domingo, 30 de agosto de 2009

que fique um borrão

há sempre um bom tanto de idéias, um outro bocado de saídas, reluzindo distantes ou bem próximas - a um estalar de dedos, ou nem tanto assim, e é quando o seu polegar ou o seu indicador parecem intangíveis, e você tenta fazer com que eles se encontrem e produzam som, e tudo que você consegue é ficar desespero e suor, sentindo por dentro a agonia de quem espera o momento de presenciar a um desastre atado. como se você precisasse ver sua mãe, sua esposa e sua filha serem estupradas por seu pior inimigo. divertido nas histórias de um sade, ou não tanto, ou nos filmes de um pasolini, ou nem tanto, ou na mente de um psicopata - ok eu tenho meus limites, ok não sei bem quais são, ok que eu me assusto um tanto com esses rumos, enredos, e etc, o um milhão e meio de imagens que a gente pode tirar disso. um retrato e outras imagens, e eu não saberia bem que cor meus olhos teriam, porque seria difícil definir se eu deveria seguir o feeling do momento, uma idéia do momento, a projeção para o futuro a partir do momento (como se tombado frente ao abismo segurado por fina corda - perante a imagem eterna e insondável do devir que vem e jamais chega - e a corda seria finíssima mas jamais se partiria - e isso parece punição de tragédia grega), a negação do momento baseada na vontade de negação do momento, ou qualquer coisa assim. difícil dizer. que fique um borrão.

domingo, 23 de agosto de 2009

já que sou meio exibicionista...

oi galera, tudo bem? posso me auto-flagelar pra vocês verem? sério?! ah, que legal! peguem pipoca então!

passei uma semaninha daquelas! muito filme, acordando todos os dias em torno do meio dia (ou até umas três horas depois...), dormindo religiosamente depois das quatro da manhã. e foi bom?! olha. então. vou dizer a vocês. eu tenho uma onda relativizante relativizadora relativista, enfim. vários momentos foram gostosos. mas eu sabia que tinha alguma coisa estranha, em alguns momentos eu sentia. é essa angústia de estar sentado às vezes, e quando o computador dá uma travadinha de leve chata. uma constante ansiedade, é tipo isso. assistindo um filme e pensando... legal, e o que eu vou fazer depois do filme?

fora todo um extremo de carência - e o tanto dinheiro que tenho gastado com comida. sei lá porque inventei de achar que tenho mais dinheiro do que tenho antes. hoje mesmo comi uma pizza deliciosa - e deliciosamente cara. ah, tou amando os hifens. rs. enfim. eu tava falando da carência. uma carência que se mistura com uma preguiça. aí eu fico parecendo uma sessentona-solteirona-reclamona, sentada na poltrona. aliás, podem me imaginar assim agora, com oclinhos caindo, coque e tudo mais.

penso que já encontrei formas melhores de me distrair. e que esse sentimento chato de agora se assemelha a vários outros momentos que já passei, o que não impede que ele tenha seu caráter de novidade. tenho constantemente pensado numa imagem, que acho que é a maneira como eu gostaria de encarar as coisas. um grupo de amigos, sentados numa mesa de um bar, bebendo e etc, e nos momentos em que eles estão em silêncio porque não tem nada de novo, ou de interessante, ou nenhum motivo para se falar, eles se calam. ficam calados. sem incômodos. sem querer que fosse diferente, sem precisar vasculhar na cabeça qualquer bobagem que possa preencher o silêncio. porque, afinal, o silêncio é tão real. e tão tangível. é tipo uma parede. ou uma bigorna na cabeça mesmo. e diante dele, gememos. mas não, minha proposta é outra. eu quero simplesmente suspirar.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

máximas mínimas

anseiozinho: que esse semestre venha cheio de possíveis realizações, novos planos, novas metas, novas belezas, novas cartas e novas estrelas. tudo novo, parecendo ano novo, já que vida de estudante semestral é meio assim que se marcam os ciclos.

vontadezinha: carinho para o mundo e para mim mesmo.

novidadezinha: das velhas, rs. vontade de trabalhar numa coisa pelo mundo. auto-ironia: 'we are the world, we are the children'. e etc.

