quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

aguardem!

ano que vem é ano de muitos posts. 2007 foram 87. esse ano, com esse, são 81. 2008 foram 155! numa lógica de de-dois-em-dois-anos...

dormiu-e-nove retrô

teve uma vez que fiz um álbum de orkut: o que foi 2008 em fotos. ou era 2007? desde então penso que seria legal fazer algo assim todo ano. sinto que, além de apagar meu passado, eu faço com que ele fique desbotado. enfim, é preciso lembrar. é preciso sair da monomania. e etc.

meu primeiro semestre. foi um período duro e gostoso. esperanças grandes, decepções grandes, desencontros. um ótimo show no rio de janeiro, o radiohead com o kraftwerk e o los hermanos foi uma beleza. como sempre penso, li menos do que gostaria. mas algumas coisas foram boas. lembro que um ano atrás eu estava lendo Reparação. puta história bonita. está um calor da porra. eu fico com medo de escrever e não chegar a conclusões. preciso lembrar que isso não é problema. queria que hoje fosse só mais um dia qualquer, e não o último do ano. e diriam, uaai, esquece que é. não é tão simples. ignore. não é tão simples mesmo.

calor pra caralho. lembro que li A Queda, li uns contos do Kafka. isso me faz lembrar que já ousei considerar as dores em outros níveis. o estranho é pensar como eu quis frases outras que dissessem mais. não canso de tentar entender como vim parar aqui e não faço idéia. quero sair. também não quero porra do acordo ortográfico, gosto do acento em idéia. rs (correção: li A Queda em 2008. e tinha esquecido do borges. shame on me.)

eu simplesmente não entendo como posso culpar os outros tanto e tão pouco. é bizarro. faria diferença fazer declarações de ódio? acho que nenhuma. preciso de um banho. eu odiei esse ano tão intensamente, apesar de ele ter tido suas partes tão boas.

o segundo semestre foi uma catástrofe, mas tudo bem. uma queda livre, ou o desmoronamento de uma casa filmado em câmera lenta.

ok, vamos lá. eu vou arriscar dizer o que quero para o ano que vem:

1. cantar mais, entrar talvez em outro coro;
2. quem sabe um curso de piano?;
3. tocar mais violão;
4. oficina de teatro, maybe;
5. estágios, urgentemente. que façam com que eu veja melhor como tudo rola.;
6. preparar minha viagem para paris;
7. não abandonar o francês;
8. fazer com que meu novo apê seja lindo;
9. ter uns sete amores em um ano;
10. querer beber menos, e beber mais do que bebo;
11. viajaaaaar. um pouco maaaais;
12. ler mais literatura;
13. ir mais ao teatro;
14. um corpo melhor, fazer academia e/ou dança;
15. mais tranquilidade e satisfação.

enfim, estou irritado porque acho que perdi novamente meu celular. vidacu. rs. eu não sei, eu preciso ter esperanças pq dizem que não é humano que nós humanos sigamos completamente sem esperanças. mas sei lá, sem humanidade nenhuma tenho seguido. inclusive nas aspirações. essa vontade de divindade ainda me anula. ou quero virar uma sombra? eu sei lá que descaminho que busquei, mas preciso de outro. eu gostaria muito de estar na minha casa agora com minha vida e meu canto, mas acho que não seria isso também que me faria feliz. preciso aceitar que agora não sei o que fazer e esperar que uma hora eu ache.

ok, e o que eu descobri em 2009? vamos lá. eu descobri que sinto saudades. eu descobri que sou mais frágil e também mais forte do que eu gostaria de ser. eu descobri que amar dormir ainda pode me matar, mas continuo amando dormir e seguiiiimos. eu descobri novas músicas terapéuticas. eu reforcei a noção de que o blog me ajuda a saber como foi o que sou (descobri por exemplo agorinha que o início de 2009 não foi dos melhores sendo assim quero que o início de 2010 seja!, rs). eu descobri que eu espero mais de mim mesmo do que é saudável. eu descobri que me tornei uma pessoa que me desagrada, mas isso é, eu acho, uma questão de olhar. eu poderia respirar de outra forma, outros ares, com outra intensidade e a experiência de estar-aí seria outra outra. eu descobri que não importa o quanto você se doa, o problema é o quanto vc espera. então é melhor desesperar? talvez. mas sem doer tanto. descobri a bendita loc vídeo e suas promoções maravilhosas, descobri o quanto amo e preciso de margarita for life, descobri um fast food mexicano muuuitcho legal. descobri que preciso também esperar menos dos outros. nada de novo, só descubro e descubro de novo, mas ainda não aprendi. rs. aprendi também que dependendo do mar a gente pode morrer afogado. rs.

sinto que um de meus problemas atuais tem sido conciliar quem eu tenho a sensação de ter sido com quem tenho estado sendo recentemente. e também com quem gostaria de ser. é um pouco estranho. eu fico com medo de definir o que eu poderia e gostaria de ser pelos caminhos possíveis que eu eliminaria. mais ainda, pelo medo de falhar. acho que esse ano falhei tanto. as decepções são pesadas. quero tanto falhar menos como aceitar melhor as falhas. ok?

e tou ouvindo the smiths enquanto escrevo isso aqui. já tou enviesando... caralho! rs. enfim, dias melhores pra mim e pra todos. precisamos. e tá, na verdade eu acredito. porque se eu não acreditar, não dá. humano. humano, humano humano humano. repetindo a palavra até que ela perca o sentido. com um sorriso exatamente infantil, como girando numa daquelas rodas de parquinho.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

atrasado, mas pra fim de registro

esse ano viajei para anpocs novamente. fiquei muitcho louco, uma amiga ganhou um isqueiro, fiquei muuuitcho louco, bebíamos lindamente, jogamos mortal kombat e eu mandei bem, e os meninos sumiram depois da viagem, uma pena, a galera fazia rir. era uma realidade paralela, e eu escrevo sobre cerca de dois meses depois e só porque há algo errado comigo, há tanto que me falta, uma das coisas é água e pra resolver basta levantar. depois que levantei-me e resolvi, veio todo um momento de reflexão a respeito da continuação possível. é que é esse o modo de as coisas não se perderem, e que minha ambição louca não ponha tudo a perder. sim, porque meu passado vai se apagando. e estou com um gosto ruim na boca, mas isso não é metafórico, é a bosta do periogard para bochechos. está muito calor. a anpocs foi fantástica. descobri uma paixonitezinha - ou ao menos uma admiração - e perdi outra que se tornou por demais mundana. era bom beber daquele tanto, era bom ficar louco, tudo era engraçado, havia um ótimo bife com batata frita e os momentos felizes estão numa porra de uma agenda que não sei agora onde está. um ano está acabando, e também uma década. so be it: it's the end of the world as we know it and i feel fine

hello sunshine honey bear

agora vai entender o que diabos fiz com minha auto-estima nesse tempo todo... troféu joinha pra essa obra de arte.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Fragmento de Memórias de Despejo

, aí me pego me tateando, tentando entender exatamente como consegui esses hematomas. E mais, como foi, quando foi, porque foi, por quem, que eles começaram a me incomodar. Por que se tornaram notáveis? Mas e será que existiam? Eu poderia prever pelos ares dos movimento das coisas e das nuvens que eventualmente eles se fariam visíveis?

Um dia, com uma amiga, ficamos fazendo desenhos usando água, no capô do carro. Brincando de rorschach. Será que ali já estava antevisto meu futuro? Quando, em idos dantes, decidi que preferia o vinho à água, ali já estava definido que a seguir, eu me tornaria um turbilhão escorrendo?, pelos ralos afora, pelas enxurradas dessa cidade imunda.

Mas é verdade que não, talvez nem existissem. E esse esforço todo de controlar o passado para controlar o futuro é só mais um tropeço diário nas calçadas quebradas do centro da cidade das pedras. E meio no escuro, tateando, esses tropeços são parte do cenário. Se fosse para evitá-los precisariam restaurar, vejam só, os postes. Trocar iluminação, fiação, daria uma trabalheira dos diabos.

E pior, se exatamente é isso. O cuidado diário de fazer cada gesto milimetricamente. É que a qualquer instante meu movimento poderia ser eternizado, e eterna estátua de pompéia com o dedo no nariz. Imaginem só que patético? E cada gesto precisa ser tão limpo. É que a cada átimo, um suspiro, se por, descuido desleixo pressa afobamento, risco pode acontecer de eu suturar o paciente com a gaze e a atadura dentro dele, pobre. E isso seria sofrível, bem sabemos. Lastimável.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Whoo! Alright-Yeah...Uh Huh

sabe quando você quer escrever algo mas não quer que ninguém venha te cobrar por isso e já sabe que podem vir a fazê-lo então você não escreve mas queria muito escrever e essa seria a hora de usar metáforas mas nenhuma metáfora lhe vem e o que você quer dizer é exatamente o que você quer dizer e você acha que não pode ou que não vale o esforço ou que no final não faz tanta diferença?


isso não caberia no twitter. e no blog é curto. isso é uma metáfora.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

desencontrânsias

e o não fechamento. para meu fotolog, coroando a música, senti postar ângelus do millet. aí encontrei o ângelus do dalí e senti bater a dualidade do mundo. okay, bonita por hoje. por hoje, okay, que seja. é importante que seja, mesmo que por hoje.


recuperânsias

pensei em algo como recuperações, recuperando, anseios, ânsias, enfim. saiu esse título. é que meu blog tem uma coisa. ele não é só esse depositório de frustrações que às vezes eu ressalto. ele também tem algo de momento-esperança século XXI, rs. algo nesse tom vem por aí agora.

sabe venerar algo que não vai te responder pela veneração? algo que não existe? mas que não te prenda por isso? que não te coloque em um esquadrinhamento, em regrinhas, em besteirinhas. meu velho sonho herege luciferiano de uma espiritualidade sem deus. vai aí uma ode:

"Todo dia o sol levanta
E a gente canta
Ao sol de todo dia

Fim da tarde a terra cora
E a gente chora
Porque finda a tarde

Quando a noite a lua mansa
E a gente dança
Venerando a noite"

Canto de um povo de um lugar, do caetano veloso.


que coisa bonita da porra! puta merda. sério. PUTA MERDA.


segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

mais um trecho, e as referências

"O velho conta que um dos três mosqueteiros, fugindo de uma explosão, morreu ao parar de correr, afligido pelo pensamento de como ele conseguia pôr um pé na frente do outro. "Ele parou para pensar e morreu.""



