domingo, 25 de outubro de 2009

Cautela!, chocolate e autismo.

Eu precisava um tanto de você aqui agora para coçar aquela parte de minhas costas que não alcanço. Um tanto. Tem também mais algumas coisas que seria legal fazer, do tipo, as paredes da sacada - aquelas onde ficavam aquelas fotografias que Joana tirou, e também aquele alvo para dardos amarelo-com-preto, de plástico - estão tão descascadas, um horror, e eu sabia que aquela tinta não era de qualidade. Enfim, mesmo que você não saiba nada disso eu precisava de você agora, ia ser um pouco gostoso sentir um olhar da sua parte, de desejo misturado com susto pelo desejo, ou de molho de gorgonzola com alcaparras, tanto faz, um desses olhares confusos e tolos. Eu ia soltar meu sapato de tiras com cuidado, eu ia solar numa nota só, eu ia sapatear descalça e risonha, eu acho também. A gente se encontra, se tropeça, se dá um 'oi', eu te pago uma bebida e no final da noite você concebe reconhecer toda a luz que vejo em mim. E eu consigo até te cegar, como uma medusa às avessas, porque se eu te quisesse pedra seria um bocado de crueldade, no máximo te quero rijo. Mas principalmente, cego, tateando o vento e a chuva da janela entreaberta molhando a mesa e os livros e as cartas por você escritas, quando você ainda enxergava, é claro. Só pelo luxo, mas de forma alguma quero dizer que minha necessidade por bolsas Gucci não seja de fato o que essa frase diz: uma necessidade. Para quem, saindo de rumos assim, mal consegue dizer, qualquer coisa como o quanto precisa de uma bolsa Gucci nesse exato instante. Ou de um rolex, quase vulgar, mas consigo um desenhado para mim. Você é minha aquarela, querido, de tintas velhas. Você é qualquer meu algo de impoderável e inominado, e essas palavras também são só tolos luxos necessário. Não faz diferença, que venha, que precisava tanto um de agora você.

domingo, 18 de outubro de 2009

que tudo fique bem.

faz tanto tempo, aliás, alguns dias, que não mexia na internet. aí até estranho. tou com 21 abas abertas, e cerca de 70% delas são twitters. a curiosidade pela vida alheia é uma coisa estranha. a vontade de se mostrar também, a vontade de deixar registrado acabou sendo o que me moveu a vim postar. hoje vou fazer diferentess. vou brincar de ser diretinho e lalalalá, a la diarinho. resolvi também tirar os links dos twitter e do blog do perfil do orkute pra preservar da família.

enfim, esse fim de semana aconteceram algumas merdas e ainda assim meu humor não diminuiu. na verdade, o que acontece é que na quinta, ou na quarta, não lembro, eu não estava bem. aí fui pra balada na quinta, dormi pouco, e acordei bem na sexta. passei um dia animado e feliz, porém relativamente bipolar. tive alguns momentos de desabafos pesados. na festa que fui à noite melhorei, graças à alteradores de estado de consciência e besteirinhas. aí deu uma merda depois. aí fiquei bem. aí deu uma merda depois. aí fiquei bem. enfim. rs

preciso gastar menos dinheiro. e ser feliz gastando pouco tem me parecido difícil. ser feliz é difícil. rs. estou rindo porque isso tudo é uma piada mesmo. faz tão pouca diferença falar e falar, mas faz toda do mundo. a gente só vive, não é? hoje li uma coisa no amós oz que me botou pra pensar. ele disse que depois que a última pessoa que se lembra de nós no mundo morre sofremos uma segunda morte. pesado. ok, prefiro pensar que talvez tenha fragmentos do ar que, sei lá, o ian curtis respirou dentro do meu corpo. um grande sistema fechado. rs.

que post grande. enfim, e continua. mais besteirinhas. tou com vontade de instalar joguinhos de computador - o tédio tem sido grande e eu ia gastar menos dinheiro com baladas. ler na frente do pc é difícil, mas tenho tentado fazer isso ouvindo música. tive momentos gostosos quinta feira por conta disso. preciso terminar de arrumar meu quarto, mas é tãaao difícil acordar cedo até para as aulas, que dirá para comprar uma cama.

meu desejo é o título do post mesmo. paz e amor para todos, e um pouquinho de sacanagem porque ninguém é de ferro. ahazei agora citando lya luft.

ps: aliás, o post não ficou grande.
pps: continuo com problemas para diminuir a fonte do blog. merda.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Com uma voz tão baixa, tão tão baixa

