sexta-feira, 10 de abril de 2009

Incondicionalmente

Devassa devassei-me, essa valsa mente, devassa-me, devassada, debulhada, com todo meu embrulho desorganizado, amassado e manchado de lama, depois de pau e pedra, som e fúria, ferro e fogo, e mais alguns pares que se juntam e depois se findam. Eu que te doaria meus gritos para que soubesse que deles e neles as notas poderiam ser mais cândidas, ou os conteúdos mais cálidos, ou os assédios mais espúrios. Alguém me disse que eu só ressuscitaria se minha carne fosse revolvida e virada do avesso, se fosse possível que vissemos cada ranhura em meus ossos, os restos de alimento em meu estômago e intestino, e se de minha mente tirássemos valsa.

2 comentários:

Cazarim de Beauvoir disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Cazarim de Beauvoir disse...

para ressuscitar a carne, é necessário que também dela se tire valsa... isso é devassar. devassar, ressurgir...