falem por mim, e eu falo por mim

"Mas recapitulemos: Nana de perfil, Nana de frente para a câmera, depois de costas para a câmera, depois chorando no escuro do cinema, fumando um cigarro em um café, prestando depoimento cabisbaixa, flertando com a câmera. De um plano a outro, a iluminação varia para encobri-la de sombra ou banhá-la de luz.",

e que há algo de criação no fazer diário. mas a cada passo, os culpados gritando, os inocentes de outro lado, eles se juntam e preparam uma valsa. e toca uma canção pop lançada esse ano, enquanto isso. e isso não é fazer diário, aquilo não é meu fazer diário, e o que poderia ser esse fazer senão diário? errante. é que cada enfoque permite que as luzes ceguem, e que as sombras acalentem, e algo disso precisa se fazer em outra coisa. mas nem no algo disso há a potencialidade da outra coisa, nem no gesto que altera. nessa dualidade velha, escapa algum enigma fundamental. é nessa que preciso me colocar um pouco mais, e reconhecer quais composições novas posso fazer de tons. mesmo que a tinta já esteja gasta.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

da vida sentimental das baleias

As baleias, quando nascem, desde cedo, fazem seus longos e agudos chuáaaa chufffff chuáaaaaa. Giram giram umas ao redor das outras. Fazem até piruetas, alguns dizem. Quando encontram a belezura dos oceanos, se trombam repetidas vezes, chocando a testa, como se tivessem chifrinhos. Isso mesmo, chifrinhos, mas elas não os têm. É uma pena, as baleias choram, mas o grande problema é que do mar imenso as lágrimas se espalham e se perdem. Sendo assim, elas, as baleias, quando choram, muitas vezes nem mesmo elas mesmas sabem estar chorando. É mais triste do que. E com essas trombadas às vezes dores de cabeça, que elas sabem ter, essas sim, mas jamais imaginariam as origens. Excruciantes dores, e as baleias reclamam em tons agudos inaudíveis. E o estranho é que elas acham mesmo que as outras ouvem, mas nunca tocam no assunto. Um pacto de sigilo, um respeito pela dor alheia, pensam, mas têm a sensação de aquele vasto oceano que é seu terreno comum não é só casa, mas também ligação. Não é. Pobres baleias. Que não morram afogadas de si.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

:D

Estou lendo uns trechos dum livro do barthes, (discurso amoroso, sei lá o que, tá, vou colocar o título, é Fragmentos de Um Discurso Amoros eu acho,) e tem umas coisinhas bem legais. Vou postar uns trechos pra vocês (?) depois, fiéis (??) leitores e leitoras (?!?!). Beijinhos!

Aliás, vou postar no estilinho Barthes, sem colocar trecho nem nada, fazendo comentários indiretos. Adoro quem filosofa literariamente porque leva até as últimas consequencias as teorias que desenvolve! Acho MUITO true! :D

rs. god. que piada.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

filosofices de escritura

Entitulado a algo, sem título de propriedade portanto, me peguei me divagando sobre a forma poética. Sua configuração, a foto que se tirada desta traz seu molde. Pensando sobre métrica e medida, composição e algo assim, me veio à mente que pode ser que a distância original entre a poesia e a narrativa tinha a ver com um compromisso: a primeira, com uma promessa ao que está escapando aos dedos. A segunda, com um compromisso de entregar algo em dedos que permita um toque. A parentela entre verso e canção, e narrativa e história oral, parece vir para me confirmar. O que quero dizer? Uma diferença de substância. A poesia sempre quase que em fuga, a narrativa sempre quase que se entregando. Uma diferença meramente vetorial, e que o percurso histório-artístico acabou por borrar, mas ainda parece entrevista em um t.s. elliot da vida. E num james joyce, no campo do romance, ainda parece que o grande objetivo é como que uma pancada. E se na poesia o que temos é algo como uma explosão de penas. Quero deixar bem claro: com toda polissemia que temos dentro de travesseiros.

sábado, 21 de novembro de 2009

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

"Your mother should know"

vamos lá, auto-flagelação. ponho poesia e beleza nessa porra, ninguém comenta. quando começo a me martirizar aqui, todo mundo pede bis. é disso que vocês gostam, não é? rsrs. podem ignorar essa parte. então, tou cansado da minha auto-piedade. sempre achei tão inaceitável. hm... caham!, digo achar. essa onomatopéia - caham - é bizarra, pq não corresponde bem à expressão, não acham? digam lá o que acham, tá? é tipo uma enquete. tou zoaaando! preciso disso tudo não gente. hehehehehehe. sou igual um musgo, preciso de pouco sol. só preciso é de muita água, ixi, sinto sede o tempo todo. ô porra de sede que não passa. mamãe me educou mal, foi ela que me viciou nessa onda. e no cigarro também, é claro, mas quanto a esse foi indiretamente. aí blablabla blablabla blablablá tititititititi - mas realmente, realmente - eu queria que você estivesse nua! você não sou me amar, você não soube se amar, eu nunca te amei, ninguém precisa de amor, e pra fazer um bom bolo é preciso quebrar alguns ovos, todo mundo sabe disso, e pra fazer uma galinhada, de galinhas, mas mais vale um pássaro na mão do que dois voando, again, todos sabem disso. esse blog aqui tá bom de trazer novidade pros leitores. porra de vontade de ficar aqui ouvindo beatles pra sempre. vontade de não precisar dormir, de não precisar levantar, de não precisar ir à aula, enfim, de não precisar. onda budista. nada nada nada de novo no front. vou virar eremita, ermitão, hermes, sei lá o que vou virar. (já sei! geléia!)

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

De um cancioneiro perdido na chuva

vela por mim que eu velo você, veloz velejo, revejo, ensejo, desejo, cantinho juntinho ao mar, farol e chuva doce, areia branquinha e lua que nem, vela por mim que eu veloz você, acesos, candentes, cadentes, na cadência das ondas, bandas, rondas, e ninguém que nem,

vela por mim que leva, se o vento ajuda, que nos leve, que nos vele também, que os santos cantem e os ímpios não vejam, velados estejam, esses nossos traços, rastros, traçados, que as ondas do mar fácil fácil se encarregam de tampar, vela por mim acesa, me esperando luzindo, me esperando risonha, me querendo, ardósia, alecrim, pedra pômes, doce-de-leite, bagre, pirarucu, ribeirão esse nosso nas beiras de nós dois, vela por mim que eu vou revelar, e caídos ao chão, nós, e as tralhas, e as velharias, e as rugas, e o pó, e os trapos, e eu toco seu rosto te alumiando, e você me vela e velejamos longe, pelas nuvens e luzes sem fim,

ai que me dói que não seja leve essa leva de dias, esse levar dos dias, esses dias levados,

ai que me dói que não seja meu esse veleiro, que nós iríamos aos rumos e aos abandonos, sem encalhes ou atrolhos, içados com o vento, e o vento então só ajuda, esse vento é tão amigo, esse vento que joga seus cabelos para trás, bagunçando essa beleza toda, esse que leva a poeira de nossos ossos gastos, e ele nem ia derrubar nossa casa, ele nem ia fazer a gente ficar com frio, mas se ele vier, vela por mim também meu sonho ruim, e eu canto pra ti pra te ver dormir, e rezo baixinho, e nenhum mal te toca e jamais te tocará e você sabe disso, não sabe?, vela essa que em mim, luzia que assim, nem te digo, vela por mim e a reza a soar,

vela por mim que eu velo por ti também e para sempre amém,
vela por mim que eu velo por ti também e para sempre amém, içados.

domingo, 25 de outubro de 2009

Cautela!, chocolate e autismo.

Eu precisava um tanto de você aqui agora para coçar aquela parte de minhas costas que não alcanço. Um tanto. Tem também mais algumas coisas que seria legal fazer, do tipo, as paredes da sacada - aquelas onde ficavam aquelas fotografias que Joana tirou, e também aquele alvo para dardos amarelo-com-preto, de plástico - estão tão descascadas, um horror, e eu sabia que aquela tinta não era de qualidade. Enfim, mesmo que você não saiba nada disso eu precisava de você agora, ia ser um pouco gostoso sentir um olhar da sua parte, de desejo misturado com susto pelo desejo, ou de molho de gorgonzola com alcaparras, tanto faz, um desses olhares confusos e tolos. Eu ia soltar meu sapato de tiras com cuidado, eu ia solar numa nota só, eu ia sapatear descalça e risonha, eu acho também. A gente se encontra, se tropeça, se dá um 'oi', eu te pago uma bebida e no final da noite você concebe reconhecer toda a luz que vejo em mim. E eu consigo até te cegar, como uma medusa às avessas, porque se eu te quisesse pedra seria um bocado de crueldade, no máximo te quero rijo. Mas principalmente, cego, tateando o vento e a chuva da janela entreaberta molhando a mesa e os livros e as cartas por você escritas, quando você ainda enxergava, é claro. Só pelo luxo, mas de forma alguma quero dizer que minha necessidade por bolsas Gucci não seja de fato o que essa frase diz: uma necessidade. Para quem, saindo de rumos assim, mal consegue dizer, qualquer coisa como o quanto precisa de uma bolsa Gucci nesse exato instante. Ou de um rolex, quase vulgar, mas consigo um desenhado para mim. Você é minha aquarela, querido, de tintas velhas. Você é qualquer meu algo de impoderável e inominado, e essas palavras também são só tolos luxos necessário. Não faz diferença, que venha, que precisava tanto um de agora você.

domingo, 18 de outubro de 2009

que tudo fique bem.

faz tanto tempo, aliás, alguns dias, que não mexia na internet. aí até estranho. tou com 21 abas abertas, e cerca de 70% delas são twitters. a curiosidade pela vida alheia é uma coisa estranha. a vontade de se mostrar também, a vontade de deixar registrado acabou sendo o que me moveu a vim postar. hoje vou fazer diferentess. vou brincar de ser diretinho e lalalalá, a la diarinho. resolvi também tirar os links dos twitter e do blog do perfil do orkute pra preservar da família.

enfim, esse fim de semana aconteceram algumas merdas e ainda assim meu humor não diminuiu. na verdade, o que acontece é que na quinta, ou na quarta, não lembro, eu não estava bem. aí fui pra balada na quinta, dormi pouco, e acordei bem na sexta. passei um dia animado e feliz, porém relativamente bipolar. tive alguns momentos de desabafos pesados. na festa que fui à noite melhorei, graças à alteradores de estado de consciência e besteirinhas. aí deu uma merda depois. aí fiquei bem. aí deu uma merda depois. aí fiquei bem. enfim. rs

preciso gastar menos dinheiro. e ser feliz gastando pouco tem me parecido difícil. ser feliz é difícil. rs. estou rindo porque isso tudo é uma piada mesmo. faz tão pouca diferença falar e falar, mas faz toda do mundo. a gente só vive, não é? hoje li uma coisa no amós oz que me botou pra pensar. ele disse que depois que a última pessoa que se lembra de nós no mundo morre sofremos uma segunda morte. pesado. ok, prefiro pensar que talvez tenha fragmentos do ar que, sei lá, o ian curtis respirou dentro do meu corpo. um grande sistema fechado. rs.

