segunda-feira, 31 de maio de 2010

cientificismo-"biologicismo"-"psicologia" estúpidos

Volta e meia fico tremendamente puto quando vejo alguns estudos por aí. Coisas como conexões entre determinadas práticas e outras que fazem uma relação A leva a B, sem levar em conta a influência de fatores C, D ou E. Enfim. Os exemplos são muito, e a mídia corre para publicar essas coisas de "ciência freak". Obviamente falta uma verdadeira educação científica BÁSICA, inclusive para os "nossos" jornalistas. Enfim, a última é estarrecedora. Precisei escrever sobre.


Seção de Saúde, do site da UOL. "Livro diz que bebês criados por babás se tornam mulherengos". Imediatamente choquei. http://bit.ly/a4Rf83 Após ler, fiquei curioso como esse psiquiatra recebe respaldo pura e simplesmente pelo encadeamento teórico. O empírico foi mandado às favas, parece. Lendo o artigo, não consegui encontrar nada que respaldasse a afirmação, além de um freudismo barato e chinfrim. No site do UOL, o link tem chamada "Bebês criados por babás se tornam mulherengos".


Jornalizismozinho de merda irresponsável. Essas coisas me deixam puto. Uma leve pesquisa básica pelo google me fez achar outro site, que mostra a teoria desse psiquiatra cabeção e mostra as, voilá, CRÍTICAS! E em linhas gerais elas são: cadê a pesquisa? Cadê os dados empíricos? Coisa básica, gente! O link http://bit.ly/aoPpLc tem uma parte com "Other Professional Opinions" que menciona que outros psiquiatras criticam o fato de que Friedman não apresenta DADOS para dar suporte às suas conclusões! 


Isso acontece com mais um bocaaaaado de explicações babacas. Meu maior grilo são com as de psicologia evolucionária. À parte de fatores culturais, fica falando de programações biológicas que levam os homens a ser mais, por exemplo, promíscuos que as mulheres! PUTAQUEPARIU! Isso fica dando aval pra uma série de lógicas machistas socialmente aceitas. É ridículo. Tiram da reta a influência cultural, trabalham como se o humano viesse com uma programação pré-natural que ninguém nunca pode saber de fato se é real, afinal, todo ser humano se encontra dentro de um contexto CULTURAL! 


Então se tem por aí uma ideia da majestade da ciência. Que ciência, pelo amor de deus?! Porque existe a ciência que presta e aquela que é lixo e um mínimo que poderíamos ter na nossa formação, por assim dizer, educacional é entender a diferença entre as duas.


Pior ainda quando encontro coisas assim rolando na universidade. Pessoal justificando comportamento humano pura e simplesmente com base na biológica, ou argumentos morais, ou sei lá o que, dá uma puta tristeza com a humanidade e a formação educacional universitária. Enfim...

sábado, 29 de maio de 2010

torcicolo


sensação confusa difusa obtusa sobre os meios de se lidar com as situações, sobre os recursos a serem mobilizados em atos, com toda a abertura da ideia de ação, tanto física quanto mental, enquanto intenção que é sempre intenção de algo e nunca intenção pura. mas eu sei o que me parece que eu queria. e não me parece cabível. noite recente, sonhei que tinha alguém nos braços que era exatamente quem eu queria ter. e essa pessoa se transformou em outra, como se fosse uma pegadinha da realidade. mais uma vez percebo que os mecanismos de auto-sabotagem estão sempre à espreita. vigilância constante parece um lugar seguro. fazer uma torre bem alta e com muitos desafios em volta, para quem ou o que quiser entrar. estar à deriva já fez mais sentido, e já foi mais real, até mesmo nos sonhos. o pior é que a pessoa na verdade não se transformou em outra, a pessoa que eu queria, ela era outra o tempo todo e eu não quis acreditar. é como se minha cabeça quisesse que os gansos fossem elefantes. o desconforto é alguma coisa engraçada. é simplesmente alguma coisa engraçada, como se houvesse uma pedra grudada eternamente no fundo do sapato. lembro das tradições medievais de um catolicismo que queria se elevar por meio da dor. penso que é mais uma metáfora que me explica. All metaphor, Malachi, stilts and all. os traçados contruídos de conclusões duram uns dois três dias ou quatro quando muito (bem). volto nas mesmas praias de dias atrás, descubro que na verdade a ilha é um purgatório, que o paraíso é o exato negativo do inferno e que se você olhar atentamente as nervuras das folhas de ouro você enxerga reflexos de terror e dor eternas. todo esse misticismo desencontrado mal-acabado mal-produzido como um aborto. se eu chegar a alguma conclusão eu violentamente engasgo e depois me vomito até virar do avesso.



