segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

fazendo-me muito rir

procurando uma citação, revistando páginas de a náusea, ouvindo músicas new wave, fiquei imaginando como seria ler o livro com essa trilha sonora.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

ok.

olho a paisagem da parede e vejo uma espécie de cena primaveril, ou veronil, sei lá. me diz muito. me diz tudo, praticamente. o fato de que existimos e morremos, e no meio desse percurso, tanto drama, tanto choque, tanto assombro, tanto desencontro, tanto desenlace, tanto desentendimento, tanta merda, tanto movimento, tantos banhos e piqueniques. é meio doloroso. e nesse momento de estar longe é sempre como se eu fosse outro, dá alguma preguiça então de acordar e retomar tudo. não é tão certo bater assim uma saudade, mais fácil que eu me bata na cara. tão acostumado a um olhar específico em cima de si mesmo que estranha quando percebe que outros possíveis olhares também ocorrem, e não menos válidos. e também sobre os outros. não menos sobre os outros. os fabulosos e torpes, com seus universozinhos em miniatura, globos de vidro com neve & pinheiros ou sol & coqueiros. não é simples. e a quase certeza de amanhã acordar, a não ser que. esse pequeno resíduo de incerto, tão distante. quase um alento, por outro lado desesperos sem fim. normal, conturbado, sem rumo. nada de muito, sei lá, diferente de tanto tempo. enfim, vontade de ficar só. por um dia só, poderia ser. ok.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

ho-ho-ho-how feliz natal!

então, fim de ano está aí, logo precisarei passar por qualquer desses longos revisionismos chatos. natal taí, simbolismo e blá blá blá, não sei se ganharei presente, ou o que. se é que me salvaria, e creio que não, foram só boas as intenções. o espírito natalino me visitando, puxando meu pé, me seduzindo, plantando coisas sujas na minha cabeça. nenhuma novidadade. nenhuma mesmo, que fique bem claro. ou que fique no mínimo claro. já pensei que teria sido melhor matar antes de nascer, depois já amei tanto o filho que eu poderia quase devorá-lo. sem ofensas a cronos, mas é que esse lance de tempo inevitavelmente me vira do avesso. e viraria, e virava, e virará. enfim, infinito como modo e tempo verbal, existe qualquer coisa nesse estilo? a questão agora não é mais decidir quais sacrifícios que quero que façam em meu nome, a verdade acaba sendo o quanto eu me imolaria no altar ou não. por qualquer coisa tão humana. as formiguinhas que se chocam, e eu olho a mim mesmo de cima também. vocês ficariam assombrados, tenho certeza, com o que um bom jogo de espelhos pode fazer. assustados. eu mesmo, quase me encolho no canto do quarto ao pensar. qualquer coisa de decisões e conseqüências, de ética, moral, e o diabo a quatro por trás disso tudo. é inevitável estar natalino, não é? não é? diz-se que é. inevitável que eu me conduza por esses becos imundos e malcheirosos. inevitável. inevitável que se venha. e qualquer coisa muito mais vasta que isso que envolve um tanto de figuras e representações e projeções e ilusões, talvez, por que não? no fundo, talvez seja uma espécie de oração, ou qualquer coisa estranha assim, algo como 'tempo, que venha de outros modos e com outros auspícios'. tempestades podem ser mornas, penso por um momento. aí fico na dúvida se descarto o pensamento ou bom, difícil dizer o que é melhor. cada vez mais difícil dizer.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

almodovárianas

1. odeio essa onda da língua portuguesa só acentuar até as proparoxítonas.

2. eu e uns coleguinhas vamos criar um programa de tv baseado em sucídios televisionados. filme o seu também e nos envie!

3. depois de tantos lepsos de palavras, resolvemos soper entrar na onda, não é masmo?!