que post grande. enfim, e continua. mais besteirinhas. tou com vontade de instalar joguinhos de computador - o tédio tem sido grande e eu ia gastar menos dinheiro com baladas. ler na frente do pc é difícil, mas tenho tentado fazer isso ouvindo música. tive momentos gostosos quinta feira por conta disso. preciso terminar de arrumar meu quarto, mas é tãaao difícil acordar cedo até para as aulas, que dirá para comprar uma cama.

meu desejo é o título do post mesmo. paz e amor para todos, e um pouquinho de sacanagem porque ninguém é de ferro. ahazei agora citando lya luft.

ps: aliás, o post não ficou grande.
pps: continuo com problemas para diminuir a fonte do blog. merda.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Com uma voz tão baixa, tão tão baixa

O que, doce de coco, com caramelo, avelã e uma pitada de pimenta, o que me incomoda é que a doçura não cai mais do céu em cálidas gotas, douradas por um sol de inverno, já que o que temos agora de secura mal nos deixa respirar. O que me aflige é essa sua língua embotada, são esses seus lábios rachados, é esse seu toque áspero, é todo o fato de que não há mais água quente nessa casa. É que dentro de nós não conseguissemos encontrar luz, ou buscar interruptores, ou trocar as lâmpadas, ou consertar a calefação. É que então nossos dentes rangentes e mudos, desgastados de tanto ranger mudo, quase que se partindo a qualquer topada mais forte que dessemos, e esse sexo forte que fazemos para aplacar buracos fundos por demais, e essa busca por algo no fundo de um poço cheio de lodo e lava. Mas se houver saída, ah se houver lhe juro que nos levo direto pra lá, depois de um caminho numa estrada esburacada, quer estejamos a pé de bicicleta de mula ou dromedário, quer que de nossos pés estejamos cansados e todas nossas suturas se abrindo, quer de repente como numa canção que se encerra de abrupto e dor, comecemos a perceber que o caminho está então tão úmido de nosso sangue e pus, e tropecemos em vermes e abominações do levítico, e que tenhamos saudades, até saudades, veja só, daquela época em que tudo era tão túrgido que os insetos jamais paravam de entrar na casa, ávidos e loucos. Só se houver saída. Se não, te juro, garanto, não movo sequer meu dedo do pé, doce de coco. Estamos aqui tão toldados, e assim sempre isentos de encharcamentos e grandes revoluções, mas é isso que queremos? Não seria melhor que estivessemos, ambos e mutuamente, nos tacando ovos e chantilly e baldes de penas de pavão e perdiz? Sem que doesse. Ou ao menos que, após qualquer grande guerra, pudessemos dizer a nós mesmo que nos amamos mais que antes. Mesmo que seja um tipo qualquer de engodo, que seja só verniz, ou incenso. Dizem lá naqueles livros que lemos que não deveríamos deixar jamais que os dias nos tornassem tão piores do que já dantes, mas o que é todo esse percurso desse inferno, se não tênue apesar de ríspido? E se algum desses parodoxos parecesse mais belo, correria para acolhe-lo, cingiria-o de flores e lhe erigiria um altar. Doce de coco, essa dor é das surdas, e nenhum apelo e nenhum clamor e nenhum suspiro nos conduzirá em paz pela paz por paz.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Aquela velha e contínua história

Se faz diferença. Se faz! Tempos que não consigo encontrar uma fonte satisfatória para o blog. Não sai mais como antes e ponto. Fica um tom ferrugem nos olhos. Nenhuma das ligações se atenderam. É tudo culpa desse apartamento. Ou desse apertamento, aqui dentro, e de forma alguma eu queria repetir fonemas ou qualquer besteira assim. As sonoridades têm me saido feias. Eu tenho me saído tropeçando pelos cantos. Isso parece uma ficção, e será que é? Ou é só opinião falsa. Tem uns filmes passando no cinema. Eu tou com preguiça de levantar da cadeira. Pega um copo de água para mim? Esse negócio tem quebrada de música. Se faz falta. Passei a tarde vendo um livro sobre uma civilização perdida. Brinquei de inventar um mundo deitado na cama. Eu quero o isolamento de um quarto escuro. Eu quero o isolamento de uma pista de dança lotada, com globo em cima, laser, luzes estroboscópicas e música no último volume. Eu quero ouvir música ruim e tentar gritar para desligarem sem ser ouvido. Eu acho que consegui diminuir o tamanho da letra. Parece que o batimento do coração no quarto ao lado está se normalizando. E que diferença que isso faz na minha vida? Se faz! E como! Mas não como antes, jamais como amanhã. Será que uma parte dos sais mineirais do meu corpo já esteve no corpo de Genghis Kahn? Será que minha tatatatatatatatatatatataravó contava histórias sobre Jaci à beira da fogueira? Será que alguém vai atender o telefone? Se faz! E se eu gritar bem alto? Se faz! Eu lembro daquela pintura no olho dela, era meio egípcia, e fiquei imaginando que eles se pintavam daquele jeito, perfilados, por alguma razão bonita e mística. Ou feia e torpe, sei lá, talvez um costume irracional. Faz tanto diferença assim o primeiro impulso, se o que fica é a idéia do longo movimento depois, faz? Dessas e de outras grandes fúrias do mundo, de mil e duzentas histórias de vencidos à beira do fogo. Forjando um florete, um flautim, um desejo, um cristal, um recado. Suspiro e grito. Se faz.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

dúvida

assim como meu blog matou o fotolog (ou o transformou, pra ser mais preciso), será que o twitter estaria agora matando meu blog?

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

don't pass me by

que eu não corra esse risco, que eu esteja intangível, que o que quer que venha a ser só apareça se não for sangue e fogo, chega de inferno e lava, inverno e nada, ou jogos de palavras, ou qualquer história que eu me conte, ou a cantiga de ninar que eu me cante, qualquer uma dessas coisas, isso não é um apelo, isso é uma ordem, eu declaro que sobre mim isso não mais está, e por mais que seja por agora, que seja por agora, e eu vou, daqui há pouco, sorver uns bons goles de vida. e é só o que há. por agora.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

(pour la route)




o caminho se faz, eis o caminho, o caminho é caminhar, caminho caminho caminho dolorosamente em prados e campinas verdejantes e azulados, azulado o caminho, doce, túrgido e breve, o caminho atordoa, o caminho de prantos e pratos, o caminho dos sábios e baratos, o caminho que cansa, o caminho que suga, o caminho que cansa e suga e sapateia nas costas, o caminho que leva seus pés por cima de você invertendo sua cabeça, o caminho que diz sim não talvez e quem-sabe tudo ao mesmo tempo e sem vírgulas, o caminho caminha e rodopia, caminho que fere e suga, caminho que abusa e mente, caminho feio mal bobo, caminho sem carinho sem açúcar sem afeto, caminho caminho, caminho o caminho, caminho pelo caminho, só caminho pelo caminho e por mais ninguém que fique claro, só caminho porque é o que resta. e não faz sentido.

domingo, 30 de agosto de 2009

que fique um borrão

há sempre um bom tanto de idéias, um outro bocado de saídas, reluzindo distantes ou bem próximas - a um estalar de dedos, ou nem tanto assim, e é quando o seu polegar ou o seu indicador parecem intangíveis, e você tenta fazer com que eles se encontrem e produzam som, e tudo que você consegue é ficar desespero e suor, sentindo por dentro a agonia de quem espera o momento de presenciar a um desastre atado. como se você precisasse ver sua mãe, sua esposa e sua filha serem estupradas por seu pior inimigo. divertido nas histórias de um sade, ou não tanto, ou nos filmes de um pasolini, ou nem tanto, ou na mente de um psicopata - ok eu tenho meus limites, ok não sei bem quais são, ok que eu me assusto um tanto com esses rumos, enredos, e etc, o um milhão e meio de imagens que a gente pode tirar disso. um retrato e outras imagens, e eu não saberia bem que cor meus olhos teriam, porque seria difícil definir se eu deveria seguir o feeling do momento, uma idéia do momento, a projeção para o futuro a partir do momento (como se tombado frente ao abismo segurado por fina corda - perante a imagem eterna e insondável do devir que vem e jamais chega - e a corda seria finíssima mas jamais se partiria - e isso parece punição de tragédia grega), a negação do momento baseada na vontade de negação do momento, ou qualquer coisa assim. difícil dizer. que fique um borrão.

domingo, 23 de agosto de 2009

já que sou meio exibicionista...

oi galera, tudo bem? posso me auto-flagelar pra vocês verem? sério?! ah, que legal! peguem pipoca então!

passei uma semaninha daquelas! muito filme, acordando todos os dias em torno do meio dia (ou até umas três horas depois...), dormindo religiosamente depois das quatro da manhã. e foi bom?! olha. então. vou dizer a vocês. eu tenho uma onda relativizante relativizadora relativista, enfim. vários momentos foram gostosos. mas eu sabia que tinha alguma coisa estranha, em alguns momentos eu sentia. é essa angústia de estar sentado às vezes, e quando o computador dá uma travadinha de leve chata. uma constante ansiedade, é tipo isso. assistindo um filme e pensando... legal, e o que eu vou fazer depois do filme?

fora todo um extremo de carência - e o tanto dinheiro que tenho gastado com comida. sei lá porque inventei de achar que tenho mais dinheiro do que tenho antes. hoje mesmo comi uma pizza deliciosa - e deliciosamente cara. ah, tou amando os hifens. rs. enfim. eu tava falando da carência. uma carência que se mistura com uma preguiça. aí eu fico parecendo uma sessentona-solteirona-reclamona, sentada na poltrona. aliás, podem me imaginar assim agora, com oclinhos caindo, coque e tudo mais.

