses todos,

(é tempo que vai, é tempo que vem,
não volta ninguém)

e com eles a secura
tanta toda que já
tomando minha pele,
me fazendo sem água
(por toda parte, rachaduras)
eu inteiro desértico.

aí que eu esbarrei hoje na sua carta
no meio de um livro
achei engraçado
achei bonito:

quis seu corpo.
achei isso de uma pureza... que devia até mover montanhas.

lendo seu texto assim assim
eu me vi entre meu mundo inteiro
de uns anos atrás quando eu era
quase você ou tão parecido em tanto,
sabe, me deu quase saudade de mim.
mas não muita.
só quase muita.

fiquei quietinho, esperei o carro passar,
resolvi escrever isso,
quis seu corpo inteiro
seus olhos
seu sorriso idiota
seus fora-de-lugar e hora
sua barba
seu pinto
sua bunda
sua voz
seu canto
mais uns vinte detalhes outros.

fiquei quietinho, ia até te falar,
mas resolvi fazer isso algum dia qualquer
bêbado, quem-sabe?,
delirante
pleno
desejante de nada além.

(que além há-não, nunca houve,
e se tiver eu não quero)





escrito em junho desse ano.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

drume, neguinho, e levanta

o que não me arranha, me arrisca,
topázio, turmalina, ametista,

(sem decoro
mas decorado)

cal branca, a melhor tinta,
nuvens cheias e chuva
que cai que salva que cai que salva
que vai que valsa que vai que valsa

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

saídas e bandeiras

sim, por vezes, tantas, preciso: aquele homem mais sólido que a maré,
também disso é feito melhor dançar:
pra afogar tem hora

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Tornos

tocas meu pulso
sinto pulsares.
tomado,
estado tomos:

maremoto de palavras,
monótona torrente,
...,
queda-te.

possamos ser
abissais
colossos.

na outra vida peixe foste
lá no fundo.
tudo te pesava
e retinhas teu lume
torto.

que fazes, agora?
que agora que fazes?

toca meu pulso
perco meu passo
tocado
esteliforme.

tomados estamos
supremos, cadentes.
instantes, luzentes.
sagrados, poentes.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

negro corvo, cinza céu

negro corvo voa no cinza céu
estilhaços, os algodões estrada aolongo

ei-lá a
passada de certa dor
veloz
mergulha rápido se esconde foge
que vão tentar te fazer sumir, dor,
eles não gostam de você, dor

negro corvo cai no cinza céu
langor, estrada aolongo os algodões,
passado: incerto alongamento,

desejo, tu não tens terreno aqui,
querem tu branco
pálido
dobrado
plácido,

negro corvo some no cinza céu
poeira, aolongo os algodões estrada
feitos caminhos caiados
rastros sem costura
nexo iluminura não
não cobertor não moldura não anteparo não muleta não

deixar
ei-lá

deixar, ei-lá, relento

(:

recife e olinda,
suas linda!

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Barrico e os Trens


essa história de construir trens... ferrovias que os conduzam... pois bem, que o Sr. Rail diz com clareza quase infantil que a função dos mesmos não seria mais que fazer com que todos olhassem as coisas de um jeito diferente. mal ou bem o engenheiro Bonetti, com prontidão, lhe contrapõe: fazer um trilho que gire o mundo e faça com que os outros voltem ao mesmo lugar, que tal soaria esse absurdo? soa bem, eu diria. tendo esquecido de um detalhe básico, singelo, feito dessas sabedorias muito velhas: que qualquer viagem sempre traz um homem diferente do que antes havia partido.

ah sim, pois sim, simples dizer também: que todo livro é um trem. e à goiana, dizer: bem, um trem volta e meia bom.

e cada vez mais fico mais certo que a grande arte de um grande artista é conseguir fazer arte e discutir arte ao mesmo tempo. que somos humanos, então nada é óbvio para nós, bem sabemos. então precisamos esclarecer esses "trens" incompreensíveis que nos assomam, essas grandes dúvidas, tais como a seguinte: "por que diabos deveríamos fazer viagens só por serem belas?"

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

kevin shields way, ou: saber mais e o mistério das "cousas"

Recentemente "perdi" um bom tempinho no wikipedia e em outros sites lendo sobre o processo de gravação e produção do Loveless, último álbum que o My Bloody Valentine lançou, datando de 1992. Eles ficaram trabalhando no álbum por mais de ano, e gastaram uma grana preta, por "n" motivos. O lance é que descobri também nessa que, em uma medida considerável, a banda É o Kevin Shields doidão.

Assim, vim a saber do louco processo de produção do álbum, e de como Kevin Shields decupou as faixas, gravou diferentes instrumentos, duplicou camadas de vozes, utilizou-se de técnicas de guitarra envolvendo wah-wah de forma diferenciada, e quase artesanal, criando um efeito que hoje pode até ser dito facilmente emulável, mas na época foi tal combinação única...

E fiquei pensando nesse artesanar de alguém, e na crença da expressão válida ou única de si. Crença que talvez se devire em necessidade, ou em luxo, ou um luxo que é necessidade, ou uma necessidade completamente luxuosa, assim como os cavaleiros medievais precisavam de aventura porque assim se lhes diziam e porque só assim poderiam fazer. Novamente, pobre, paupérrimo, o Quixote sem moinho.

Hoje vi também um documentário sobre Pieter Brueguel e entendi melhor diversas camadas de sua pintura, às quais eu jamais poderia ter tido acesso sem estudo, apenas com a apreensão de um olhar leigo. O mesmo exemplo vale para o álbum do MBV do qual eu estava falando. Sim, que o mundo tem camadas, tem véus, tem historinhas pra contarmos dele e das coisas deles, e por aí vai e tal e coisa. Isso é cacofônico volta e meia, pois sim, mas uma cacofonia com potenciais de beleza absurdos.

Por fim, contraponho pensando como saber realmente o mistério de alguma coisa a mata. Wilde sabia, discutiu isso na Esfinge Sem Mistério, e Cortázar sabia, e daí tanto de seu anti-racionalismo e sua sensação de viver o absurdo e de inserir o absurdo na narrativa para que ela possa ir além. É preciso simplesmente abraçar sem saber porque fazê-lo, mas dessas necessidades parecidas com as que tinham os cavaleiros medievais mesmo. E inventar seus moinhos. E conquistar a Bretanha.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

um olhar de primeira vez

Já estou aqui há quatro meses e, ontem à noite, ao fazer um balanço mental desse período, percebi a familiaridade incrível com que me movo neste mundo. É aí que está o perigo. É agora que devo vigiar minha visão, a forma de me colocar diante de coisas que venho conhecendo cada vez melhor; é agora que devo impedir que os conceitos escamoteiem minhas vivências. Seria terrível (não me aconteceu, por sorte) eu ter um dia que passar às pressas diante de Notre-Dame e só dar aquela olhada distraída que se dedica a bancos ou a casas para alugar. Quero que a maravilha da primeira vez seja sempre a recompensa para o meu olhar. Posso me dar ao luxo de passar perto do Museu Cluny e pensar comigo: “Vou entrar outro dia.” Mas entrar ali tem de continuar sendo uma coisa séria, última, o motivo verdadeiro de minha presença em Paris. Nós rimos dos turistas, mas juro que eu quero ser turista em Paris até o fim, ser o homem que anota na agenda: quinta-feira, ir ver o São Sebastião, de Mantegna... É horrível perceber a cada minuto como as faculdades intelectuais empiétent sobre as intuições puras, tentando esquematizar o mundo... 


Julio Cortázar em uma carta,
fonte: http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao-58/cartas-julio-cortazar/misteriosa-entrega-e-mudanca-de-si-mesmo

domingo, 21 de agosto de 2011

que coisa

percebi que não fiz post de aniversário esse ano.
e nem tou a fim de fazer agora.
enfim, vamos acompanhar.
ou não.

Pois

Não é mais estar-só,
sequer, menos ainda, só estar
e não mais a cabeça vaga
então tanto vaga estava.

Meu braço se move.
Eis: Mistério.

Ele poderia estar inerte.
Eu poderia estar inerte.
Todos poderíamos, juntos, inertes.

Mas há movimento.
Sol que dá luz,
folhas que olham para cima.

O que fazer disso tudo
que tão sem ordem,
que tão sem rumo,
o que?

Por favor, mais que isso,
mais, mais, mas.

Mesmo que exigido seja
de nós tolos
que estouremos o braço

Pensar se:
no final
um cuspe deveria apagar o Sol

terça-feira, 16 de agosto de 2011

roy wagner, ou "blowing my mind"

Olha, eu não tenho lá muito idéia do que aquele doidão quis dizer, mas vou tentar falar alguma coisa como registro e etc e tal. Afinal, eu estive a poucos metros de um dos mais fodidos e polêmicos antropólogos atualmente vivos, e quiça, dos mais fodidos e polêmicos que já existiu. Isso, my friend, o tempo vai dizer.

