segunda-feira, 30 de agosto de 2010

de volta a

e se não me esmaga,
mas na verdade
comprimido
entre
os
muros
fechando,

e sentindo aquela vontade de escorrer,

e se não me esmaga,
e um canto de sereia que diz
fuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuujaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa
de um jeito tão longo e eterno
ecoando longo e eterno
que não morno, mas perfurante

(e um coro delas, loucas,
cabelos desgrenhados e algas e conchas,
e pérolas e minhoca, tudo misturado,
faces da morte e foices da sorte,
repetem fuja fuja fuja ora mais agudo ora mais grave

e as imagens que encontramos no fundo do mar
varrendo com mãos sem garras ou dedos
- e por isso as mãos sem garras ou dedos sangram -
e as imagens elas só vêm
com tanto esforço, tanto pesar,
e tão pouco e tanto dizem
que só como um tá bom
tá bom
nem tá
mas tá)

e se não me esmaga só sei que,
não intuo, sei que,
poderia ser tão pior que,

se fossem as minas de carvão
e os trabalhos de hércules
tendo perdido o amor da vida
ou a esperança de redenção,

(e imagino quem
seria esse que
a viver e seguir sem
imaginar uma porra de
um mísero
novo sol)

daí me lembro de relance que
me lembro de relance que
é larga a fronteira que há
entre a consciência de
e o sentimento de
e a dura realidade de
tragédia grega.

e mesmo que, explodindo, de volta,
me sinto.

e ainda que, de volta a, esmurrando,
me sinto.

mínimo, mínimo, mínimo,
um exagero de mínimo,
que balbucia
e silencia.

mínimo, mínimo, cadente,
um desfolhar de gente,
que balbucia
e silencia.

mas então,
tento resistente,
então, tento resistente,
oferecendo, vermelha, uma maçã
a mim e ao que for.

mas então,
se não me esmaga que faça,
virar aço minha carne, me faça, e em frente,
pronto para, em frente, e tolo,
brincar, de rolo-compressor, brincar,
meio bêbado, brincar,
num jogo dos mais divertidos, brincar.

enfim, brincar.

como bolinha de gude,
que é toque e canção,
ou passar anel,
que é lero e tensão,
até mesmo pique
pra dar corda e pulsão.

como se fosse fácil,
como se fosse fácil,
como se fosse muito muito muito fácil,


e que seja.

valeu, kathy

"_Não é mesmo, querida? - disse Laurie."

domingo, 29 de agosto de 2010

Se sei lá não sei

Se acontece de hora dessas você se desencontra e acha e casa e depois enterra ela de câncer ou uma virose dessas potentes que vem aí nos ranger dos dias e nos fazer delirar de febre e ânsia, se aí então com seus três filhos e anos depois você criogenicamente congelado e eu sei lá como ou porque também, se talvez assim a gente se topa numa rua daqui três mil'anos em Saturno ou Plutão e já terão restaurado nossa juventude e rosto e viço e o inesquecer e eu lembro de você como se fosse num sonho estranho e sorris e saco pelo olho que é, olhar e derramar espalhado parecido com quando um geiser grita pro alto, mas em câmera lenta,  e hiroshima e nagasaki na beleza plástica da bomba descolada de contexto. Se às vezes assim vai, às vezes assim a gente foi, porque já está desenhado nesse e-t-c. (e é preciso ler esse e-t-c pausadamente)

sábado, 28 de agosto de 2010

e viva os gerúndios

estando. intransitivo. delícia.

alumiado

hoje na rua andando vi tanta criança bonita ora pulava ora se mexia e engraçava-se de si sorria só ali existindo mesmo que me fez ter vontade demais de largar tudo e ir aí por lá e acolá e seilá pra olhar e pra tudo e pra tudo quanto é coisa possível com olho de vez primeira e deslumbramento e deslindamento.

conjuntando

etimologias curiosas: deslumbramento é ficar sem luz. perder rumo. mas é ganhar luz, no inverso reverso. deslindamento, pode ser perder lindeza, mas ganhar a real lindeza, no verso do reverso do inverso do verso?

pensar também, sem analogia alguma com o anterior: purgatório, purgar, purgante.

mais uma notinha pra depois construir num texto: te desejo forca. coloque o cedilha no c caso queira.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Doçuras

Do que é que ela estava falando se era só mais um dia como qualquer outro, exceto pelas muitas folhas no chão, a casa em desordem revirada, ela disse que pensava que tinha sido um ex e eu virei um tapa na cara dela, mas era só mais um dia como um outros, sorri com muita beleza e graça e disse meu bem, meu bem, meu bem, você sabe bem como mereceu esse tapa, ela riu de volta, acho que com algum tesão, acho que com algo incerto mexendo dentro dela, e se sentou, esperando ver o que viria a seguir mas.