penso que já encontrei formas melhores de me distrair. e que esse sentimento chato de agora se assemelha a vários outros momentos que já passei, o que não impede que ele tenha seu caráter de novidade. tenho constantemente pensado numa imagem, que acho que é a maneira como eu gostaria de encarar as coisas. um grupo de amigos, sentados numa mesa de um bar, bebendo e etc, e nos momentos em que eles estão em silêncio porque não tem nada de novo, ou de interessante, ou nenhum motivo para se falar, eles se calam. ficam calados. sem incômodos. sem querer que fosse diferente, sem precisar vasculhar na cabeça qualquer bobagem que possa preencher o silêncio. porque, afinal, o silêncio é tão real. e tão tangível. é tipo uma parede. ou uma bigorna na cabeça mesmo. e diante dele, gememos. mas não, minha proposta é outra. eu quero simplesmente suspirar.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

máximas mínimas

anseiozinho: que esse semestre venha cheio de possíveis realizações, novos planos, novas metas, novas belezas, novas cartas e novas estrelas. tudo novo, parecendo ano novo, já que vida de estudante semestral é meio assim que se marcam os ciclos.

vontadezinha: carinho para o mundo e para mim mesmo.

novidadezinha: das velhas, rs. vontade de trabalhar numa coisa pelo mundo. auto-ironia: 'we are the world, we are the children'. e etc.

esperançazinha: na verdade é tudo na mesma onda. anseio, vontade, esperança, projeção, preciso admitir logo. do naipe de estar grávido de algo, que seja depois parir uma estrela, daquele linda imagem clariceana. ô alma boa e velha. parecendo o monet, gato do victor, entendiado e pensando ''humanos...''. ok, mas a esperançazinha é compartilhar o mais recente do pi: que tudo se vire bem, que tudo acabe bem, que sejamos melhores. e lindos. reluzentes.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

os tempos e as coisas

veja é tempo de voltar atrás, e de seguir à frente. defronte, confrontando a mim mesmo, tocando minha fronte e sentindo, os pêlos, o nariz que cresce, o tempo, também as mentiras, as verdades, as expressões, o que escapa, as rugas, um ou outro cabelo branco. e brando, que seja brando hoje peço o levar dos dias quando eu, e o meu pequeno muro, lutarmos na batalha das coisas contra o tempo. lembro do terreno baldio à frente de casa e as pipas. hoje, uma concessionária de carros. é assim que é. que não seja tão lacerante, porque doer é inevitável. e penso nos amigos, nos amores, em meus pais, meu irmão, o resto da família inteira. os colégios, os anos de faculdade. e o futuro projeto. e as conquistas, porque sim é uma batalha. eu tenho muito. eu andei, e o caminho se faz com o andar. ou o galopar. ou o voar. eu celebro a isso, eis meu brinde. que seja compartilhado, que seja também de mim para mim, com os meus ontens e meus amanhãs, simultaneamente, numa mesma grande imagem como se tudo num instante fixo de todos os tempos e do todas as coisas. eu, 21 anos. sei lá até onde, muito menos a direção exata, e os resultados finais. menos ainda os motivos, e é isso que tenho. é cálido e é caldejante. que caleje e que amorteça, que suspire e que amanheça.

domingo, 16 de agosto de 2009

amanhã eu faço 21 anos.

bosta.
tou triste.
não por fazer 21.
enfim. lalalalalalalalalalá
tipo algo como inferno astral.
lalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalalá.

beijos

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

de uma gente que ri quando deve chorar...

tou lá, ouvindo elis no carro, todo à flor da pele, aquelas puta músicas que mexem comigo, tou num humor dos melhores, chorando de leve mas de uma espécie de felicidade e plenitude. vou pra casa agora? não, vou prolongar o momento. resolvo abastecer o carro. vejo que o momento está passando. mas ah, vou pra casa agora? não... preciso ir lá tomar a injeção. ok, momento já indo quase todo embora, graças ao trânsito de goiânia chego na farmácia e eu estava sem a desgraça da receita. culpa da mamãe, coitada, que sabe lá o que fez com o papel. ela disse que tinha ligado no médico e que daria pra tomar sem receita. ok, né? não, não pode não, disse o moço da farmácia. ótimo. eu saio meio que bufando, liga pra mamãe, a linda, coitada, fico bravo, ela está ocupadíssima, sempre está, ou sem saco, sei lá. sei que pede pra falar com o moço. é óbvio que não fez diferença. nessa eu já meti meu pé numa porra de um ferrinho e fodi minha sola de alguma forma esquista, com sangue e pele solta e etc. de leve, mas mesmo assim, que ódio. como assim? eu tava de chinelo... voltando do clube... aaah, sim. entendido. enfim, resolvo ir no médico, ainda bufando de raiva, com esperança de ele ainda estar lá (detalhe, 19h), já que o consultório não era tão longe. é lógico que não estava. e nisso eu andando meio torto, esperando numa porra de uma faixa de pedestres, e aqui é goiânia. aqui nem eu mesmo paro na faixa. ok, foda-se, saí andando segurando o trânsito com a mãozona de cara feia e mancando lindo lindo. enfim, era para ser um dos posts mais bonitos que eu escrevi, tocado por elis e etc etc etc mas virou isso aqui. que beleza!

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

memórias sentimentais de uma semana de chuva

o telefone sumido no segundo dia, a chapação insana de uma balada incrível, com sons loucos, loucos, o flyer definia bem, "pós-baile funk, cumbia, tropical, mashups, balkan beats, afro, tecnobrega, guitarrada, rock 00’s, eletronica 00’s, global guettotech", é preciso lembrar é preciso lembrar, o taxista, logo no primeiro dia, queria me passar a perna, mas não que não, olha que vou me cariocando aos poucos, morando um ano aí eu pegava sotaque loguinho, igual aquela outra louca lá, mas isso já é outra história, mas ai que gosto dessa formato de fluxo, as memórias vem mesmo assim, a caipirinha boa a 5reais, tamanho bom, compensou, no dia seguinte morrer no quarto, congresso onde mesmo?, e mediano, coitado, a tal da archer faltou, fdp, também pudera, que zona essa sociologia, todo mundo querendo salvá-la e ninguém sabendo direito o que está fazendo, mas nada muito diferente do rumo dessas coisas, as narrativas de nós mesmos que nos estruturam e que estruturam a nós e que os outros ponham seus dedos em nossas caras ou feridas ou simplesmente apontem direções ou remarquem pintas, é preciso lembrar é preciso lembrar, e chovia tanto, o céu nunca parava de cair, e que saudade do caralho que já tenho, de tanta coisa misturada, aqueles doces belíssimos, aquele lugar com aqueles espelhos, comofas?, e será que sentei na mesma cadeira de elisabete segunda?, a mãe de charles, o príncipe bafônico do tampax, é preciso lembrar é preciso lembrar, aquele prédio labiríntico, putamerda, e a sensação de séculos de história, por mais que não devam ser tantos assim, mas já é alguma coisa passar de cem anos, não é não? e isso lá mexe tanto com a gente... é preciso lembrar é preciso lembrar. brincando de anjo decaído em teorema, lição que levo pra vida, e continuo nessas de encontrar satisfação com idiotices. tudo bem, não procuro nenhum caminho para além de qualquer coisa além dessa chuva, as barras de calça irritantemente molhadas, uma nojeira, os tênis de tecido também, molhados demais, uma das poucas coisas que eu odeio tanto, o tempo passando, albergue cheio de gringos, lotado, galera bonita, dizem que uns fedem, é isso aí, de frente uma cervejaria devassa, nada mal, nada mal, e não é à toa que estourei o limite do meu cartão de crédito, os bons táxis do rio me ajudaram a criar um rombo na conta bancária, os bons ônibus do rio foram bons companheiros de economia, o shopping rio sul, aquele dos atentados, também ficou com uma parte de minha grana, é preciso lembrar é preciso lembrar, que mais que mais que mais?, de quando andamos na lapa muito muito tempo até encontrar um lugar pra sentar, de quando eu me sentia esquisito por achar estranho o quanto as pessoas prestavam atenção em algumas coisas que eu falava, do quanto eu ri, putz do quanto eu ri, puta merda eu ri muito, não foi?, e como foi bom rir daquele jeito... lembrando que eu ainda salvo o brasil, mas de preferência, me dê uma semana carioca antes. por fim, é preciso lembrar.



adendo muito tempo depois: e o loblon? ah, o loblon é um losho, é outra coisa...!

domingo, 9 de agosto de 2009

outra fábula horrível

A garota, sete anos de idade, começou a guardar luto pela mãe desenganada, que morreria ao fim do ano. Era um diagnóstico unânime: todos do povoado só conseguiam dizer a mesma coisa. Curandeiros, sábios, quem que lesse sua mão, quem olhasse o fundo de seus olhos, quem tocasse na ponta de seus dedos.

E o fim do ano chegou, e a mãe não morreu. A garota teve de aposentar suas roupas pretas e as cinzas de todo seu desespero já consumido. Na verdade, a mãe se recuperou e viveu anos. Muitos invejariam sua saúde de ouro.

Ninguém imaginaria o desgosto que a filha sentiu. E o desprezo.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

diacronicamente crônico(, mas sem cronologia possível)

tou aqui desde de pela-manhã, enrolando um bocadinho, andando de um lado para o outro, esperando um download para começar a trabalhar, aaah trabaio trabaio trabaio, aaah itálico itálico itálico. ouvindo velvet, rock and roll, com vontade de fazer um postzinho banal e declarar que estou prenhe de possibilidade até a hora do almoço. logo a seguir, uns possíveis momentos de agonia, mais uns momentos de angústia de tarde, com sorte a casa vazia para mim e a possibilidade de uma liberdade ou duas ou três. as coisas só podem ser regradas mesmo, isso quando não acabam bruscamente. se não, uma semana anterior, de intensidade, som e luzes, táxis, falas, esperanças, grilos, farras e chuvas. tudo bem. eu estou bem mesmo.

ps: o download terminou. vamlá! vambora!

terça-feira, 4 de agosto de 2009

do pó, ao pó

infelizmente as coisas acabaram por virar assim. a irracionalidade? pior que não, é o óbvio. entretanto com toda a carga de absurdo que as obviedades carregam. todo um amor e um carinho, algumas pás de terra abaixo, e nada que possa ser dito sobre isso além de 'ela ainda vive de alguma forma'. isso não é lá bem uma ficção, mas eu não vou poder mais beijar sua testa. é uma espécie de inferno, ou é, o inferno completo? não vou poder beijar sua testa e pensar que ela é pequena e misteriosa. e meu irmão me disse que ela tinha uma risada, não é? ele comentou daquela risada dela. uma boa lembrança. mesmo que..., mesmo assim..., mas nada...

sexta-feira, 24 de julho de 2009

sobre uma das fábulas horríveis e um bocado a mais

(uma espécie de confissão, e algo como pedir perdão também), talvez, não que a confissão seja essencialmente isso, ou que talvez seja, esse exame, que é principalmente e acima de tudo um auto exame - mas também abaixo, e também pelos lados - não virá agora.