4. bom ver meu amargor se diluindo em altas doses de risadas gratuitas.


domingo, 14 de dezembro de 2008

algo como sobre ternura

meio truncado dizer, meio que saindo pela ponta da língua aos atropelos, afundar a obsessão de auto-afirmação, estabelecer pontes, dizer sim's que valem mais a pena que não's amargos, notar os limites de cada um, abrir mão. toda uma onda.

isso me faz pensar que talvez eu sempre tenha pensado amor em termos muito distantes do que seriam humano. não que esses sejam menos ou mais humanos, mas são simplesmente tons de cor que deveriam estar nos meus desenhos, e que tem passado longe. umas coisas mais cor-bebê. menos vermelho-sangue ou azul-marinho ou verde-musgo. amor tem dessas coisas, de se não se dizer tão bem, e às vezes nos pegar pelas pernas em um tropeço que deixa o joelho doendo. mas que faz rir.

nem eu sei ao certo do que tou falando. o post vai tomando quase um tom de auto-ajuda. quero guardar esse silêncio, de alguma forma, comigo mesmo, até que ele crie esqueleto.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

t-t-t-t-t-trague-isso-rápido

Um repetido mantra que não é fácil, que não é fácil, que não é fácil, que não é fácil de dizer, dizer, se mover, acordar, levantar, mexer as pernas a cada manhã, e fazer o café, e não ter o conhecimento das borras ou ver tudo aos borrões, só os hematomas, o céu violeta violento, o teto do quarto, o medo que vai vindo pelos cantos aos pouquinhos de morrer na cama a cada noite, e a cada noite os sonhos às metades, só em pedaços, uma grande ânfora dourada onde todas as misérias estariam depositadas, displicentemente esbarrada, como para se divertir, que não é fácil, se divertir, não é fácil mesmo, coloca cd no som, tira, planta bananeira se for o caso, come doce de banana, tem um caso, escuta outro cd, canta bem alto, bem alto, bem alto mesmo, canta que não é fácil, e põe o cd pra repetir no final, e quando acabar, joga na parede, gruda no teto as estrelas pra iluminar, estrala, estrala os dedos, a coluna inteira, a face manchada da maquiagem de três dias atrás, que não é fácil sair, a tinta, a tintura, a tinturaria, vai pro trabalho, depois dos dias de recesso, que não é fácil mesmo, encontra o chefe, bom dia bom dia, ou a chefe, que não é fácil, marido e mulher, medíocre medíocre, tons pastéis no conjuntinho vestido e terninho, tons escuros ou cinzentos quase grafite nas camisas e nas gravatas, tropeçar, derrubar o café em cima daquelas páginas, trabalhei uma semana, bosta, e o pc pifou, perdi todos os arquivos, como um mantra que não é fácil, como uma porra de roda de gira que vai pro mesmo lugar porque é giro, candomblé, pomba gira, vomitar no final de tanta vertigem de tanto asco de qualquer coisa que seja, qualquer tentativa de explicação, qualquer coisa que faça com que engasgue, e sem sangue, sempre que tente dizer de novo, que não é fácil, e as pernas trêmulas, oh tanto trabalho em vão como assim o que vou fazer oh oh oh que desespero quanta bagunça meu deus do céu o que fazer agora que grande merda, que não é fácil, e as mãos também igualmente trêmulas, ou até mais, e a apatia, e pegar o pano, e limpar a mesa, e recomeçar, e depois derrubar o café novamente, senão o suco, talvez a água, desse amor infindo de si consigo mesmo até o fim dos tempos e amém no final, amém porra, amor porra, é uma lacerante paixão e um caminho de espinhos retorcidos e envenenados, com o dom de deixar os movimentos mais lentos, que não é fácil, como um mantra, como uma verdade dolorida, macerada, amassada no potinho, com um cheiro grotesco, impregnando os quatro cantos da sala e do mundo, que gira, porra de globo, porra de roda, volta, porra, merda, caralho desgraça mesmo lugar desgraça, que não é fácil, e volta a escrever, porque é assim mesmo, lhe pedem, se doa, te dão, é isso, não há muito mais o que ser dito ou quisto ou tido, há tanto tempo que se dissesse que se jogasse da janela e voasse como no filme, mas ah se voasse, e não é fácil, as palavras saindo baixinho escorrendo pelas quinas e quintos, gotejando, asquerosamente gotejando, como desde o início dos tempo, e em cima do piano, para sempre, um copo de veneno, que ninguém ousa deixar-se não beber, seria um absurdo que ninguém saísse, mas saísse do que, porra, a roda gira, gira, gira, gira e em sua maquinaria, e em suas engrenagens, e na falta de óleo, nos gemidos, nem olhos, parecem que ao fitar se ouve dizer, como correspondência, que não é fácil, que não é fácil, como um mantra, como uma praga, como a psicografia coletiva que seria feita ao contar a história de frustrações de toda as humanidades juntas, e são tantas as humanidades nos peitos descarnados sob a terra a sete palmos ou a seis pés, e a gente volta ao trabalho, a gente volta e termina novamente, mesmo que tenha que virar a noite, mesmo que então só se sonhe com os hipotéticos arranhões que unhas poderiam marcar pela pele, mas não, e mesmo que o esmalte fique desgastado de tanto furar a mesa de irritação, mesmo que uma unha ou outra quebre porque não dobra, e que os ossos nos dias seguintes, dois ou três sempre, lhe pareçam a carga do peso nas costas de atlas, e queime queime queime a língua ao beber esse chá e depois do grito dizer, que não é fácil.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

