terça-feira, 28 de setembro de 2010

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

auto-retrato

aquele bando de inseto, se mexendo quase que junto, como um organismo só quase junto, mas com as diferentes regiões que se movimentam braços pernas pelos pintos seios em direção àquela luz. e recuando, também quase que do mesmo modo, à medida que o calor intenso demais pode fazer virar casca seca.

cosme e damião

no dia de cosme e damião, com língua de sogra na boca, porque tudo e tudo e absolutamente tudo é brincadeira

aviso ao eu navegante

botei títulos depois. beijos. maneira de autoralizar-ficcionalizar-subverter-amassar-trepar-com

rotas

vou te procurar em todos os cus

batalhando

você é tão lindo que eu queria tanto enfiar um olho no seu cu

no cemitério?

esteja doendo, mesmo que um pouquinho que seja, mesmo à distância

sábado, 25 de setembro de 2010

jogue

eu vestia vermelho, fui fogo na noite, e ela era só e tão somente muito muito preta.



mesmo com as luzes da festa.

retirado de

 seilá quando se morre. e é a qualquer momento.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

seria farsi?

é como se pelo meu corpo desabrochassem infinitas flores, numa imagem meio bem cortázar, porque ele está entrando em mim desse jeito. como se cada frase tivesse sua e aquela delicadeza de dizer. e esse dizer é um floreio também, e parece uma apresentação delicada de esgrima, coreografia, como arte marcial que é dança e luta. uma determinada percussão ecoa ao fundo, pelo fone de ouvido, e no carro eu com tapas no volante. as portas abertas desses dias quentes. leve-nos, ladrão vento, nós que somos essas flores que fazem tapetes que falam.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

a vida é tão louca!

blog privado, blog público e twitter se confundindo nas funções. rs. funny. foda-se

el desdichado, el hierofante

desnaturalizar como meio de pegar os pontinhos pequenos e mostrar seu elemento desordenador

sabe que quem sabe nunca (ou: sob o signo do cão)

quando é que de repente vou te recriar em minha lira? vamos ver. tamos aí na expectativa.

em alto e bom

eu me revolto contra as respostas definitivas e finais e reafirmo a vontade de sorver os bons goles de muito do há-de-vir e de cada instante

tremulações retinhas

ei, tem alguém aí? vc tá escondido? é isso?


medos. pff. rir na cara do perigo.

prefiro não temer naufragar. prefiro naufragar se pá.


reafirmo minha profissão de fé, he.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

nota pública

escrever uma carta a partir dos pequenos fragmentos que são entrevistos contando como é do lado de cá

terça-feira, 21 de setembro de 2010

restos rastros rotos são com erres e nem são erros

estou me rodeando desse tanto de coisa aqui em volta pra depois ter história pra contar. pra fazer novos enredos e tapeçarias. com os pombos correios conseguiu reduzir o exército do inimigo quase inteiro, mas restou um. a beleza de um resta um. mas quem sabe minhas mensagens não façam o mesmo. vou preencher cada linha possível, vou costurar incessantemente, assim acho o fio de saída, assim acabo com o frio no mundo, assim eu... também napoleão, ou madre teresa, e risível. falta uma camiseta que eu possa pintar um jogo da velha que vá dar velha. é tanta coisa pra viver, e esse vento fazendo os moinhos girar, mesmo que nessa rede deitado aqui, e não estou como um peixe oh não, não é senão momentâneo anteparo, uma pausa, um hiato, dá-me forças, dá me luz. me rodeando desse tanto de coisa e com elas dizendo mais um monte para sei lá o que. e mesmo assim, que incrível!

na sacada

chãaaaaao imundo, dizae, vc também é uma metáfora? BRINKS

no vão

medo das metáforas, medo das identificações, medo dos desrumos e deslugares onde posso ir parar

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

riscando

que hora que pode cair da cama? tem que dar errado até domingo. se não, fodeu.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

