terça-feira, 24 de novembro de 2009

filosofices de escritura

Entitulado a algo, sem título de propriedade portanto, me peguei me divagando sobre a forma poética. Sua configuração, a foto que se tirada desta traz seu molde. Pensando sobre métrica e medida, composição e algo assim, me veio à mente que pode ser que a distância original entre a poesia e a narrativa tinha a ver com um compromisso: a primeira, com uma promessa ao que está escapando aos dedos. A segunda, com um compromisso de entregar algo em dedos que permita um toque. A parentela entre verso e canção, e narrativa e história oral, parece vir para me confirmar. O que quero dizer? Uma diferença de substância. A poesia sempre quase que em fuga, a narrativa sempre quase que se entregando. Uma diferença meramente vetorial, e que o percurso histório-artístico acabou por borrar, mas ainda parece entrevista em um t.s. elliot da vida. E num james joyce, no campo do romance, ainda parece que o grande objetivo é como que uma pancada. E se na poesia o que temos é algo como uma explosão de penas. Quero deixar bem claro: com toda polissemia que temos dentro de travesseiros.

sábado, 21 de novembro de 2009

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

"Your mother should know"

vamos lá, auto-flagelação. ponho poesia e beleza nessa porra, ninguém comenta. quando começo a me martirizar aqui, todo mundo pede bis. é disso que vocês gostam, não é? rsrs. podem ignorar essa parte. então, tou cansado da minha auto-piedade. sempre achei tão inaceitável. hm... caham!, digo achar. essa onomatopéia - caham - é bizarra, pq não corresponde bem à expressão, não acham? digam lá o que acham, tá? é tipo uma enquete. tou zoaaando! preciso disso tudo não gente. hehehehehehe. sou igual um musgo, preciso de pouco sol. só preciso é de muita água, ixi, sinto sede o tempo todo. ô porra de sede que não passa. mamãe me educou mal, foi ela que me viciou nessa onda. e no cigarro também, é claro, mas quanto a esse foi indiretamente. aí blablabla blablabla blablablá tititititititi - mas realmente, realmente - eu queria que você estivesse nua! você não sou me amar, você não soube se amar, eu nunca te amei, ninguém precisa de amor, e pra fazer um bom bolo é preciso quebrar alguns ovos, todo mundo sabe disso, e pra fazer uma galinhada, de galinhas, mas mais vale um pássaro na mão do que dois voando, again, todos sabem disso. esse blog aqui tá bom de trazer novidade pros leitores. porra de vontade de ficar aqui ouvindo beatles pra sempre. vontade de não precisar dormir, de não precisar levantar, de não precisar ir à aula, enfim, de não precisar. onda budista. nada nada nada de novo no front. vou virar eremita, ermitão, hermes, sei lá o que vou virar. (já sei! geléia!)

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

De um cancioneiro perdido na chuva

vela por mim que eu velo você, veloz velejo, revejo, ensejo, desejo, cantinho juntinho ao mar, farol e chuva doce, areia branquinha e lua que nem, vela por mim que eu veloz você, acesos, candentes, cadentes, na cadência das ondas, bandas, rondas, e ninguém que nem,

vela por mim que leva, se o vento ajuda, que nos leve, que nos vele também, que os santos cantem e os ímpios não vejam, velados estejam, esses nossos traços, rastros, traçados, que as ondas do mar fácil fácil se encarregam de tampar, vela por mim acesa, me esperando luzindo, me esperando risonha, me querendo, ardósia, alecrim, pedra pômes, doce-de-leite, bagre, pirarucu, ribeirão esse nosso nas beiras de nós dois, vela por mim que eu vou revelar, e caídos ao chão, nós, e as tralhas, e as velharias, e as rugas, e o pó, e os trapos, e eu toco seu rosto te alumiando, e você me vela e velejamos longe, pelas nuvens e luzes sem fim,

ai que me dói que não seja leve essa leva de dias, esse levar dos dias, esses dias levados,

ai que me dói que não seja meu esse veleiro, que nós iríamos aos rumos e aos abandonos, sem encalhes ou atrolhos, içados com o vento, e o vento então só ajuda, esse vento é tão amigo, esse vento que joga seus cabelos para trás, bagunçando essa beleza toda, esse que leva a poeira de nossos ossos gastos, e ele nem ia derrubar nossa casa, ele nem ia fazer a gente ficar com frio, mas se ele vier, vela por mim também meu sonho ruim, e eu canto pra ti pra te ver dormir, e rezo baixinho, e nenhum mal te toca e jamais te tocará e você sabe disso, não sabe?, vela essa que em mim, luzia que assim, nem te digo, vela por mim e a reza a soar,

vela por mim que eu velo por ti também e para sempre amém,
vela por mim que eu velo por ti também e para sempre amém, içados.