já que todas as linguagens são linguagens, que vem de gramáticas, que buscam falar, e são necessariamente jamais idênticas, como isso poderia ser qualquer espécie de lugar tranquilo?, mesmo que consciente ou inconscientemente só queiramos ser aceitos pelo que somos, e o que somos vai mudando a cada dia, e aceitem-nos ainda assim mesmo com essas mudanças, e eu sou diferente de você, me aceite, eu falo outro idioma, uso outros fonemas, aliterações, metonímias, e metáforas, principalmente as metáforas, que jamais terão as mesmas estrelas e luzes distantes por trás, e a mesma noção do deus que devora seus filhos, e parecida farsa de nós canibalizando a nós mesmos e uns aos outros, para que nos traduzamos, e assim dominamos, e ao mundo, e conseqüentemente aos outros, e que se não nos reconhecem, se olham nossos olhos amarelados e dizem ser acinzentados, e se a todo custo é necessário que acreditem que eles sejam amarelados na verdade, mas não que acreditem tão somente, mas que de fato sejam também para o outro, amarelados, e que se eventualmente dissermos que não importa o que o outro pensasse sobre nossos olhos ou nossas idéias ou nossas verdades ou nossos gestos ou nossos gritos, que no fim não importa, é porque pensamos de alguma forma que é uma espécie de verdade nossa que é, fanaticamente e fantasticamente, nada mais que, não muito menos que, a escrita circunscrevendo e inscrita no mundo. medonho. aterrorizador. labiríntico, só que com todas as portas lacradas. pior ainda: inexistentes.

terça-feira, 21 de julho de 2009

(quase)

só queria declarar uma coisa, algo que eu já sabia, mas é que eu deveria me render às vezes,. mas sei lá porque se faz, só se faz, ou não,. dos motivos ocultos e os gestos incautos fica algo como um gosto sujo pra depois. e a gente ri, lívidos de ódio.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Dama Demência e Seu Extravagante Bolero de Ocaso (para flauta e fagote)

É uma questão de tinta, veja bem, e tintura, e laquê, e esmalte. Azuis, ou rosa schock, como se escreve essa porra?, sim como um choque, não como um toque. Porque é preciso que a gente sinta mais as coisas como um murro, sabe como é? Nem eu sei, só achei bonito de falar. Pó cor de anil pelo chão, mas que cor é anil mesmo se não um azul meio fresco? Ou é mais escuro? Não importa, fresco. Desses frescores que não se encontra em árvore hoje em dia porque só temos esse asfalto mesmo. Ouvi dizer que vai demorar mais a esburacar. Construções mais sólidas, vamos escapar do inevitável fim, vamos perder esse sufixo odioso que denota tudo quanto é impossibilidade de mundo amargo e tosco. Perigosa essa história de ser deusa, sei muito bem, e é brincando com isso que escolho esse batom. Sou eu, repito ao me olhar nesse espelho, e digo sou nada, e escrevo também pela pele. A tinta da caneta de ontem já está apagada mesmo que não fosse tinta de caneta e nem que tenha sido de fato escrito. O que faz com que se perguntem, vão, se perguntem, sabem como é? Se perguntem. O que vocês perguntam mesmo? Sei lá. Qualquer merda. Mas não me perguntem de cartas velhas e fotos amareladas, seria ridículo. Vontade de desenhar sorrisos avermelhados em todas. A ausência de nó não consegue deixar mais fácil escolher o fio que eu corto, desse emaranhado, desse labirinto, desse vou-me-perder-mas-antes-preciso-entrar ou desse não-sei-bem-o-que-se-não-repetição. Rimei, pronto. É o cúmulo. Sempre qualquer coisa que faz o copo transbordar. Cheio de morangos, veja bem, a calda de chocolate caindo em cima. Aí você vai e come, sabe como é? Sim, estavam azedos. Não, não mofados, nem tanto. É preciso um pouco de decoro, estou tampando o sorriso de leve com o guardanapo, meticulosa e previamente arquitetado o gesto também como forma de tirar o excesso de batom. Ou posso borrá-lo pela toalha de mesa mesmo, que importa? Sabem como é? Sim, riam. Exatamente. Eis o bom tom. Uma cena qualquer, a repetição de uma música ao fundo, e sempre essa absurda falta de tons mais claros, acho que os dias santos nunca chegam por aqui. Mas é sempre um ritual, entendem? Essa coisa de vir ao espelho e me desfocar. Perdão, retocar. Espelho quebrado, lugarzinho de quinta, cheiro de mijo. Espelho desnudante, lugar de finésse, banheiro tão perfumado que chega a irritar. Porra! Banheiro é pra fazer a gente se sentir mal, sabe? Lembrar que somos feitos de merda. Pronto, lá vou de novo. Não adianta, não há como escapar das temporalidades de si mesmo. E dos temporais, obviamente. Não importa se lugarzinho, lugar, lugarejo, qualquer que seja, é sempre com o arsenal de lápis e nenhum papel. Por isso uso a pele, sabe? Uma forma qualquer de fugir e de mentir disso. É sempre uma fuga de tom, vejam só, entendem? Mesmo que não percebam. É o que me diverte nisso tudo, de alguma forma, que sejam tão tolos. Vontade que me dá súbita de limpar a cara toda e mostrar as cicatrizes. Também elas são feitas com esmero, mas isso não importa. Se eu acreditasse em qualquer dessas coisas seria mais fácil. Se essa música não estivesse se repetindo, também. Mas, principalmente, se você tirasse as mãos das minhas.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

:D

ando acordando com um bom humor esquisito. quase como se não fosse meu e viesse de outro lugar. é jóia.

terça-feira, 14 de julho de 2009

cantarolante e saltitante

sempre pensava que se eu abrisse mão daquela reflexividade louca, eu teria mais paz. agora, eu não sei o quanto abri mão, eu não sei o quanto tenho a mais de paz. historicidade só fode. quem foi o idiota que inventou a escrita e quem foi o otário que inventou de escrever que estamos sempre querendo voltar pra casa? ou uma casa eterna, na pedra, e não na areia? cu.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

com vocês:

olha, eu queria avisar pra todo mundo que o pi tá devendo um post sobre a importância da laranja no mundo contemporâneo e na formação de portugal. meu conselho: uma sucessão de comentários e scrapbooks e pedidos no msn dele cobrando.

gente, juro, é capotante.


ah, e o título do post foi só pra anunciar a tensão. rsrsrs

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Como ter um relacionamento duradouro e feliz

http://gloss.abril.uol.com.br/sexo-amor/conteudo/como-ter-relacionamento-duradouro-feliz-425222.shtml
"G - Como resolver interiormente a sensação de desemparo e de insegurança para deixar de depender do parceiro amoroso?"

dentre outras maravilhas. não percam


aah, nessas horas eu queria que meu blog tivesse marcadores. kkkkkkkkkkkkkk

quinta-feira, 9 de julho de 2009

"e aí, que qui cê conta?"

uaaai, no geral tenho me sentido bem. vezenquando, um mal estar sem explicaçao. rs. mas esse tipo de coisa é normal na vida pós-moderna, dizem.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

rezinha

que a transitoriedade não dilacere a conta-gotas, e que não macere nossos dedos no repetir do fazer. e do repetir do fazer, que seja um artesanar, que seja um costurado bonitíssimo, cheio de cores e enredos, com folgas de suspiros e bons goles de ar. que os mantras se tornem tatuagens, que se tornem meus óculos e meus véus, que se tornem meu escudo e meu escapulário, minha rapieira, vara de condão e cítara. que mesmo que o movimento, que o escuro, que o medo, sejam dores dores dores, que nos sejam também unguentos, que nos sejam também alentos, que nos venham como do leste e do oeste belos ventos. que fins de tarde e o sol a morrer, que começos de manhã e o mesmo a nascer, seria o mesmo?, que sejam o verso e o reverso de um belo poema. belo poema, que quaisquer espécies de modestos estratagemas que aqui tenhamos, mesmo sem os dizê-los, que nos sejam nada mais que isso. e que não nos doa que as imagens pintadas nos pareçam mais belas do que suas telas, e que não nos doa que os retratos traçados nos pareçam mais vivos que o original. e que para sempre fique cravado também que nos rodeamos de parecenças, pois que as certas-sentenças são pouco mais que esses vultos de nós, míopes.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Velocino de Ouro

Só escapando de qualquer coisa. E sem sucesso algum. Esforço mal-alinhado, fio que se enrola em nós, cegos cegos, coitados. Uma caixa-preta e nenhuma voz registrada. Como que por mistério! Que eu não ouça o que você diz mais, acho até válido. O problema é que não tenho ouvido as paredes. Todas as vozes ao meu redor, silenciando. Até o copo de vidro que cai no chão e se espatifa, está sem som. Alguma coisa deve estar estragada. Sei lá. O que é. Eu não consigo mais tremer como antes,

ele me disse. Eu comecei a falar. Era qualquer coisa. Mas fiquei na dúvida. Ele conseguiria me ouvir? Acho que uma música tocava. Perguntei se ele conseguia ouvir, ou se sentia, e quando eu toquei seu braço parecia que ele não estava lá. Mas por um momento, fiquei em dúvida. Talvez fosse eu que não estivesse. Fiquei pensando se faria alguma diferença. Quis tocar seus cabelos, passar a mão em seu rosto, beijar seus olhos. Eu não lhe disse, mas quis.

