terça-feira, 29 de junho de 2010

em tópicos vai mais fácil (e desce mais gostoso)

1. Por alguma sina dos diabos, algum ebó que fizeram para mim, vai saber lá o que, ainda não consegui me embebedar em nenhum dos jogos do Brasil na copa. :( Espero que pra semi-final role. E espero que cheguemos lá, é claro. E gosto do Brasil na copa como gosto do país. Aprendi desde cedo a vestir a camisa. Simples assim. (e claro que há uma espécie de sentimento de comunhão e lalalá - e claro que isso é alguma espécie de transcendência e tralalalá - e claro que durkheim e mais uns brothers explicam isso bem também e larilá)

2. Com medo de algumas respostas, evito o interrogatório. Quanto ao diagnóstico, passo longe dos exames. E por aí vai. E o que falta não é só poder se dar a momentos de luxo e redecoração de interiores, pois que a vida de fora de casa se nos grita. Mas também isso é uma falta. Pra além disso, tenho gostado de me rodear no cotidiano de boas companhias. E, inversamente e não intencionalmente, fujo de certas cartas.

3. Sabe vontade quase desenraizada quase surpreendente de sentir, tocando algo, o toque? E me vem, como imagem, uma aprendizagem livro dos prazeres e gosto do vento. Outras horas, com outros signos, do tabaco mesmo.

4. Linguagem linguagem linguagem, porquem me tomas? Me sentir alheio e sentir em mim as ondas. (ou: em minhas ondas, do oceano de dentro, de maremotos tormentas, mas também de brisa areia vastidão & grão de plenitude)

5. Os dias se acumulam e aos poucos viram uma massa indistinta. Não pelo marasmo, mas pelo brilho eterno. Qual a cor do esquecimento?

6. Do tópico 1 para a sequência foi uma mudada de ritmo digna de Radiohead. Acho simpático.

o velho par perfeito #4 ou #5 ou #6, não sei direito

qualquer coisa que misture castelos de areia na beira do mar com uma dose de dúvida que ocorre quando vemos que a noite está chuvosa e nos perguntamos se amanhã teremos praia.


ou alguma outra coisa que envolva tijolos e argamassa. com poucos recalques, mas muita tinta. quadros pendurados, decoração exótica, misturando um quê de antiquado ao avant-garde. alguns pedaços sem pintar, escritos pela parede, lençóis sempre em desordem e a necessária segurança de ter sempre água gelada por perto.

eu, o frankenstein de mim mesmo, (ou: trecho velho de algo pouco trabalhado, porém curioso #5873)

eu, o frankenstein de mim mesmo, compondo-me e recompondo-me de cadáveres e restos. dos braços abandonados pelas encruzilhadas, também daqueles que roubei de túmulos. confesso que andei assassinando algumas moças jovens também em busca de arcadas dentárias. ou seriam sorrisos bonitos? eu diria que também matei meus pais, ou os levei a morte, mas acho que isso seria outra lenda. ou não é a mesma? ou fundamentalmente, não é desse todo indistinto que viemos? e qual a diferença de que eu, conjuntado em artifício, teria de qualquer outra pessoa?

imagem mental pouco trabalhada, porém bonita #6543

Um inferno onírico, cadavérico porém intensamente colorido, frida kahlo, kandinsky com momentos de colorido com frieza extrema, borbulhantemente colorido, carnavalesco, burlesco, distorcido. Do naipe do caronte da sala de estar da sala de casa. Plenamente caótico.

domingo, 27 de junho de 2010

semantemas em barcos

"Far away
The ship is taken me far away
Far away from the memories
Of the people who care if I live or die"

"We sail today
Tears drown in in the wake of delight
There's nothing like this built today
You'll never see a finer ship in your life
Along the way
The sea will crowd us with lovers at night
There's nothing like this built today
You'll never see a finer ship
Or receive a better tip in your life"

-

penso que pegando essas duas unidades de sentido em si, que peguei por semantemas pela associação, como se combinando dois trechos de músicas eu combinasse duas idéias de situação. e pensando nos barcos de monet, e o barco na parede da sala de casa em goiânia que parece que navega sonhos, e também naquela imagem quase-sonho minha dia desses que posto a seguir, e a expectativa de viagens e o pressentimento de finais, tudo isso me pareceu bonito pra caralho e eu quis guardar/expor.