Bom, vamos lá. Impressões iniciais. A gente tenta seguir uma coerência e razoabilidade e ordenação, né? Beleza. Chego lá um pouco atrasado. Vejo um cara mais velho do que eu antes supunha, chutei  em torno dos 70 anos, mas agora vou wikipediar. (Sabe aquela coisa de imaginar gente doida como jovem? Pois então, sofri desse mal.) Bom, chutei certo. Nascido em 38. Jovenzinho na loucura dos 60. Bacana.

E a seguir me deparei com tanta coisa instigante que mal sei começar a falar sobre. Em linhas gerais, o mais impactante foi aquela veeeeelha noção de que o mundo é tão mais amplo, complexo e etc, do que se costuma imaginar. Ou, principalmente: inventamos o mundo assim. Todos esses tantos de grupos humanos por aí existentes. Hoje mesmo mais cedo vi a antropologia pelo prisma dessa tensão: o que uniria todos os humanos, e as diferenças que o separariam. Dança delicada, essa.

O principal: uma antropologia das mais bem feitas - mas não a única possível - e dedicada a colocar o nativo de maior seriedade possível, dando relevância verdadeira ao seu modo de pensar, e dedicada também a levar o encontro/choque às últimas consequências, resvala possivelmente para a mística. Num sentido amplo. As conclusões inalcançáveis, os jeitos de olhar o mundo idem, e quando um dos caras mais foda do mundo relata que vivenciou coisas sobrenaturais, e que sabe que pode ser visto como louco por declarar isso, você só diz: como é? Como é?

É isso, a vida grande e pesadona nas minhas costas. Eu lá tenho idéia de como lidar com isso. Mas valeu pela oportunidade. Valeu mesmo, ó coisa-nenhuma, ó grande-nada-da-banalidade, ó ocidente que a gente carrega nas costas. Valeu mesmo. E, principalmente, valeu conjunção astral e vida que me fez e eu fiz. Sugestivo esse dezesseis de janeiro.

eggs
pearshells
factrals
triangles
trinity
the snake
the crow

Espero ainda fritar muito com isso.



Post-scriptum: Porque diabos escrevi dezesseis de janeiro se era dezesseis de agosto? o.O

poecoisinha

bem assim, assim assim, acontecem coisinhas legais, assim assim,
             e tudo bem, tudo bem,
que isso tudo é feito assim,
banalidades legais, assim assim,
tudo bem,             e tudo bem
assim assim

sábado, 13 de agosto de 2011

rio, não rio, rio


Uma drag de rasta, um filme em três planos simultâneos, cada câmera pega uma coisa, por vezes elas se cruzam,,, Um parque no qual se vai parar por acaso. A todas as coisas do mundo, o acaso, nela vamos parar assim, sem plano antes que consiga dar conta ou cabo. Um parque com tantas texturas. Uma lapa, duas lapas, três lapas, muitos planos de lapa, andando pra lá e pra cá, tantas gentes, dois caras do sul do país, blumenau ou gaspar?, tudo quanto os nomes façam diferença. Eu não escolhi meu nome, e não é fácil assim mudá0lo, zeros no meio. Me parece uma violência sem tamanho, e logo descabida. Valorar positivamente a falta0de0cabimento, zeros no meio novamente. Tinha um aquário com peixinhos e era como uma gruta e tinha um monte de gente olhando e tinha até quem batesse no vidro. Não pode bater no vidro, poxa, você incomoda os peixes. O doce olhar consegue tomar as coisas pra si, fazendo-as em toda sua porracoisidade, tomando elas como elas em si, elas noutro si, elas com esse si. Fogo fora de controle, temos que queimar isso tudo, temos de ser bombas de luxúria, prostitutas da place pigalle, e nero nos entenderia, e eu entendo tão bem nero. Além do mais, também quero poder nomear, como outro o fez, um cavalo para o senado. Ou mais, ficar numa ilha sem reinar. Reinar pra que?, caralho, tanto que te cobram pelos seus gestos. Eu queria o aquário sim, e que me jogassem comida. Foca! Foca! Foca!, peixe na boca. Dentro da bolsa tinha tudo, saía qualquer coisa, e a pobre coitada, castrada, e seu pinto ali dentro. A cadeia alimentar é tão demodé!, vamos comer isso tudo sem critério. E acabemos com todos esses insetos imundos. E tome mais doce nisso tudo! Quero catar piolhos na sua barba! Improvisos com trompete, colocar Rimbaud pra dançar em diferentes quadros, captar o que x doce garotx não conseguiu dizer, com rosas brancas, em seu leito de morte, captar os instantes únicos dos gestos de veludo. Tantas fases tantas, você segue uma vida, se acha foda, se reinventa, se faz outros. De repente, tem um tombo no meio do caminho. Eu nem estava mais lembrando que você não tinha feito a ligação, e logo você cortou a ligação, e isso é sim um tópico à parte, mas é bacana que seja, seu imundo, seu muito bonito, insuportavelmente, que vou te matando em palavras em breve. Você precisa de um à parte, pra de vez apartar. É compreensível ralar joelhos. Eu queria pular do bondinho! Eu queria cair de para-quedas entre todas aquelas casas bonitas e sei lá o que mais. Não deve ser pelo necessário, cada viagem é uma chuva, é um vento, é um desejo, é o que seguir pés e pés. Passei muitas horas dormindo. Por lá, e esse ano. Passei muitas horas no ar já esse ano. O mar continua sem conter todo seu mistério, mas meus olhos tantas vezes não me acompanham mais. Quanta beleza! Ah... são meus óculos. Ser ficcional pode perfeitamente significar ser verdadeiro. De novo, os zeros no meio.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

sobre curitiba (e mais mile coisas ou só mais umas sete, sei lá)

porque é preciso registrar. enfiei essa na cabeça há uns mi tempos. e sempre vai o registro manchado mesmo. "conta suas férias aí", e eu contei a vivência delas, o desenho delas, e não elas, as mesmas. que fato-fato-fato que registro, pura e simples, existe exatamente assim não. e a graça toda muita talvez seja desenhar de novo o que já se viu. às vezes, mais ou menos próximo do modelo original. às vezes, gritando a diferença toda. ou o ímpar olhar e ângulo. vamos lá.

esperávamos todos um frio maior, talvez de doer os ossos. e talvez quiséssemos também mais coisas que fizessem querer gritar, talvez também. olhar prédios diferentes e árvores diferentes sempre tem uma graça específica. as fotos ficam como provas de um crime, quer feito ou não, pela mera intenção de: querer mais tão mais. como que se fosse a passagem de um trem na qual se entra e vai. ou um trem que passa sobre nós.

as árvores diferentes, as gentes diferentes, e o conhecer mais a si quase louco do que a cidade mesmo. ou conhecer mais os outros seus próximos quase-loucos ou quase-eles-mesmos-muito do que outra cidade mesmo. o alheamento que me toma estar fora dos regulares de si, das regras de si do sempre, e coisas assim, e se ver de outros jeitos-maneiras. e
o
tal
do
querer
mais.

morar aqui pareceria bacana. achar livros bonitos, ver belezas surpreendentes, desenvolver novos gostos, novos medos, novas vontades. foi como ter vestes novas de si. se embelezar com outros tons. é isso que agora me soa. é isso que as viagens pedem.

poesias das esquinas não vividas, também, e além

constando, escrito em 19/07/2011

fazer um post sobre curitiba

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Cena da Ponte

Ponte passo em que por baixo
que estou tão alto, de mim, estão
todas as cidades do mundo e do outro
as luzes de mundo, das verdades e as nuvens desfeitas
e a elas todas que pairam acima buscam
como se buscassem o que se pode cingir.


(reversão de trecho retirado de A Morte do Príncipe, de Fernando Pessoa)

Tema da Ponte

Em que ponte passo que por baixo
de mim, que estou tão alto, estão
as luzes de todas as cidades do mundo e do outro
mundo, e as nuvens das verdades

desfeitas que pairam acima e a elas todas
buscam, como se buscassem o que se pode cingir?

Em que ponte
passo
que por baixo
de mim, que estou tão alto,
estão

as luzes de todas as cidades
do mundo e do outro mundo,
e as nuvens das verdades desfeitas
que pairam                                                        acima

e a elas todas buscam, como se
buscassem o que se pode cingir?



