sexta-feira, 24 de julho de 2009

sobre uma das fábulas horríveis e um bocado a mais

(uma espécie de confissão, e algo como pedir perdão também), talvez, não que a confissão seja essencialmente isso, ou que talvez seja, esse exame, que é principalmente e acima de tudo um auto exame - mas também abaixo, e também pelos lados - não virá agora.

já que todas as linguagens são linguagens, que vem de gramáticas, que buscam falar, e são necessariamente jamais idênticas, como isso poderia ser qualquer espécie de lugar tranquilo?, mesmo que consciente ou inconscientemente só queiramos ser aceitos pelo que somos, e o que somos vai mudando a cada dia, e aceitem-nos ainda assim mesmo com essas mudanças, e eu sou diferente de você, me aceite, eu falo outro idioma, uso outros fonemas, aliterações, metonímias, e metáforas, principalmente as metáforas, que jamais terão as mesmas estrelas e luzes distantes por trás, e a mesma noção do deus que devora seus filhos, e parecida farsa de nós canibalizando a nós mesmos e uns aos outros, para que nos traduzamos, e assim dominamos, e ao mundo, e conseqüentemente aos outros, e que se não nos reconhecem, se olham nossos olhos amarelados e dizem ser acinzentados, e se a todo custo é necessário que acreditem que eles sejam amarelados na verdade, mas não que acreditem tão somente, mas que de fato sejam também para o outro, amarelados, e que se eventualmente dissermos que não importa o que o outro pensasse sobre nossos olhos ou nossas idéias ou nossas verdades ou nossos gestos ou nossos gritos, que no fim não importa, é porque pensamos de alguma forma que é uma espécie de verdade nossa que é, fanaticamente e fantasticamente, nada mais que, não muito menos que, a escrita circunscrevendo e inscrita no mundo. medonho. aterrorizador. labiríntico, só que com todas as portas lacradas. pior ainda: inexistentes.

terça-feira, 21 de julho de 2009

(quase)

só queria declarar uma coisa, algo que eu já sabia, mas é que eu deveria me render às vezes,. mas sei lá porque se faz, só se faz, ou não,. dos motivos ocultos e os gestos incautos fica algo como um gosto sujo pra depois. e a gente ri, lívidos de ódio.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Dama Demência e Seu Extravagante Bolero de Ocaso (para flauta e fagote)

É uma questão de tinta, veja bem, e tintura, e laquê, e esmalte. Azuis, ou rosa schock, como se escreve essa porra?, sim como um choque, não como um toque. Porque é preciso que a gente sinta mais as coisas como um murro, sabe como é? Nem eu sei, só achei bonito de falar. Pó cor de anil pelo chão, mas que cor é anil mesmo se não um azul meio fresco? Ou é mais escuro? Não importa, fresco. Desses frescores que não se encontra em árvore hoje em dia porque só temos esse asfalto mesmo. Ouvi dizer que vai demorar mais a esburacar. Construções mais sólidas, vamos escapar do inevitável fim, vamos perder esse sufixo odioso que denota tudo quanto é impossibilidade de mundo amargo e tosco. Perigosa essa história de ser deusa, sei muito bem, e é brincando com isso que escolho esse batom. Sou eu, repito ao me olhar nesse espelho, e digo sou nada, e escrevo também pela pele. A tinta da caneta de ontem já está apagada mesmo que não fosse tinta de caneta e nem que tenha sido de fato escrito. O que faz com que se perguntem, vão, se perguntem, sabem como é? Se perguntem. O que vocês perguntam mesmo? Sei lá. Qualquer merda. Mas não me perguntem de cartas velhas e fotos amareladas, seria ridículo. Vontade de desenhar sorrisos avermelhados em todas. A ausência de nó não consegue deixar mais fácil escolher o fio que eu corto, desse emaranhado, desse labirinto, desse vou-me-perder-mas-antes-preciso-entrar ou desse não-sei-bem-o-que-se-não-repetição. Rimei, pronto. É o cúmulo. Sempre qualquer coisa que faz o copo transbordar. Cheio de morangos, veja bem, a calda de chocolate caindo em cima. Aí você vai e come, sabe como é? Sim, estavam azedos. Não, não mofados, nem tanto. É preciso um pouco de decoro, estou tampando o sorriso de leve com o guardanapo, meticulosa e previamente arquitetado o gesto também como forma de tirar o excesso de batom. Ou posso borrá-lo pela toalha de mesa mesmo, que importa? Sabem como é? Sim, riam. Exatamente. Eis o bom tom. Uma cena qualquer, a repetição de uma música ao fundo, e sempre essa absurda falta de tons mais claros, acho que os dias santos nunca chegam por aqui. Mas é sempre um ritual, entendem? Essa coisa de vir ao espelho e me desfocar. Perdão, retocar. Espelho quebrado, lugarzinho de quinta, cheiro de mijo. Espelho desnudante, lugar de finésse, banheiro tão perfumado que chega a irritar. Porra! Banheiro é pra fazer a gente se sentir mal, sabe? Lembrar que somos feitos de merda. Pronto, lá vou de novo. Não adianta, não há como escapar das temporalidades de si mesmo. E dos temporais, obviamente. Não importa se lugarzinho, lugar, lugarejo, qualquer que seja, é sempre com o arsenal de lápis e nenhum papel. Por isso uso a pele, sabe? Uma forma qualquer de fugir e de mentir disso. É sempre uma fuga de tom, vejam só, entendem? Mesmo que não percebam. É o que me diverte nisso tudo, de alguma forma, que sejam tão tolos. Vontade que me dá súbita de limpar a cara toda e mostrar as cicatrizes. Também elas são feitas com esmero, mas isso não importa. Se eu acreditasse em qualquer dessas coisas seria mais fácil. Se essa música não estivesse se repetindo, também. Mas, principalmente, se você tirasse as mãos das minhas.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