Tentei sair de lá, levantando, tateando as paredes. Minha visão cada vez mais embaçada, esbarrei no interruptor de luz e nunca mais o achei. Pensei até que ele poderia ter sido engolfado pela parede. Eu não ficaria surpreso. Aliás, nada como um bom pacote de presente, bem grande, com um laço bem vistoso. Eu não estava lhe dizendo nada, ele disse, enquanto ainda estávamos no escuro. Eu não estou procurando nada, ele me disse, enquanto ainda éramos só escuro. Não há nada que possa ser feito a respeito, só há esse escuro. Que talvez esmague, e eu encolhi-me no canto ouvindo. Só ouvindo. Eu achei que ouvia. Ele disse,

sabe se ouve? Tem certeza? Pode afirmar mesmo que não é só uma voz na sua cabeça? E eu já não mais sabia qualquer coisa a respeito... Que falta de respeito... Que torpeza... Eu nem o via. Me procure, meus olhos estão brilhando. Eu não via, eu disse que não via. Mas ele disse que eu era capaz. Que eu podia amar o desconhecido como só um demente amaria o abismo. Só as líbelulas sabem. De repente eu ouvi. Parecia um tiro. Senti, por alguns instantes, que era como se eu afogasse. Ou transbordasse. Rodeada de peixes coloridos soltando bolhas, abrindo e fechando a boca, olhando fixamente para mim. Eu vi seus olhos brilhando. Então eu toquei nele e ouvi alguma coisa. Vou tentar repetir. Toquei nele e ouvi alguma coisa. Pronto. Já repeti. Era qualquer coisa.

domingo, 14 de junho de 2009

Abaixa esse tom

Vai sua franqueza, e que se diga tudo, de possibilidades ou danos, diz-lhe num teste que ela ateste porque eu não posso mais querer. Chega, bem tarde, a realidade e que com ela não há mais, só há vileza, é só tristeza e a melancolia que não trai a mim. Mas se ela tornar, que coisa finda. Que coisa rota. Pois há muito mais a se afogar do que aquilo tudo que roubei, de minha boca, dentro dos meus rastros, os atrasos hão de ser milhões de rasgos, torturado assim tentado assim mascarado assim, ranhuras e hematomas e tormentos sem ter fim. Que é pra sobrar com esse tamanho de distância de mim a ti. É só o que quero.

terça-feira, 9 de junho de 2009

é, não é? é.

saudade disso. saudade disso do caralho. vontade de simplesmente gritar minha existência. como se fosse fazer diferença, e como se não fizessemos isso o tempo todo. um desses punctus, irrevogáveis e prenhes, porém absurdamente esteréis. e fadados a um toque de midas. midiático? hahahaha. ha ha. ha. não faz tanta diferença assim limar as mil possibilidades de arestas, para daí tirar a pedra angular. (e quando diabos me tornei tão bíblico?) e se é isso que estou tentando fazer, porque diabos estou aqui gritando minha existência? e embriaguem-se, o poeta diz. ah, digno demais citar falando "o poeta". chiquérrimo. acho um luxo. essa vontade de nocaute, que não me é nova, que nunca é tão diferente, mas nunca é exatamente a mesma, talvez me fizesse chegar a... sei lá onde. a lugar nenhum. e a beleza disso. beleza do caralho. saudade disso. enorme. sei lá do que. não importa tanto. aliás, até sei. qualquer coisa que mova. que mexa aos absurdos, que me deixe depois estatelado, no chão, falando ok ok ok ok ok. e que passa. que fantástico. que genial. que energúmeno! que grande imbecil você é! e é um grande cu. fedido. imundo. cabeludo. em barro. é, sem nenhum bloqueio de linguagem, é uma porra dum caralho que fede. que puta imagem escrota, sim. é só o que há agora. nada de tão novo. nada de tão. e é logo um depois de um antes. mas que talvez seja assim sempre. é uma questão de amor fati? sei lá. não li a porra do nietzsche. e foda-se novamente. todas as imagens se perfilando a minha frente, tipo aquela imagem, vá lá, do poeta? não, do literato (boqueta?, alguns diriam, e foda-se também) tcheco. sim, várias imagens, desfilando, em volta de uma piscina, e caindo, depois de tiros. vá lá, mais antropólogo... flechas? mais escatológico... cuspe? desnecessário... que bagunça.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Não Me Proteja, Eu Tenho Minha Sina

Não tem beleza nenhuma nisso, não tem beleza nenhuma em mim, mas o que há, se podermos fazer belas estátuas? Se não é essa uma das muitas formas de escapar ao tempo, mesmo que sejamos castelos de areia. Produção! Por favor! Uma metáfora menos batida aqui! Ok, que sejamos árvores secas se desfolhando aos poucos e copiosamente, emitindo silvos suaves sem salvação. Os cabelos se balançam, sem beleza nenhuma, eles se movem por conta própria, horrendos, e quem que olhe meus olhos? Não os olhem. Quem que olhe nos meus olhos, bem ao fundo deles? Sem remédio. Do pó viemos, à pedra iremos. E o que aconteceria caso eu olhasse meus olhos no espelho? E não é isso que acabei fazendo tantas e tantas vezes? E quem me salvou logo em seguida? Ou será que sou eu esse monte de cacos ao chão? E o que faz com que eles se reordenem e de que forma? Quem impele o que me impele, ou melhor, que me impede? E se somos nós, quem não seríamos? Pra ter a ilusão que a gente se refaz depois de um tempo, pra depois descobrir que a argamassa usada é a mesma, e o edifício tão frágil quanto. Produção! Vejo aqui uma metáfora enxertada! Produção! Vejo que aqui algo se insinua por meio de gritos. É necessário respirar, mas esse mármore em meus pulmões...

quinta-feira, 28 de maio de 2009

em volta da fogueira

às vezes é preciso tocar o fogo, sentir que sua pele pulsa, que os reflexos de se encolher no canto existem e, ainda mais importante, lutar contra eles, ver como as próprias amarras são tolas, ou nos constituem, mas não importa, por vezes é preciso sentir-se vivo assim, e ver aquela beleza toda mesmo sabendo que queima, é admitir que a bomba de hiroshima deu uma foto belíssima, é não negar a morte mas não negar a beleza em seu inverso, o absurdo estético do que é moralmente degradante, o que não significa se degradar, o que não significa aplaudir, as necessárias operações analíticas que empreendemos para viver, a percepção de que tudo se mistura e não é o mesmo quando se mistura, é saber que é melhor ver a explosão que é bonita mesmo que queime, é saber que se queimar significa ter novas cicatrizes, e que são histórias, e que por vezes deixarão a pele muito menos sensível, mas é o que somos e pelo que passamos desde sempre, é belo, é isso

terça-feira, 26 de maio de 2009

minha vida, a piada

Minha vida, a piada, constititui fundamentalmente de um épico, encenado em palco, com números de atos indefinidos, com momentos em que o diretor cênico toma as vezes de iluminador, e provavelmente erra o enfoque de cor que seria necessário para o momento, e quando o ator principal está com dor de barriga ele é substituído às pressas por um coadjuvante, que fala suas falas quase numa mistura com as dele próprio, sem absoluta coerência, para irritação do iluminador, ou melhor do diretor cênico, que tenta escrever cenas mas por vezes escreve projetos de poesia, com frases existenciais colocadas em locais equivocados, fazendo com que, infelizmente, pesos cômico sempre se torne constitutivos de possíveis momentos tensos, drama e intensidade, ou que ao contrário, mas não menos pior que isso, que uma das atrizes coadjuvantes tenha um colapso nervoso no meio da encenação do pouco, podendo chegar ao meio do palco e começar e latir como um cão raivoso, e nesse entremeio é bem possível que a cortina tenha caído equivocadamente umas duas vezes, fundamentalmente um problema de timing, arranjo e técnica. e as frases longas são uma constante, nas quais, principalmente, qualquer idéia inicial de um periódo, qualquer protótipo de plano é rapidamente deixado de lado imerso nos trâmites dos instantes e das moscas. e quando o diretor, e também o ator principal ao mesmo tempo, estão ainda tentando se arranjar um com o outro e em relação aos outros, e disputando o papel da batuta de regência, o público começa a entrar, meio aturdido, e em pouco tempo pede o dinheiro de volta. e quando os atores respondem, e também o diretor, e o iluminador, e o contra-regra, e a figurinista, respondem em uníssono que a peça era entrada franca, que nada disso fazia sentido, e que estavam no meio do espetáculo, muitos da platéia já teriam se retirado, e todo o palco insistindo que ficassem, que fariam um chá com alguns bolinhos, que serviriam um cubano a cada cavalheiro e entregariam um delicado amor-perfeito a cada dama, a platéia já estaria conversando entre si, entendiada. de repente alguém entenderia, e começaria a rir.

domingo, 24 de maio de 2009

pessoa é minha pomba-gira (com ecos de kafka nos murmúrios)

a vida (com as marcas, os grilhões e os turbilhões) pequena, pequena, mínima perante a possibilidade de poder depois cantá-la às musas e à pátria (ou vê-la grafada na pele).

quinta-feira, 7 de maio de 2009

profissão de fé

existem muitos objetos no mundo, muitas canções, muitos filmes, muitas pinturas, muitas muitas coisas, tentativa de catálogo seriam completamente absurdas (não que o esforço não pudesse ser bonito). nossa existência limita as nossas experiências também. também, não somos totalidade, somos como que agregados, como que peças ajuntadas, corpos que podem ser delineados. sendo assim, não é tão estranho que um e outro gostem de um mesmo, digamos, objeto numa mesma fotografia de arbus.
quer dizer, de certo modo pode causar uma boa dose de estranhamento, mas não chega a ser um completo absurdo. mas e quando suas marcas registradas recebem muitos nomes? e quando diferentes pessoas reparam nos mesmos sinais em sua pele, ou no mesmo, e lhe dão diferentes nomes ou lhe dizem gostar deles com intensidade? e se, pior ainda, usam as mesmas palavras? e se lhes acontece de o de ontem lhe cantar a mesma música que o de hoje agora lhe canta e quer que seja a música de vocês? e quando o que era para ser o compartilhamente dialógico torna-se uma poligamia confusa?
minha confissão é ter uma promiscuidade limitada. essas certas coisas com as quais não me acostumo. é como fosse anti-natural que o mundo comporte tanta possibilidade de que as coisas se percam e se confundam. é como se fosse necessário alguma eternização e intangibilidade.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

poesiazinha tosquinha

enquanto tormentas, temporais e tempura,
enquanto copos de água quase vazios,
ou borbulhantes ferventes escaldando a mão e gatos,
ou gélidos ardentes,
enquanto golem de si mesmo,
atormentado pela impossibilidade ante a realidade,
e a religião, e a fé, e as crenças,
e a tentativa de se ligar com algo que transcendente e perene,
e que reluza dourado e que dê vida eterna,
como que a eterna busca pela pedra filosofal alquímica,
e na aridez de um solo que se escava
encontramos petróleo,
e de repente o poço em chamas.