(trecho retirado de A Morte do Príncipe, de Fernando Pessoa)

terça-feira, 26 de julho de 2011

você, ruídos, corujas

você alto assim depois do tanto que bebeu
me deixando alto assim com seu olhar
fixo devassa
insano se perde
falando de codeína e códigos
e de lynch

)
alguma coisa sempre
acontece às vezes na vida
de alguém 
sei lá quem
sei lá quando
(

você que voltou porque ouviu a coruja
você que voltou porque ouviu
e eu ouvi você na minha cabeça
e eu ouvi

na minha cabeça ruídos
na minha cabeça-ruídos

domingo, 24 de julho de 2011

julho, vintequatro, doismileonze

só eu mesmo pra entender o meu nível de babaquice.

e entender como que me parece que eu sempre e pelo resto da vida vou lembrar de fulaninho com uma música aí.

e lembrar que isso já deve ter me parecido antes em outras situações, e não se realizou.

e pensar na lua, no sol, nas estrelas, nesse vento bom, em todas essas coisas,

e lembrar de curitiba e de todas as outras viagens. as feitas e também as não feitas.

gloriosos dias de leão estão vindo pelo horizonte, o que diabos vocês me reservam de tanto ou de pouco?, e depois os de virgem, os de libra, os de escorpião, e se seguirão de novo até de novo leão.

meus cabelos brancos vão aumentar. meu cabelo vai continuar crescendo e sendo cortado. as unhas. e volta e meia os sonhos.

um dvd na sala de casa, uma galera da família aqui em casa, tios, primos e etc. um dvd de músicas antigas, coisas como bonnie tyler, kc & the sunshine, e etc. eles lembram de suas vidas há trinta anos atrás, cantam. na sacada, uns falam mais ou menos besteiras. todos bebem. eu tou tranquilo, sem cerveja.

meu pai fala muita besteira. é engraçado.

eu falo muita besteira. é engraçado.

eu imaginei cenas de filmes com tanta gente já, e pouco, ou nada.

eu não imaginei tanta coisa que já, e muito, e demais.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

eu fazendo prova em casa

leio duas páginas
olho pra ver quantas faltam
paro
maldigo muito a vida
volto
mexo no facebook
procuro notícias idiotas no site da uol
mexo no meu cabelo
mexo no meu cabelo
ligo pra uma amiga pra reclamar da vida
volto
leio mais cinco páginas
paro
olho pra ver quantas faltam
escrevo uma poesia
maldigo a vida na poesia
mexo no meu cabelo
mexo no meu cabelo
mexo no meu cabelo
busco uma resposta na poesia
volto
leio mais duas páginas
anoto um trecho que não tem nada a ver com a questão
procuro outras coisas na internet que tem a ver com esse trecho
mexo no meu cabelo
peço pra minha mãe um café
mexo no meu cabelo
leio mais três páginas
olho pra ver quantas faltam
olho quantas músicas do devendra banhart eu já ouvi nesses últimos dias
mexo no meu cabelo
penso em fulano
penso em cicrana
mexo no meu cabelo
escrevo essa besteira aqui
escrevo outras besteiras
mexo no facebook
vou ao banheiro mijar
me olho no espelho enquanto me espreguiço
volto
leio mais umas páginas
olho pra ver quantas faltam
mexo no facebook de novo
terminei de ler
falta escrever
puta-que-pariu

segunda-feira, 18 de julho de 2011

sem que isso implique em

"O estilo não é, pois, um meio de recortar um território, porém a hesitação terrível sobre a possibilidade mesma de transpor uma fronteira, sem que isso implique em, de novo, acabar com os pés e punhos atados."

Daniel Oster, na orelha do Crítica e Clínica do Deleuze fofo.

ubiquidade dissolvente

"Textos críticos, por outro lado, como o livro sobre John Keats, de que há muitas referências nas cartas, assim como várias intervenções pontuais sobre tópicos e autores que lhe interessaram durante sua carreira, trouxeram decerto elementos relevantes para a compreensão da poética e da prática narrativa que Cortázar foi exercendo através dos anos. É o que se vê, por exemplo, pelo conceito de “ubiquidade dissolvente”, que tantos desdobramentos teve no interior de sua obra ficcional, e que foi tomado precisamente de Keats para definir o modo de ser do poeta como uma espécie de camaleão movido por uma ânsia de viver que o leva a amoldar-se mimeticamente ao modo de ser de outro a cujo espaço se transporta com facilidade a ponto de nele se fundir, adotando pelos olhos alheios outro modo de olhar. Ser que anseia ser, o poeta seria capaz dessa posse do outro pela linguagem, perseguidor radical de uma plenitude ontológica que o obriga à busca e à rebeldia diante de um mundo degradado que não corresponde às suas aspirações."

trecho retirado de:
http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao-58/cartas-julio-cortazar/misteriosa-entrega-e-mudanca-de-si-mesmo

quarta-feira, 6 de julho de 2011

longa longa longa

a vontade de fazer a mente calar
que a mente é como uma boca incansável
com língua e tudo mais
narrando cada coisa que ponho os olhos em
cada intenção a ser
e etc e tal,
que falastrão!,
que porre.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Santíssima

Pobrezinho, pobrezíssimo,
paupérrimo Quixote-sem-moinho,
arquejando e preso
na sina de fazer dor nas costas
pra que carreguem tantos podres.

Que não são deles, pobrezinho,
pobrezíssimo,
mas só podem ser, paupérrimo,
Quixote-sem-moinho.

Ele que não tem sequer
uma moeda de ouro, mísera,
uma mísera moedinha, ele miserável,
pra fazer como fazem os outros,
passantes, tão rápidos, decididos,

e jogam sua miséria na fonte.

Tais águas frias, tal velha pedra,
deviam o mundo, ligeiras,
botar nos trilhos.

Ah-esse-trem, Quixote-sem-moinho,
doido-de-deus, pobrezinho,
e suas costas doem mesmo,
e sua pena aumenta,

E você queria tanto,
paupérrimo, dar uma moedinha pra deus,
que pede esmola ali no canto.

E você tanto queria,
pobrezíssimo, enxugar as lágrimas de deus,
perdidinho-da-silva na romaria.

As pernas das gentes,
são mesmo inclementes,
as pernas das gentes.

Ele que não tem qualquer
cama pra escorar, dura,
mesmo que de pedra, ele dolorido,
pra fazer como fazem os outros,
caminhantes, vezes tolos, ensandecidos,

e esparramam seu cansaço na fronte.

Pobrezinho, pobrezíssimo,
paupérrimo Quixote-sem-moinho,
estafado e roto
na lida de lutar sem espada,
louco que esse tudo fosse nada.

domingo, 26 de junho de 2011

combates

é tão bom quando as coisas fazem sentido por si mesmas,
ao invés de precisar repetir pra ver se vai
repetir pra ver se vai
repetir pra ver se vai
repetir pra ver se vai
repetir pra ver se vai
repetir pra ver se vai
repetir pra ver se vai
repetir pra ver se vai
na marra e no tranco.

sábado, 25 de junho de 2011

sibilando

só uma vontade súbita de tirar esse tal amor todo da luz de foco.

( que o amor possível me seja animalesco, reptiliano, grotesco, inumano e reluzente )

pois bem que não sei se são meus vinte-três anos que me fazem dizer cada vez menos. e fico pensando que trocentas vezes por aqui eu já não me questionei quão ridículo é esse esforço em dizer. não sei. meu senso de ridículo alterou, ou ele se canaliza de outros modos. dizer que não sei os possíveis de mim me parece banal, me parece também estéril.

( é possível fazer do desconforto alguma coisa que eu não sei nomear. como um balé, talvez. ou um contorcionismo. ou o corpo deitado no chão de brita. )

aliás, meus quase vinte-três. já me sinto com vinte-três. minha cabeça ainda vai virar outra vez. e outra e outra e outra vez.

( amor reptiliano que faça serpentear. que do couro pra tirar belas vestes. que do olhar tensionar o temor. que dos dentes afiados as espadas. )

eu não tenho sabido mesmo mais o que é inércia, e isso merece um bom brinde. não sei ainda quantas coisas vou saber e deixar de saber. fica essa vontade e essa ânsia que são quase calmas.

( e voar no céu. e rastejar o ventre. e mudar de pele. )

( dragão de mim, serpente de mim, lúcifer de mim. )

( ácido, não queime. delire. )

domingo, 19 de junho de 2011

Pedido

Eu te faço um pedido
e ele deve soar singelo,
ainda que ele, pobrezinho,
ande estabanado,
um pouco mais trêmulo
do que eu gostaria.

E que não seja ele também
nada límpido, nada bravo:
é menino pequeno
caído da bicicleta
lá pelo campão
de lama e cascalho.

Eu te peço que não deixe
que eu te toque muito, não deixe,
que não quero seus borrões
pelo meu corpo.

Eu te peço que não se deixe
me tocar muito, não deixe,
que não quero suas manchas
pelo meu corpo.

Eu te peço que tome um banho,
um longo banho, ou até dois,
antes de bater à minha porta.

Eu te peço que venha
com suas roupas de dormir
que é uma festa de pijamas.

E, despido, que seja só corpo,
na exatidão de uma carne
que só se confunde na outra
por delírio ou por sandice.

E, preciso, que seja canção,
nas tonturas de um repente
que por toda sua beleza
de se redizer nunca mais.

