quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

aguardem!

ano que vem é ano de muitos posts. 2007 foram 87. esse ano, com esse, são 81. 2008 foram 155! numa lógica de de-dois-em-dois-anos...

dormiu-e-nove retrô

teve uma vez que fiz um álbum de orkut: o que foi 2008 em fotos. ou era 2007? desde então penso que seria legal fazer algo assim todo ano. sinto que, além de apagar meu passado, eu faço com que ele fique desbotado. enfim, é preciso lembrar. é preciso sair da monomania. e etc.

meu primeiro semestre. foi um período duro e gostoso. esperanças grandes, decepções grandes, desencontros. um ótimo show no rio de janeiro, o radiohead com o kraftwerk e o los hermanos foi uma beleza. como sempre penso, li menos do que gostaria. mas algumas coisas foram boas. lembro que um ano atrás eu estava lendo Reparação. puta história bonita. está um calor da porra. eu fico com medo de escrever e não chegar a conclusões. preciso lembrar que isso não é problema. queria que hoje fosse só mais um dia qualquer, e não o último do ano. e diriam, uaai, esquece que é. não é tão simples. ignore. não é tão simples mesmo.

calor pra caralho. lembro que li A Queda, li uns contos do Kafka. isso me faz lembrar que já ousei considerar as dores em outros níveis. o estranho é pensar como eu quis frases outras que dissessem mais. não canso de tentar entender como vim parar aqui e não faço idéia. quero sair. também não quero porra do acordo ortográfico, gosto do acento em idéia. rs (correção: li A Queda em 2008. e tinha esquecido do borges. shame on me.)

eu simplesmente não entendo como posso culpar os outros tanto e tão pouco. é bizarro. faria diferença fazer declarações de ódio? acho que nenhuma. preciso de um banho. eu odiei esse ano tão intensamente, apesar de ele ter tido suas partes tão boas.

o segundo semestre foi uma catástrofe, mas tudo bem. uma queda livre, ou o desmoronamento de uma casa filmado em câmera lenta.

ok, vamos lá. eu vou arriscar dizer o que quero para o ano que vem:

1. cantar mais, entrar talvez em outro coro;
2. quem sabe um curso de piano?;
3. tocar mais violão;
4. oficina de teatro, maybe;
5. estágios, urgentemente. que façam com que eu veja melhor como tudo rola.;
6. preparar minha viagem para paris;
7. não abandonar o francês;
8. fazer com que meu novo apê seja lindo;
9. ter uns sete amores em um ano;
10. querer beber menos, e beber mais do que bebo;
11. viajaaaaar. um pouco maaaais;
12. ler mais literatura;
13. ir mais ao teatro;
14. um corpo melhor, fazer academia e/ou dança;
15. mais tranquilidade e satisfação.

enfim, estou irritado porque acho que perdi novamente meu celular. vidacu. rs. eu não sei, eu preciso ter esperanças pq dizem que não é humano que nós humanos sigamos completamente sem esperanças. mas sei lá, sem humanidade nenhuma tenho seguido. inclusive nas aspirações. essa vontade de divindade ainda me anula. ou quero virar uma sombra? eu sei lá que descaminho que busquei, mas preciso de outro. eu gostaria muito de estar na minha casa agora com minha vida e meu canto, mas acho que não seria isso também que me faria feliz. preciso aceitar que agora não sei o que fazer e esperar que uma hora eu ache.

ok, e o que eu descobri em 2009? vamos lá. eu descobri que sinto saudades. eu descobri que sou mais frágil e também mais forte do que eu gostaria de ser. eu descobri que amar dormir ainda pode me matar, mas continuo amando dormir e seguiiiimos. eu descobri novas músicas terapéuticas. eu reforcei a noção de que o blog me ajuda a saber como foi o que sou (descobri por exemplo agorinha que o início de 2009 não foi dos melhores sendo assim quero que o início de 2010 seja!, rs). eu descobri que eu espero mais de mim mesmo do que é saudável. eu descobri que me tornei uma pessoa que me desagrada, mas isso é, eu acho, uma questão de olhar. eu poderia respirar de outra forma, outros ares, com outra intensidade e a experiência de estar-aí seria outra outra. eu descobri que não importa o quanto você se doa, o problema é o quanto vc espera. então é melhor desesperar? talvez. mas sem doer tanto. descobri a bendita loc vídeo e suas promoções maravilhosas, descobri o quanto amo e preciso de margarita for life, descobri um fast food mexicano muuuitcho legal. descobri que preciso também esperar menos dos outros. nada de novo, só descubro e descubro de novo, mas ainda não aprendi. rs. aprendi também que dependendo do mar a gente pode morrer afogado. rs.