Nada viria. Ela dizendo que era importante que no amor a gente vomitasse bastante. Disse que leu num livro. Que no amor a gente comesse a carne do outro. Cortasse os dedos, jogasse água na cara para acordar, vinho na roupa pra deixar bem marcado o cheiro. No amor o mais importante era a denúncia. Eu disse que fazia sentido. Na parede tinha algo escrito, deve ter sido o filho da puta que deixou ali anotado, era algo como dizendo que sem sujeira nada valia.

Eu tive que concordar que ele tinha estilo. Quis até conhecê-lo. Perguntei sei lá o que diabos o pobre estaria procurando. Ou se era rico, e na verdade veio nos deixar conselhos, e a televisão quebrada e roupas todas no chão parecendo tapete e os livros jogados de folha arrancadas também seriam mais uma mensagem. Quis até comê-lo. Perguntei se ele já fodeu ela por trás até que ela se cagasse toda. Enfiei a mão na boca dela e perguntei bem alto quase gritando meio insano mas no fundo bem calmo o que tanto ele conseguiu colocar ali.

A situação, eu tive que concordar, na verdade, muitos acordos, parecia mesmo um momento de conciliação, ela olhava para mim com grande expectativa, eu tive que dizer que era uma situação, eu concordei, ela disse que tudo aquilo devia sim dizer tanta coisa que nem dava pra imaginar achava que ele queria mostrar o caos ou simplesmente procurava um anel que ela havia roubado ou ele podia ter deixado algum feitiço por ali e se não era melhor que lavássemos tudo e colocássemos ao sol disse que ouviu dizer por aí que sol purificava de tanto esturricar.

Eu disse que foi que eu disse mesmo eu disse foi que daquilo não tinha saída, e que era só mais um belo dia como os outros exceto que fazia tantos anos que Getúlio tinha enfiado uma bala na cabeça e foi da vida praonde mesmo, pra eternidade, é isso? Eu podia escrever na testa Getúlio, na minha e dela, e pegar uma arma, botar na mão ou na cabeça, e iríamos para uma terra diferente. Os livros e as cabeças também viram pó, Getúlio, quis conversar com o presidente e dar alguns conselhos. Se aquieta, rapaz, se aquieta, meu amor, ainda vamos lamber as feridas um do outro por muito tempo. O importante é se sentir sujo, minha linda, minha porra.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Direto do Durante

Eduardo, ô Eduardo, penso naquela coleção de máscaras suas e imagino se não tem uma que serviria pra esse exato instante! Acabo de voltar da rua, e além de ventar muito, e eu não estava de todo preparada, de modo algum, para o que viria, meu cabelo ficou todo bagunçado e até mesmo meu lápis saiu voando - além disso tudo - havia todo esse frio esquisito de agosto. E você sabe que deveria ser quente, Edu. Já sei tão bem de tudo, Edu. Sua viagem ao fim do ano me dói um pouco. Eu nunca vou encontrar alguém como você, e vou. Vou encontrar tantos. Até isso me dói, Eduardo. Queria fazer uma estátua sua e ficar agarrada nela, beijando até a boca cansar. É bom saber que minha boca ia cansar, mas eu preciso esperar, Edu. - tenho até um certo medo de que ela não cansasse, mas tudo bem, prefiro acreditar em unicórnios de qualquer forma - Papai Noel esse ano precisa ser generoso comigo. Na beira da cama quero ver duendes. Mas se fosse de sal... Ou muito doce... E é bem uma dessas maciças, sem gosto mesmo, entende? É tão duro, Edu, sentir as coisas voando assim ao redor, Dorothy e as vacas. Esse eu intranquilo meu de agora, que de tão intranquilo quase me dá uma tranquilidade de pano de fundo. E vou beber vinhos, e comer queijos. Depois, escovar os dentes. É a ordem das coisas, Edu. Prefiria às vezes começar pelo final e ver a coisa até o começo. O gosto bom que vai durando demais também enche o saco na boca. Ah, Edu, sabe? Pois é.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

