sábado, 30 de janeiro de 2010

a afronta da razão

Não quero brincar de pretensão. Vou falar de algo que somente tateio. Li algo ali ou acolá sobre, ouvi falar de algo num cantou ou em outro. Muito foi escrito filosoficamente sobre a tragédia da razão. Podemos, começando de trás pra frente, mencionar os frankfurtianos e sua idéia (tipicamente alemã) de que uma razão instrumental estaria objetificando e controlando toda a vida de forma inexorável. Já que esse blog me permite ser especulativo, quais seriam as grandes raízes disso? Dando uma olhada em Elias, dá pra ver que os alemães tem tensões em si, dentro deles mesmos e de grupos historicamente localizados, envolvendo por um lado algo mais bárbaro, por outro mais civilizado/francês/iluminista. Contudo, a problemática com a razão que o ocidente pariu - e tanto a problemática é ocidental como também essa é a razão ocidental -  suspeito que venha desde o momento em que o homem medieval, e vamos à Aquino e Agostinho, se interrogam sobre a natureza divina. Cada um coloca uma posição quanto ao debate, mas vamos lá depois com Berkeley, Spinosa, e alguns outros, se aproximando de outras praias. Será que nosso grande problema com a razão é que temos medo de colonizar uma realidade que talvez não seja da nossa alçada? Já que na verdade ela é de, ninguém mais ninguém menos que, Deus? Todo esse medo é o perigo da soberba e do orgulho? Agostinho já postulou que esse era o maior pecado de todos. E a que descaminho nos leva? Nossa insubordinação perante deus nos leva ao mundo, nos faz esbarrar no Outro, e inevitavelmente faz se questionar o próprio poder, os próprios limites, o limite do poder e o poder dos limites. Se a verdade não vem de lá, ela vem de nós, ela pode vir... de mim? Então é uma batalha. Lobos e cordeiros, nenhum é de deus, não há leviatã que nos acalme.

bom, mal, nem

Tentei escrever um post sobre Doutor Fausto no modelo daquele outra que fiz, com umas segundas impressões. Pensei até num trocadilho experrrrto entre segundas e segundos, duh. Só que não saiu. Paciência. De qualquer forma, eu não venho tomando notas, e de qualquer forma é necessário todo um estado de espírito para fluir algo. Acho que estou suscetível. Enfim, são 05h30 e pra ser sincero, é um dos meus horários favoritos para se estar acordado. E mesmo estando de férias, tenho evitado ficar até essa hora, porque tem fodido as minhas tardes. Enfim, joguinhos de soma zero, penso. Sei que amanhã durmo à tarde na tranqüila e sem peso, se eu quiser. Aí estou aqui. E ouvindo Cat Power, especialmente as músicas de funda melancolia. É incrível como ouvi-la tem me mexido, e de uma forma positiva. É absurdo. É tão confessional, sofrido, rasgado-sussurado, e etc. Os adjetivos limitaram a coisa. Normal. Mas tou com preguiça de metaforizar.

Normalmente eu 'maiusculo' as minhas ficções. Não foi o caso aqui, mas sei lá porque. 

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

é claro

mas é óbvio que em dois mil e oito eu postei loucamente. quantos posts que não foram feitos de uma linha? e quantas vezes eu não postei uns três, sei lá, no mesmo dia? época que eu não tinha twitter o blog rendia mais. enfim, vamos sair da frente do computador e viver a vida. rs

tirandinho onda

meu blog deixou de ser um depositório de frustrações pra virar uma série de cartinhas pra vida: ei vida, você não vai me foder não heeeein?! vc não vai conseguir não heeeeeeein?! rs