quinta-feira, 27 de maio de 2010

Do Cascalho

Frio, sono, medo, fome, frio. Eu saio procurando seus rastros pelas esquinas religiosamente, eu colo cartazes com sua foto nos postes. Ao fim do dia eu, apagados todos os rastros, arrancados todos os cartazes, fico a me perguntar se brincar com migalhas de pão seria mais patético ou teria só a mesma medida por medida. Eu corto galhos de árvore onde vi escrito seu nome, ou pedaços de letras que remetem a, ou mesmo inversões e códigos torcidos. Eu junto um pouco da grama que fica em volta dos trajetos que seus passos, ao longo de eras e eras, fizeram, para que eu não consiga mais encontrar caminhos. Eu junto tudo, faço uma fogueira, danço e canto em volta. A exaustão me toma leve embalando, enquanto me toma lições de álgebra e etimologia. Tudo que sai de mim vai como um sussurro. Tudo quanto que quero brota como erva daninha. Espero umas três semanas para brincar de jardinagem, que é para ter mais trabalho. Eu conto um-dois um-dois a cada passo na procura de ti. Eu penso nas origens, de onde você teria saído, ou se teria por acaso sigo uma fuga em massa. Por fim, eu me escondo se de repente avizinho um pedaço de você. Ou se imagino que seja você, em cada sombra e olhar, na pressa e na lassidão, no sono, no sonho, e no medo. Eu puxo o cobertor para perto de mim mas no meio da noite imagino que é você e então jogo ele para longe da cama no chão. Eu finjo que se eu aprender idiomas vou subitamente encontrar seus sinais em locais inimagináveis como cascas de maçã e textura de casacos e frases de schoenberg. Eu tenho sono e tomo muito muito café antes de dormir.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

rasurante

desde os mínimos detalhes, como a frequencia dos posts no blog, e o que tenho dito e as coisas que tenho repetido, até vasculhar os fundos dos fundos das vontades, e textos sobre palavras que são códigos, e pensar que se sonhei com fulano numa posição away, é porque pode ser que ele representasse ciclano, e ainda se pegar sinucado, pensando que não adianta em bola bater, e que não decidir o que é que algo significa também é uma espécie de uma decisão, pelo negativo, e a dor das fotos em negativo que volta e meia queriam ser coloridas, e se desbotam, no fundo estão entrevistos os tons coloridos, igualinho aquele arco-íris de ontem coroando o prédio em que já morei, o ontem em tons rosados deveria me dizer alguma coisa?, e controlar o momento de respirar, quando é afinal que eu posso respirar?, e isso é também uma nóia que é obsessão que é, sei lá o que é.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

signos amassados sobre "jogo de vales"