Mas tolo
anguloso
e efêmero.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

uma analiticazinha, no terreno da auto-revisão

eu lembro de quando o jogo de associações se fazia valer por ele mesmo. só pela brincadeira. mas de repente me entranhei numas de fazer uns edifícios mais bonitos pela ordenação. me pergunto em que medida o que digo de mim por aí, aos ventos, se encaixa. e não se encaixa. e também de repente assim me deu uma vontade de achar um certo encaixe nisso.
e lembrei da resposta: se faço uns padrões mais delicados, se penso na ordem e não deixo que tudo se faça pelo gritar do momento, é que coisa fácil me cansa. brincadeira fácil perde a graça.
sair de cadeira pra mesa e depois madeira e árvore e nuvem é tranquilo. ficar nessa mesma sempre seria muito pouco desafio.
não deixo de brincar, não mesmo, mas prefiro uns jogos um pouco mais complexos (e menos batidos).

sexta-feira, 10 de junho de 2011

quanto a uma atitude

já tem anos que pra mim penso que qualquer consolo é isso, só consolo, e a vida toda permanece no fundo grandemerda. pois bem. só que agora a resposta vai pro que-seja. o foda é querer o que não existe, e isso não quero querer.

Ah!, Gregorovius...

Ah!, Gregorovius... Diga-me lá! Porque Julio não escreveu sobre você e sim sobre o chato do Oliveira, sempre louco pelos padrõesnãopadrõesloucuraquesãopadrões & quetantodeordemqueviraloucura, porque? Eu também aqui queria com suas histórias ter tido três ou mais lugares de nascimento diferentes. Dos velhos-austro-húngaros, da lua redonda ou de só uma glasgow qualquer e um abandono. Se sim a nossa história, Ossip, é ser deixado e se virar, que eu muito bem precisaria ler você e virar você enfim. Também quero três mães, que é bem o mesmo de não ter realmente nenhuma, que sabe-se lá qual é uma e o que é uma. Uma, uma, uma. Uma seria feiticeira, oh sim!, é inegável. Outra deveria ser uma pianista fria rígida bergmaniana. Es muss sein. A outra seria uma moça louca perdida nas ruas, e só essa eu saberia onde vive: em Praga, pois oh!-sem-dúvida!, toda kafkeana, e em negação, montando as coleções do impossível, juntando um urso de pelúcia ao lado de uma garrafa de vinho semiquebrada. Sim, Ossip, também viverei de mesada. Ou de ar & luz. Um beijo pra você que já morreu, mas nunca vai morrer. Que faz tempo já, né? Debulha Paris para sempre por nós, que eu te intuo nas linhas todas que não ditas.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

com hume em deleuze (e um contra, se pá, no final)

e é por estabelecermos simpatias que damos tiros nos outros, e logo nos pés: pela parcialidade. e só nas simpatias que somos. e é na integração das simpatias que seguimos. mas ainda assim, de início, a parcialidade: inevitável tiro no pé da idéia de homem enquanto projeto grupal amplo. o a-longo-prazo será sempre alguma merda assim, e é essa nossa origem também. não é à toa que tantos se refugiam em suas famílias ou num casal ou num grupo de amigos. não é à toa mesmo. grande fraternidade dos homens fica sempre meio "my-ass!" assim.

(mas se a idéia aqui posta de homem tem origem política e consequência também, é possível uma subversão que estabeleça a ideia de comunidade como um à priori, e não as idéias de contiguidade e semelhança. ah-sim, foi isso que o durk fez. saquei.)

(hmmm... mas o durk resvala num probleminha fofo de colocar elementos não integrados como anômicos. que é um problema por partir eminentemente da noção de uma maioria que constrói discurso sobre o que deve ser a maioria adequada e funcional. a lógica fica num quase utilitarismo.)

(é possível uma saída? nem voluntarismo, nem utilitarismo. mas o que? minha cabeça tá cansada. se pá voltar a isso depois. se não também, beleza.)

da pele

nesses últimos dias, acho que dez ou mais, estive num certo hold. muito do que eu estive fazendo/sendo durante um certo período deu uma revirada. e eu me vi em praias de mim por deveras familiares, mas já incomodamente familiares. aí que começa o curioso da coisa. a sensação que eu tinha é que a onda que antes já me puxou e me fazia afogar (não no campo semântico do deleite, mas no do desespero) não tinha mais o muito efeito. ainda assim, ao invés de sair da praia, eu ficava ali e as ondas batendo e eu me moendo sem me mover.

eis que acabei por dar uma sacudida na areia toda e saindo de lá. mas hoje me peguei com a cabeça em movimentos analíticos que me levariam fácil fácil prum niilismo negativo. vou não, quero não, posso não, eu eu eu não deixa não.

(ainda nas praias, que estive pensando mais cedo hoje se eu queria sombra pra fugir do sol escaldante, ou se pá ficar moreno de leve, ou sem-cuidado ficar com a pele vermelha-ardendo)

resolvi escrever isso aqui e publicizar sei lá bem porque. mas tantas as vezes que não precisei dar motivos pro que faço, isso fica mais uma dessas. me acalenta saber que não é por necessidade, e sim por luxo. no melhor espírito SOU-RICAAAAA, vou dizer que só de luxos que quero viver.

bom, contudo, ainda assim, e mais ainda. é preciso seguir sem temer. onde as ondas levem. lá vejo o que faço. na medida do conforto, ou do almejado, e é bem isso.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

sobre esse antigo quemsoueu

se houver algum hardcore, que tendo a achar que não há, só as palavras se modificam.

como não há, as palavras se modificam, e fazem as ondas dos mares do fundo, como a imagem da camada mais profunda de Inception, se moverem em outros ritmos. que é tudo feitiçaria, bem aprendi.

um antigo, de sei lá quando, quemsoueu do orkut

umas três frases legais em meio a um punhado de nonsense e asneira, um apetite voraz seguido de muitas horas de quase jejum, uma empolgação doentia que me fode grande volta-e-meia e uma busca por alguma paz (e um certo êxtase, se não for pedir demais), uma alternância entre vontade de compartilhamento de moço e uma preguiça de velho, um jeito brincalhão mais um medo de rir (e de chorar), um algo pr'um bolero e um outr'algo pr'uma salsa (mas não nos limitemos às latinidads, certo?).

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Tríptico em Nonas para Seis ou Oito Patas

Foi estranho que
essa noite ou foi
essa tarde eu tenha
de algum modo assim
tido um sonho sem
bem saber o que
dizer assim
ter sonhado com isso,
isso aranhas.

Certo dia aí
vá eu delire em
vão os insetos que
isso viam em mim
que bem sou carne
só de sangue a
postos para
no monte ser sagrada,
sagrada entregue.

Eu devia mesmo
botar bem em cada
nada que pisam essas
pequenas coisas que vão
rasteiras por cada canto
todos e também frestas
bom veneno
mesmo que minha cabeça,
cabeça arda.

terça-feira, 24 de maio de 2011

rilke em malte

uma consciência fragmentada, como um construto-texto de si que se debruça sobre si, se refazendo pelo texto-tecelar. o si é, de alguma forma, ou de muitas, o reencontrar as praias mágicas de tempos celtas, mesmo que falemos de dinamarqueses e francos. as épocas em que uma morte era uma morte, em toda a sua plenitude-morte, também plenitude-mar. o sangue que pulsa é de quando os atos tinham todo um peso que era leveza, por ser como expressão de almas completas e plenas. mas a intuição do si, e atuação, como completo & pleno, derrama seu olhar sobre cada pormenor, se escorrendo e banhando os pobres pés, como cristo-rei já o fez. os dedos com frieira do mundo. os reis que habitam essa colcha, mas também o cego que caminha na rua. ele também é rei. as mortes todas são reais, nesse duplo senso, nesse marcar-vir. e não há nada mais sério que isso porque inescapável. olhá-la nos olhos e também dobrar-se, vendo as histórias de um si pequeno cuja máscara grudou no rosto. e não há nenhuma saída, pois olhá-la nos olhos só pode ser olhar a si e seu abismo, e o inapreensível: não se encontrar, nem aos outros, mas ser de alguma forma o tudo e todos que unifica tudo e todos: mais uma vez, com a redundância necessária: a morte.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

que dia...

eu aceitei essa lua,
eu falei vamos-lá pro arco-íris,
eu disse sim,
eu digo,
pode ser aqui, agora, pode ser onde for.

eu disse sim.

e os enredos são
sempre muito meio
retardados dementes
confusos.

não faz mal.

é só isso.
eu só isso.
só isso eu.
só.
inteiro.

sorrindo.

terça-feira, 17 de maio de 2011

de um chão qualquer

Insetos devorando meu corpo.
Insetos devorando meu corpo,
roubando todo meu sangue,
e eu ainda vivo, aos poucos,
rumando à morte.

A morte, já velha,
ainda tem piedade de nós,
de alguns de nós,
mas a queremos com toda a força
de dentro de nosso tutano.

Eu coçava minha perna e sentia
que em cada poro meu eu fazia
com que o veneno descesse mais fundo.
Eu era um colaborador,
um sicofante.

Quando me levantei e eu
parecia uma peneira pensei
e disse a quem quisesse ouvir que
não chegassem perto de mim, tão perto,
que eu não sabia o que poderia vir.

Não seria surpresa, surpresa nenhuma,
se de repente de mim eu começasse a escorrer
um belo terremoto fendendo a terra
e enchendo tudo de pavor e magma.