vultos

é quando ele louco que só poderia acreditar num deus que dança, e é shiva, não? e falemos de metafísica pois é tudo que há. o universo tão grande, tão grandão, nossa e nós pequenos! oxe, como somos! e sim. pois é. mas é de algumas coisas que vem uma força que eu quase desconheço, e que é minha. e vem dos amores confusos, vem das expectativas destrambelhadas, vem das palavras feias, e da lindura que a vida se oferece desvelada e aberta. eu estou dançando para isso tudo, pois só assim que dá pé. de tanto sapatear, de repente flutuo. e fluo, longe, em outra estação, flores surgindo, degelo, superação. é um risco isso tudo, mas fazer o que? é o confuso querer dos dias. é uma vontade grande de lonjura. são essas palavras feias que me movem. e olha bem, eu vou até lá onde não dá pra ver. pois que de alguma forma o que foi é o que foi, apesar de ser, e o que virá é o que virá, e também é. essa temporalidade é meio pirada mesmo. e dentro de mim tenho tudo que há ao redor e que já toquei. brinquei de fagocitose até explodir e continuo englobando. coisa que sou viral, bacteriano, intangível, inalcançável. eu estou além. e isso é só o que é possível, menos que isso é cegueira. queiram a metafísica. derretam-na e a engulam. sintam o júbilo das cócegas que ela faz descendo pelo esôfago e indo também pela faringe e laringe. depois, engasgados, um acesso de tosse, e estamos respirando um líquido cor de mundo. e ele é tão colorido que cega. e o sabor é tão absurdo que amaluca. é isso.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

isso é tão bom

músicas que mexem com as idéias de memória e mudanças e etc sempre me fodem profundamente. determinadas frases simplesmente me fazem sentir a medula, e os rins, e cada pêlo do corpo simultaneamente. a onda do momento foi com 1995 do radio dept., e as pessoas sentadas em cafés falando de besteira indie, é matar aulas, é andar 15 milhas para ver seu amor, e as coisas mudam, umas pra melhor, e outras pra melhor, e o mais importante é And though I'm happier now I always long somehow / Back to 1995, e o mais importante é que o que mais se sente falta é de ser a primeira coisa que ela vê de manhã.

sabe, não é pieguice, mas qualquer um sabe que com e desse tipo de coisa o coração de um pode viver cheio e longo.

nilo fi-lo qui-lo filo quilo

estou no rio transbordante, sou um rio e estou transbordante, eu rio e transbordo, estou no rio de janeiro e é janeiro e estou transbordando e inundando a sala. minha pele descola do corpo e se espalha pelo chão, diariamente, dizem que um pouco e aos poucos, assim como também desce pelo ralo. tem partes de mim espalhadas, sei lá, por todo o mundo? fora o ar que respiro que, de forma bastante absurda, entra e sai de mim o tempo todo. tem algo de muito sexual, promíscuo e excitante nessa ordem toda. é o fato de ela se fazer sentir enquanto caos. e esse caos em mim que transborda pra fora como se eu fosse uma trepadeira pelas paredes? melhor, melhor, muito melhor, como se eu fosse um corpo de cupins a tomar uma casa de madeira? viral, tão viral quanto nunca estive, como nunca. e não ter fome. um vômito, porém doce, porém colorido, como marshmallow e pirulito e catavento e new rave, sem enjoo nem nada de ruim só coisa boa. um vômito assim, imagina. isso parece muito um conto de fadas e é vida real, que coisa absurda. estou rindo, me rio no rio de janeiro e sou um rio que transborda em janeiro no rio de janeiro e estou louco.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

for you my love

for you my love, all the lilies i would give
in a red box with pink stripes
embebed with sour and bittersweet
but not as, not such as,
could we, in the end, by a hill,
if a glimpse of my touch in your soft cheek
could make you scream, dream and run,
would take you to the valleys of the shadow and despair,
not for my regret, my love, but for my good debt
and for my pride, glory,
flowers lead the way and stories
warriors among ourselves, sorries
they are all so tragically bored, my love,
for this hymns and melodies
for this mellon trees and mellow leaves, my love,
come out to play, they pray,
and i sing loudly this lousy rhymes
and this twisted blues
with notes of glam rock
and i and i and i
try to make you collide and drift and shine
and you are extinct, beloved
and i sublime

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Só pra descontrair

Isso é o menos estrondoso que poderia ser, somente no momento em que eu começar a falar por conta própria. Exatamente, aliás, não bem isso, que minha língua fale por conta própria e que eu fique só olhando. Porque na verdade a cada palavra que surge de minha língua eu meio que estranho se não é outra língua ou se tenho língua e ai, eu quero ter língua, é importante. 