-

Começo do percurso é como um barco indo por uma atração de um brinquedo de parque de diversões e passando por dentre um túnel longo que desemboca num mar. O mar nem se vê o horizonte e vai se seguindo. Ensolarado. Começa a chover, e segue-se em frente, sem ver horizonte. Passa a chover muito forte. Estou no convés. A chuva assusta, tempestade e etc. Depois a chuva amaina e é até gostosa. O barco segue. O sol abre, por entre muitas nuvens, sentimento muito bom. Anoitece, noite meio violeta-boreal, bonitíssima. Segue. O barco toma um percurso lateral. Passa por um momento de neblina intensa, avista-se, sucessivamente, um esqueleto boiando, avista-se um navio naufragado, e por fim uma mão se levantando da água. Começa a amanhecer. Há um arco íris no céu. Se aproxima de uma vila de pescadores, com suas redes jogadas ao mar. Avista-se um farol. Há neblina, e ao mesmo tempo arco-íris. É uma sensação de morno. Vai ficando cada vez mais claro, a neblina some, atraca-se num estaleiro de madeira.  

-

e me vem agora à mente O Sonho de Cassandra e os projetos de ideais, em barcos, que sempre tem nomes de mulheres. e o mundo é só um mar de nomes e seria importante remeter às coisas pelos corretos, diz a sabedoria mística. foi por isso que Supertramp morreu, e talvez seja por isso que volta e meia estou perdendo dentes em lutas idiotas. e tantas as coisas e seus rótulos, uma imagem tremendamente vasta e de majestade, paradoxalmente a deixo estar mais silente do que seria possível. é o que sinto no sabor das águas.

paralelismos

jardineiro de meu pai, ó não me corte os meus cabelos
dalila de eu sansão, ó não me curte os meus cachos
salomé de herodíades, ó não me corte minha cabeça

e deus disse

deus é mesmo um carinha orgulhoso. é preciso querer, ele disse pra nós adanitas. papai adão desdenhou de suas ordens, quis mais. deus diz pra gente: é preciso querer exatamente o que tenho pra lhes oferecer. e mais: "é preciso mesmo que vocês me busquem em cada ramo de folha de louro. em cada suspiro, em cada golfada de ar, é necessário que vocês sintam minha ausência. demonstrem que me querem verdadeiramente ou não me entrego. e mais: nos meus termos. se não for assim, não rola, não quero. e sei demais que vocês adanitas só curtem o que conseguem a duras penas. o que está aí, dado, entregue, não lhes apraz. que seja. se fodam então."

os teólogos sempre me batem umas de pretensão. achar que sacariam algo do que passa na cabeça de deus. acho incrível. agostinho justificando as parábolas bíblicas e as mensagens cifradas, joga: "De fato, os homens que não encontram imediatamente o que procuram são atormentados pela fome; aqueles que, ao contrário, têm-no alcance da mão são muitas vezes tomados de aversão". (em Doutrina. II. VI. 8 - acessado via Todorov, Teorias do Símbolo)

curioso que um dos principais mitos fundadores do ocidente se assente nisso. somos originalmente apartados da plenitude, e sempre sujeitos a julgamento. eis o que o mítico enquanto fundante da cultura e da psiquê nos propicia hoje: eterna busca de trabalho, pois que a natureza/deus/mundo e nós estamos distantes. portanto é preciso que demonstremos nosso merecimento e, portanto, comer o pão com o suor de nossos rostos braços pernas bocetas.

por outro lado, há sociedades por aí que acreditam que eles e a natureza/mundo/deus/seiláoque estão em perfeita harmonia. uma espécie de completude fundante. e o que nos funda é a inquietude. e hoje temos naves espaciais e logo vida artificial. me furto de pensar em melhor ou pior. cada homem, cada cultura, cada sina. sigamos.

sábado, 26 de junho de 2010

credo

"és barro!",
esbarro,
cogito o desequilíbrio com tanta velocidade que a vista turva e logo o mundo é tonterias,
não sou não!, sou latão!, somos pedra papel tesoura,
marfim ouro ametista rubi, aí
esbarro e sinto o mindinho do pé,
como que algo como defeito de fabricação,
residual, inútil, mal-forjado.

o meu mindinho é meu ímpeto de birra.