O que, doce de coco, com caramelo, avelã e uma pitada de pimenta, o que me incomoda é que a doçura não cai mais do céu em cálidas gotas, douradas por um sol de inverno, já que o que temos agora de secura mal nos deixa respirar. O que me aflige é essa sua língua embotada, são esses seus lábios rachados, é esse seu toque áspero, é todo o fato de que não há mais água quente nessa casa. É que dentro de nós não conseguissemos encontrar luz, ou buscar interruptores, ou trocar as lâmpadas, ou consertar a calefação. É que então nossos dentes rangentes e mudos, desgastados de tanto ranger mudo, quase que se partindo a qualquer topada mais forte que dessemos, e esse sexo forte que fazemos para aplacar buracos fundos por demais, e essa busca por algo no fundo de um poço cheio de lodo e lava. Mas se houver saída, ah se houver lhe juro que nos levo direto pra lá, depois de um caminho numa estrada esburacada, quer estejamos a pé de bicicleta de mula ou dromedário, quer que de nossos pés estejamos cansados e todas nossas suturas se abrindo, quer de repente como numa canção que se encerra de abrupto e dor, comecemos a perceber que o caminho está então tão úmido de nosso sangue e pus, e tropecemos em vermes e abominações do levítico, e que tenhamos saudades, até saudades, veja só, daquela época em que tudo era tão túrgido que os insetos jamais paravam de entrar na casa, ávidos e loucos. Só se houver saída. Se não, te juro, garanto, não movo sequer meu dedo do pé, doce de coco. Estamos aqui tão toldados, e assim sempre isentos de encharcamentos e grandes revoluções, mas é isso que queremos? Não seria melhor que estivessemos, ambos e mutuamente, nos tacando ovos e chantilly e baldes de penas de pavão e perdiz? Sem que doesse. Ou ao menos que, após qualquer grande guerra, pudessemos dizer a nós mesmo que nos amamos mais que antes. Mesmo que seja um tipo qualquer de engodo, que seja só verniz, ou incenso. Dizem lá naqueles livros que lemos que não deveríamos deixar jamais que os dias nos tornassem tão piores do que já dantes, mas o que é todo esse percurso desse inferno, se não tênue apesar de ríspido? E se algum desses parodoxos parecesse mais belo, correria para acolhe-lo, cingiria-o de flores e lhe erigiria um altar. Doce de coco, essa dor é das surdas, e nenhum apelo e nenhum clamor e nenhum suspiro nos conduzirá em paz pela paz por paz.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Aquela velha e contínua história

Se faz diferença. Se faz! Tempos que não consigo encontrar uma fonte satisfatória para o blog. Não sai mais como antes e ponto. Fica um tom ferrugem nos olhos. Nenhuma das ligações se atenderam. É tudo culpa desse apartamento. Ou desse apertamento, aqui dentro, e de forma alguma eu queria repetir fonemas ou qualquer besteira assim. As sonoridades têm me saido feias. Eu tenho me saído tropeçando pelos cantos. Isso parece uma ficção, e será que é? Ou é só opinião falsa. Tem uns filmes passando no cinema. Eu tou com preguiça de levantar da cadeira. Pega um copo de água para mim? Esse negócio tem quebrada de música. Se faz falta. Passei a tarde vendo um livro sobre uma civilização perdida. Brinquei de inventar um mundo deitado na cama. Eu quero o isolamento de um quarto escuro. Eu quero o isolamento de uma pista de dança lotada, com globo em cima, laser, luzes estroboscópicas e música no último volume. Eu quero ouvir música ruim e tentar gritar para desligarem sem ser ouvido. Eu acho que consegui diminuir o tamanho da letra. Parece que o batimento do coração no quarto ao lado está se normalizando. E que diferença que isso faz na minha vida? Se faz! E como! Mas não como antes, jamais como amanhã. Será que uma parte dos sais mineirais do meu corpo já esteve no corpo de Genghis Kahn? Será que minha tatatatatatatatatatatataravó contava histórias sobre Jaci à beira da fogueira? Será que alguém vai atender o telefone? Se faz! E se eu gritar bem alto? Se faz! Eu lembro daquela pintura no olho dela, era meio egípcia, e fiquei imaginando que eles se pintavam daquele jeito, perfilados, por alguma razão bonita e mística. Ou feia e torpe, sei lá, talvez um costume irracional. Faz tanto diferença assim o primeiro impulso, se o que fica é a idéia do longo movimento depois, faz? Dessas e de outras grandes fúrias do mundo, de mil e duzentas histórias de vencidos à beira do fogo. Forjando um florete, um flautim, um desejo, um cristal, um recado. Suspiro e grito. Se faz.