segunda-feira, 22 de março de 2010

variando com salomé

Barthes ao escrever seu fragmentos de um discurso amoroso não deveria ter deixado passar salomé. Isso porque a casta e virgem, que gradualmente/subitamente enlouquece de amor, parece um amálgama dos desejos amorosos impensados e incontroláveis de todas as humanidades e peitos e frontes e gritos. Não importam os meios, não importa os caídos pelo caminho, sequer cidades destroçadas, exceto a vontade de se aplacar. E não é como se a salomé de wilde fosse algo como sua jezabel, ou assim poderia se pensar: esta, a segunda, quer um jardim a todo custo pois tudo consegue ter graças a sua beleza. A paixão de salomé por iocanaan é altiva, mas também e principalmente altamente vulnerável. Como se a consciência de sua impossibilidade fosse nada mais que impossível, levando aquele que ama a revirar túmulos se necessário e cometer todos os sacrilégios e desvarios. Salomé é tão sem véus que mesmo ao brincar de denegação, depreciando o ser amado por três vezes, é como se soubesse que é pelos nojos que o ama. E por fim,. each man kills the thing he loves. Jeanne Moreau nesse momento se interpola entre nós fazendo sua dancinha.

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