De Porres

Encontrei o amor de verão numa noite de inverno fria e seca. O álcool deixava as coisas enxarcadas, é claro, e a secura não era da alma, senão da relva. Na medida, contudo, que alma e relva poderiam se equivaler, e a paisagem externa e circundante sendo nada menos que símbolos num sonho-pesadelo, prefiro fazer a ressalva. Você manchou meu casaco de alguma coisa, não sei se cachaça ou porra. Penso que do tecido desceu pra pele, impregnando, e nada de água e sabão pra ajudar. Penso que reclamei, mas nem consigo me recordar se era cachaça ou porra, quanto mais se reclamei ou não. Talvez eu tenha murmurado. É, talvez. O teto da barraca era verde como a relva, que não era verde contudo, era amarelada. Parecia que estávamos virados de cabeça pro chão, loucos admirados com a vastidão de um mundo em minúcias. Coisas como o número de pintas no corpo entraram na pauta do assunto, e meticulosamente passamos por cada, como numa reunião ou análise. Penso que estávamos bêbados, não sei foi você, eu ou outra pessoa que sujou de fato o casaco, mas fica como se a noite estivesse abaixo de minha pele. Estávamos na verdade muito bêbados. O casaco grudou na minha pele por completo, e me sufocou até que eu quisesse me atirar de um abismo. A queda livre sempre me atraiu tão doce. Cantando, meio sereia. Uma noite de inverno fria e seca. O amor de verão. Eu jamais vi seus olhos. Estava escuro, amanheceu em algum momento, mas ainda estava muito escuro. Estava escuro pra caralho.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

O Artesão

A cada dia que te componho, deito pensando em refazer, quando imagino o maremoto a vir. Isso quando não já o sinto intuído em cada pêlo que, eriçado, pensa tentar escapar vazado pelos poros. Como se fossem balas de canhão-de-circo, imagine. Meus trechos, suicidas como peixes de aquário. Vez dessas acho que li, ou lembrei de uma velha história de avó, que não podemos tampá-lo, o aquário, sob pena de matá-lo sufocado. Pobre é meu mim, que jamais sequer um peixe, menos ainda aquário, sentindo arrepios, dificuldade de respirar, e intuindo maremotos.

Noite passada, vou dizer porque se eu não disser me escapa, e eu limito para que isso não se dissolva, pensei em te envolver de ataduras e rosas. Pensei nos espinhos, duais, a ferir pra dentro e pra fora, e que se eu te abraçasse só poderia ser por engano, igual ou quase a cortar o dedo por acidente em folha de papel.

Retrasada, ou há umas três semanas, vai que o sonho foi o mesmo e nem sei dizer, assim tampouco onde estão as meias com que pensei em calçar seus pés antes de lhe botar coturnos. Nem parece mas é terno, meu terreno. Nesse e somente nesse agora. Como se me abraçasse veludo e vinho. Meu mapa de minha cabeça, por cada fresta que entre a pólvora, um percurso de fios entrelaçados criando explosões sucessivas. Depois me digo baixinho que fogos de artifício são sucessos. E se der errado, coloquei-lhe ali bem-bem uma boa armadura, de prata e ametista incrustada, e passei essência de violeta em volta de sua nuca. Dizem que dá sorte pras tormentas. E que sempre lá vem elas, a gente também ouve, com os pássaros.

Acordei daqui há um mês louco de vontade de te ver nu, mas devo lhe dizer que mal consegui enxergar coisa alguma, porque ou seu corpo piscava sem cessar em tudo quanto seria cor, ou ele se escurecia tanto que só câmara-escura. Só que eu não achava o por-onde, entende? E se eu lhe perguntasse o pelo-quê?

Justo dizer que, a cada vez, além das necessidades, mais ainda talvez, me diziam os ímpetos de testes. O que eu dissesse o faria uma obra a cada dia, naquela base de cera pálida. Sem face. Já lhe desenhei piedades de madres, como também fúrias de genocidas. Só queria saber, inocente, o que lhe caía melhor na cara. Que tom que, em seus olhos, ficaria mais brilhante. Que o gesto de sua boca, conjugado com a flexão de sua testa, e tudo que emaranhado como que num concerto, pudesse fazer cegar. Dessa inocência que disseca sapos.

Aquele dia de noite de vento incessante, balançando as janelas, todo o movimento do mundo à espreita, e antes do amanhecer pulei da cama, inundado por uma idéia fixa. Mirei o nascer do sol durante tanto tempo, tentando roubar com os olhos todos aqueles tons, e a luz derramando-se pelas coisas tentando lavá-las. Saí então: semanas pelos bosques: a colher flores e galhos: para compor pigmentos. Fiz vestes que tentassem fazer justiça aos bons presságios, azuis alaranjados avermelhados amarelados avioletados e todos os mais tons possíveis. Parecia um pássaro do paraíso.