"és barro!",
e ouço essa voz como se fosse minha,
e percebo que então a voz é minha,
e o espírito volta se mover sobre a face das águas.

e algo flamula,
flameja, elementalmente elementar,
como que a conjunção de todas em todas as coisas e me pego mistificante mistificado mistificador,
e algo dessa algo dor é também místico, é claro,
e o
concreto
se
dobra em verso,

"és barro!", humano tosco,
risonho e límpido, como um bebê que tateia o nada,
e és pó,
vagando por tanta areia e ares,
pomares, paredes, paralelos, hemisférios,
galáxias, quasares, pulmões,
és pó e
possibilidade,
és pó,
glória e
precariedade.

três e meio ou quatro ou cinco

tanta por gente por aí em lixo existencial. bando de gente à deriva em desencontros e ocasionais choques. vezenquando alguém desce pela atmosfera e desaparece. tanta gente por aí. a gente lê sobre solidão ontológica, a gente discute se a natureza humana é fundamentalmente boa ou má, e se adianta gozar e rir. ocasionalmente tem uma música algo apotéotica, mas a elevação é sempre pequena. deus nem a pau, imagine. a gente tem mais o que fazer. é necessário ser heróico se refugiando nos sorvetes de baunilha ou no sexo ou nas baladas ou nos projetos de mundo melhor. todo mundo precisa de alguma obsessão. vai saber onde nos inventaram. que forja que deu tão errado assim. lembro da lyanna falando da miséria da vida. e eu pensando na glória da existência. o que diabos tá me faltando... o que diabos. novas rezinhas, novos unguentos, novos encantos, novos truques. vou nem arriscar dizer que a verdade é esse gosto ruim dos dias, porque acho que seria bobagem. nem arrisco dizer que o antes era tolice ou algo assim. só sei que fases vem e vão. quem sabe de repente não me pego de novo me sentindo pleno pela falta de plenitude? quem sabe. os paradoxos eram deliciosos e hoje os acho atraentes ainda, mas incômodos. a coerência era um absurdo e hoje ela é uma incômoda realidade. a interna, não a externa. o mundo ainda é um louco e belo caos, apesar de o que?, doer.

(escrito dia 21/06)

eu amo, e é isso

amorzinho. palavras. volta e meia dá vontade de gritar pelo mundo, gritar pra cada um. mas nem faz tanto sentido. o dia-a-dia e o cotidiano de porcos-espinhos. parece qualquer idiotice, qualquer coisa envolvendo palavras. e mesmo que se fossem gestos. mas e daí? é que nada adiantaria, penso. é doídinho. meio que rasga. ouvir uns eu-te-amo às vezes e ternura não entra. a acidez é corrosiva, os dias e as horas são, as coisas para se fazer a seguir e a vontade de distribuir pedaços e pedaços de amor ao redor. e ternura. e afeto. e carinho. embalando cada um no colo. como os filhos que ainda não tive, certo de proteger de todo mal, ou ao menos aplacando dor. como se viver fosse constantemente a cólica daquela fase ali por poucos meses, e só com muita doçurinha pra conseguir chorar menos. como se fosse isso mesmo. ainda assim, que sejam abracinhos, necessidade de colo, etc. a gente inventa as palavras pra curar essas coisas também, mas elas se perdem rápido. se não em dias, vai lá, em anos. não que com os abraços não aconteça exatamente a mesma coisa. é um mundo doente e doído esse em que vivemos, cara. a gente diz que vai ser assim ou assado, mas nada pode ser como se diz tão assim. nenhum de nós sabe manter promessa, isso é uma habilidade que se perdeu já há gerações. penso então naquelas juras de amor de romeu e julieta, nos kamikaze do japão, e vamos lá. aí, aquilo tudo lá fazia tanto sentido. mas não faz o menor sentido. a gente diz que vai se salvar, que vai levar o outro junto, e que há-um-mundo-bem-melhor. rs. talvez até haja. sangrar assim pra todo mundo é uma das coisas mais duras que faço. mas sei lá. dá muito medo, cara. faz quinze dias que eu admiti alguns demônios e ali pelas três da manhã eu os senti novamente aqui dentro. acho que também acontece, e é só com coragem tentar ver onde vai dar. por sei lá o que que possa vir, é claro, mas também porque temos o dom do esquecimento e do se encantar, vez em quando, com o gasto. além do que, há dentro esse espírito de isso-eu-ainda-não-vi mesmo que tudo seja uma releitura de uma releitura de uma releitura. a sensação de repetição da vida, volta e meia, some. as coisas deixam de sangrar. e você não deixa de brincar de pique por pensar nos esfolados que uma hora ou outra vem depois de mais de hora brincando de pique. e você não brinca de bungee-jump pensando que a corda pode arrebentar. você pula, e é bom. inevitavelmente, uma hora, a corda arrebenta. so far, so good.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