me chamo nicolas behr sim

cara, é surreal a beleza dessas coisas. fico me sentindo esparramado por brasília, mesmo cidade síntese, confluência de coisas múltiplas, beleza de brazis e etc. essas coisinhas pseudo-idealizadas pseudo-inventadas. tradições que são fake são divertidas. explicita o caráter maquinal das coisas. ainda imagino, se pá, um dia as pessoas se casando com robôs. dá medo do futuro. mas dá tesão. as coisas indo pro fim de noite, jogando confete em tudo. celebro o ocaso. me lembro do bigodudo. do cara lá de cima. da vida, da morte, e de todos seus amigos. do medo que dá criar, inventar, se reinventar completamente, redesenhar universos, e viver ao máximo e no máximo no mundo de gritos. urrando uivando belezas. fazendo toques de fato. vou me encaminhando por aí. sei bem o que quero, e é bem mais de tudo. e é assim que vou. por essas vias paralelas, pelo retorno que é à direita. quero deixar meus pedaços por aí, de forma bem displicente, como se fossem tachinhas para as pessoas sentarem em cima. vontade de dizer pra cada um tudo que pode ser se assim puder ser. é possível fazer muito mais, e isso é tão gostoso. eu senti toda aquela percussão me tomando, e é impressionante ser levado assim. no meio de uma colisão. ninguém é de ninguém, o poder é de vocês. rs. aaah susana! detalhe é que no batuque que fiz e coroei os novos dias. de coisa que esparrama por aí. e faz derreter mesmo, tipo lava. vam que vamo!

sábado, 21 de agosto de 2010

nesse exato momento

arrumando a casa de madrugada, dei uma parada, junto um monte de papel usado e grudo um no outro. ficou um 4x4 de papel. coisa grande. começarei a escrever sei lá por onde, uso uma sugestiva caneta do Freud que foi presente de uma pessoa querida. estou já à flor da pele antes de começar, como se eu fosse encontrar alguma coisa. quem sabe. a gente se surpreende volta e meia. sei que eu preciso de mim mesmo como preciso de água nesse exato instante. e que preciso de registro como precisamos de história. e de historinhas. e cantigas de ninar.

Amor, carro, dinheiro, essas coisas.

Nem sei bem quando percebi que era uma bomba relógio, talvez por aqueles tic-tocs incessantes. O mais gozado é que não tinha visor ou coisa assim: não dava pra saber quanto tempo faltava. Sendo assim, no meio tempo pude fazer desenhos, aproveitei e lavei a louça inteira acumulada na pia, curti alguns banhos de chuva. Podia ser a qualquer momento, não é? Até me ocorreu tentar desarmar a bomba. Afinal, de mim dependia algo como a existência da humanidade, ao menos naquele lugar, tanta gente andando de um lado a outro e eu entendia cada um e cada uma. Uns mais, outros menos, mas eu já estive lá. Sentia como se fosse só questão de espelho quebrado. Não, eu não estava sozinho. Eu, tanta gente, e a bomba relógio incessante. Os tic-tocs. Mesmo que ligássemos a música mais alta, dava pra ouvir de fundo. Quando eu parava, mirava, analisava, qualquer dessas coisas que implicam em colocar os olhos em, um fio era laranja vivo, outro verde-limão mais pálido, um branco feito nuvem de tinta, o vermelho e o negro. Eu queria pelo menos mais um par de mãos para decidir qual fio, e que não fossem meus. Eu não queria fazer tudo voar pelos ares e a beleza daquela explosão e ser consumido em combustão só por não gostar tanto assim de laranja. Eu não queria.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

ararando

eu achei que ele estava falando comigo, mas não saia voz nenhuma. se aqueles gestos eram comunicação, também não sei se peguei. dizem que tem símbolo em tudo aí, mas a construção de causalidade é da minha mão. na medida do que minha mão liga pontinhos, ou por ter aprendido a, ou por querer fazer. não saber o que eu quero é uma boa nessas horas, mas o cansaço sempre me vem no repetir. que eu insistiria em dizer: não é repetir. que eu teimaria também em queimar a língua, e curtir o sol num dia de muito vento. do que eu faria desinências e epítetos, que poderiam ser, de repente, desistências e epígrafes.