Não seria surpresa, supresa nenhuma,
se de repente de minha boca eu começasse
a proferir a língua dos anjos e ainda
dos extraterrestres que são nossos pais.

Oh pais, não nos busquem,
não temos nada a dizer.
Ficaremos para sempre
deixados para trás
na porta da escola.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

do metrô

seu filhodaputa
que nunca mais
te verei na vida
e ainda assim
você fez
minha
poesia

de escrituras em encarnações

eu ainda não fiz poesia com você. como que colocando você no meio das coisas do mundo que sou esse eu que não sou eu, mas só fluxos que se ligam a outros fluxos. um mundo de fluxos bizarrão. é que eu não tenho muito a dizer sobre. de repente a planta brotou no meio do asfalto gritando a dor de um desconhecido. e eu vivo essa coisa de um arco-íris com menos cores que as sete e suas misturebas. vai pra um lance como desorientação & cansaço & sacanagem. prum que-seja. que por ser tão novo, tão alguma coisa sei lá, um que-seja bacana demais. demais.

do normal

vamos só ver quão r
etardado voc
ê consegue se
r.

e que tanto
isso
pode ser excitante.

sábado, 7 de maio de 2011

O Presidente Scheisse

De todos meus territórios
me partiam raios
que me caibam.

Ou que me coubessem
antes que eu estivesse explodido
em microcoisas de penúrias.

Meus atlantes me deixaram.
Hamurabi me traiu
ao mexer com pedra.

Que eu lhe falei que não,
que matéria bruta é só pra
gente das mais toscas.

Ou, pelo inverso,
que também é possível chegar longe
percorrendo outra rota.

E revirada a sombra,
subtraída do objeto,
tacanhos são os incrédulos.

Logo por conseguinte,
fazendo lógica de anéis perdidos,
só o barbarismo salva.

Que em minhas províncias ninguém
quisesse tentar falar
na mesma língua.

E a isso lhes devo
tal uma gratidão
que só se faz em urro.

Mas isso de se
levantarem contra mim
faz com que eu saiba de mim.

Ora pois o tiro no pé
é precisamente a pérola
que do nada se fez.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Plumas

vi vocês dois reluzindo muito
como se tivessem comido luz
e queimando e rindo de gozo
achei bonito pra caramba fiquei fitando
rogando pra ficar cego

depois surdo mudo
vegetal

Sonhei uma hecatombe
E ela tinha meu nome
Chamava também passagem do inferno
Aí lá contei os ladrilhos da rua
Por sete meses e meio
Achando que era uma prova.
Era não.
Era só eu.
E eu.
E eu.
Sempre eu.

depois disso todo mundo veio em volta
aquela menina bonita que eu fui na festa de quinze anos
eu tinha doze eu acho
e ela era uma violeta uma coisa assim.
os da universidade com seus sonhos rajados
que eram tigres com fome demais.
tinha uma casa pra defender
e voar era algo besta
que perguntei pra minha prima qual o super poder que ela tinha.

só que lembro não.

Sei se...
A memória pode salvar?
Do fim dos dias?

vocês reluzindo muito
explodindo como a chama que possa fazer tudo queimar
como que é preciso
e rindo o gargalhar mais rugido
como pássaros como diamantes
como verdades do fundo da terra que jorram.

Vocês que moram perto de vulcões.
Vocês que cada um com seu cada qual
fizeram furos em minha pele.

sou sapo.
chove sal lá fora.
manda um guarda chuva alguém aí, vai.

tenho medo de papel.
de qualquer papel.

de repente dobro o medo,
ele vira barco
ele vira pipa
ele vira cisne

Vocês que apertam.
Vocês que vocês.

e eu que eu que eu que eu.

lembrei assim.
lembrei mais não.
É preciso. Queimem minha retina. Não há outro caminho.
Esse mundo é pros cegos.
Esse mundo é pros doentes.
pros aflitos pros pedintes.
pros cadentes.

Sonhei com vocês.
Era uma hecatombe.
Tinha sim meu nome.
Mas não lembro como me chamo.
Não adianta que não lembro.
Se lembrasse, não escrevia.

Explodam em luz, Eu digo.
Deixem rastro por ares.

e como uma estranha alquimia das coisas
logo pensamentos então papel
e que dobrei assim nesse formato
a pele se vira assim
em fogaréu.

E não tem segredo
A hecatombe faz arrepio assim de pele toda
E não tem segredo
O mundo é mesmo de nós, cegos
E tudo aquilo que já disse
E os outros também todos
Com suas vozes mais bravas feito assim jaguares
Mais luminosas feito assim faróis
Lá longe no mar escuro

lembrar salva ninguém não.
é tipo tentar cantar o que foi.
a palavra escapa da boca por tentar dizer.
ela escorrega esbarrando na trave sem fazer gol.
sem vorpal contra o dragão.

melhor intuir seu sangue jorrando
como se eu desenho.
Vulcão que é.

que dizer o que foi na vera
é ficar na casca
E é a seiva que ouro.
Coisa negra tal piche.

Urge o pungente,
não o cascalho.

vocês foguetes
mochilão pela via-láctea.

hecatombe que redime. que é pedra bruta ardendo.

vocês, tão jovens
vocês, meus belos
meus caros, meus belos

segunda-feira, 25 de abril de 2011

tudo e todos

meu eu que era
corpo
prostrado
em lençóis de enfermaria
brancos

próxima à direita uma
tina
água
límpida não era deus pai todo
poderoso

e ao alcance da
mão
cansada
com um pano já um tanto
gasto

anos que não vejo
alguém
mesmo
que uma pobre velha
dama

olhos pro lado de
fora
enquanto
crescente vai a noite vai rugindo
azul

oh que cadê você
aqui
somente
se couber um resto que seja
doce

oh que não sei
você
premente
nem que um mais
apelo

domingo, 24 de abril de 2011

a letra que tem seu nome

que eu tenho
que tomar
tanto cuidado

que será
que rola
de viciar?

ainda bem
que nem é coisa
de uma dose só

mas nem é
difícil de
derrubar cavalo

com um pouquinho de
nada você
me botou no chão

com muito de
alguma coisa bonita
pode pisar em mim

será como que
vai ser dessa
vez?

vem pra cá.
agora.
aliás, não.

se saber
cínico &
cético

que salvo que
estou de tudo quanto
desnecessário

por menos ou por mais
já fiz
mas deixa

mas eu lembro
da sua cara
de idiota

e é só
de idiotices
que esse doce é feito

verdade é que
se já rendeu
uma poesia

dá pra dizer
assim assim
que tá valendo

pela noite
que seja
pelo nada

sábado, 23 de abril de 2011

rios

sim, eu te comeria,
e te comeria,
e te comeria,
só pra ter o que fazer.

sim, sim, sim senhor,
eu te comeria.

e digo isso só pra
ocupar espaço
que isso aqui tá
um marasmo da porra.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Tábula Russa

Vou tomar um chá,
vou dar uma bola,
vou sei lá o quê;

Se tu quer, vem, que eu tou aberto,
assim, braços, as pernas,
a boca,
mesmo que calado,
e com um sorriso
cínico.

Deixei o que era em mim
claro
abandonado no piche.

Mas vem cá,
senta do lado,
tranquilo,
escuta uma música,
A gente ainda pode rir do céu azul.

Tenta não precisar de mim,
que eu tou tentando não
precisar de você.
Pra variar e amém,
que essa ladainha é sempre
a
mesma.

Ou nem tanto,
ou quase muito,
fio de cabelo no papel
que é risco
que é fio
que é risco
que é fio.

De uma partícula-onda
fiz um bordado
de ouro e pedrinha
vermelha.

Não acho que precise
ainda pensar se
acesa há
uma centelha.

Mas fica comigo,
se rolar.

Que tônus faz
meu dedo em riste
pra isso tudo?

Que tônica faz
meus dedos em teste
pra isso tudo
escorrendo deles...

Que tanto de calor
é preciso
pra aquecer
uma noite
como essa?

Talvez,
seja bem melhor
tremer até
estourar.

Mas vou estar sorrindo pra você,
porque te amo.