esperançazinha: na verdade é tudo na mesma onda. anseio, vontade, esperança, projeção, preciso admitir logo. do naipe de estar grávido de algo, que seja depois parir uma estrela, daquele linda imagem clariceana. ô alma boa e velha. parecendo o monet, gato do victor, entendiado e pensando ''humanos...''. ok, mas a esperançazinha é compartilhar o mais recente do pi: que tudo se vire bem, que tudo acabe bem, que sejamos melhores. e lindos. reluzentes.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

os tempos e as coisas

veja é tempo de voltar atrás, e de seguir à frente. defronte, confrontando a mim mesmo, tocando minha fronte e sentindo, os pêlos, o nariz que cresce, o tempo, também as mentiras, as verdades, as expressões, o que escapa, as rugas, um ou outro cabelo branco. e brando, que seja brando hoje peço o levar dos dias quando eu, e o meu pequeno muro, lutarmos na batalha das coisas contra o tempo. lembro do terreno baldio à frente de casa e as pipas. hoje, uma concessionária de carros. é assim que é. que não seja tão lacerante, porque doer é inevitável. e penso nos amigos, nos amores, em meus pais, meu irmão, o resto da família inteira. os colégios, os anos de faculdade. e o futuro projeto. e as conquistas, porque sim é uma batalha. eu tenho muito. eu andei, e o caminho se faz com o andar. ou o galopar. ou o voar. eu celebro a isso, eis meu brinde. que seja compartilhado, que seja também de mim para mim, com os meus ontens e meus amanhãs, simultaneamente, numa mesma grande imagem como se tudo num instante fixo de todos os tempos e do todas as coisas. eu, 21 anos. sei lá até onde, muito menos a direção exata, e os resultados finais. menos ainda os motivos, e é isso que tenho. é cálido e é caldejante. que caleje e que amorteça, que suspire e que amanheça.

domingo, 16 de agosto de 2009

amanhã eu faço 21 anos.

bosta.
tou triste.
não por fazer 21.
enfim. lalalalalalalalalalá
tipo algo como inferno astral.
lalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalá.

beijos

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

de uma gente que ri quando deve chorar...

tou lá, ouvindo elis no carro, todo à flor da pele, aquelas puta músicas que mexem comigo, tou num humor dos melhores, chorando de leve mas de uma espécie de felicidade e plenitude. vou pra casa agora? não, vou prolongar o momento. resolvo abastecer o carro. vejo que o momento está passando. mas ah, vou pra casa agora? não... preciso ir lá tomar a injeção. ok, momento já indo quase todo embora, graças ao trânsito de goiânia chego na farmácia e eu estava sem a desgraça da receita. culpa da mamãe, coitada, que sabe lá o que fez com o papel. ela disse que tinha ligado no médico e que daria pra tomar sem receita. ok, né? não, não pode não, disse o moço da farmácia. ótimo. eu saio meio que bufando, liga pra mamãe, a linda, coitada, fico bravo, ela está ocupadíssima, sempre está, ou sem saco, sei lá. sei que pede pra falar com o moço. é óbvio que não fez diferença. nessa eu já meti meu pé numa porra de um ferrinho e fodi minha sola de alguma forma esquista, com sangue e pele solta e etc. de leve, mas mesmo assim, que ódio. como assim? eu tava de chinelo... voltando do clube... aaah, sim. entendido. enfim, resolvo ir no médico, ainda bufando de raiva, com esperança de ele ainda estar lá (detalhe, 19h), já que o consultório não era tão longe. é lógico que não estava. e nisso eu andando meio torto, esperando numa porra de uma faixa de pedestres, e aqui é goiânia. aqui nem eu mesmo paro na faixa. ok, foda-se, saí andando segurando o trânsito com a mãozona de cara feia e mancando lindo lindo. enfim, era para ser um dos posts mais bonitos que eu escrevi, tocado por elis e etc etc etc mas virou isso aqui. que beleza!

