quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

because you bit me, baby girl, i got the poison, and i want more

tenho uma certa obsessão com algumas coisas, na medida que pode ser certa uma. absolutamente irritante quando contrariada, a obsessão, e eu por conseguinte. ouvindo blonde redhead, ouvindo depois radiohead, e ouvindo radiohead no repeat com down is the new up e agora bangers & mash. e sentindo miséria e raiva. que fazer? enfim, a obsessão. o lastfm não estava fazendo scrobbling. eu não poderia deixar registrado para mim e para o mundo o quanto ouvi uma ou outra música. quem foi que disse que se desnudar era tão bonito?, se dentro de nós há merda. toda vez que acontece isso, sim, - isso -, fico como que me sentindo meio ridículo. eu vou escrevendo aqui como algo de uma terapia - e continuo me sentindo ridículo. cada palavra que vai saindo vai se seguindo mais ridícula do que a outra anterior, e mais ainda do que o prosseguimento que vem, criando uma claustrofobia labiríntica e insolúvel. e eu bem sei porque. é que eu sei que estou fazendo isso para tentar encontrar alguma coisa, e aquela coisa que por vezes a gente acha que encontra, como disse ontem o sinédoque, nova iorque. e o desespero é esse, o de sentir que a gente acha, e não que a gente encontra. e sentir também toda a babaquice de tentar se autocontradizer no momento, de dizer para si algo como não, não é bem assim. é tudo culpa das más influências, más companhias. mesmo que eu recentemente tenha terminado enfim o castelo dos destinos cruzados, com toda a beleza do calvino, com todas as suas idéias das quais dá vontade de gritar e verter tratados. tenho medo dessas vontades, tenho medo das decepções, tenho medo de tentar, tenho medo também de ser pego em blitz e de corações partidos e sonhos abandonados. medo demais pra uma pobre cabecinha. mas não é o principal, penso. se é que, já que acho que seria um pretensão arriscar isso. principal, secundário, ternário, paleozóico, tanto faz, só sei que fode. tanto a beleza, como a ausência dela, como a vontade de algo, como os tropeços, e etc. nenhuma sensação de completude com um etc, é claro, é como simplesmente um fastio. e tantas vezes um etc tem me vindo tanto, como se o etc fosse só o que houvesse em mim. sim, foi uma picada. sim, eu tenho o veneno, correndo pelas veias. ah e quando isso acontece dá toda uma vontade de explodir. é que eu sei que não somos invólucros fechados e que também eu não tenho toda a força que eu queria ter mas é tão bom enquanto o fingimento dura e eu sei que essa frase irritantemente longa mente e é longa e irritante e que vai irritar quem for ler e até eu mesmo a reler mas é que esse período e toda esse trecho e toda a minha vida só poderia ser dita sem vírgulas. automaticamente exclama-se oh-quanto-drama! é automático, não adianta, e é também absurdo que eu faça com que isso seja um desabafo. ou que isso seja. ou que saia como sai. enfim. o outro blog está abandonado, o que deveria se prestar a alguma coisa. o lance é que de repente me deu um cansaço de prestar. ontem assisti sinédoque, nova iorque, e não é que eu simplesmente estivesse absurdamente bem nos dias anteriores e que a vida fizesse todo o sentido e logo me lembro da última verdade inventada, a da dança e da glória, e o caio f concordava comigo mas todos e eles e eu também sabemos que é só mais uma mentira que às vezes se revela mentira portanto. ou uma verdade que se revela mentira, e todas são as verdades mentirosas desse mundo ou tudo é verdade e mentira ao mesmo tempo, qualquer tentativa de nomeação é uma tentativa de controle mas é ridícula ridícula como cada palavra mais que a anterior e mais que a próxima labirinticamente e até o fim. mais um frase longa. que preguiça, que cansaço, sem fastio algum contudo. isso não me faz ter glória, e eu sou extremamente viciado nessa porra - e perigoso. minha outra companhia recente é meio que o memórias do subsolo. e recentemente, salomé do wilde, aliado a um pseudo-fora que levei de uma pseudo-pessoa-interessante e eu sou pseudo-ridículo again e morrisseyano, fode tudo. companhias fofas. tá tudo muito fofo por hoje, putaquepariu. rs. mas o pior é não conseguir escrever sobre coisa alguma. é, sem dúvida, o pior. exagero. o pior é pensar que pode ser que eu morra sem ninguém me consolando, segurando no colo, acarinhando e etc. freudianamente, acho que quero uma mãe mítica que nunca existiu. vou pra religião, beijos galeresss

love sad love weirdo lover fuckedup love sick love greatbeautyof

I've never felt about anyone the way I feel about you. I want to fuck you until we merge into a Chimera. A mythical beast with penis and vagina eternally fused, two pair of eyes that look only at each other, lips ever touching and one voice that whispers to itself.