Fim de tarde, dia exaustivo, atulhei sua boca, que a fiz com um buraco, com feno e um pouco de cimento e areia.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

testamentando

acho que quero que minhas cinzas sejam jogadas pelo céu presas a fogos de artifício, misturadas na pólvora e no colorido.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

há uns quinze minutos atrás

sonhei com você. sua cabeça saía do vaso sanitário. e eu precisava mijar toda hora, mas você sempre ficava abaixada nessas horas. teve um momento em que você ficou puta, porque quando eu dava descarga você teve que ficar abaixada, pela sei lá, terceira vez. eu pedi desculpas, mas eu não tinha outra opção.

domingo, 12 de setembro de 2010

impressão

como se no fundo da página houvesse alguma coisa escrita numa letra secreta. só se enxerga se se joga um líquido. mas não tem como saber direito qual. aí se tenta as várias opções possíveis. desinfetante, molho de tomate, suco de maracujá, chorume. não se sabe dizer se funcionou ou não.

como se no fundo do alçapão houvesse o monstro. ele é uma fera ancestral, urra. está regenerando e sendo amputado todo dia santo e santo dia, e todo dia é santo por ali. seu braço, atado em tiras de couro quando ele ainda dorme, assim que brotou novamente. e ele ressurge como um grito, o braço, como uma explosão, e dói um absurdo. e as tiras de couro o envolvem, sozinhas. e ele aguarda, sempre com toda impaciência, pensando se talvez a lâmina não vai cair hoje. mas ela sempre cai, e ele não pode saber quando. e é isso. pobre monstro.

sábado, 11 de setembro de 2010

pra hoje

sair do labirinto, me jogar no mundo

we are all in this together

nem sei se ainda consigo brincar do mesmo jeito, assim. dessas coisas de antes. há uma mania recente de fechar chaves. aliás, eu consigo brincar sim. não é do mesmo jeito. nem é nunca é. rs. eu tou tentando fazer uma coisa que nem é o que necessariamente tou acostumado a fazer recentemente. porque fica insinuando em mim esse tom de salvação. e meus nojos não conseguem ser plenos. e pro fogo, eu me coloco, me imolo, se pá sem ver, às vezes vendo, oferecendo as costas pra chibata sorrindo. se toda a comunidade quer o meu sangue, vamos lá, deixa ele escorrer na terra e, de repente, vai que aquelas flores mortas renascem? vai que? esse meu talentozinho pra caricaturas, se eu fosse versado no desenho, me levava longe. ainda vou, se pá, sei lá. o que tenho agora é esse monte de palavra, elas se chocam, elas se abraçam, se irmanam, se pegam forte uma com a outra, se pá até se fodem, e deixam vezenquando o rastro de muita zona pela casa. pernas pro ar.  lividez é uma palavra bonita, me ocorre agora. lívido, de ódio, de prazer, de sei lá o que. também gosto de guarda-chuva, da palavra, da noção. tem os tais dos ipês amarelos, e tem também as árvores secas, e tem uma pá de coisas gostosas. mas vamos ao rol dos tons amargos. alguém disse lá que o doce não seria tão doce sem o amargo. e quem é que quer, afinal, saturar as papilas gustativas? estive pensando. palavras. estou pensando. hahaha. o que diabos é um pensamento enquanto a gente escreve. as coisas vão se montando. é bom que sei lá. eu sinto assim mesmo. indo onde pode ir. palavras. tem uma aí de dizer que flutuações de humor bruscas assim. um clima desses. nossa. ora chuva-tempestade, ora sol-escaldante, que cristão que aguenta? sei lá. real que não sei. deixa quieto esse não saber. deixa ele de boa. e nem falei dos tais dos nojos, mas eles estão aí. deixa eles também. só deixa.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

botânica

os ipês amarelos têm salvado minha vida.

complementando "limpidez"

lembrei do apanhador no campo de centeio. que sonhava em eternamente apanhar todo mundo que fosse cair. puta que pariu! é fodido demais. é bonito demais.

limpidez

eu queria, nesse exato instante, poder sugar a água do peito de todo mundo que estivesse afogando.

de um momento

sentimento bom que diz que eu conseguiria ir como rolo compressor. consciência boa de saber que sentimento é sentimento.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

andas que nos elevem

acordou-me hoje uma vontade de que, hoje por hoje, as roupas estivessem todas espalhadas, e que eu jamais achasse aquela conta a ser paga no meio de garrafas e bitucas, e o telefone dentro da geladeira, os livros todos abertos em cima da cama, a pia vazando e a paz de não ter nada no lugar, nada.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Andarejando