(e dentro de mim,
a menina pediu dinheiro antes mas
acendeu todos os fósforos que
tinha de vender e isso
é tão triste mas
é só ficção,
tolinho)

sexta-feira, 15 de abril de 2011

de dentes

minha boca
me fez dizer
que eu preciso
fazer doutro jeito
ou senão
pode ser
que aos quarenta
aliás não
sessenta
-
quando rola
mesmo
a baixa hormonal
que não sei?
-
perco os dentes
todos
e daí?
que se foda?
que fica mais
fácil
pra boquetes
mas a
miséria
toma o
pobre
pela boca
que sou
peixe fisgado
que me matou
o que mais
quis
de que boca
que veio
o que vai
me deixar sem
boca?
me conta assim
aproveitemos
que ainda tenho
dentes
e todos
aqueles sonhos
deles se
quebrando
como vidro
caindo na pia
de porcelana
branca
de minha casa
não a minha
a de meus pais
merda de genes que
tenho
é o que
tenho
a dizer
que fazem
que minha boca
meu eu
meu hálito
tenha cheiro
de morte ou
fezes
ou de
composição
expressionista
rococó
porra nenhuma
cocoricó
a morte
você
gatinha
me tomando
pela boca
não é?
me faz
ver assim
que sou mortal,
caralho.
quem precisa?
eu renego.
acender um
cigarro
e estourar
o que resta
do resto
das gengivas
não é?
que de
dentes
quem precisa?
quem precisa?

sábado, 9 de abril de 2011

lost in translation

depois de uma noite louca de balada e um começo louco de manhã em casa, acabei por acordar aproximadamente às 17horas e emendei num almoço gostoso e pesado. fiquei me sentindo um elefante prestes a desmaiar, mas detalhe. risos. aí que agorinha comi temakis e fiquei pensando naquela história do: ah, eu acordo, daí eu como muito, daí eu durmo de novo, aí eu ri de novo, risos, muitos risos.

bom, tava passando O Diabo Veste Prada que me passa uma ligeira sensação de clássico da década 00. por vários motivos. mas um clássico num nível mais banal, claro. nada como, por exemplo, Lost In Translation, que assisti logo depois.

sou louco por Lost In Translation. gosto demais das habilidades de direção de milady Coppola, das atuações e logo caracterizações dos personagens de Johansson e Murray, do fato de se passar em outro país, e tratando dos problemas de tradução, comunicação, entendimento.

não se entende bem o próximo, não se entende bem a si mesmo, e ainda assim se tenta. em diazinhos quase banais, em festinhas, que seja, vendo um filme, bebendo drinques, num banho de banheira, ouvindo uma fita de auto-ajuda.

o filme me toca dum jeito de mexer dentro. gosto tanto da sensação. terminei querendo viver. gosto tanto dessa sensação.

além do que voltar ao brasil tá sendo deveras estranho. deveras muito. em tantos sentidos. bom em muitos, ruim em muitos. é isso aí...

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Saturnália Praesses Tempos

É que era assim que eu te disse que era preciso, que invertéssemos a linguagem.
Não com sanha de alcançar o real, chegar perto, mas para melhor abusar dele, fazer dele coisas feias, estupro e canibalismo.
Pra que esse tirano, esse demiurgo, veja bem qual o lugar dele ante nós todos. 
E servir os servos, é claro, que todos esses senhores de toga e cadeira possam lavar os pés dos mendigos com suas línguas. 
Escovem os dentes antes, 
que é pra estar tudo limpo e pronto. 

A grande lição por trás é a do tempo, que rumina os castelos e devora os bosques, 
para, 
enfim, 
como num engasgo, 
pegarmos que tudo se vira com a tranquilidade de uma roda de caminhão passando por cima das coisas. 

Muito acima, 
num insondável, 
que a gente até faz os traçados pra chegar nos inícios, 
mas é tão vão e banal dizer isso pra moça que morreu ou pra família agora sem honra. 

Mas
cantiga
se
Todos os reis do mundo já foram escravos e ainda serão.

domingo, 27 de março de 2011

Melodia de um Beco

Só sei lidar com
cores fortes.
Só largo o café quando
manchar inteira
a toalha de mesa.
Só paro de brincar
com o isqueiro se
enxarcar a cama.
Só sei te querer
depois de uma chuva
de trovões sem água.
Só deixo o
secador quando
morrer no banho
eletrocutado.
Só compro bem
das valsas
as dissonâncias.
Só levo pra casa
se tiver quebrado.
Só chuto cachorro
que já tá morto.
Só lembro meu nome
chegando em casa.
Só quero comer
carne crua.
Ou sua, ou sua,
ou sua, ou sua.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Com toda a graça, toda a glória

Preciso comprar um belo par de botas novas. Sei bem que é isso. A resposta está do outro lado. Dá pra entrar no rio e morrer afogada assim. 

Estou cansada dos olhares - Por favor, delírio & lâminas de barbear - Eu queria morrer de salto alto e afogada

Fico me chamando sem que complete. Sempre cai. - Começar um novo negócio? Comer mais um brigadeiro? Saia vermelha ou saia preta? - Fatores para um melhor desempenho. - Um manual? Um canivete? - Que com um gole de whisky, talvez, e um bom garotão pro fim de noite. Pra entrar dentro do rio. 
Com toda a graça, toda a glória.

Georges me ligou ontem, Davi anteontem, ninguém hoje, e toda a poesia dolorida do mundo cotovelos machucados. Estranha alquimia. Redimida então a música de corno, e desejosa de pódio. Toadinhas de abandono xoxas, querendo dizer mais - dizemos - mas é só bobagem.

Georges diz que tem um piquenique pra nós no fim do mês um programa legal que tem um livro pra me mostrar que juntos vamos investigar a falta de sentido que podemos até inventar umas setas 

Não quero. 
Fiz um desenho num dia louco. Ele dizia que a falta fica no meio de alguma coisa. O resto é órbita dos deuses. 

minha cabeça, meu joelho, meu dedão do pé. tudo meu, meu meu meu, meu tudo. 

Sejam legais.
Não me contem o final do filme.

quinta-feira, 24 de março de 2011

lendo canetti em praga

1) oi galera, beleza? nesse climinha despretensioso que me assalta no mínimo uma vez ao ano, causado pela exposição a influências radioativas - referência torta ao japão, pobres eles - pobres nós também - estou aqui pra fazer uma narrativazinha do absurdo dessa existência que linguisticamente se organiza em palavras e num recorte pra lhes colocar um pouco de, quem sabe?, alegria na vida.

2) o japão, nossa lisboa moderna. fácil demais dizer. se não fossem os genocídios mais de três quase mil do século passado e sei lá quantos ainda não rolando agora.

3) me divertiu colocar esse título e de repente fazer tópicos, lembrando de uma moda antiga minha, quando eu só queria falar e deixar falar. aí fica assim mesmo.

4) praga é uma cidade estonteantemente bonita. e é tão bom ter amigos.

5) tive uma dor de cabeça filha da puta recentemente. valeu três neosaldinas. e a cabeça que não queria quietar, pensando em inglês, porra de multilinguismos, um quase trilíngue que com fé um dia vai misturar tudo. ou sem fé mesmo.

6)  o lugar tranquilo era uma espécie de um vazio todo sem luz. e era um vácuo também. ficava vindo: emptiness and void. e veio também a coisa de se lembrar recentemente desse teatro torto e do meu brother adrian-doutor-fausto. e da minha brother Mal em Inception, acreditanto que sim há algo melhor (e tendo vivido esse algo, pra piorar).

7) o teatro da miséria não cessa. he. rir das desgraças. não há nada mais engraçado que a infelicidade humana, ou algo assim, disse beckett, um fofo. eu vi seu túmulo em paris, meu querido, não era tão belo como o do cortázar e era quase esquecido, o que não me surpreende tanto já que quase todo mundo gosta de cronópios e quase ninguém gosta de cenários pós-apocalípticos.

8) um beijão

segunda-feira, 21 de março de 2011

quanto a toda a questão dos mil debates e embates possíveis ou como morrer com tzara e mann

de que lado me deixo, não sei,
e não sinto precisão de saber.
(aliás, minto, acontece às vezes.)
(quase sempre perto das 4 da manhã.)

trucado

Aboard At A Ship's Helm by Walt-Whitman - Type: Poem
Aboard The Galley by Kenneth-Grahame - Type: Essay
Abolition Of Catalogues, The by Israel-Zangwill - Type: Essay
Abolition Of Money, The by Israel-Zangwill - Type: Essay
Aboriginal Australian Love by Henry-Theophilus-Finck - Type: Non-fiction
Aboriginal Death-Song by Henry-Kendall - Type: Poem
Aborigines by Anton-Chekhov - Type: Short Story
Abou Ben Woodrow by Christopher-Morley - Type: Poem
About Barbers by Mark-Twain - Type: Short Story
About Boys by Edgar-A.-Guest - Type: Poem
About Censorship by John-Galsworthy - Type: Essay
About Elizabeth Eliza's Piano by Lucretia-P.-Hale - Type: Short Story
About Geology by -Edgar W. Nye- Bill-Nye - Type: Essay
About Love by Anton-Chekhov - Type: Short Story