releituras de noções da estética romântica com Moritz via Todorov

1. a marcha por si mesma, pela fruição interna, pois que o que o de fora oferece nada mais é senão o que toca por fora. o que de dentro há é o que atormenta, mas num sentido de positividade completamente distinto: o tormento que a beleza cria, a vontade de totalidade satisfeita por uma incompletude por definição, e um tanto mais de coisas que absolutamente não fazem sentido. porque o belo só faz sentido na medida de ser inútil, logo não faz sentido algum, já que somos economicamente-quantitativamente fadados já há mais dezena de décadas. como resolver essa aparente incoerência? teríamos de pender para o lado da coerência ou incoerência internas, ou para o lado da fruição desinteressada por completo ou de um egoísmo último, dentre outros pontos-limites. as dicotomias são violentas e se chocam como titãs na guerra de início dos tempos. é por isso que isso escapa da ordem da linguagem. é por isso que a glória jamais se diz, e é por isso que o nome de deus é impronunciável. mas sempre há esforço prometeico, sina humana (leia-se ocidental-grega), e por fim, o constante devorar do fígado.

2. contudo, o diálogo ou embate entre os motivos internos e externos à coisa não se basta assim, pois que não há nada monádico ou atômico (enquanto átomo bola-de-bilhar, não enquanto bomba). há linhas de forças constitutivas do significado, de tal modo que não uma relação de imitação, mas sim uma relação de espelho máscara sombra e quaisquer imagens que remetam a releituras. também somos nós todos releituras do mundo. o perigo de cair em algum platonismo se evita na medida de que estamos num mesmo patamar, criaturas e criadores, no momento que expressos e já externalidades.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

bordeline bipolar

às vezes acordo lindão, fofo e etc, o dia vai indo e tudo bem tudo bem e claro certo ok. noutros dias, tudo cinzento, lamacento, lodento, grudento, remelento, e lalalá, por aí vai. certo. acontece.

quando não é, assim, como se fosse uma brisa fria que acontece. no decorrer do dia, puf, bate vento frio e lá vai o humor para outro lado do espectro. chemichals, não me fodam, canta o coleguinha do Of Montreal. ele sabe o que é isso. ele tá falando de drogas, eu tou falando dos meus hormônios ou neurotransmissores ou neurorreceptores, sei lá. chemicals, non me fodam, é o que digo às vezes. já me dizia mais. teve uns tempos aí que entrei numas de a cada vento frio entrar numas de frankenstein. eletrochoque cognitivo e etc. podia ser um brigadeiro cognitivo eventualmente, ou invocar o buda interno, que seja, desça em mim pomba-gira dos bons fluidos, sei lá. qualquer coisa. (todo mundo sabe que quando eu empolgo com uma onda ela se repete, né? ok.)

hoje foi um dia engraçadão. tou sentindo um cansaço que nem sei de onde vem, meio físico meio mental, minha cabeça já foi a mil por motivos absolutamente patéticos-humanos-seilá aleatoriamente. e em outros momentos uma quase tranquilidade. as coisas tomam por si só configurações em mim, volta e meia, repito isso tentando me tranquilizar e sem saber se é verdade ou não. achando que estou aqui escrevendo e brincando de engodo.

isso tudo pra comentar que, num ímpeto de momento, escrevi na parede com giz de cera, comecei a guardar as roupas, e quis colocar uma tábua no guarda-roupa, assim como pensei em pintar uma camiseta. enfim, a minha chave de fenda não apareceu, imagino que algum duende levou, e nenhuma camiseta me agradou para o propósito.

paciência, eu sei que escrevo para o acaso e para o nada e o vácuo e o vazio e os buracos-negros. mas também, mesmo que de leve, aos arrebatamentos cotidianos.

(escrito de 15 pra 16 de junho, madrugada)

dies irae

de alguma forma, a sensação da inevitabilidade. também um gladius dei, é claro. vem das coisas, que correm ao largo de nossos mínimos tremores, como cavalos desenfreados. e volta e meia nos carregam, é claro. existe o momento de bruma e existe o erregelar dos ossos, existe o errijecer dos idiomas e existe os dentes rangendo, existe mais ainda um tanto de coisas por essas rotas, imponderáveis e algo traquinas. e eventualmente é claro, uma chuva de pétalas de rosa e raios de sol por entre a clareira. e quando não nos atropelam todas essas coisas, e é como se uma grande onda viesse em nossa direção, mas tantas vezes não tão grande a ponto de derrubar. e por mais que pelos cabelos e cara e boca estejamos cheios de sal e cuspindo, ainda é algo como o gosto de viver. o dies irae me é um pouco dessa sensação de se-acalma que a birra não adianta.