Acho absurdo. Nos cantos mais escondidos, lá está ele. E acho absurdo em mim. De vez em quando alguém esbarra no meu absurdo. Eu fico um pouco assustada, mas tento não segurar a pessoa. Mesmo sabendo que facilmente ela vai cair nessa farsa.  E vocês já estão com os dois pés metidos dentro? Já enfiaram toda a mão dentro do rabo? Já estão conseguindo se divertir? Preciso mexer mais um pouco pra um lado ou pro outro? Que palavrório vossas senhorias ilustres excelentes com todo garbo oh-oh quereriam que eu lhes oferecesse?


Que não se loqüele, que não se loqüele, é o que rogam! E eu fogo. Inclusive por que qualquer substantivo pode virar um verbo. E isso são notas para qualquer outra coisa, como tudo deve vir a ser. Espero que vocês já estejam no chão, histéricos, atônitos, de exaustão de palmas e gritos.


Somente o que há de imundo no mundo é a ordem, e eu tarântula. Não vou dizer que isso que estou tecendo é uma fábula, mas se eu disser vocês ficariam desconfiados. É melhor olharem embaixo da cama antes de dormir. Eu não ia querer de forma alguma que meu absurdo estivesse nos esconderijos de vocês. Sabe quando você fica paralizado por uma maldade? Eu também fico por bondades. Esse é meu gesto nobre do dia, o meu brinde aos bons, e antes com um arriba e um abajo, e depois com uma dancinha ritmada. Que dure bem pouco.


É que é por que só que eu me procure que eu não me ache que faça sentido que jamais faça que coisa alguma que. Por me ver assim, atado a mim, ao que, mim que sou que. Isso sim é o abismo. Que dura bastante. Isso sim é o abismo. Todos ao chão, todos ao chão, isso é um assalto! Me passem cada bela palavra que vocês já disseram pela vida de vocês! Me passem cada belo momento vivido, cada imagem já esquecida! Passem tudo, não demorem! Vejam bem, é por isso que fiz, é que queria ser útil, aí então não me acharia. E encontrando vocês encontro a mim.


Mas quem são vocês? O que vocês estão fazendo aqui? Saiam todos daqui e rápido de uma vez! O que fizeram com a comida sobre a mesa? Porque estão me dizendo essas coisas? Eu não ofereci nada a ninguém! A não ser que. Eu estou respirando. Que se possa imaginar que um bom escarro seria um presente. Vocês aceitam esse escarro, o mais sincero de mim? E que sinceridade é essa afinal, das palavras, dos gestos? Se perguntem aí que me pergunto aqui! Vão pensando! Vamos refletindo juntos! Quem sabe ao fim não chegamos a uma conclusão? E depois vocês me entregam um desenho sobre o tema, sim?


Eu quero chorar. Mas a luz não é suficiente. Mas não tem ninguém me pressionando contra um muro de pichações de um centro de uma cidade velha. Mas eu não estou excitada. Mas eu não comprei uma nova boneca. Eu não quero chorar. Amar loucamente é para festas, para restos, para calcinhas e morangos. Olhem para mim sundae. Olhem para mim sunshine. Olhem para mim honey bear. Estou quase conseguindo deixá-los cegos. Ou exaustos. Eu mesmo estou, assim, completamente. Cheio.


No arremesso de champanhe, estive longe do alvo. Eu não quis me deixar ser um romã. Só temos agora esses corpos pelo chão, que vocês não conseguem ver. 