quinta-feira, 17 de março de 2011

Outra Volta

Pensou em que adiantava mentir. Caminhou mais um pouco pela rua. Deixou o cigarro escorregar da mão. Como se fosse uma mosca que se espantava. Talvez fosse simples. O sol na cara assim não. O óculos escuro quebrado lembrava sei lá que dia. Quanta coisa que já não em cacos. Pensou também no pé meio doído. Naquele outro sapato, o filho da puta. Na calça que quis comprar. Lembrou então que pensava em que adiantava mentir. O bonde passando na rua. A cidade não tinha, na real. Pensou porque pensou naquilo. Questionou. Não ouviu resposta. Uma senhora limpava o cocô do cachorro ao seu lado. Ele tinha o pêlo bonito. Os beijos foram bons. Verdadeiros. Não foram. Talvez foram. Da verdade que se tem depois de beber um tanto. Ô se muito. Pra acordar com a cabeça girando. Engraçado que não tinha calor. O sol na cara não era bacana. A dúvida se tocava a campainha. Talvez era melhor outra volta no quarteirão. Fome! Isso! Mas achava que não estava. Mas talvez. Se ficou em casa noite passada. Se o resto de dor de cabeça fosse só alguma coisa que fez mal. Na barriga. Se só era outro que saiu. E ali dentro esteve mal. Aquecimento interno estragado. Vento gelado que vinha do norte do corpo. A campainha podia estar estragada. Tocou lá e ninguém dentro da própria casa. Isso ontem à noite. Sim, foi isso. Era a terceira volta que dava. Talvez fosse mais simples. Tanta coisa que já tão em cacos. O bonde que não passando na rua. Um ônibus quebrado lá embaixo. Pra acordar com a cabeça no lugar. Um trago de cachaça no bar. Três ruas abaixo, eu acho. Pensou porque pensou. Achou aquilo um círculo. O cigarro queimou a ponta do dedo. Se sentiu um cachorro. Olhou uma árvore e quis ir ao banheiro. Pensou querer. Riu um pouco. Um riso amargo, mas aliviado. Não sabia bem porque ria. Nem se viu acender outro. Se adiantava mentir. Carros na frente dos bois, melhor não. Os beijos nem foram. A campainha talvez ainda estivesse dando choque. O cabelo dela ia ter cheiro de baunilha. Ai que sede, ai que fome. Quem sabe ela não fez bolo? Eu nunca beijei ninguém. Eu nunca saí de casa. Pensou assim. Escrevi essa carta pra você. Engoli antes de chegar na porta da sua casa. E tocar a campainha. E ela deu choque. Espero que você não consiga ler. Vento gelado, norte e sul. Tenho medo. Que quando eu dormir, sabe? Você de repente entra no meu estômago e junta os pedaços. Ou se de repente tudo aparece escrito na minha pele. Ou como você diz, atrás dos olhos. Mas talvez. Ele pensou nessa carta que eu escrevia. Eu não sei que que eu tou fazendo com isso na mão agora. Aquecimento interno tá me fazendo suar. Toma aqui, eu te perdôo. Quero ir ao banheiro também. Quarta volta que dei. Aquilo não passava nunca. Tinha um bonde quebrado na praça lá atrás. Isso ontem à noite. Os beijos não foram bons. Por isso que quebrou. É, o aquecimento. A geladeira também. Queimou a ponta do dedo. Muita sede. Fome também. Será que tem bolo na padaria? Queria de baunilha. Porque pensou naquilo. Não sabia bem porque alguma coisa que fiz. Se adiantava mentir. Diz pra mim. Eu te perdôo. Prometo. Os beijos eram meus. Desculpa te enganar, gatinho. Por favor, a caixa de areia. Porque não comprou aquela calça? Muitas moscas na barriga, meu bem. Meu anjo, toma aqui essa cartinha. Feliz aniversário. Acho que estraguei a campainha. Desculpa os beijos ruins. Desculpa a bagunça, gatinho. Joga fora esses sapatos, vai. Que você comeu ontem? É que fiz bolo. Você trouxe uma carta? Ah, não sei porque pensei nisso. Não sei mesmo. É bom pra barriga comer cartas. Não me olha assim. Come, vai. Tem cachaça. Vamos dar outra volta. Melhor não tocar a campainha. Pode ser que dê choque. Isso, outra volta. Não havia dúvida sobre isso. Sendo assim... Pensou em que adiantava mentir.

terça-feira, 15 de março de 2011

Nada pra conversar com vocês

Eu não tenho nada, absolutamente porra nenhuma,
ou um acúmulo de porra malcheirosa se esparramando pelos cantos da boca,
pra conversar com vocês.

Nenhum de vocês entende porque ficar tanto tempo olhando
uma mísera mancha no chão
mísera porque grita bem mais alto que qualquer grito de vocês
ou de quem quer que seja
num todo mundo junto, vamos lá!, atrapalhado, quando tentam dizer,
de tanto jeito,
que o mundo tem salvação,
que a salvação escorre pela nossa cabeça
deixando nosso cabelo molhado e nossa pele
e que assim fica mais fácil de seguir os dias,
mas não,
não,
não não não mesmo,
a mancha no chão que sabe dessas coisas.

Pra quem, os poucos, que reconhecem o que é belo
no que ninguém consegue ver sem belo.

Pra quem, os poucos, que acham que a beleza que surge sem propósito
grita o despropósito
dos mundos dos todos
todos os mundos de vocês retardados por suas roupas que amarradas umas nas outras os levam à praça
e lá vocês caminham e tropeçam uns nos outros e se pedem desculpas e gritam e urram
e enfiam balas nas caras uns dos outros
e uns e outros com buracos na cara
e sangrando
e ainda assim procurando a porra da salvação.

Eu só tenho porra malcheirosa pra vocês,
mas pro mundo, ela tem beleza explodida de alecrim,
e com cada parede,
e com os sonhos delas,
e com as mãos deles,
que são poucos, já roucos, loucos, e etc oucos,
e com cercas de madeira e com estrume e cogumelos e com quem souber mexer seu quadril assim e com quem fizer desenhos pelas paredes e com quem girar até ficar tonto e explodir e com quem fizer quadriláteros e triângulos e pentâgonos e disser que tudo são círculos no ar com as mãos nuas
são com esses, com esses todos,
pouquinhos raros loucos roucos oucos
que farei meus filhos, nossos,
que serão luz nos olhos que cegam.

Eu não tenho nada
pra conversar com vocês.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Rola?

Ei cara, diz aí,
Você pode me salvar?

Se precisar eu pago.
Não tenho grana não, mas pago.
Empenho o que for.
Prometo sete anos de trabalho.
Posso mudar canais de lugar se tu quer.
Tudo que meu suor puder fazer
Pra você, te juro.

Qualquer coisa pra me tirar daqui.

Olha a janela dessa porra.
Tá embaçada. Mal se enxerga lá fora.
É quase como se não houvesse.

O ar tá morto.
Trouxeram rosas três semanas.
Uma última pessoa que veio aqui.
Como se eu estivesse doente.

Talvez, né?

É que faz muito frio.
Lá fora, e de novo, lá fora,
Todas as gentes, com as mesmas caras.
Li alguma coisa em algum lugar
da última vez que ousei dar um passo.

Não sei se foi no espelho.
Alguém tá me pregando peças.
Achei uma carta de baralho
no meio de um prato fundo de sopa.

Dizia, bem assim,
que esse ódio à vida vinha só
do tanto que se queria ela bem.

Ah, mas que porra é essa...?
Então se a gente pudesse amava tudo?
Que a felicidade, e ficar de papo pro ar, é bem
o que nos caberia se tudo bem?

Ou podemos pensar que,
vamos lá, pensemos juntos que,
você tá ouvindo o pensamento?,
eu perdi o meu.

Você se enfiou no meio da minha poesia,
seu filho de uma puta!
Saiba que essa coisa que
dobra e retorce meu braço
e me impede de me mexer
paralisado de dor em crises que duram
de cinco a sete minutos não sei quantas
vezes ao dia
- E que a gente chama de angústia existêncial aos domingos -
Não tem nada a ver com você, seu porra.

Então vamos lá,
Pensando juntos, atentos,
Podemos pensar que...
Que é só esse ódio que pode salvar a gente.

Não, o pensamento que era antes.
É que deus tirou a gente
daquele belo jardim
a troco de quase nada, né?
Então não adianta porra nenhuma.