all you need is, all is full of

em fevereiro de 2008, caí da escada. ali por fim de outubro também. e mais uma ou outra vez no ano. em maio de 2009, novamente. ali por, foi abril?, de 2010 também. e junho. acho que ali por janeiro de 2007, novamente. em outubro de 2011, vamos lá de novo. ah, e em março do mesmo ano. quem sabe em julho também, porque não? e 2012? aposto que vai ser só em agosto mesmo. mês bom e tal. 2013, vai lá, umas quatro vezes está de bom tamanho. e 2017? em dezembro e em janeiro, começo e fim de ano legais.

estátuas, cofres, paredes

o que tanto eu gostaria de chorar e não consigo, porra?

domingo, 20 de junho de 2010

madrugueiras

Aí que não haja toque. Porra, o toque é a palavra, entende? É o que sai de mim e entra pelo seu tímpano. Falar de sexo, comentar alguma fantasia estranha. E teve aquele frio na barriga que rolou lá pelos cinco anos. Houve o tempo de luas memoráveis. De noites estreladas bizarras. Bizarras de bizarramente foda mesmo, sabe? É reclamar do frio. Tem o solzinho de uma manhã cedo bem fria, imaginando que você senta na grama com uma coberta, e com alguém do lado, e conversa sobre o vapor que sai da boca. É. Também que as coisas passem, e dizer de um amigo que se tinha ali pelos treze ou catorze anos, e vocês juravam que iam para Tailândia juntos aos dezoito. Passou dezoito, sudeste asiático ainda longe, e mais um monte de coisa ainda se diz e se escapa. É comentar de cores. Tanto de um entardecer, como de um gramado rasgadamente bege, misturado com o céu da cidade alaranjado monstro e é um fim da tarde sim, com sensação de real fim e tremenda majestade. Ainda falando besteira, dizer como um olhar algum dia pode passar uma sensação. A sensação era de dentro ou de fora? E a minha cabeça é que guia o mundo ou o mundo gira e minha cabeça e eu fico tonto? A gente tá numa matrix mesmo, é isso? Toda uma onda, toda uma pala, toda uma viagem. Vi umas fotos outro dia de uma cidade que era feita de cavernas. O nome tinha algo com pedra. Puta parada bonita. Vi uma menina linda ontem, cara. Ela parecia ter um gosto de ametista, se ela fosse, sei lá, um pedaço de torta. Na real, qualquer besteira, que saia de você pra mim e de mim pra você. Pra entender, pra confrontar, pra relatar, pra guardar, pra aceitar, decorar, enfeitar, memorizar, amassar, dobrar, assustar. Pra ligar. Pra ser menos só. A gente fica tentando falar de qualquer coisa, qualquer coisa que venha a mente, pra fingir que o silêncio não é real. Isso é toque. Queria que você entendesse, entende? Entende aí, vai. Nem é qualquer besteira. Digo que é pra ver se a parada flutua, mas na real? Ela cai no chão e espatifa. Mas nada de trágico não, relaxa aí. É meio que nem o pôr-do-sol mesmo.