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

my karma police

ando lendo minha descrição de mim como coisa amorfa e etc e pensando que ela já está aí há tanto tempo que quase já não faz sentido. aí, dramaticamente fiz uma extensão e pensei que esse blog já quase não faz sentido. dei uma risadinha e pensei que isso é, obviamente, um absurdo. mas há alguns contrastes entre blog em 2007 e blog em 2010, o que é perfeitamente normal uaaai, afinal todos mudam, eu também mudei. engraçado é volta e meia esquecer isso. anyway, essa auto-análise às vezes me assusta porque ela me faz pensar nos caminhos e desenganos. é que eu tenho mania de coerência, mas quero menos. mas é que também esse instante de que escrevo é menos celebrante do que outros. afinal, a vida é uma festa, e é por isso mesmo que às vezes a gente cansa. o corpo não aguenta tanto movimento e tanto giro no ar, a cabeça também não. ai esse balé de nós, eu e eu, e minhas projeções holográficas e meus demônios. eventualmente se ficam enfileirados vejo todos sorrindo meio que muito irônicos. é que eles sabem mais do que eu do que isso tudo é feito. só não dá pra dizer.

e é preciso lembrar da escrita como exercício de exorcismo de mim. e de enevoamento.


"We ain't going to the town
We're going to the city
Gonna track this shit around
And make this place a heart
To be a part of"

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

tragos

1) 2008 foi um ano engraçado. teve um primeiro semestre turbulento, me lembro agora lendo o blog, que iniciou tipo janeiro com muitas esperanças e expectativas e acabou se fodendo.
2010, sinto, é um ano paralelo. com a diferença que não vai se foder. eu devo algo a mim mesmo. aconteceu uma coisa engraçada. um bumerangue, depois de muito tempo, voltou à minha mão. isso só pode ser bom presságio.
dá vontade de poetar, mas já tou na frente do computador há tempo demais considerando que estou no rio de janeiro.

2) ok, algo. poesia pra mim é as diferentes formas de se dizer o que rola. simples assim. sem apuro, sem esmero, digo. gosto de pensar assim. a prolongar. e sim, com a concordância desalinhada do verbo ser, que é um verbo pra turvar mesmo.

3) olhar posts antigos continua sendo umas das melhores coisas que tenho feito do meu tempo esse ano, sem dúvida. e olha que tenho feito muita coisa legal... rs. é que tem alguma coisa muito incrível nisso de se ver se reescrevendo assim ao se ver se escrevendo enquanto estou reescrevendo e vendo. escrever ver excremento, ixi, fodeu, concretismo voltou! rs

4) tou lembrando de uma coisa que li do márcio seligman falando sobre o haroldo de campos. um pouco da onda concretista, do encantamento dele por hai kais e etc, e penso na minha tara por anagramas e como acho a imagem de um sudoku bonita e como acho o jogo resta 1 fantástico. penso também que resta 1 é um nome idiota demais pra esse jogo. rs. ah, e tem aquele mah-jong também, que é genial. enfim, as formalidades, os formalismos, os experimentos com formas, tou sendo redundante eu sei mais foda-se, as geometrias, os prédios, todo que lo me encanta e quiero mucho. que onda hispânica foi essa? até subverti a sintaxe à favor da sonoridade. não intencionalmente, digo, porque não curto muito tirar onda não. rs

5) deus, eu tou ficando doido! que que é isso...! rs

6) sempre adorei as repetições dos ques. acho bonito. que é que é isso é uma das construções mais fantásticas, tanto pelo paralelismo e redundância, como pela loucura que ela cria. é quase um não sentido. é tipo um soluço.