Caio, penso que nunca poderei lhe agradecer o suficiente: por seus olhos claros de mel, pela poesia que você me deixou nos dias, e pelos ossos quebrados. Se é que não sejam a mesma coisa. Se não usei naqueles dias  uma tala no braço por seus olhares. Mais provável que tenha sido numa daquelas brigas, que eram brincadeiras de lutinha. Era engraçado. Até caí da cama. Como mulher, penso que sou frágil, mas achava que era forte. Você me veio com nada nas mãos e brinquei de Bethânia, seu posseiro, seu tolo. Eu não sabia o que era sentir sede antes de te conhecer, aí aprendi que misturar rum, gim e uma pitada de tabasco poderiam funcionar bem. Seus dentes tinham cor de tabaco, e você me dizia que Eu me viro, te firo, eu reviro, te respiro, e eu ficava algo como derretendo. Nunca fizemos aquela viagem, a não ser em minha cabeça, e ainda imagino minhas pernas para fora do carro enquanto você cantarolava alguma coisa, porque o som estava estragado. Eu só conseguia olhar nos seus olhos mesmo quando você não via mais nada, e era seu olhar que espalhava uma poesia pelo meu dia. Hoje sei que ela é silente, nos seus tempos, verborrágica. Eu nunca consegui entender como você conseguia arrumar tanta coisa para falar, Caio. Não imagino que haja tanto no mundo, se não em sua cabeça. E agora na minha, à medida que sua, à medida que só minha, à medida que indo embora nos seus caminhos de sei lá onde. Será que você praticou balonismo? Será que foi à Compostela? Eu não espero um postal. Bem Caio, tive outros homens, tive outras mulheres, encontrei um pouco de mim e de você em todos, e acho que esse é a grande chave. Deixo um beijo pra você, que quem sabe leia essa carta um dia? Deixei com sua mãe porque penso que, se as coisas são como a gente imagina que são, um dia você volte a amá-la. O amor salva viu, Caio? Prometo-juro.

domingo, 5 de setembro de 2010

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Com Uma Brisa de Verão

Estou de vigília, Sara. Se a gente dormir tudo acaba, Sara. É que amanhã o dia vai ser o mais cinzento, menina minha. Se ao menos eu puder manter meus olhos abertos e meu foco aceso, para você e para nós, brincando de esteio e âncora nesse fim de mundo. Você me diz baixinho, meio que lamento misturado de oração, falando pra quase ninguém ouvir você não corresse o risco de ofender, mas cê sabe né, que assim, bem assim, não se coloca nem se afirma, não põe o pé em cima das coisas, e se aninha por entre uma de minhas curvas pedindo festinha "Ana-ana-ana, que é que será de nós, ana-ana-ana?", e eu nem lhe digo nada, só te olho, e não sei se te censuro, se julgo, se acalmo, se aclamo, sei que te olho, e ao te olhar assim parece que pela minha retina você, atravessada, entrou pra dentro de mim.

Passa pela minha cabeça assim, Sara, bem de relance, e me tento a repetir seu nome, gestos, lábios, testes, restos, que na vida passada fui fiel cavaleiro de uma dama nobre. Nesses muitos jogos de cena estou aqui reproduzida como que saída do mesmo molde. Penso que meu cabelo é um pouco mais curto, e os olhos mais escuros, e é pra tentar segurar, diz em mim o lobo mal, ao menos um pouco, desse tanto de coisa que invade a gente e deixa caído aí estatelado e cego. E como que eu posso te guiar cega, Sara? Fingindo que eu enxergo?

Sara, e não olha agora não, mas ouve aí o tanto que as janelas estão tremendo. Não abre os olhos seus nunca mais não, Sara, pra que? Que é que mais você quer? As coisas todas fora de ordem, parecendo fim de festa? Nem me pergunte se acho bonito, Sara, esse tanto de balão estourado caído no chão e restos de casadinho pela metade. Sabe muito bem que nunca te falaria, né? Sabe sim. Coloca as mãos no meu rosto e tenta adivinhar que cara que estou fazendo pra você. Só assim que posso te mostrar o mundo, anjo meu.

Amanhã vai ser um dia muito muito complicado, minha menina, o mais sombrio e atormentado dia de nós. Dorme aí e não acorda mais não, fico aqui velando seu sono, deixo um beijo em cima de cada um dos seus olhos, e a gente deixa o esquecimento varrer qualquer coisa de nós duas que ficar pra trás.