pra postar um momento de felicidade

1. as vocalizações dos demônios da garoa e o jair rodrigues ensandecido bêbado,

2. achar dois cds meus que eu achei terem sumido,

3. ok, só pensei em três coisas, porque infelizmente vejo as contrapartidas também. : ( rsrsrs "drama mode on"

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

quem dera, kundera

alguém uma vez me falou sobre o caráter desse blog, meio que pendendo pra uma análise que focava em algo que, saliento que eu, poderia colocar em termos próximos a "depositório de frustrações". ok, voilá, vou indo na mesma linha agora. chega uns momentos específicos, tipo esse, do qual começo a rir do meu próprio desespero e rir de desespero. são 03:40. às 08:00 terei que entregar uma prova. ok, posso atrasar até às 08:30, creio. a última coisa que eu gostaria de estar fazendo agora era isso. preferia morrer. sim, bem dramalhão, com carinha de ava gardner do estilo i-hate-the-world. risos. melhor, i-hat-the-world, meio surreal e pastiche. vou mandar fazerem uma camiseta assim pra mim. quase auto-irônico, até porque o sei lá se o que é o que é. enfim. tudo isso pra dizer do desespero de pensar na falta de perspectiva, do desencontro, do entrelugar, que bate às vezes de madrugada. e eu tenho uns mecanismos de auto-punição tão refinados... vocês precisariam ver. a cada palavra que escrevo meio que me chicoteio junto, como se eu me dissesse que é exagero e mentira. a verdade é que, se extendendo, penso isso sobre minha vida também. isso me soa verdade agora, e também exagero e mentira. é extremamente complicado, me parece até paradoxal e besta, mas enfim, i hat the world and i want to dye. risos. de preferência, tinta azul, uma coisa bem iconoclasta e chamativa mesmo. novamente qualquer bobagem. algo do tipo uma muçulmana lésbica e feminista que escreve um livro chamado "o véu e o velcro". as comparações entre a vida e a ficção, a dificuldade de pensar soluções para problemas, ou quando as penso, no momento seguinte já foram embora pelo meu tubo digestivo. até a metáfora ficou pelo meio do caminho e pouco bem formulada. esses dias eu tava pensando porque gostamos tanto de metáforas. é bonito ser comparado a uma flor, né? porque se a flor é bonita, eu também sou bonito. e cheiroso. e tenho pétalas também?! e raízes?! e não ando?! é isso que vocês querem dizer?! algo de traiçoeiro na linguagem e podre no reino da dinamarca. também me faz pensar na necessidade de fazer o ego brilhar quando reconhecemos citações implícitas ou sei lá. pensei na linha de resolução de enigmas, já que sempre somos confrontados de alguma forma com a necessidade de pensar como enfrentar a medusa sem olhar diretamente para ela, porque ela petrifica, não é? assim como olhar diretamente de forma prolongada para o sol cega, é mais ou menos isso? acho que encontrei uma possibilidade de eixo para uma análise simbólica. já que não tem nada de muito sociológico nisso, decidido, vou mudar de curso. risos. risos. risos. risos. favor remeter agora ao início do texto novamente. tenham um bom dia. uma boa noite também. melhor que essa, por favor. risíveis.