mapa astral

Sol 24 LEO 45 Leão

Lua 18 LIB 21 Libra

Mercurio 08 VIR 35 Virgem

Venus 09 CAN 06 Cancer

Marte 10 ARI 54 Aries

Jupiter 03 GEM 50 Gêmeos

Saturno 26 SAG 04 Sagitário

Urano 27 SAG 12 Sagitário

Netuno 07 CAP 41 Capricórnio

Plutao 09 ESC 59 Escorpião

Quiron 05 CAN 41 Cancer

Nodo Lunar 14 PEI 11 Peixes

Ascendente 21 VIR 29 Virgem

Meio Ceu 23 GEM 42 Gêmeos

Vertex 27 PEI 03 Peixes

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Ângelus

Por todos os poros, por cada migalha, giro de manivela, contínuo de engrenagem, movimento perpétuo de cada encontrão e esbarrar, cada segredo escondido entre lençóis ou embaixo do colchão, cada mão cortada por roubos, cada tecido desfeito por menos. Por todas as eras, por algumas grutas, por nenhuma tortura, por somente sapatos que protejam as solas dos pés dos homens e mulheres cansados suados sem culpa dessa terra. Por todo o avesso, por toda a confusão, pois que todo esse cristo está em nós assim como somos filhos de assassinos. Por todo esse disparate, por todos os disparos, por todas as miras e todos os alvos, eu não vou lhe pedir nem mais uma vez que, de uma vez  que, e por todas que, eu não vou lhe pedir que. Por cada cacofonia, por somente instantes, por acima de tudo a dor, eterna dor-mãe dor-fera dor-suprema dor-anil dor-café dor-mesa dor-cama dor-banho dor-manha dor-amanhã dor-rima, por acima de tudo o medo, por todos os esconderijos, por um e por todos, por nenhum, por alguma coisa, jamais por amor, por que seja, pois que assim, pois a indeterminação e o não e o senão e o comichão e então as rimas, e dor rima com por que?, dor rima com por, com porra nenhuma, com possível, com indizível e com inalcançável.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

réplica

patético? o ser humano é patético. e elevado. e tolo. e torto. e etc.

(qualquer coisa, incrível a mania do etc e a preguiça de elaboração)


(ok, ok, vamos lá. eu me disse ser patético na medida de me reconhecer humano. humano enquanto falho, enquanto oposto à deus, que é meu doppelgänger lírico aqui hoje. humano enquanto falho enquanto oposto à máquina, que é meu parâmetro de ordenação infraestrutural. sempre me pego nessas. é importante saber rir, e disso eu já sabia, mas é importante dizer e redizer e dizer e redizer. e, por óbvio, redigir.)

(por fim, e repetindo o tema, mas agora num fortíssimo, é importante saber rir porque o que parece alguma resignação é na verdade compreensão e revolta enquanto instâncias límitrofes e irmanadas, como a verdade blakeana do céu e o inferno no gozo sem fim. compreensão, por que é essa e nenhuma a outra - a de ser patético - a condição do ser enquanto ser, ou embaixo do ser, ou rodeando o ser, que seja. revolta, pois que sofrer pelo inexistente é o que podemos chamar de resignação - a recusa desse sofrimento vão é heróica.)

(e o etc cabe na medida que o ser humano é patético, e é tolo, e é fofo, e é amigo, e é legal, e é boçal, e etc etc etc.)

terça-feira, 15 de junho de 2010

de novo?

eu sou absolutamente patético.

(existem uns setecentos posts do blog que são reescritas dessas mesma ideia fundamental. rs. quando escrevi essa frase, recentemente, o contexto era uma crise de riso por conta de um comportamento qualquer ligado a uma coisa qualquer relacionado a uma pessoa qualquer - e frente a uma grande imensidão de coisas tudo isso são coisas quaisquer, ou coisas qualquer, que me soa mais adequado -

e a seguir -

penso que qualquer é uma maravilhosa expressão para tangenciarmos a inimportância máxima de todas as coisas frente a lógicas maiores, como o fato de que o universo vai acabar gelado e frio e distante e etc, e o fato de que nossos ossos adubarão essa terra que um dia será seca seca seca quando o sol começar a engoli-la - e eis nossa bela cosmologia moderna. fico pensando que povo antigo tinha afinal um apocalipse tão bonito e impessoal. a impessoalidade só aumenta a elegância de saber que ninguém vai apagar a luz ao fechar a porta - ela simplesmente se apagará)

domingo, 13 de junho de 2010

coquetel-molotov de pelica

Vi no twitter alguém pedindo pra contarem uma história bem bonita. Lembrei de uma noite dessas eu pedindo uma história. Eu também queria que fosse bonita. Hoje tou me sentindo muito alguma outra coisa mesmo. Vontade de dizer algo como: existe história bonita nenhuma não, porra. Se chegar ao final você vai ver o que cada porra de cada história bonita vira. Minha revolta me faz bem. É como se eu pudesse gritar com algum deus que existiria ou algo assim. Como se pudesse culpar alguém por nos sentirmos tão culpados e incompletos. Aos diabos que sejamos tão reféns assim de tanta coisa. Nem tudo depende de mim, de ninguém, mas aos muitos infernos de cada um devemos honra. Ah se acho. Mais do que qualquer ideia de céu eterno. Babaquice. Nojo. Gosto de pensar que absolutamente não faz sentido algum toda essa revolta, mas vejo que cada conteúdo de texto pseudo-ficcional meu me ficam mais revoltados. É uma vontade tão grande de que tudo vá pelos ares. E em outro plano, não concorrente, não contradicente, uma espécie de infinita compreensão. A espécie humana, a raça humana, ou a ideia de humanos que temos, foda-se lá como o que quando seja, é alguma coisa sempre bastante sofrida. Cada um de nós. Vamos todos nós abraçar e dar beijinhos um no rosto dos outros e passar a mão nas cabeças. Isso também me soa uma puta babaquice. De qualquer forma, qualquer coisa hoje me soa péssima, descabida. Eu só quero reforçar meu direito de me revoltar. E é isso. De continuação, sigo minha vida, mas que por dentro haja algo como desprezo. Volta e meia considero necessário. Saudades de Memórias do Subsolo, para ver algo que dói bem e assusta, e dar uma mexida em relação aos bons-lugares.