sinto que um de meus problemas atuais tem sido conciliar quem eu tenho a sensação de ter sido com quem tenho estado sendo recentemente. e também com quem gostaria de ser. é um pouco estranho. eu fico com medo de definir o que eu poderia e gostaria de ser pelos caminhos possíveis que eu eliminaria. mais ainda, pelo medo de falhar. acho que esse ano falhei tanto. as decepções são pesadas. quero tanto falhar menos como aceitar melhor as falhas. ok?

e tou ouvindo the smiths enquanto escrevo isso aqui. já tou enviesando... caralho! rs. enfim, dias melhores pra mim e pra todos. precisamos. e tá, na verdade eu acredito. porque se eu não acreditar, não dá. humano. humano, humano humano humano. repetindo a palavra até que ela perca o sentido. com um sorriso exatamente infantil, como girando numa daquelas rodas de parquinho.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

atrasado, mas pra fim de registro

esse ano viajei para anpocs novamente. fiquei muitcho louco, uma amiga ganhou um isqueiro, fiquei muuuitcho louco, bebíamos lindamente, jogamos mortal kombat e eu mandei bem, e os meninos sumiram depois da viagem, uma pena, a galera fazia rir. era uma realidade paralela, e eu escrevo sobre cerca de dois meses depois e só porque há algo errado comigo, há tanto que me falta, uma das coisas é água e pra resolver basta levantar. depois que levantei-me e resolvi, veio todo um momento de reflexão a respeito da continuação possível. é que é esse o modo de as coisas não se perderem, e que minha ambição louca não ponha tudo a perder. sim, porque meu passado vai se apagando. e estou com um gosto ruim na boca, mas isso não é metafórico, é a bosta do periogard para bochechos. está muito calor. a anpocs foi fantástica. descobri uma paixonitezinha - ou ao menos uma admiração - e perdi outra que se tornou por demais mundana. era bom beber daquele tanto, era bom ficar louco, tudo era engraçado, havia um ótimo bife com batata frita e os momentos felizes estão numa porra de uma agenda que não sei agora onde está. um ano está acabando, e também uma década. so be it: it's the end of the world as we know it and i feel fine

hello sunshine honey bear

agora vai entender o que diabos fiz com minha auto-estima nesse tempo todo... troféu joinha pra essa obra de arte.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Fragmento de Memórias de Despejo

, aí me pego me tateando, tentando entender exatamente como consegui esses hematomas. E mais, como foi, quando foi, porque foi, por quem, que eles começaram a me incomodar. Por que se tornaram notáveis? Mas e será que existiam? Eu poderia prever pelos ares dos movimento das coisas e das nuvens que eventualmente eles se fariam visíveis?

Um dia, com uma amiga, ficamos fazendo desenhos usando água, no capô do carro. Brincando de rorschach. Será que ali já estava antevisto meu futuro? Quando, em idos dantes, decidi que preferia o vinho à água, ali já estava definido que a seguir, eu me tornaria um turbilhão escorrendo?, pelos ralos afora, pelas enxurradas dessa cidade imunda.

Mas é verdade que não, talvez nem existissem. E esse esforço todo de controlar o passado para controlar o futuro é só mais um tropeço diário nas calçadas quebradas do centro da cidade das pedras. E meio no escuro, tateando, esses tropeços são parte do cenário. Se fosse para evitá-los precisariam restaurar, vejam só, os postes. Trocar iluminação, fiação, daria uma trabalheira dos diabos.

E pior, se exatamente é isso. O cuidado diário de fazer cada gesto milimetricamente. É que a qualquer instante meu movimento poderia ser eternizado, e eterna estátua de pompéia com o dedo no nariz. Imaginem só que patético? E cada gesto precisa ser tão limpo. É que a cada átimo, um suspiro, se por, descuido desleixo pressa afobamento, risco pode acontecer de eu suturar o paciente com a gaze e a atadura dentro dele, pobre. E isso seria sofrível, bem sabemos. Lastimável.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Whoo! Alright-Yeah...Uh Huh

sabe quando você quer escrever algo mas não quer que ninguém venha te cobrar por isso e já sabe que podem vir a fazê-lo então você não escreve mas queria muito escrever e essa seria a hora de usar metáforas mas nenhuma metáfora lhe vem e o que você quer dizer é exatamente o que você quer dizer e você acha que não pode ou que não vale o esforço ou que no final não faz tanta diferença?