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

memórias sentimentais de uma semana de chuva

o telefone sumido no segundo dia, a chapação insana de uma balada incrível, com sons loucos, loucos, o flyer definia bem, "pós-baile funk, cumbia, tropical, mashups, balkan beats, afro, tecnobrega, guitarrada, rock 00’s, eletronica 00’s, global guettotech", é preciso lembrar é preciso lembrar, o taxista, logo no primeiro dia, queria me passar a perna, mas não que não, olha que vou me cariocando aos poucos, morando um ano aí eu pegava sotaque loguinho, igual aquela outra louca lá, mas isso já é outra história, mas ai que gosto dessa formato de fluxo, as memórias vem mesmo assim, a caipirinha boa a 5reais, tamanho bom, compensou, no dia seguinte morrer no quarto, congresso onde mesmo?, e mediano, coitado, a tal da archer faltou, fdp, também pudera, que zona essa sociologia, todo mundo querendo salvá-la e ninguém sabendo direito o que está fazendo, mas nada muito diferente do rumo dessas coisas, as narrativas de nós mesmos que nos estruturam e que estruturam a nós e que os outros ponham seus dedos em nossas caras ou feridas ou simplesmente apontem direções ou remarquem pintas, é preciso lembrar é preciso lembrar, e chovia tanto, o céu nunca parava de cair, e que saudade do caralho que já tenho, de tanta coisa misturada, aqueles doces belíssimos, aquele lugar com aqueles espelhos, comofas?, e será que sentei na mesma cadeira de elisabete segunda?, a mãe de charles, o príncipe bafônico do tampax, é preciso lembrar é preciso lembrar, aquele prédio labiríntico, putamerda, e a sensação de séculos de história, por mais que não devam ser tantos assim, mas já é alguma coisa passar de cem anos, não é não? e isso lá mexe tanto com a gente... é preciso lembrar é preciso lembrar. brincando de anjo decaído em teorema, lição que levo pra vida, e continuo nessas de encontrar satisfação com idiotices. tudo bem, não procuro nenhum caminho para além de qualquer coisa além dessa chuva, as barras de calça irritantemente molhadas, uma nojeira, os tênis de tecido também, molhados demais, uma das poucas coisas que eu odeio tanto, o tempo passando, albergue cheio de gringos, lotado, galera bonita, dizem que uns fedem, é isso aí, de frente uma cervejaria devassa, nada mal, nada mal, e não é à toa que estourei o limite do meu cartão de crédito, os bons táxis do rio me ajudaram a criar um rombo na conta bancária, os bons ônibus do rio foram bons companheiros de economia, o shopping rio sul, aquele dos atentados, também ficou com uma parte de minha grana, é preciso lembrar é preciso lembrar, que mais que mais que mais?, de quando andamos na lapa muito muito tempo até encontrar um lugar pra sentar, de quando eu me sentia esquisito por achar estranho o quanto as pessoas prestavam atenção em algumas coisas que eu falava, do quanto eu ri, putz do quanto eu ri, puta merda eu ri muito, não foi?, e como foi bom rir daquele jeito... lembrando que eu ainda salvo o brasil, mas de preferência, me dê uma semana carioca antes. por fim, é preciso lembrar.



adendo muito tempo depois: e o loblon? ah, o loblon é um losho, é outra coisa...!

domingo, 9 de agosto de 2009

outra fábula horrível

A garota, sete anos de idade, começou a guardar luto pela mãe desenganada, que morreria ao fim do ano. Era um diagnóstico unânime: todos do povoado só conseguiam dizer a mesma coisa. Curandeiros, sábios, quem que lesse sua mão, quem olhasse o fundo de seus olhos, quem tocasse na ponta de seus dedos.

E o fim do ano chegou, e a mãe não morreu. A garota teve de aposentar suas roupas pretas e as cinzas de todo seu desespero já consumido. Na verdade, a mãe se recuperou e viveu anos. Muitos invejariam sua saúde de ouro.

Ninguém imaginaria o desgosto que a filha sentiu. E o desprezo.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

diacronicamente crônico(, mas sem cronologia possível)

tou aqui desde de pela-manhã, enrolando um bocadinho, andando de um lado para o outro, esperando um download para começar a trabalhar, aaah trabaio trabaio trabaio, aaah itálico itálico itálico. ouvindo velvet, rock and roll, com vontade de fazer um postzinho banal e declarar que estou prenhe de possibilidade até a hora do almoço. logo a seguir, uns possíveis momentos de agonia, mais uns momentos de angústia de tarde, com sorte a casa vazia para mim e a possibilidade de uma liberdade ou duas ou três. as coisas só podem ser regradas mesmo, isso quando não acabam bruscamente. se não, uma semana anterior, de intensidade, som e luzes, táxis, falas, esperanças, grilos, farras e chuvas. tudo bem. eu estou bem mesmo.

ps: o download terminou. vamlá! vambora!

terça-feira, 4 de agosto de 2009

do pó, ao pó

infelizmente as coisas acabaram por virar assim. a irracionalidade? pior que não, é o óbvio. entretanto com toda a carga de absurdo que as obviedades carregam. todo um amor e um carinho, algumas pás de terra abaixo, e nada que possa ser dito sobre isso além de 'ela ainda vive de alguma forma'. isso não é lá bem uma ficção, mas eu não vou poder mais beijar sua testa. é uma espécie de inferno, ou é, o inferno completo? não vou poder beijar sua testa e pensar que ela é pequena e misteriosa. e meu irmão me disse que ela tinha uma risada, não é? ele comentou daquela risada dela. uma boa lembrança. mesmo que..., mesmo assim..., mas nada...