pra escrever na parede

ferro e fogo é para golens.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

eae

e bem assim que no dia de meu aniversário tive vontade de fazer uma ode às falhas. o fato de que meu maior reconhecimento de todos é essa humanidade absurda do peito. essa sensação de comunhão pelas desgraças, por um mesmo barco. sinto toda a pretensão ao dizer isso, me localizo enquanto "burguês" do fim da primeira década do século 21, e ainda assim acho risível. que tudo seja uma questão de até onde os olhos vão, e que  pra dizer algo que não ofenda seja necessário tanto e tanto cuidado. eu só queria gritar que é incompreensível mesmo, e ridiculamente absurdo, e ainda assim putaquepariu uma delícia. tudo isso por hoje e pelos dias. pela falta de medidas.

sábado, 14 de agosto de 2010

e ainda outra fábula horrível

Levi e Lana já há tempos se conheciam. Faziam o trajeto da escola juntos, comendo pão com manteiga e acholatado. Pelo sol, pelo cansaço, pela vontade, pela aula ou pelos passarinhos. Por sabia-se lá o que.

Ali por pouco antes do meio do caminho, uma casa rosada e antiga, algo velha, algo notável. Os corações se apertavam, frio na barriga, mãos suando.

Na frente da casa, Levi sempre comentava: que lindo é esse bueiro, que lindo, que tão lindo. Ao que Lana lhe dizia: não, não é, é um bueiro, e é feio feio feio.

Com sol ou chuva, por meses, ou anos, que lindo, é feio.

Tanto tempo depois, e cansado, Levi resolveu arrancar os próprios olhos.

re-des-gramático

e novamente te falei de meus dragões,
e mencionei meus unicórnios,
e de como juntos
nem por um segundo sequer eles
paravam de falar.

e você disse que não havia nada a ouvir.
e que eu devia me cuidar.
mas aquela noite vomitei
vomitei sem parar
um segundo sequer.

todo o tempo saindo pela minha boca
e não eram sons
eram
outras coisas.

posto que

e o que era fogo na palha,
incendiou a mata atlântica,
amazônica, elétrica, hi-tech, galáctica,
queimando o céu e as marés
e cada um das luas de júpiter e saturno,
e as lentes de galileu galilei e de meus óculos
que joguei no chão, pelo caminho,
era uma prece e uma oferenda,
ao caminho,
ao caminhar,
à falta de fôlego,
para que tudo que era chama
tomasse de uma vez o mundo
ou para que uma chuva inclemente
se desvelasse em dilúvio
ou para que nem lama nem brasa,
para que nem palavra incandescente,
fluorescente,
luminescente,
resistente,
reticente...

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

vagalumeando

se beijando bêbados, tropeçando nas coisas e um no outro, e girando e batendo nas paredes e nas telhas e planta e entulho, e de olhos fechados, e é mais ou menos isso que a relação de ambos queria dizer. por aí girando, esbarrando nas coisas, sem saber pra onde, sem ver. que imagem bonita da porra.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

"relato de campo"

tempo que não posto algo relatozinho-cotidiano e tal. aqui no estágio, sentado, "fingindo" que trabalho. na real, trabalhando mesmo. mas é tranquilo ir-e-voltar aqui e ali e fazer, ainda assim, o que é preciso ser feito. e na real que meu método é assim mesmo. raramente dou conta de ficar parado no computador numa coisa só, sempre mil abas abertas, e etc. volta e meia acabo abrindo mais coisas que posso. olho maior que barriga, desde sempre. como disse uma pessoa querida, como disse adriana calcanhotto em três, como eu já disse vez em outra: algo como querer engolir tudo ou o mundo e muito mais e etc.