no estilinho havaianas de pau

eu aprendi que quando a realidade não se dobra à minha vontade a culpa é minha. rs. culpa culpa mea maxima culpa.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Do Ido

Eu estava cantando baixinho enquanto você entrava no trem, e eu sorri feliz com os olhos cheios de lágrimas e eu também roguei para que você não voltasse. Aquele tanto de coisa que a gente viveu ia parecer ter sido realidade. Ia perder, no mínimo, uns três quartos da graça. Seríamos velhos, a cópia da cópia, o pastiche, um sketch retirado de um pastelão desses que passa na globo de madrugada. O mundo tem uns quatro ou cinco cantos, e todos se parecem imensamente. Sempre imagino você com qualquer outra pessoa. Prefiro pensar ainda que ela te faz carinho no mesmo lugar que fiz, e que você faz aquele barulho engraçado. Fecho a janela para não correr o risco de uma brisa trazer de volta nada. Se uma folha vem pela janela eu esmago ela bem rápido. O seu toque tinha gostinho de socorro. Eu te embalava à noite pra você dormir. Eu estava murmurando baixinho enquanto você entrava no carro, porque você não foi de trem, e eu roguei silenciosamente que o carro batesse. Foi só por um momento, e senti culpa, e lembrei de nós discutindo quantas pessoas, uma em cima da outra, alcançariam o topo da torre de tv. Lembro que cada reclamação que eu fazia te levava a inventar uma história, como se fosse um pequeno momento de filme bom. Eu odiava a moça mal-humorada da padaria, e você me falava que ela doía de amor. Todo mundo ao redor dói de amor também. Uns de um jeito meio torto, quase ninguém está gritando. Eu penso nisso toda noite antes de dormir. Eu espero que você não volte, mesmo, porque vai parecer foto muito muito velha. Nosso amor era tão magrelo. E eu reclamava bastante. Tinha mudado o chefe da divisão, e ele era um porre. Meu carro estava no conserto há semanas. Você apertava as mãos atrás da minha cabeça e dizia que ia me pedir uma coisa. Era um sorriso tão terno que você me dava. Eu nem precisava perguntar o que você queria. Quantas formigas será que empilhadas dariam a altura daquela barriguda? Quantos lençóis amarrados fariam subir do térreo ao quinto andar? Quantos canudinhos cobririam a distância de sua janela à minha? O seu toque tinha gostinho de suspiro também. Penso se você está com AIDS, penso se você tem uma preta bonita, penso se você anda espiritualizado. Esse tanto de coisa que eu penso me faz pensar em chuva. Eu junto meu edredom para cobrir meus pés cansados, frios, tímidos, inquietos. Não chega a ser bom, não chega a ser ruim. É só uma daquelas coisas que é. Eu estava absolutamente em silêncio quando o avião que te levava partiu, eu estava em prantos e histeria quando o barco com você dentro zarpava, eu estava com uma alegria louca desvairada quando você e o balão levantaram vôo, eu estava num estado de tal desolação que eu nem saí do quarto quando você foi embora. E quis muito e quero muito que você não volte porque só poderíamos viver alguma coisa pálida. Eu sou só hoje alguma coisa miúda, com já uns duzentos anos, com muito de uns nadas bem grandes pra acompanhar uns desenhos de infância antigos. Eu, só uns nadas grandes grandes e umas dores curtinhas.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Sem Farol