de Synecdoche, New York.

quotes, quotes, facts for whatever

Minister: Everything is more complicated than you think. You only see a tenth of what is true. There are a million little strings attached to every choice you make; you can destroy your life every time you choose. But maybe you won't know for twenty years. And you may never ever trace it to its source. And you only get one chance to play it out. Just try and figure out your own divorce. And they say there is no fate, but there is: it's what you create. And even though the world goes on for eons and eons, you are only here for a fraction of a fraction of a second. Most of your time is spent being dead or not yet born. But while alive, you wait in vain, wasting years, for a phone call or a letter or a look from someone or something to make it all right. And it never comes or it seems to but it doesn't really. And so you spend your time in vague regret or vaguer hope that something good will come along. Something to make you feel connected, something to make you feel whole, something to make you feel loved. And the truth is I feel so angry, and the truth is I feel so fucking sad, and the truth is I've felt so fucking hurt for so fucking long and for just as long I've been pretending I'm OK, just to get along, just for, I don't know why, maybe because no one wants to hear about my misery, because they have their own. Well, fuck everybody. Amen. 






de Synecdoche, New York

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

tec tec tec tec tec

Ardência, dormência, e pâc - aquele barulhinho que a gente faz com a boca que lembra a bola de um chicle estourando - ou um tiro de revólver - ou explosões de bombas e minas terrestres - em preto e branco e câmera lenta - o óbvio da beleza irrita, apavora ou alucina? - o sempre do real amortece, anoitece ou desaparece? Ardência, dormência, hortênsia, cadência e pâc pâc pow pow tunft pác pow - todos los sonidos del mundo basto basto mundo - todas as exasperações, tudo quanto é lâmpada que estoura, maré que bate nas pedras e quebra e grita nomes espúrios e amaldiçoados, ou meros xingamentos, ou somente unguentos e alentos e tormentos, barquinho vai barquinho vai o barco amarelo pelo riozinho abaixo que eu fiz com minha mão percorrendo a terra molhada deixando o chuveiro aberto no sítio naquele tempo em que água ainda era um bem que nunca nunquinha ia findar pois vinha das nuvens e subia dos rios num ciclo sem fim amém. e me diz, à medida que você sobe em mim e faz grunhidos e alaridos e vira um pássaro, diga-me, o que é que podemos fazer quanto à falta de água senão derreter o gelo? Que é que podemos fazer para matar a sede senão morrermos afogados? Que é que?, margarida minha, alecrim, tucano, casca dura de árvore de cerrado contorcida parecendo temática de pintor expressionista. Um incêndio é uma avalanche é uma enchente e só podemos falar disso, que não existe. E se podemos, podemos. Isso não é estancar ferida, isso é aumentar.

pelo carnaval

bom, há algo de muito belo em comemorar sem ter motivo nenhum para. é como um grito de revolta em cadência. e é quase impossível que tudo seja uma merda se há um filhadaputa de um amanhecer eventualmente. bizarramente bonito. se segurar para não cair ao mirar certos rasgos é burrice. pior, é tacanho e até um pouco desonesto. é uma satisfação poder cuspir na cruz, inclusive. vejo a imagem de alguém falar setenta vezes sete o quanto a vida é uma merda para logo minutos depois chegar ao ápice de uma infinitude orgástica. isso é tão como fotografias de seres abissais: um deslumbramento com coisas que nos chocam e não nomeamos, com tropeços que fazem soluçar de ardor por becos escuros. carnavalizar. se você buscar qualquer caminho de desencontro com o mundo você pode se arrebentar do jeito correto, você pode cair em queda livre e depois flutuar. é uma rebeldia, é um luto às avessas. são desses rasgos que eu dizia: há uma cortina negra e imunda e nojenta, com desenhos de rostos retorcidos em tons de marrom fecal e desespero, e essa cortina na verdade é tão somente cinzenta e monocromática, ou mais como um cinzeiro cheio até a tampa e misturado com água. o cheiro é mais ou menos esse, nauseante. e você vê os rasgos. a fresta é capaz de fazer história, e glória. é inevitável que as coisas não estejam contaminadas, e só gozar nesse entrudo que se pode querer.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