(e se me dirão que a fumaça é também alguma coisa,
e as cinzas,
e o malcheiro,
eu não negaria, eu não negaria)

(e se me dirão que o poço está lá, intacto,
eu diria que ele não mata sede alguma)

(e se dirão que o brilho da lua tão alta essa noite,
poderia nos deixar altos,
eu não sei o que diria exceto que
dor)

sexta-feira, 1 de maio de 2009

explicando meus exercícios

tentativa atual de alguma coisa que se funda e remonta a outra(s). não que sempre não tenha sido. o lance do espelho que reflete sempre ao inverso. e a depender da circunstância, quem sabe a realidade criada (que pode ser em alguma escala mesmo que ficticiamente sentida) enquanto um parque de diversões, logo estaríamos num salão de espelhos nos vendo alongados, achatados, minimizados. enfim, distorcidos e inalcançáveis. enfim uma derrota que é ascensão.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

insânia insônia

ops, hehehe, como aquele meninho, hehehehe, precisando de aprovação, precisando precisando precisando loucamente, hehehehehe, e os sorrisos amarelos, hahahahahahaha, comme le circus de boy de la chanson, hahahahahahahahahahaha, meu deus, como ele é hilário, putamerda, hahahahahahahahahaha, é incontrolável, nossa, e esse movimento, parece que ele quebra a perna, HAHAHAHAHAHAHA, poxa, quebrou mesmo, como ele é engraçado, é inacreditável, putaquepariu!

segunda-feira, 27 de abril de 2009

tutorial

Existem verdades e mentiras no mundo. Mentira. Não totalmente. Existem coisas verdadeiras e falsas. Bem, isso é falso.

A verdade é que é difícil falar sobre a verdade. Isso é óbvio. Há uma subentendida redundância, menos óbvia do que aparenta. Feliz ou infelizmente. Imaginando uma humanidade auto-questionadora a cada instante de ato, simplesmente, vejam bem, não se realizaram os instantes de atos. Ato é oposto de reflexão, ao que parece, não que eles não se correlacionem e se co-constituam (e eu não sei muito bem o uso dos hiféns), mas o instante exato de agir me parece o momento de uma fé quase dogmática de que, seu braço, ele irá levantar ao seu comando.

E quando a verdade de um é contraposta a de outro? O que define o que é mais verdadeiro? Interessante pensar umas discussões minhas com uma coleguinha a respeito de cores. Um vociferando: ''é verde'', e o outro: ''é azul'', seguido, então, de uma tentativa de esclarecimentos por uma terceira, quarta, décima, ou nonagésima opinião. Eis um dos caráter de definição de verdades: que elas sejam compartilhadas, ao que parece.

Se em algum momento alguém, ou como imagino eu, uns alguéns, delimitaram que chamariam de branco algo como Kr, sei lá, ou Cs, não sei se faz muita diferença assim. Ou que chamariam um sentimento de amor. Ou de ódio. Ou que eu o chame e diga isso dele. Ou que eu aprenda, desde pequeno, o que é amor ou ódio, e as diferenças e semelhanças. E se descubro que eles se assemelham por vezes, descubra por meio de filmes, pessoas, livros, que isso não é, em nada, tão estranho assim.

Estranhos sim são os casos limites. As definições de realidade - e logo verdade - muito alienigénas. Os loucos, com sua voz tão distinta, por vezes visto como portadores de uma verdadeira superior, ou uma verdade distinta, ou simplesmente uma mentira. As definições de realidade se chocam, pedem novas reconformações. Deuses distintos, visões de mundo, definições de usos de objetos e pessoas, do estatuto das plantas e da relatividade do rabo da lagartixa.

Aí, vá lá, dir-se-ia: pontes! Pontes entre as verdades! Traduções! Por a si próprio a prova! Perceber a relatividade de si próprio! E para que? Por quem? A medida do absoluto não existe externamente, o parametro de verdade não é definido por nada tão acima e superior assim de mim, são só meros indivíduos com os quais dialogo frontalmente sobre o estatuto de branco da parede. Ok, por vezes não tão meros indivíduos assim. Por vezes a sociedade inteira chame algo de branco e eu penso, que NÃO, é cinza! Por vezes a sociedade inteira chame algo de democracia, ou de liberdade, ou de tirania, ou de burocracia, enfim, e eu digo que NÃO, não é bem assim.

As definições de verdade externalizadas é o que nos permitem, portanto, ter maior controle sobre a nós próprios, e sobre o mundo. Nunca em termos absolutos, já que Fausto e vários outros personagens de histórias sempre se fodem em empreitadas por muito comparáveis. E então? Algum controle é buscado, é necessário, é almejado, mas seria interessante constatar os limites. E aceitá-los. E é aqui, que para variar, eu acabei virando livro de auto-ajuda. Beijos.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Crítica ao Desatino 11

Tudo isso é horrível, tudo isso é risível. Sem tanto, resta nos acotovelarmos acerca da relatividade da sordidez de costas à instituição/desinstituição que nos cospe sem sentido em que essa pode nos suspender de qualquer aliteração a findar-se no arroubo completo.

referente:
http://persuasiofalsa.blogspot.com/2009/03/critica-ao-destino-11.html

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Incondicionalmente

Devassa devassei-me, essa valsa mente, devassa-me, devassada, debulhada, com todo meu embrulho desorganizado, amassado e manchado de lama, depois de pau e pedra, som e fúria, ferro e fogo, e mais alguns pares que se juntam e depois se findam. Eu que te doaria meus gritos para que soubesse que deles e neles as notas poderiam ser mais cândidas, ou os conteúdos mais cálidos, ou os assédios mais espúrios. Alguém me disse que eu só ressuscitaria se minha carne fosse revolvida e virada do avesso, se fosse possível que vissemos cada ranhura em meus ossos, os restos de alimento em meu estômago e intestino, e se de minha mente tirássemos valsa.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Calça de Cá, Saia Daqui

E com certeza, é mesmo, sem dúvida alguma. Acima de qualquer suspeita, inclusive, que fique bem claro. Se não ficar claro logo eu grito. Está um pouco sufocante, e um pouco quente, é tudo uma questão de vetores, por vezes se sobe, por outras sobre, às vezes menos sóbrio. Trovões, vejam só, vai chover, vamos para a rua tomar um banho? Eu peço por favor. Tem umas garrafas de bebida aqui em casa, podemos nos sentar na grama. Todos esses sentimentos. As sensações, vívidas violentíssimas, bem parecidas com imagens de um espancamento. Todo mundo sabe que não vai sair nada disso, nada de bom daquilo, que o final das coisas é um queda brusca, ou uma queda eterna é o que chamamos de vida, existência, o diabo a quatro a seis e a oito, em quantos pedaços que for melhor, mas não é possível que tudo fique assim! Vamos tomar banho de chuva, que inferno que está isso daqui! Veja! Minhas juntas estão tão ressecadas. Estou me sentindo uma velha árvore. Nada disso é bom, ou justo, ou belo, ou válido. Nenhum desses adjetivos ou engodos. Nenhum desses objetivos ou gozos.

segunda-feira, 30 de março de 2009

momentozinho político do blog

vim aqui advogar à favor da causa do aborto. tem muita gente que não sabe mas ser a favor do direito de escolha não significa obrigar ninguém a fazer aborto. juro! tem gente que parece não perceber certas sutilezas. vou dizer que talvez seja culpa da educação do país, da cultura local, whatever. mas vejam só, a fulana seguinte tem curso superior:

"Como mulher e pediatra, sei que a gente tem o direito de decidir sobre o nosso corpo, mas não sobre o ser que está sendo gerado, porque em pleno século XXI todo mundo tem acesso aos contraceptivos e sabe como engravida. Acho que a medicina deveria valorizar mais a vida; como mulher, abomino o aborto porque, apesar dos meus 50 anos, ainda sonho em ser mãe. Não consegui pelas dificuldades que encontrei para fazer uma fertilização."

(carta retirada da revista VEJA de 04 de fevereiro de 2009)

Mas vamos lá... Começando por partes. Como pediatra a senhora não deve entender nada de sociologia ou estatísticas governamentais, mas parece entender muito menos do que o requerido de obstetrícia e ginecologia. Nem todo mundo no século XXI tem acesso aos métodos ou sabe exatamente como se engravida ou não. O governo tem trabalhado para informar as pessoas e dar a elas os meios, mas acredite se quiser, não é do dia pra noite. Ainda estamos longe do seu sonho de século XXI. Isso sim eu te garanto.

Poderíamos também tentar uma campanha de conscientização: estuprador, ao praticar seu crime, ao menos use camisinha. Não seria uma boa idéia?

O caso de bebês anencéfalos: o ser que está sendo gerado vai morrer em questão de horas ou no mais tardar dias. Infalivelmente vai morrer. Agora em detrimento da vida da mulher e de sua saúde psicológica (o que não é uma bobagem, que fique bem claro, por mais que você como pediatra talvez entenda muito pouco de psicologia ou psiquiatria) deveríamos preservar o feto que não chega nem a ter possibilidade de vida?

Olha, abomino o fato de no mundo bilhões estarem abaixo da linha da pobreza. Abomino o fato de haver tantos famintos. Sabe, eu poderia doar comida a eles. Agora, não é porque você não conseguiu ter um filho que o fato da outra não desejar tê-lo ou não se considerar em condições se torna mais execrável. A gravidez não é um bem (?) transferível. Talvez você devesse tentar a adoção e promovê-la. Com certeza eu apoiaria sua causa. Existem muitas crianças rejeitadas pelos pais no nosso país. Inclusive, por pais que muitas vezes prefeririam ter feito o aborto por não ter condições financeiras (ou psicológicas, ou de qualquer outra ordem) para cuidar de seus filhos. Crianças abandonadas por mulheres que prefeririam não ter sido estupradas e que até gostariam de amar seus filhos, mas o trauma do abuso é maior.

Quer tenha sido por um erro ao não usar os métodos contraceptivos adequados: é ilógico considerar que o filho deveria ser uma espécie de punição para os incautos. Há uma discussão enorme na medicina a respeito do status de vida ou não até determinados pontos na gravidez: infelizmente é muito mais uma questão de opinião do que de fatualidade. Ninguém aqui está falando de matar um bebê de sete meses, mas quando defende-se o aborto no geral é estabelecido um tempo adequado para tal, que raramente ultrapassa o início da gestação.