isso não caberia no twitter. e no blog é curto. isso é uma metáfora.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

desencontrânsias

e o não fechamento. para meu fotolog, coroando a música, senti postar ângelus do millet. aí encontrei o ângelus do dalí e senti bater a dualidade do mundo. okay, bonita por hoje. por hoje, okay, que seja. é importante que seja, mesmo que por hoje.


recuperânsias

pensei em algo como recuperações, recuperando, anseios, ânsias, enfim. saiu esse título. é que meu blog tem uma coisa. ele não é só esse depositório de frustrações que às vezes eu ressalto. ele também tem algo de momento-esperança século XXI, rs. algo nesse tom vem por aí agora.

sabe venerar algo que não vai te responder pela veneração? algo que não existe? mas que não te prenda por isso? que não te coloque em um esquadrinhamento, em regrinhas, em besteirinhas. meu velho sonho herege luciferiano de uma espiritualidade sem deus. vai aí uma ode:

"Todo dia o sol levanta
E a gente canta
Ao sol de todo dia

Fim da tarde a terra cora
E a gente chora
Porque finda a tarde

Quando a noite a lua mansa
E a gente dança
Venerando a noite"

Canto de um povo de um lugar, do caetano veloso.


que coisa bonita da porra! puta merda. sério. PUTA MERDA.


segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

mais um trecho, e as referências

"O velho conta que um dos três mosqueteiros, fugindo de uma explosão, morreu ao parar de correr, afligido pelo pensamento de como ele conseguia pôr um pé na frente do outro. "Ele parou para pensar e morreu.""



falem por mim, e eu falo por mim

"Mas recapitulemos: Nana de perfil, Nana de frente para a câmera, depois de costas para a câmera, depois chorando no escuro do cinema, fumando um cigarro em um café, prestando depoimento cabisbaixa, flertando com a câmera. De um plano a outro, a iluminação varia para encobri-la de sombra ou banhá-la de luz.",

e que há algo de criação no fazer diário. mas a cada passo, os culpados gritando, os inocentes de outro lado, eles se juntam e preparam uma valsa. e toca uma canção pop lançada esse ano, enquanto isso. e isso não é fazer diário, aquilo não é meu fazer diário, e o que poderia ser esse fazer senão diário? errante. é que cada enfoque permite que as luzes ceguem, e que as sombras acalentem, e algo disso precisa se fazer em outra coisa. mas nem no algo disso há a potencialidade da outra coisa, nem no gesto que altera. nessa dualidade velha, escapa algum enigma fundamental. é nessa que preciso me colocar um pouco mais, e reconhecer quais composições novas posso fazer de tons. mesmo que a tinta já esteja gasta.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

da vida sentimental das baleias

As baleias, quando nascem, desde cedo, fazem seus longos e agudos chuáaaa chufffff chuáaaaaa. Giram giram umas ao redor das outras. Fazem até piruetas, alguns dizem. Quando encontram a belezura dos oceanos, se trombam repetidas vezes, chocando a testa, como se tivessem chifrinhos. Isso mesmo, chifrinhos, mas elas não os têm. É uma pena, as baleias choram, mas o grande problema é que do mar imenso as lágrimas se espalham e se perdem. Sendo assim, elas, as baleias, quando choram, muitas vezes nem mesmo elas mesmas sabem estar chorando. É mais triste do que. E com essas trombadas às vezes dores de cabeça, que elas sabem ter, essas sim, mas jamais imaginariam as origens. Excruciantes dores, e as baleias reclamam em tons agudos inaudíveis. E o estranho é que elas acham mesmo que as outras ouvem, mas nunca tocam no assunto. Um pacto de sigilo, um respeito pela dor alheia, pensam, mas têm a sensação de aquele vasto oceano que é seu terreno comum não é só casa, mas também ligação. Não é. Pobres baleias. Que não morram afogadas de si.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

:D

Estou lendo uns trechos dum livro do barthes, (discurso amoroso, sei lá o que, tá, vou colocar o título, é Fragmentos de Um Discurso Amoros eu acho,) e tem umas coisinhas bem legais. Vou postar uns trechos pra vocês (?) depois, fiéis (??) leitores e leitoras (?!?!). Beijinhos!

Aliás, vou postar no estilinho Barthes, sem colocar trecho nem nada, fazendo comentários indiretos. Adoro quem filosofa literariamente porque leva até as últimas consequencias as teorias que desenvolve! Acho MUITO true! :D

rs. god. que piada.