7) loucuras da vida. coisas que deixam jung bolado e etc. uma vez, em goiânia, 2006, exposição de arte contemporânea no flamboyant. aliás, tirei muitas fotos e preciso fazer isso mais. tinha uma mesa, com uma troca de emails afixada em papel. um dos emails envolvia suene honorato. anos depois, a conheci, meio que totalmente acidentalmente via amigos que fui conhecendo também acidentalmente. ou mesmo que intencionalmente, mas mesmo que, as intenções só se possibilitam por acidentes, numa longa extensão de causalidade louca que eu estou fazendo. enfim, isso poderia virar filosofia. (melhor ainda, verter literatura)

domingo, 10 de janeiro de 2010

Primeiras Impressões do Fausto de Mann (parte 2)

(...)



4. O esmero de Thomas Mann me assusta. Seu narrador, Zeitblom, após um capítulo de 30 páginas, no início do capítulo seguinte, fica melindrado e incomodado pelo tamanho. Pede desculpas e etc. Conferi e todos os capítulos do livro são de 10 a 20 páginas, com excessão de mais um que tem 40. São 47 capítulos.  Após o capítulo de 40 páginas, Zeitblom também pede desculpas: fui lá e conferi. Um livro que discute ordenação de arte e que tem em si também a sua ordenação. Que mensagem que quer passar? Less is more, com uma ode a um minimalismo ponderado e controle de suas emoções? E o extravasamento em dois capítulos? Quer dizer que o humano é inevitavelmente falho nesse processo? 



5. Pagando pau pro Mann. Fico impressionado. Fico pensando. Comparando ele com um Joyce, ou um Proust. São os três porquinhos da primeira metade do século XX e, pra alguns, do romance ocidental. Li um pedaço de Proust, li um "livro menor" do Joyce, mas tem muita coisa por aí que a gente ouve dizer do estilo dos dois ou percebe lendo trechos e etc, né? São estilos muito diferentes. O Mann me assusta por essa monumentalidade orquestrada. Como se cada coisa estivesse um lugar e uma ordem. É bonito demais pelo conjunto. E toda uma coisa assim que não faz necessário negar ou subverter as formas narrativas e sintaxe ou semântica, mas que dialoga diretamente com suas origens, assim como o fofo Kretzschmar faz dizer sobre a música mencionando o exemplo de Wagner e os Nibelungos. O que faz com que seja muito mais humanista que o subjetivismo proustiano e a "surtação" joyceana. Sem desmerecer qualquer um deles, cada um desses é um caminho. Acaba que Mann pode dizer a uma platéia maior e ainda assim arrasar quarteirões, qualidade que inevitavelmente eu admiro. (Analogia cinematográfica, alguns diriam que Mann é Fellini e um ou ou outro são Godard e Bergman? Hahaha. Não acho que foi uma boa analogia, maaas... rs)


6. Kretzschmar falando de tanto coisa de música que não entendo e eu ficando com muita água na boca. E o Mann, falando pela boca do Kretzschmar, como o humanista que ele sempre soa, diz algo sobre ouvir "cedo" coisas que não se entende tão bem para se despertar para as coisas maiores. E faz tanto sentido. Acho que instiga tanto mesmo. Tem sido o caso. Tou com tanta vontade de entender mais de música.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Primeiras Impressões do Fausto de Mann (parte 1)

O que li até agora: até a página 102.



1. O nome Fausto. Eu intitulei a postagem sem me referenciar ao Doutor, já que esse aspecto ainda não me ficou evidenciado pela leitura. O significado do nome fausto, de acordo com o dicionário virtual PRIBERAM é "1. adj. Ditoso; feliz; próspero; muito agradável. / 2. s. m. Ostentação de grandeza; grande pompa". O início da trajetória de Adrian Leverkühn remete a essa ostentação de grandeza. Também próspero. Mas feliz? Adrian Leverkühn poderia ser chamado assim? De qualquer forma, seu fundo não se espalha.
1a. Adendo pós-escrito: Segundo wikipédia em inglês, (Latin for "auspicious" or "lucky", but also German for "fist"), punho dá uma polissemia das mais bonitas até, mas a ser desenvolvida metaforicamente. Auspicioso e sortudo ou bem-aventurado também não se ligam diretamente ao nome. De alguma forma, tem algo de contrapontual nisso tudo, me soa.