A ignorância dos muitos brasileiros que não tem acesso à informação é perdóavel, mas a senhora se entitulando pediatra e se caracterizando portanto pelo pertencimento a uma fatia privilegiada de brasileiros que detém curso superior deveria ter mais cuidado ao proferir tais opiniões. Não é por nada não, mas pega mal. Fica a dica.

segunda-feira, 23 de março de 2009

your house of cards, and castles of sand, and etc etc etc

"No final de sua vida, o líder nazista ordenou que seus pertences pessoais fossem destruídos numa tentativa de obliterar o máximo possível sua vida privada. Ele queria ser lembrado exatamente como havia apresentado a si mesmo para o mundo: cheio de fúria, guerra, ódio e discórdia. Ele não queria deixar espaço para nuances, muito menos para insights sobre as obsessões e inseguranças particulares que alimentavam sua personalidade."



uma das coisas que mais me atormenta quanto tenho uns pensamentos vagos sobre vida e morte é a questão dos segundos que a antecedem. que diferença que faz se vou morrer queimado, afogado ou dormindo, se depois não há nada? ou haja o que houver. ok, terei sofrido mais, mas depois que eu estiver morto, que diferença isso fará? e das décadas que a antecedem. que diferença fará que lembrem de mim como alguém bom ou mal? se deixei pessoas legais no mundo que vão fazer o bem ou não? se plantei árvores? quando eu estiver morto, que regozijo poderei tirar disso tudo? tirarão regozijo e agora digo que isso me traz satisfação, mas e então? não terei a chance de mudar de idéia. de qualquer forma, parece que é uma nova roupagem de um antigo (e banal) questionamento: porque devo tomar banho hoje se amanhã estarei sujo de novo?

quarta-feira, 11 de março de 2009

Um Pobre Estabanado

Qualquer coisa que fizesse poderia feri-la, então era melhor que não fizesse nada. De preferência, que nem respirasse. Isso, pensou sorrindo, assim jamais seria autor de qualquer forma de dano.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Chá de Maçã com Canela

E andou de um lado a outro do quarto pensando levemente na tontura da noite anterior, e olhou pela janela fitando as luzes que deveriam estar acesas, e pensou nos copos quebrados que deveriam agora, depois de tantos passos, terem virado alguma espécie de poeira de vidro, e imaginou que se jogasse tudo que a rodeava pela janela por sorte ainda mataria algum transeunte, e quis passar batom, mas não encontrou a cor que iria, e ainda arriscou procurar algo para pintar os olhos, só para depois poder se olhar no espelho e repetir vil e torpe, como tu és vil e torpe, e lembrou-se do gozo que sentira quando ouvia ele sussurrar em seu ouvido que era egoísta, o quanto era tão egoísta, e que a fazia rir compulsivamente, e apertar de leve a nuca dele com a mão esquerda para então empurrá-lo de cima dela, resmugando qualquer coisa, para então acender um cigarro, e se o quarto estivesse escuro, ela diria, como gosto disso, e se estivesse claro, ela se levantaria da cama, puxaria o lençol branco e, enrolada com ele, iria à sacada do pequeno apartamento de paredes azulejadas com padrões de bolinhas que ela mesma pintara e respiraria fundo.

Só então ela saberia.

sábado, 7 de março de 2009

uma fábula horrível

Era uma vez um meninho que acordou um dia e pensou exclamando: "Nossa, como estou azul ultimamente!", e assim passou por toda a semana, se vendo azul, olhando a própria pele e admirado, feliz.

No sétimo dia, sua mãe lhe disse: "Nossa, você tem estado tão amarelo. Você precisa tentar ser mais azul."

sexta-feira, 6 de março de 2009

you've been flirting again

engraçado, de repente, só chove em cima da gente. do tipo história em quadrinhos do maurício de sousa.

domingo, 1 de março de 2009

sábado, 28 de fevereiro de 2009

registro de instante presente prolongado recente

que seja dançar na corda bamba, que seja bailar, valsar, quem sabe salsa, com algum tempero, vá lá, a rumba, o samba, o tango tenso, até um balé. e ao mesmo tempo, traçando fios em volta para que a fina linha possa se aproximar de uma teia. vãos tecelões de barro e gelo. vão, belo portanto. e que se houver uma queda, que seja algo como flutuar.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

imagina se... (ou imagine-se)

deus poderia ter elencado, e pode volta e meia elencar, qualquer um como seu eleito. a escolha pode ser arbitrária. a escolha pode se dar de qualquer forma, insondável, para além do que chamamos de perfeição, porque a palavra não abarca a totalidade de conceito. ideal seria pegarmos o figure 8, só que sem um fechamento. pois então, pode ser então que deixando os critérios por indevassáveis, sempre velados, eles sejam completamente pueris, ou tão somente aleatórios, ou mesmo baseados em um gosto pessoal, e deus portanto não é perfeito, pura e simplesmente onipotente, mas com sua razões ocultas, eternamente distantes do juízo e do julgo humano, mas não do jogo.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

do perigo de se enunciar

Sabe, desde aquela vez que você me disse que ela não tinha as mais límpidas intenções em nada do que fazia, eu só consegui olhar por esse viés. Corrigindo, se não as mais límpidas, pelo menos as mais cuidadosas, ou ao menos as mais atentas, ou talvez as mais desapegadas, veja bem, qualquer coisa que não faça com que ela pareça uma víbora desprezível. Que não seja, só lhe vejo escamas.


(sem conseguir me perguntar, entretanto, porque não vejo as suas por entre vislumbres do seu rosto quando diz essas palavras como que maquinadas, como que tentando criar tensão e atenção, como que numa simples confissão inocente, como que não vejo, nem me pergunto como que não vejo)

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

de subterrâneo

Tranca, trancai, trancai-me, trancafiai-me neste calabouço de mim e vós, e deixa-me, e deixai-me, tranca e afiai-me, para que os cortes sejam precisos, para que os retalhos fiquem por demais bem alinhados, em desalinho dez linhas retorcidas ao fim de infinito, tranca e lacra, tranca e seca, tranque as janelas, tranquiliza-me, dizei-me que só há estorvo, deixai-me completamente sórdida e lúcida, e torpe, somente torpe, acima de tudo torpe, toca a mim para que eu não me toque jamais, deixai-me tosca, tosqueie-me, façai de mim teu carneiro imolado, amolai-me e afiai-me, lacre e cadeado, fundos falsos abrindo-se e abro-me a vós, portanto, tão somente, a vós, e deixa-me sem voz, sem sul e sem si, para que eu lhe faça deus, para que eu lhe faça tão somente, e ao final de tudo que deites sobre mim tua sentença final, e pelo amor de deus, de tu, de vós, de mim, de ti, que não haja clemência!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

quase (medinho)

eu tinha impressão antes que as mudanças em mim ocorriam a cada seis meses, ou algo assim, e de forma brusca e desavisada até para mim mesmo. agora estou com a impressão que, recentemente, minhas aprendizagens estão se incorporando a mim com avisos e perfumes no ar. será que estou crescendo?

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

uma declaração

eu caminho, espero, suavemente, mas às vezes tropeço, mas tem sido tantas nuvens, belíssimas, cada tom matizado em mil duzentos e quarenta e dois outros, entendem mais ou menos?, acho que não, espero que sim, mas espero de leve, já que, já que ter algo de tão único e levemente indizível e que muitas vezes explode é simplesmente, é simplesmente, e explode novamente no céu, vejam bem céu, fogos de artifício, que alguém saiba, SEU CÉU, nosso, e suavemente, entre arco-íris ocasionais, e até, sabe, até as nuvens negras, até elas tem sua doçura, dizendo melhor, até elas casam perfeitamente bem com a composição, e não é bem uma queda, mas dá vontade de gritar, de êxtase, de sei lá o que mais.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

escandalosamente

sempre há uma dose de absurdo em ter algo que se projetou na cabeça das mais diferentes formas. absurdas são as nuances, as marcas antigas, as novas a serem feitas, os mapas desenhados, aqueles outros na parede, os planos não ditos, os falados, o choque, o enlace. tudo isso é sim, é muito absurdo. maravilhosamente absurdo.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

o sonho viajado de hoje, aproximadamente ao meiodia

alguém por favor explica? rs

eu tava numa festa que é como se fosse a formatura do meu terceiro ano, mas estavam presentes professores da minha faculdade, inclusive um doido que queria me pegar, e fazíamos uma roda de dança como se fosse quadrilha, uma galeeeeera, muita gente inclusive que estudou comigo no meu colégio anterior, o do ensino fundamental, e minha família inteira, inteira, primos que provavelmente não estariam na minha formatura, e minha madrinha e meu irmão e uma prima beijavam-se juntos, e a professora puxando a dançaria era a carla costa teixeira, minha ex professora de "introdução à antropologia" e futura professora de "indivíduo, cultura e sociedade", e teve um momento que ela falou para as pessoa se darem beijos incestuosos, aí um menino aleatório quis me beijar, e meu pai e minha mãe também estavam na platéia mas não viram, e meu pai se transformava por vezes no diogo vilela, e no fundo passavam sketches do tv pirata num telão, e a lilia cabral estava na festa e queria me pegar no departamento de antropologia, eu disse que não rolava porque tinha umas amigas me esperando mas ela falou pra eu ligar na polícia e avisar um sumiço, e ela ficou feliz porque eu não chamei ela pelo nome da personagem da novela, e duas amigas minhas me esperando eram uma mistura de prática de amigas atuais necessitadas de homem e amigas de antigamente que hoje nem mais tenho contato, enfim. uma loucura.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

meu suicidiozinho televisionado

ao som de 23 do blonde redhead, comendo um danoninho, depois fumando um marboro, depois uma bala na têmpora

hihihihihihihihihihi, nice!

(humor negro mode on, rs, rs, rs, rs, rs)

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

long time no see, huh?!

é isso aí, colegas e colegas. opa, palavra unissex, hahaha, hahaha, hahahahahaha. a vida tem dessas. e daquelas. aí a gente vai, meio que com um pé preso acolá, o outro já caindo pelo murro, ou muro, ou morro, meio que pendente, sabe?, o pé, o assunto, meio descolado de si, querendo se jogar no chão e se espalhar é... poxa!, mas que bagunça!, arrume isso já. e é, é o que dizem sim, se é. e da falta de pombos correios e de metáforas relevantes, vou indo, sem acordar direito, sem os horários bem definidos para o almoço, nunca cem porcento bem com os níveis de mentiras, aos outros, a mim, a sim, a não, meio que trocando as bolas e as molas, o impacto ora crescente ora descendente, descrente, mezzo carreira da modelo, branca, longa e fina, belíssima, como uma corda bem esticada e a batida dá um mi, um sol, um lá, um onde?, um quando?, um maybe not,

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

f-f-f-f-f-f-frustration

a virada não foi bombástica, doismilenovo não chegou chutando porta e cuspindo na cara do ano anterior e velho, não chegou com uma grande gargalhada sacana nem nada disso, veio quase de fininho, sem que eu tivesse chance de despedir do decrépito ano substituído. acho triste. preciso de férias para pegar a onda toda da passagem, as metáforas anexas, e os auto-exames necessários. ninguém merece isso no pc desgraçado que tou usando.

ps: o computador é tão um lixo que trava toda hora e não me deixa ouvir a trilha sonora da pré-virada, bebendo vodka ruim com energético no carro. one after 909, beatles! move over once, move over twice, come on, baby, don't be cold as ice! podem acreditar. define meu plano de ano. não sei como ainda, depois encontro alguma forma bem bolada de fazer isso fazer sentido. fazer fazer. jóoooia.