segunda-feira, 27 de abril de 2009

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Existem verdades e mentiras no mundo. Mentira. Não totalmente. Existem coisas verdadeiras e falsas. Bem, isso é falso.

A verdade é que é difícil falar sobre a verdade. Isso é óbvio. Há uma subentendida redundância, menos óbvia do que aparenta. Feliz ou infelizmente. Imaginando uma humanidade auto-questionadora a cada instante de ato, simplesmente, vejam bem, não se realizaram os instantes de atos. Ato é oposto de reflexão, ao que parece, não que eles não se correlacionem e se co-constituam (e eu não sei muito bem o uso dos hiféns), mas o instante exato de agir me parece o momento de uma fé quase dogmática de que, seu braço, ele irá levantar ao seu comando.

E quando a verdade de um é contraposta a de outro? O que define o que é mais verdadeiro? Interessante pensar umas discussões minhas com uma coleguinha a respeito de cores. Um vociferando: ''é verde'', e o outro: ''é azul'', seguido, então, de uma tentativa de esclarecimentos por uma terceira, quarta, décima, ou nonagésima opinião. Eis um dos caráter de definição de verdades: que elas sejam compartilhadas, ao que parece.

Se em algum momento alguém, ou como imagino eu, uns alguéns, delimitaram que chamariam de branco algo como Kr, sei lá, ou Cs, não sei se faz muita diferença assim. Ou que chamariam um sentimento de amor. Ou de ódio. Ou que eu o chame e diga isso dele. Ou que eu aprenda, desde pequeno, o que é amor ou ódio, e as diferenças e semelhanças. E se descubro que eles se assemelham por vezes, descubra por meio de filmes, pessoas, livros, que isso não é, em nada, tão estranho assim.

Estranhos sim são os casos limites. As definições de realidade - e logo verdade - muito alienigénas. Os loucos, com sua voz tão distinta, por vezes visto como portadores de uma verdadeira superior, ou uma verdade distinta, ou simplesmente uma mentira. As definições de realidade se chocam, pedem novas reconformações. Deuses distintos, visões de mundo, definições de usos de objetos e pessoas, do estatuto das plantas e da relatividade do rabo da lagartixa.

Aí, vá lá, dir-se-ia: pontes! Pontes entre as verdades! Traduções! Por a si próprio a prova! Perceber a relatividade de si próprio! E para que? Por quem? A medida do absoluto não existe externamente, o parametro de verdade não é definido por nada tão acima e superior assim de mim, são só meros indivíduos com os quais dialogo frontalmente sobre o estatuto de branco da parede. Ok, por vezes não tão meros indivíduos assim. Por vezes a sociedade inteira chame algo de branco e eu penso, que NÃO, é cinza! Por vezes a sociedade inteira chame algo de democracia, ou de liberdade, ou de tirania, ou de burocracia, enfim, e eu digo que NÃO, não é bem assim.

As definições de verdade externalizadas é o que nos permitem, portanto, ter maior controle sobre a nós próprios, e sobre o mundo. Nunca em termos absolutos, já que Fausto e vários outros personagens de histórias sempre se fodem em empreitadas por muito comparáveis. E então? Algum controle é buscado, é necessário, é almejado, mas seria interessante constatar os limites. E aceitá-los. E é aqui, que para variar, eu acabei virando livro de auto-ajuda. Beijos.

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