2. Será que não se espalha ainda? É interessante já saber em alguma medida o que vai ocorrer, para saber o percurso. De qualquer forma, a história de Adrian é contada pela mão de Serenus Zeitblom. Agora fica se insinuando na minha cabeça subrepticiamente, talvez por causa de desconfiar de narradores, talvez pela cautela excessiva de Zeitblom, pelo cuidado, por repetidas vezes tentar se invisibilizar perante Adrian. Quem afinal é fausto? Ele mesmo ou Adrian? (de qualquer forma, Zeitblom está falando de um homem que, mesmo que ficionalmente, é público; diferente de um Bentinho falando de uma Capitu que é particular) (de outra forma, Zeitblom arquiteta sua própria grande obra ao falar de Adrian, não é mesmo?)


3. Lendo sobre contraponto e fuga, fiquei pensando em como poderia se comparar passo-a-passo ponto-a-ponto o Fausto de Goethe e o de Mann. O que se teria? Fazer um conflito, uma nova coisa. Wikipediando, existem tanto Faustos, de tanta gente. Quis por um momento pegar todos e enfileira-los e brincar de reordenações e recombinações. Quem sabe um dia? Enfim, obviamente preciso reler urgentemente o Fausto do Goethe.
3a. Faust Arp do Radiohead poderia ser um intertexto com o Fausto de Goethe, ou todos os Faustos de todos os tempos. Se não for, pode vir a ser transformada em.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Sinetes, Cataventos e Cavalaria

Era aquilo, rodantes, pelas estradas. Por vezes pareciam que estavam em um labirinto. As curvas eram seus cotovelos. Os buracos eram suas cicatrizes. Só sabiam que, acima de qualquer coisa, tinham jurado que queria chegar ao lugar-algum. Era lá que encontrariam todo o ouro prometido nas lendas. Um fundo de olhos profundo e escuro, como um poço de antes de cristo. Vinham os deslumbres às vezes, quando tinham sede, o sol forte, e o calor insuportável. Viam os deslumbres às vezes, num contorcer de vento choroso das mágoas dos anos das putas, no retorcido da árvore da casca de um ancestral, no nascer de uma lua que pedia clemência aos humanos. Se dentro do carro, estavam pingando, brincavam de dizer que de si mesmo choviam. E na estrada, quando chovia, paravam e se banhavam demoradamente. Nessas horas existia o frio. E isso os fazia ferver trêmulos. A garota tinha cabelos vermelhos que ao vento eram línguas de fogo. O outro falava muito pouco, mas sempre cantarolava velhos sambas-canções. O que dirigia estava sempre de óculos escuros. À noite, paravam em qualquer lugar, faziam fogueiras e contavam novas versões das vidas que viveram. A garota já havia dito ser astronauta, modelo e lutadora de boxe. O calado era arquiteto, bobo da corte e cortesão. O de óculos foi padeiro, carpinteiro  e príncipe. No fim de tudo, sabiam que não encontrariam aquele lugar, e era somente isso que os movia. A paz era tão estranha e forte. Explodia um pouco, até. Vez ou outra compravam um mapa e marcavam um ponto a esmo. Só podia ser lá. Quando estavam sentindo que o destino chegava, queimavam o mapa, e uma vez até o carro. Nunca dormiam tranqüilos. Era um sono justo e vil. Sabiam que a vida não mereceria deles mais do que aquilo. Certo dia roubaram um carro. Foi uma aventura absurda. Nesse dia choveu muito. Eles nunca chegariam ao destino, e aquilo era tudo que poderiam esperar. A paz era louca.