for the werewolf, somebody like you and me

não tenho parado muito em casa. passei uns dias ou outros sem me colocar na frente do computador. estive assistindo uns filmes. estive vivendo também por aí. uns momentos até bons. não há nenhuma grande razão para que eu esteja assim hoje, exceto eu mesmo. eu não consigo dizer as coisas de um jeito diferente. na real, não quero. preguiça. muita preguiça hoje. não faz diferença nenhuma compartilhar preguiça assim. vontade de chorar num canto. o que me faz pensar, e te faz pensar, que isso faria com que a gente ficasse pelo menos um pouco mais livre de nós mesmos? e o pior é que ficamos. é como se ao tirar de dentro da gente as coisas ruins elas ficassem mesmo do lado de fora. aí lembro dos absurdos panteístas e me encosto ironicamente no canto da sala, com um cigarro aceso, e champanhe na outra mão, só falta o divã, (rs, querido cazarim :-p), e digo: ah, mas essas coisas que você põe pra fora também ainda estão dentro, tolinho. e bem aos poucos, vou percebendo isso a cada dia, eu vou novamente me tornando um exercício de repetição de mim mesmo. e nas orações que vou rezando em cada altar, faz com que saiam palavras diferentes em cada, que vão se repetindo, e os fonemas se confundem e se chocam, se recombinam e estou dizendo simulacros de meus esqueletos, aqueles que ontem deixei por aí como unhas e cabelo cortados. os nossos pedaços vão ficando pelos cantos ou ficar pelos cantos é nada mais do que mil imagens de nós mesmos repetidas, encostadas, céticas e irônicas? e não são somente vulgares os adjetivos? a revolta é só bonita ou ela é também digna, válida, necessária e ridícula? e o que é que podemos nos propor afinal quando cada mesura que se fez parece um mero gracejo bufonante, obeso como um pavão obeso, tolo, escorregadio, duvidoso? e se a lua cheia que está no céu fez isso conosco, fez com que tivéssemos que ficar deslumbrados e logo mudos, e por fim aos poucos cegos e imobilizados de pavor diante de ameaças. deus está nos dilacerando aos poucos e dizendo que nos ama baixinho. eu não vou cantar as mesmas canções senão se eu puder fazer um freejazz virar britneyspears e vice-versa, até o ponto que os jogos de transposições sejam tantos que não saibamos o que é casca de árvore no chão e o que é eucalipto.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Allegro Maestoso

ela me falando toda aquela filosofia e eu tampei a boca dela e disse eu disse cala a boca e vamos foder até doer eu disse mesmo? eu disse? hahahhaa eu disse. cala a boca que já está doendo, foi isso que eu disse, toda essa filosofia tá me doendo até o fundo do tutano, é como se alguém estivesse fazendo acupuntura do mal em mim, existe isso? eu disse isso? aí ela me falou que ninguém ama ninguém senão apenas o sentimento que o outro causa no eu e eu pensei que se eu gostasse de lhe causar dor não seria só o poder de causar dor, seria também e também, porque não, causar, simplesmente poder causar o efeito de algo em outro algo, as bolinhas de sinuca que se chocam e eu poderia deslocar o braço dela e fazer dele uma alavanca, e a voz dela soaria aguda e chorosa como um violino com um pífano duelando. mas seria também talvez por sentir dor em vê-la doer. só assim que posso me fazer sentir, pelo outro, no outro, entrando fundo na pele. é um pouco complicado mas é só assim, mas não foi isso que eu disse que entendi daquele filósofo ou era filósofa que disse que todos somos egoístas. eu achei até bonito, mas meio que deu também uma ardência chata nas partes íntimas. e eu a fodi até que chegassemos às estrelas e de lá a deixei cair. e no chão, juntei os pedaços de seu corpo como se fossem um quebra cabeça e os restos de suas falas como se fossem palavra cruzada. engraçado foi ver que nada saiu de lá. oquidão é uma palavra feia, mas só ela feia mesmo pra transmitir essa feiúra da coisa oca se espatifando e se revelando se desvelando se enovelando se amarelando se abraçando se torcendo oca em sua oquidão.