um jogo de encontros e desencontros e reencontros. nem encontro nem desencontro nem reencontro são coisas distintas. platonismos circulares. plantões médicos. quanto vale a sua vida? a minha vale mais que a sua. a dele vale mais que a do outro. a de obama mais que um mendigo. quem é o médico das coisas? quem faz o milagre da vida? quem faz um milagre? do que um milagre é feito? como um bule vira mesa? o pobre é pobre ou é rico de espírito? ele é feito de ouro, objeto de ouro das políticas dos ditos e dos usos? ele é pobre de ouro e pobre de espírito? ele pode fazer o ouro virar barro? ou ele pode mostrar que o ouro é barro? mostrar que algo é uma coisa remete à potência e sementes? a árvore é a semente e a semente é a árvore? o óvulo é o bebê e o bebê é óvulo? o ovo, a galinha e minha mãe. e ovo é a origem, logo a semente, logo a explicação. e a pedra embaixo das coisas faz as coisas. platonismos circulares. rodando loucos no carrossel de Strangers On A Train de hitchcock. quem mais aqui palitou os dentes com a falangeta do bispo sardinha e de guy de maupassant e de lady gaga e de cherubini? qual valor pesa mais que outro valor? como escapar dos desejos de águas tranquilas profundas e eternas? como se constrói um dado? como se constrói o que é dado? o que se constrói com o que é dado? prefere dado de seis ou vinte faces? o que porra é ouro e não é ouro? ou diabos joio e trigo? o peso de uma vírgula em uma balança, alterando conjunções semânticas e o mundo por extensão. perigosamente solipsista? made in hong kong, para um revival? se queremos salvar o pobre é porque queremos tampar o sol a peneira? o mundo não tem solução e é esse o ouro que buscamos? ou que eu busco, enfim, plurais. midas sempre me pareceu funny. por fim, Simple Plan é o The Smiths da nossa década. que beleza.

jogo de vales

com quantas moedas compro compro compro, compro uma varinha de condão de modo que de modo que de modo que eu, eu possa possa possa possa, possa virar um bule em mesa, possa possa possa possa repousar nas águas profundas de ti, imenso imenso imenso imenso oceano de calma infinda, finda finda finda finda entre cóccix e medula o fim, finda finda finda finda a mesura entre o gesto e o velado, abre abre abre abre a torrente absurda de todo o ouro, ouro ouro outro ouro, outro que compre todo esse ouro, ouro ouro ouro outro, outro que não seja de ouro, ouro outro ouro ouro, ouro que não seja de musgo e barro, barro barro barro ouro, ouro de tolo, ouro de mouro, pedra pedra pedra pedra, pedra eixo de teus prédios, pedra prédio ouro possa, possa virar ferro em limalha, possa possa pesa possa, possa pesar do apelo os tons, menor maior menor maior, igual que nem de modo que eu, que eu que eu que eu possa, que eu que eu que eu diga, que eu que eu que eu que encontre, que eu que eu que eu enfrente, que eu que eu que acima.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

aaaah!

don't you guys just love these fucked-up bloody and lousy mondays?!


feels like napalm in the morning - on my chest. like if i had coffee all over me on my first day at work. yeah. great. jolly good. pleasant and stuff. like a peasant. like a partisan. whoo-haay to the republic! here's to world peace!

quinta-feira, 13 de maio de 2010

oi #767

tenho tido medão das palavras. sei lá que que pode sair delas. cada sentença gramatical é um abismo. as conclusões dão aquele medo de budas sentados estáticos. me reler seria um susto. me escrever seria uma insanidade. me escrever poderia ser inscrever? acho que já tou fazendo alguma coisa. um surto. dois. três. como carneirinhos. hoje é um dia bom, ontem foi, amanhã espero que sim, daqui uma semana, quem sabe, opa!, melhor ainda. as coisas são assim. ainda vou brincar de nonsense e vou postar uma frase que absolutamente não tem nada a ver com a onda. "The Past Is a Grotesque Animal". eu baixei um cd do Of Montreal que faltava essa música. céus! como eu ouvi tanto esse cd e achava ele ótimo se ele não tinha essa música?! eu tou chocado. a música é tipo maravilhosa! e minha compulsão por sentido, na vida sem sentido, se mostra uma coerência, que queria ser uma incoerência, mas eu não preciso me forçar a nada, diz a menina gorda que se olha no espelho, eu posso ser magra só pela minha vontade, mas a minha compulsão por sentido já fez uma ligação do nome da música com o post. eu nem vou tentar escrevê-la, seria algo babaca. fica a ideia registrada para dia nenhum. esse post parece triste, mas na verdade eu tenho muitos amigos.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

achando agenda de 2006

achei de repente uma agenda de 2006. muitofofo. colei na capa uma cena de The Hours, virginia woolf nicole kidman senatada com a mão no queixo, vestido de chita, sandália grande, bagunça nas mesas, floresta pela janela, poltrona vermelha. na contra capa, The Dreamers, matthew do lado direito, sendo abraçado por theo no meio, isabelle à direita com toalha amarrada na cabeça. do ladinho da figura, uma foto de Alex com as mãos atrás da cabeça e olho roxo sendo preso, em Adeus, Lênin.