essa semana tenho dormido pouco pouco e bebido todos os dias. hoje é quinta. vou beber de novo. e amanhã também acordar cedo. e, bem em linhas gerais, tenho feito tudo quanto precisa ser feito. uma sensação de estar vivendo com intensidade, saca? uma das melhores fases da vida. ou semanas, rs. ter conseguido o estágio tem sido genial. toda essa pilha que eu tenho sentido também tem a ver com isso.

terça feira saí do pet. foi minha última reunião. meio que fiquei pensando em coisas e coisas. reflexivo, nostálgico de leve, até quase chorei pitangas, e tal e coisa. o pet foi tipo crucial na minha graduação. sem ter feito parte do grupo pet eu seria muito mais burro, e não tou pagando de gatão nessa não. tive acesso a uma possibilidade de leituras completas, discussões abertas e reflexões que dificilmente são realizadas devido à dinâmica dos cursos expositivos de sala de aula.

foi também com o pet, em certa ou grande medida, que fui sacando que a minha onda não é a academia. que a academia me engessaria. que eu quero sair por aí explodindo, como disse também uma pessoa querida, "poesia viva explodida". e é isso mesmo. realizar vários projetos, sentir-me bem, não ter que jogar ESSE jogo, mas jogar outro jogo. porque tudo é jogo, e eu já sabia, e ainda sei. e a construção reconstrução é constante mesmo, tipo o desejo que é lava e pó e depois nada com hilst, e também nós, não é? e do nada ainda surge o desejo, se pá, eventualmente.

essas grandes questões ainda me fodem. o que veio antes do pensamento? ha. rs. e o vazio? e antes do vazio? existem vários mundos mesmo? somos agentes ou constituídos? até que ponto vivemos ilusões? e as crenças, são nossas ou sociais, e em que medida? toda essa série de coisas que me instigava desde pequeno, aqui colocadas numa roupagem misturada, jogando as minhas velhas fraldas ao lado de minhas atuais gravatas. e as fraldas e gravatas são, e não são, simultaneamente a mesma coisa. aí me abismo. aí que vale a pena. aí que arrepio.

o pet me fez ter o contato com essas reflexões, assim como meu curso, mas de forma muito mais continuada. e agora, saindo do pet, reconhecimento que meu tesão maior por teoria é pelas grandes-questões-da-humanidade e tal e coisa. e, só me dá tesão, porque posso fazer poesia com elas. é isso. não há respostas ou consensos possíveis. só há desenhos. que a gente faz e constrói. com elementos que também são desenhos. a gente desenha com desenhos, nem retas existem. pensem na puta conjunção.

e é isso aí.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

mais uma fábula horrível

Tito ganhou três bonecos de pau. Moravam numa casa à beira de um penhasco, e o ar em volta era cinzento, e a casa quase caía nos dias de chuva e choravam juntos e rogavam. Mas não caía. Nunca caiu. Tito achava aquilo engraçado, que rogassem e não caía. Obviamente, ele testava. Rogava para que não apanhasse de pai e mãe, e apanhava. E de Bela e de Clara e de Caco e de Jó. Rogou também pelos bonecos. Deus lhe parecia algo caprichoso. Mas pai e mãe também tinham suas rezas. E se pedissem a deus que Tito fosse infeliz? Às vezes pensava.


Aos poucos o pensamento cresceu. Era como uma bolha inflada. Tito não se aguentava. Abria um buraco na terra e gritava o pensamento. Mas dele não saia nada. Quando mijava, pensava se o pensamento não podia escorrer junto. E não escorria, mas pensava porque uns pensamentos vão e outros não. Era estranho. Soluço chato.

Aos poucos Tito mudou. Ria menos. E assim também apanhava menos. E ele não sabe explicar porque, mas. Era como se fosse aquilo mesmo. Gostava de seus bonecos de pau tanto que um dia resolveu quebrá-los em pedacinhos. Depois, queimou-os. Sentiu um prazer imenso de destruir algo seu. Dentro de si parecia que estava borbulhando. E naquele dia choveu e a casa quase caiu de novo. Ele chorou junto, rogou, mas por dentro sabia que não. Era só um pensamento.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Casinha de Lençóis