:D

ando acordando com um bom humor esquisito. quase como se não fosse meu e viesse de outro lugar. é jóia.

terça-feira, 14 de julho de 2009

cantarolante e saltitante

sempre pensava que se eu abrisse mão daquela reflexividade louca, eu teria mais paz. agora, eu não sei o quanto abri mão, eu não sei o quanto tenho a mais de paz. historicidade só fode. quem foi o idiota que inventou a escrita e quem foi o otário que inventou de escrever que estamos sempre querendo voltar pra casa? ou uma casa eterna, na pedra, e não na areia? cu.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

com vocês:

olha, eu queria avisar pra todo mundo que o pi tá devendo um post sobre a importância da laranja no mundo contemporâneo e na formação de portugal. meu conselho: uma sucessão de comentários e scrapbooks e pedidos no msn dele cobrando.

gente, juro, é capotante.


ah, e o título do post foi só pra anunciar a tensão. rsrsrs

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Como ter um relacionamento duradouro e feliz

http://gloss.abril.uol.com.br/sexo-amor/conteudo/como-ter-relacionamento-duradouro-feliz-425222.shtml
"G - Como resolver interiormente a sensação de desemparo e de insegurança para deixar de depender do parceiro amoroso?"

dentre outras maravilhas. não percam


aah, nessas horas eu queria que meu blog tivesse marcadores. kkkkkkkkkkkkkk

quinta-feira, 9 de julho de 2009

"e aí, que qui cê conta?"

uaaai, no geral tenho me sentido bem. vezenquando, um mal estar sem explicaçao. rs. mas esse tipo de coisa é normal na vida pós-moderna, dizem.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

rezinha

que a transitoriedade não dilacere a conta-gotas, e que não macere nossos dedos no repetir do fazer. e do repetir do fazer, que seja um artesanar, que seja um costurado bonitíssimo, cheio de cores e enredos, com folgas de suspiros e bons goles de ar. que os mantras se tornem tatuagens, que se tornem meus óculos e meus véus, que se tornem meu escudo e meu escapulário, minha rapieira, vara de condão e cítara. que mesmo que o movimento, que o escuro, que o medo, sejam dores dores dores, que nos sejam também unguentos, que nos sejam também alentos, que nos venham como do leste e do oeste belos ventos. que fins de tarde e o sol a morrer, que começos de manhã e o mesmo a nascer, seria o mesmo?, que sejam o verso e o reverso de um belo poema. belo poema, que quaisquer espécies de modestos estratagemas que aqui tenhamos, mesmo sem os dizê-los, que nos sejam nada mais que isso. e que não nos doa que as imagens pintadas nos pareçam mais belas do que suas telas, e que não nos doa que os retratos traçados nos pareçam mais vivos que o original. e que para sempre fique cravado também que nos rodeamos de parecenças, pois que as certas-sentenças são pouco mais que esses vultos de nós, míopes.