que dizer, tão terceiro ano, tão 2006, tão ainda eu. ainda buscando sentido nas coisas pelas horas, óh sim, mas já construindo sentidos. reconstruindo histórias, dando adeus a lênin e oi ao caos, imitando filmes pelos cantos e sonhando amores à três. nada de novo, tudo com outras peças, colagem e etc. lèvi-strauss falou num texto da linda figura do bricoleur, e acho tão bonito pensar nas recomposições de figuras e novas configurações de relações de signos.

quase nada escrito na agenda. tenho mania de reutilizar essas coisas pouco escritas, reaproveitar papel, reaproveitar passado. acho bonito. e ecológico, hahaha. em breve. no meio das páginas, achei uma citação de Perto do Coração Selvagem. aah clarice dos meus dias que me fez também. tanta coisa que me fez, caramba. bonito demais isso tudo.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

essa me veio agora, assim...

jealousy is a boom gun

vam'lá

eu tenho gostado absurdamente mais na vida do nonsense e da falta de sentido

viva viva logs funny (2)

ly (bazinga!) diz (18:02):
 já significava pra mim. vc não quis me ouvir.
 aquela com tato, rs.

beto diz (18:02):
 rs
 só nao acho que signifique em todo caso
 durt
 rs

ly (bazinga!) diz (18:02):
 não?
 eu não vi ruptura entre a ideia inicial e essa, but

beto diz (18:02):
 uai
 que existam gatos com penas

ly (bazinga!) diz (18:02):
 aliás, "but" nada. eu saco mais da vida de vcs do que vcs mesmos.

beto diz (18:02):
 nao significa que todo gato tem pena

ly (bazinga!) diz (18:02):
 não vamos discutir.

beto diz (18:02):
 hahahahahaha
 kkkkkkkkkkkkkkkkkkk

ly (bazinga!) diz (18:03):
 significa, beto.
 infelizmente.
 os gatos são todos iguais.

beto diz (18:03):
 rs

ly (bazinga!) diz (18:03):
 e popper usava gansos, anta, rsrs.

beto diz (18:03):
 e à noite todo gato é pardo
 e mais vale um pássaro na mao do que dois voando
 rs

ly (bazinga!) diz (18:03):
 e égua com dois cus é cavalo.

beto diz (18:04):
 kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

ly (bazinga!) diz (18:04):
 ops, cavalo com dois cus é égua.
 isso.



pra completar, caetano diria que uma mulher é uma mulher é uma mulher, etc e tal. rs. genial.

domingo, 2 de maio de 2010

momentânea pílula seilá

depois de muito
querer,

agora - sei lá -
a preguiça

em torno da fonte

engraçado, eu ouvindo a música por um acaso qualquer, sei lá qual, e a sua carta chegando, com tudo que ela tem a me dizer de fragmentos doces de nuvens. pois que claro, dependem do olhar: podemos ver pôneis, ou até dragões, um touro no canto do céu, tartarugas, pterodátilos e peixes abissais. você não estava morta, quinze minutos e eu não diria não. vamos à fonte que lá ficamos jovens novamente. ou lá esqueceremos. ou queremos memória? a resposta poderia ser mais sinceramente óbvia e cristalina. mas na história dizem que a criança ficou velha. foi isso? noite passada sonhei com você e caí da cama.




(de 19 de novembro de 2008)

concordando com luiza rossi


Lendo posts antigos

É muito engraçado que o presente se torne passado.