segunda-feira, 30 de março de 2009

momentozinho político do blog

vim aqui advogar à favor da causa do aborto. tem muita gente que não sabe mas ser a favor do direito de escolha não significa obrigar ninguém a fazer aborto. juro! tem gente que parece não perceber certas sutilezas. vou dizer que talvez seja culpa da educação do país, da cultura local, whatever. mas vejam só, a fulana seguinte tem curso superior:

"Como mulher e pediatra, sei que a gente tem o direito de decidir sobre o nosso corpo, mas não sobre o ser que está sendo gerado, porque em pleno século XXI todo mundo tem acesso aos contraceptivos e sabe como engravida. Acho que a medicina deveria valorizar mais a vida; como mulher, abomino o aborto porque, apesar dos meus 50 anos, ainda sonho em ser mãe. Não consegui pelas dificuldades que encontrei para fazer uma fertilização."

(carta retirada da revista VEJA de 04 de fevereiro de 2009)

Mas vamos lá... Começando por partes. Como pediatra a senhora não deve entender nada de sociologia ou estatísticas governamentais, mas parece entender muito menos do que o requerido de obstetrícia e ginecologia. Nem todo mundo no século XXI tem acesso aos métodos ou sabe exatamente como se engravida ou não. O governo tem trabalhado para informar as pessoas e dar a elas os meios, mas acredite se quiser, não é do dia pra noite. Ainda estamos longe do seu sonho de século XXI. Isso sim eu te garanto.

Poderíamos também tentar uma campanha de conscientização: estuprador, ao praticar seu crime, ao menos use camisinha. Não seria uma boa idéia?

O caso de bebês anencéfalos: o ser que está sendo gerado vai morrer em questão de horas ou no mais tardar dias. Infalivelmente vai morrer. Agora em detrimento da vida da mulher e de sua saúde psicológica (o que não é uma bobagem, que fique bem claro, por mais que você como pediatra talvez entenda muito pouco de psicologia ou psiquiatria) deveríamos preservar o feto que não chega nem a ter possibilidade de vida?

Olha, abomino o fato de no mundo bilhões estarem abaixo da linha da pobreza. Abomino o fato de haver tantos famintos. Sabe, eu poderia doar comida a eles. Agora, não é porque você não conseguiu ter um filho que o fato da outra não desejar tê-lo ou não se considerar em condições se torna mais execrável. A gravidez não é um bem (?) transferível. Talvez você devesse tentar a adoção e promovê-la. Com certeza eu apoiaria sua causa. Existem muitas crianças rejeitadas pelos pais no nosso país. Inclusive, por pais que muitas vezes prefeririam ter feito o aborto por não ter condições financeiras (ou psicológicas, ou de qualquer outra ordem) para cuidar de seus filhos. Crianças abandonadas por mulheres que prefeririam não ter sido estupradas e que até gostariam de amar seus filhos, mas o trauma do abuso é maior.

Quer tenha sido por um erro ao não usar os métodos contraceptivos adequados: é ilógico considerar que o filho deveria ser uma espécie de punição para os incautos. Há uma discussão enorme na medicina a respeito do status de vida ou não até determinados pontos na gravidez: infelizmente é muito mais uma questão de opinião do que de fatualidade. Ninguém aqui está falando de matar um bebê de sete meses, mas quando defende-se o aborto no geral é estabelecido um tempo adequado para tal, que raramente ultrapassa o início da gestação.

A ignorância dos muitos brasileiros que não tem acesso à informação é perdóavel, mas a senhora se entitulando pediatra e se caracterizando portanto pelo pertencimento a uma fatia privilegiada de brasileiros que detém curso superior deveria ter mais cuidado ao proferir tais opiniões. Não é por nada não, mas pega mal. Fica a dica.

segunda-feira, 23 de março de 2009

your house of cards, and castles of sand, and etc etc etc

"No final de sua vida, o líder nazista ordenou que seus pertences pessoais fossem destruídos numa tentativa de obliterar o máximo possível sua vida privada. Ele queria ser lembrado exatamente como havia apresentado a si mesmo para o mundo: cheio de fúria, guerra, ódio e discórdia. Ele não queria deixar espaço para nuances, muito menos para insights sobre as obsessões e inseguranças particulares que alimentavam sua personalidade."



uma das coisas que mais me atormenta quanto tenho uns pensamentos vagos sobre vida e morte é a questão dos segundos que a antecedem. que diferença que faz se vou morrer queimado, afogado ou dormindo, se depois não há nada? ou haja o que houver. ok, terei sofrido mais, mas depois que eu estiver morto, que diferença isso fará? e das décadas que a antecedem. que diferença fará que lembrem de mim como alguém bom ou mal? se deixei pessoas legais no mundo que vão fazer o bem ou não? se plantei árvores? quando eu estiver morto, que regozijo poderei tirar disso tudo? tirarão regozijo e agora digo que isso me traz satisfação, mas e então? não terei a chance de mudar de idéia. de qualquer forma, parece que é uma nova roupagem de um antigo (e banal) questionamento: porque devo tomar banho hoje se amanhã estarei sujo de novo?

quarta-feira, 11 de março de 2009

Um Pobre Estabanado

Qualquer coisa que fizesse poderia feri-la, então era melhor que não fizesse nada. De preferência, que nem respirasse. Isso, pensou sorrindo, assim jamais seria autor de qualquer forma de dano.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Chá de Maçã com Canela

E andou de um lado a outro do quarto pensando levemente na tontura da noite anterior, e olhou pela janela fitando as luzes que deveriam estar acesas, e pensou nos copos quebrados que deveriam agora, depois de tantos passos, terem virado alguma espécie de poeira de vidro, e imaginou que se jogasse tudo que a rodeava pela janela por sorte ainda mataria algum transeunte, e quis passar batom, mas não encontrou a cor que iria, e ainda arriscou procurar algo para pintar os olhos, só para depois poder se olhar no espelho e repetir vil e torpe, como tu és vil e torpe, e lembrou-se do gozo que sentira quando ouvia ele sussurrar em seu ouvido que era egoísta, o quanto era tão egoísta, e que a fazia rir compulsivamente, e apertar de leve a nuca dele com a mão esquerda para então empurrá-lo de cima dela, resmugando qualquer coisa, para então acender um cigarro, e se o quarto estivesse escuro, ela diria, como gosto disso, e se estivesse claro, ela se levantaria da cama, puxaria o lençol branco e, enrolada com ele, iria à sacada do pequeno apartamento de paredes azulejadas com padrões de bolinhas que ela mesma pintara e respiraria fundo.

Só então ela saberia.

sábado, 7 de março de 2009

uma fábula horrível

Era uma vez um meninho que acordou um dia e pensou exclamando: "Nossa, como estou azul ultimamente!", e assim passou por toda a semana, se vendo azul, olhando a própria pele e admirado, feliz.

No sétimo dia, sua mãe lhe disse: "Nossa, você tem estado tão amarelo. Você precisa tentar ser mais azul."

sexta-feira, 6 de março de 2009

you've been flirting again

engraçado, de repente, só chove em cima da gente. do tipo história em quadrinhos do maurício de sousa.

domingo, 1 de março de 2009