pra fim dos tempos: é quase porra demais.
sei lá se assim que é bom, algo intragável.
se estourar, eu estanco. rsrsrsrs
algo como uma leve ironia...
"azul, músicas são como tatuagens"
então nada que saia com sabão assim
nego: ilusões!
até que eu possa, até que eu possa
nas coisas que nunca
e eu mesmo me atravessei
e estive de alguma forma em algum lugar
e foi tudo. eu explodi o que pude
no momento que me pareceu adequado
e no chão deixei os pedaços
de olhos bem fechados
e boca
farsa cantadinha derrubando muros
dedilhando as cordas, quase a sorrir
de tudo
me adentrando
três ou quatro vezes me adentrando.se bem que, por bem, só faço.
é só o que daria.
comi da árvore do conhecimento e ela era morte
como taquicardia e fim
tão frio que busco meus edredons,
tão quente que preciso do chuveiro e sons,
e sins. eu nem me lembro mais da cor do hálito do gesto.
sem saber que eu quero o que quero,
sem saber o que quero,
sem lembrar se quero,
o quanto quero,
e rodeado de truques de cartas. e como? eu quero pintar de preto
pintar de preto e ver meu reflexo
e olhar para os meus olhos e ver infindo
exorcizado, aparelhado,
como que pra guerra.
dou bom dia aos meus demônios,
com sorrisos e incenso nas mãos.
que não faça diferença alguma,
e que faça toda diferença do mundo,
que eu não seja nada,
que seja só amor.
o caos é um polvo que me abraça,
e nunca diz se sim ou se não. muito gim a encharcar lençóis,
muito, muito, muito gim.

des-gramático

foi quando te falei de meus dragões,
e então você disse que não havia
coisa nenhuma,
(ou assim entendi,)
é que meus dragões sumiram.

agora,
sinto falta de meus pesadelos
como sentiria de um braço.

À Beira do Rio e Às Luzes

Numa cidade com tanta água, era como se estivéssemos rodeados ou ilhados, e também como se fôssemos dois vira-latas muito molhados de chuva. Mas foi ele que sentiu meu cheiro, sei lá como e porque, chuto que pelo jeito que minhas mãos tremem ou pela minha língua levemente presa. E é pelas falhas que a gente faz as belas fotos, penso eu. Ou pode ser simplesmente que meu nariz estivesse lotado de pó. Ou muito vento nessa época do ano. Um tapete de folhas no chão. Varrendo o que caiu de mim pro rio. Depois tudo evapora e volta como granizo. Espero que faça alguns estragos, diria que isso aqui está precisando. E de nossas conchas de mexilhão nos achegamos, mesmo correndo risco de morte ou de se afogar. De repente até sair voando. Se falo de minha pele, e só de minha pele, é que é só ela que aqui pulsa. Quero um colar de contas, conchas e semente, vai, e quero você também.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Escrita Com Bile

Pelo dia afora e adentro,
te mato duas, três, quatro,
até nove vezes dia desses contei.

Te vejo levado pela maré,
e de volta tão somente suas vestes.

Te vejo lá abaixo em um abismo,
pensando no rio que seu sangue faz e corre.

Te vejo voando ao sol
e você inteirinho derrete,
porque você é de cera, carinho,
de cera alumiando noites escuras.

Fico sempre em aflição,
a cada queda de dia,
a cada queda no chão,
e a cada queda que tivemos,
e quando cai o sol e as estrelas,
e o dia é sangue e sangue e sangue,
Se você renasce ou não, carinho

Dize-me.
Dízimo ou
Dizimado?

blém blém

toda viagem de ônibus longa penso sobre isso. tanta coisa no brasilzão a se ver. pela janela mesmo. sacando cada tipo de vegetação, querendo comentar com alguém da igrejinha são francisco de assis, no meio da belém-brasília quando ela passa pelo maranhão, ou da louca e estranha vida dos caminhoneiros. alguém comentou que morar na beira de estrada deve ter sempre cara de partida. eu diria: gosto. e também, gosto de saudade, eu diria. dessas que se sente sempre. saudade de dizer o que não se viu e do que não se viu. e de quem. segredos embaixo de lençóis. ninguém sabe, ninguém soube, ninguém nunca viu. o sol pela janela na película azulada, e tem uma fresta no insulfilm. e sei lá. outras cores. belém tem cheiro forte e toca tecnobrega. e tem esse gosto de saudade do vivido e do que vem.