domingo, 3 de janeiro de 2010

blosg

tou com vontade de blogar toda hora. deve ser o tédio. nah, nem é. é que tou meio transbordante mesmo. qualquer um desses engodos. rs. adoro essa frase. a sonoridade e etc. mas nem sinto que é engodo. e tou tranquilo. eu descobri o sentido da vida. rs. zoando. tou ouvindo raimundos, bom demais. rs. trabalho final pra amanhã. isso tudo sou eu também. tou melhor comigo. isso é bom. esse blog sou eu também. nada de novo, nada de novo. mas tá bom. vontade de falar muito, de contar, de inventar, de cantar. isso é bom mesmo, realmente bom.

sábado, 2 de janeiro de 2010

descobrimento do brasil

tou começando aos poucos a perceber que coerência de cu pode ser rola. ainda não sei.

listismos 2009

o que ouvi muito esse ano: beirut, the cure (os álbuns head on the door e wish), cat power (especialmente o moon pix), white stripes (elephant), caetano, mendehlsson e rossini, violins (a redenção dos corpos), of montreal (hissing fauna...), iron & wine, au revoir simone, dripping dream do sonic youth, come with me e el sol do zwan, death cab (o eterno transatlanticism), blonde redhead (principalmente o álbum 23), zero do yeah yeah yeahs, if looks could kill do camera obscura, groove is in the heart da dee-lite, ulysses do franz ferdinand, crazy e going on do gnarls barkley..


os filmes mais notáveis que assisti ou reassisti esse ano: 500 dias com ela, dear wendy, permanent vacation, benjamin button, repulsa ao sexo, rebobine por favor, gran torino, la notte, dans paris, ele não está tão à fim de você, duplicidade, alfie, love and death do woody, à prova de morte, planeta terror, antes que o diabo saiba que você está morto, into the wild, midnight cowboys, infiltrados, bastardos inglórios, o desespero de verônica voss, querelle, pacto sinistro, marnie, bande à part, juventude (bergman), vicky cristina barcelona, assassinato em gosford park, my blueberry nights, REC.
*destaque dos destaques (não inclui os reassistidos): into the wild, my blueberry nights, REC, gran torino, dans paris, 500 dias com ela, benjamin button, bastardos inglórios, rebobine por favor.
**auto-decepção: eu juuuuro que queria amar mais godard. amo pouco. rs. paciência.


livros: eu não leio mais. patético. rs. enfim, só o borges mesmo de absurdamente notável. ano que vem precisa ser diferente. rs. li também godot, li o mito de sísifo. mas o que marcou mesmo foi o borges. absurdos que marcam. ter borges marcando esse ano e ter vivido o ano como vivi me parece meio irônico. preciso de outras doses de outras coisas.


momentos: casa da matriz no rj, brincando de água no teto do carro, as flores no teto do carro, goiás velho, as apresentações do coro, a ida ao motel, as festas na mueda, os de estar sozinho em casa, as baladas de amanhecer, algumas conversas específicas em momentos exatos, gilmore girls comendo pizza. (e aqueles outros que eu não lembro mas também foram foda)


comidas: a soda italiana de amêndoas, o häagen-dazs (eu sempre preciso googlear pra ver como escreve, rs) de strawberrry cheesecake, os cheesecakes no geral (principalmente o do outback), o tacolino's, a pizza da vovó no fratello, o steakhouse do burger king, o cheddar do mc, o 'gourmet burguer' rs, a la bianca da domino's, as variadas comidinhas do pi, a margarita do friday's. enfim, muita coisa gostosa e gorda rsrs.


títulos para o yearbook:
1. i don't like the drugs but the drugs like me,
2. calça de cá, saia daqui,
3. os padrões no chão (e o equívoco nominalista),
4. é grande, não é, é sim,
5. nunca quis tanto ter uma filha,
6. godfather one, two and three.
7. pessoando de forma mal-feita
8. houston, we have serious problem here
9. my bed is a magnet
10. como a vida não fazia sentido, largou a dieta
11. o que é sociologia?
12. o que é antropologia?
13. os extremos, o meio, e a dúvida - um ensaio.
14. so far, so good.
15. eu menti, eu menti, eu menti e gostei!