Ou não.
Então cara.
Diz aí.
Você pode me salvar?

terça-feira, 8 de março de 2011

Da Planície de Balaclava

Sei que é banal falar que ontem era ontem, hoje é hoje, amanhã e tal, sendo que o que há é essa coisa contínua disforme amassada. Se me vem assim que tempo é espaço e tudo está assim porque girando. E se movendo. As coisas não param nunca, Julinha, se bem que, pensando bem, às vezes pra respirar. Dê um beijo na Paula que se a deixo assim, bebê, é que pra não se lembre. Estou pronto pra batalha, sabe? Mesmo que eu fique cego. Tenho certeza que muita imagem vou ter antes pra guardar, e minhas mãos vão ter feito tanto retrato. Se eu explodir numa bomba, e minhas cores jamais puderem ter público, e forem tão só minhas, vou ficar pensando que foram tempo e foram espaço. Vou morrer com isso na cabeça, sem saber o que dizer. Quando eu estiver num vagão de carga de um trem que faz seu caminho cruzando o país, como que partindo ele no meio, eu vou pensar assim, assim, no cheiro de sangue que sinto dele. Vou matar com isso na mão, sem saber o que quer dizer. Vou ficar pensando quando durmo, você sabe Julinha, que tem noites já que sempre tenho o mesmo sonhos. Aqueles índios que, fotografados, morriam. O último suspiro deles virou retrato. A máquina é uma arma de crueldade ímpar. Sabe que minha mãe tinha sempre sua cara feita de estupor? A gente dizia: sorria, mulher!, toda a gente dizia, mas parecia que ela só queria nos dizer aquilo mesmo. Uma vez quis parar com ela e fazer uma série mas ela não parava um segundo de falar. Era um pouco impressionante a habilidade daquela mulher. Como se tivesse tanto assim no mundo há ser dito. Mas não, nem há Julinha, espero que você mostre isso pra Paula. Faça umas cantigas de ninar pra ela cheias de silêncio, meu coração. Sabe que me deixei aí com você, não é? Meu respiro, a foto minha, que sua retina tão funda roubou. Se estou aqui agora e preso, ou se vou estar, que eu sei lá o que é esse tempo de presente agora se não um sonho confuso porém gostoso, eu penso que escrevo isso no papel fazendo desenhos e sem falar nada mas de repente estou numa cela tentando grafar as coisas na parede com a unha! Fico pensando naqueles minutos iniciais de uma corrida, que se você dá tudo que pode, seu osso estoura pra fora. Vou pensando junto que enquanto durmo, você não sabe e nem ninguém, eu sonho que tou no fundo do mar e as pedras também são seres vivos que se mexem como a gente. Vejo que elas tem fome. Elas são tempo e são espaço. Não que as outras não sejam, e essas pedras não gritam, e eu fico agoniado que não tenho tinta não tenho mão pra fazer tanto detalhe daquelas pedras! Essa que é minha penitência, me disse o padre quando eu era moleque. Ele tinha uma voz retumbante. Parecia deus, o velho. Não sei até hoje se era ou não. Atrás dele, embaixo da saia, sei lá, uma luz. Eu tinha medo, mas ele dizia que era pra ficar tranquilo, que minha sina não era viver não, era estar aí para as coisas. Desde então minha mão tem dessas de ficar buscando com o que desenhar. Ela que se move nas coisas, Julinha, eu não. Ela que precisou respirar, e assim marcou seu corpo, e espero que eu tenha deixado cores bonitas. Por mais que eu só acredito agorinha nas feias. Depende da noite e do sonho bom. Se eu me concentrar em você não vejo mais seu rosto. Vou dizer que ele é tempo e assim está sempre se escondendo. Os véus de alguém que não lembro mais o nome. Você usava véus, minha linda? Você tomou meu coração e fez ensopado? Você era um daqueles índios? Que que faço com tanta tinta e sangue escorrendo de minha mão? No coração de mim, do país, na fenda que é fim do mundo. Vou morrer com a cabeça de alguém na mão, sem saber o que quis dizer. Sou esse trem atropelando o vento rasgando as plantações devorando com sua luz o escuro defronte fazendo barulho e fumaça incessante parecendo uma grande fera bíblica dizendo tudo com seu ferro todo. Ô trem, Júlia, ô coisa. Beija a Paula. Você sabe que tou pedindo desculpa, mesmo sem saber pelo que. Eu não sei que tintas que pintam ela, Júlia, a desculpa, seu corpo, o meu, a Paula, nós numa cama os três como se em paz. Da paz eu não sei as cores, Júlia. Fica assim.

sábado, 5 de março de 2011

Exato!, Como Ela Disse

O que era o incômodo em vistas da altura daquele lugar?, se perguntava assim como de sopetão, mas calada, que não era nem um pouquinho de arroubos. Mas se já estava lá, faria então assim, o que tinha a fazer. Ninguém pode fazer nada além disso. Acho assim que tem uma cota fechada, uma caixinha, e dentro dela o conteúdo da coisa que deve ser. A seguir. A altura dava aquelas idéias, se dizia assim de sopetão. Me contou tudo por telefone depois. Achei melhor anotar, porque hoje em dia, nunca se sabe. Ela jogou as flores lá de cima. Tinha pego uma de cada túmulo, crisântemos, tulipas e violetas.Quanta simpatia não devia ter aquele vento. Alguém ali perto conversava em espanhol. Engraçado que o outro respondia em italiano. Parecia, ela me disse, quando ela conversava com deus. Exceto que não tinha resposta. As flores eram pro vento despedaçar. Alguns pássaros cantaram, outros só olharam. Esse nível de detalhamento só cabe mesmo em ficção. Não há possibilidade de gravar nada fora disso, parece. Lembrou aquele dia que a gente no cemitério. Que que colocariam em cima da sepultura, ela pensou? Que que diriam quando morresse? "Bela foi Susana, coisa e tal." E o vento? Só ventava, que nunca respondeu nada. Eu que sou eu tentando grafar ela sou como uma piada mal-contada. Como aquele vento também, e outro hoje, que trouxe um movimento de uma peça musical. Movimento velho, devia já ter morrido, como qualquer coisa que se valha. Esse mundo cansa minha beleza, ela disse, e que esse chá não adoçava a boca o suficiente. Tomo chá agora pra tentar entender. Entender que é bom, nada, nada a ver. Tá quase entardecendo aqui. Como assim que você morou em Berlim e nunca visitou o Muro? É que cheirava a gente morta. Eu que já me basto. Tou enchendo a boca de chocolate, ela me falou, pra ficar mais difícil de falar pra você e pra aguentar a vertigem. Eu que não tava entendendo mais nada, escrevo aqui pra fingir que consegui. Pra aguentar essa viagem, mais longa do que seria cabível. Que idéia, Cabral, fazermos isso de barco. Esperasse um tempo e inventavam o avião e dava tudo na mesma. Mas que a gente sabe que, como num jogo de cartas, não dá pra dizer: "mas se eu tivesse um sete de copas". Mas não tinha! E pronto.

quinta-feira, 3 de março de 2011

De Velhos Olhos

Difícil explicar que gostei de você, e o tanto que foi, e intuir pelo que foi, e imaginar o que seria agora tocar seu rosto e te beijar. Eu era tão menino. Pareço um otário falando isso, mas é verdade. E já aconteceu mil vezes depois. Sempre com um signo levemente parecido com o seu. Não de constelação nem nada, mas de jeito das coisas mesmo. Um pano de fundo o mesmo: mas não sei que tom ele tem. Aliás, não sei direito. Tem alguma coisa que percebo, mas é escuro. É que ele não é feito de uma coisa que a gente coloque pelo cabível. Ele é todo o residual que toda cada vez me deixa meio embasbacado: "mas porque exatamente?". Essa inquietação de não saber resposta motivo que me coloca olhando, geminado no amor, o disparate que é a existência. Difícil dizer que isso é gostar assim. Mais pro lado de uma espécie de um arrebatamento, uma corda que puxa o pé pelo avesso ferindo justo o calcanhar. Não! Não sou herói grego nem nada! Me toma de novo nos braços, meu Romeu! Você que ia me fazer ir por aí no seu cavalo branco que era um carro velho! Faz! Acontece! Tira o coelho da cartola! Encosta na minha pele e vira ouro a seguir! Desculpe o excesso. É modo de dizer, na verdade. Que só e tão só pelo excesso que imagino que poderíamos espreitando, com muito cuidado, a fera e domá-la pela garganta com uma faca de cozinha. Para então se abandonar. Porque as coisas precisam seguir um ritual. A dança sabe disso tão bem, e do que é que a dança não sabe? Difícil explicar, porque explicar é uma parada difícil pra coisa qualquer que seja, difícil até mesmo dizer que diabos que é uma explicação. São mais de seis anos que ainda de vez em quando eu me pego a imaginar que aconteceria se sua pele encostasse na minha. Acho que explodiriam bolhas. Em mim, sim, por dentro, mas principalmente no lugar do toque. Eu morreria do seu veneno como um culpado. Só pra fazer de você assassino. Só pra ouvir você pedir clemência. Chorar baixinho. Como uma cadelinha. É ainda esse o terceiro gume: onde o indevassável, dentro da cabeça de uma agulha, segue rumo. É bem lá naquela curva, com uma escadaria. Onde as moças sabidas riem largo.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Movente

Ao som de bolero,

Tudo isso é tão só
Uma forma que qualquer
De dizer: vem!,
Vem dançar comigo.

Seja lá, que vá, um baile
Em meio à terra, arrasada,
Dessa enchente que deixou
Tanta dor nos escombros.

Pra melhor, uma valsa,
Vamos que sim, que mexer
As pernas braços quadris
É o melhor a refeito.

A velha ciranda
Da mão de todos enlaçada
Para o sempre e todo,
Que é só o que resta,

Que é só o que lastra.
Retirar do fundo da dor
Funda algo pra fundar
E afundar os desmundos.

De tudo que é mover
Que puder ir haver 
Revolver, deixar em estilhaços
As velhas muradas.

Que tudo quanto
Qualquer já disse
É tentar mesmo sem ver um:
Vamos!

Irmanadas as mãos,
Os passos, os pés.
Esmigalhar o desespero
A golpes de marreta

Ao som de bolero.