Ainda assim, ainda acho, a cada vez que ouço sua voz, sua imagem canta para me afogar no mar. Ouço uma melodia sedutora, dizendo suave doce terna, que com bolhas respirarei bem melhor. Fico pensando se é o caso. Mergulho um pouco e me machuco com águas-vivas, e com mais um monte dessas coisas que queimam embaixo dágua. Elas são quase água, quase mistério, quase de onde viemos afinal. No fundo no fundo somos de água, você me dizendo que há base, retorno e possibilidade. E eu não consigo respirar, juro que não, mas seria uma questão de esforço, e uma hora a agonia passaria, você diz. Ou eu ouço dizer. O canto é confuso. Nem é mais sua voz. E se já foi, já sinto que eu canto a mim mesmo. Porque no fim, cada vez mais se sabe que todo joguinho é um contra um. Esgrima com espelho, raquete e bola na parede. E que nascer e morrer é a mesma coisa, a diferença é vetorial. Que somos todo o povo de deus pelo deserto, que somos todas as infâncias perdidas de rotas seguras, que somos cada semente que não semeou. São muitas e muitas as histórias de todos, todas igualmente banais. Seu canto diz que não. Poderia então afundar e afundar, mas imagino que nem ouviria mais a minha própria voz. Eu fico pensando se embaixo desse mar e eu catando conchas conseguiria entender algo desse canto que me parece sedutor e duro, mas eu nunca sei se quero chegar até. É o fundo, é a compreensão, é a noção do avesso ser a face e a contra-face. É um mistério também babaca e banal, às vezes pressinto. Seu canto canta "não". A força das águas sempre à espreita dos dias, para apagar qualquer possibilidade de incêndio e explosão, a casa no cais à beira do mundo, e a ressaca batendo sem nunca dar sossego, uma hora dessas a gente cai. Imaginando essas águas e tossindo e tossindo, as mãos meio que tremendo, e as pernas. Sei que todos sempre tossiram, desde a infância dos dias, e todos sempre disseram as mesmas coisas, e jamais haveria de ser diferente. Sei que não consigo entender nada que você canta, sei que não quero morrer afogado, alguma coisa acho que ainda sei. Mas vai ficando cada vez mais confuso, esse canto me parece como se minha mãe estivesse me embalando enquanto morro. Água do mar é salgada, vou morrendo de sede, minha garganta arranhando. E minhas mãos estão furadas, tudo escorre e escapa. Todas as imagens do mundo e todos os nomes. Eu ainda não quero me entregar, mas tudo isso se insinua por este canto, e eu não consigo entender sequer uma palavra e quero uma bóia e estou ficando tonto e preciso nadar mas meus braços doem e também minhas pernas e eu sinto que cada vez mais eu não sou. Eu ainda não sei o que vai acontecer, mas seu canto nunca acabará e eu já canto junto, mas ainda não consigo entender uma palavra sequer.

lembrete

a única coisa que salva da aniquilação e suicídio, segundo caio f. e outros brothers, é um sentimento de glória interior. e eu concordo.

trechos seixos



"Eu tive um sonho com my Little Raver / E ela veio todinha de plástico"
"We were fated to pretend"
"Menina, a felicidade é cheia de a / é cheia de e / é cheia de i / é cheia de o"
"Rex tremendae majestatis, / Qui salvandos salvas gratis, / Salva me, fons pietatis!"


"The room doesn't care either."
"Please. Accept the mystery."
"Esse cheiro que você esta sentido é do ralo."
"Let's do the time warp again!"
"Is it better to die as a good man or to live as a monster?"

domingo, 6 de junho de 2010

favor não remeter ao vinho barato

é um grito. o que explica é a chateação com o "tem mas acabou" de anteontem, que perdura insistente nas muradas e colunas? ou o que explica é a mão direita gelada, e também o pé, como se só pela metade eu tivesse ido na sombra de orfeu pelo hades? e é claro, é óbvio, e evidente, que se eu fosse euridíce eu também teria me fodido. tragédias gregas são desumanas, ao gritar toda a arbitrariedade do mundo. as muradas e colunas, leiam-se, dóricas e jônias. foi a partir de uma montanha de vestes jogadas que se formou o everest. não foi por sexo, foi pelo calor, e vontade de tomar parte em woodstock. mas todas as sensações de liberdade são vagas & fugidias & tolas, foi um trovador que me cantou baixinho enquanto eu balançava as pernas sentado no porto em porto em portugal. e o que explica tudo de agora é que há três horas atrás eu cortei um fio sem entender que todo um traçado se desfazia, será que foi? ou há cinco meses. e quando é que foi que as razões são desrazões fez tanta diferenças? e será que calígula de camus só fez o que fez como reação à incoerência que foi a morte da irmã? e será que ali foi o fim dos tempos, o grande ragnarok, a morte de seu grande amor, é isso? sendo assim sabemos que no fundo de pouco adianta qualquer funda esperança. ou esperança fundante, de retorno. me torno cético, me retorno duro, me contorno amargo. mesmo que com gosto de baunilha. são as palavras que me conduzem às imagens, vez ou outra. repito resistente e reticente que o dialogar de maremotos poderia virar canção.