domingo, 30 de novembro de 2008

arrasa lévi-strauss

"FOLHA - O senhor sempre tomou o partido da ciência, mas, na releitura de Montaigne que faz em História de Lince, mostra também suas distâncias em relação a uma fé no conhecimento. O senhor se tornou mais cético em relação à ciência?
LÉVI-STRAUSS - A lição que tirei de Montaigne é que estamos condenados a viver e pensar simultaneamente em vários níveis e que esses níveis são incomensuráveis. Há saltos existenciais para passar de uma outro. O último nível é um ceticismo integral. Mas não se pode viver com ceticismo integral. Seria preciso se suicidar ou se refugiar nas montanhas. Somos obrigados a viver ao mesmo tempo em outros níveis em que esse ceticismo está moderado ou totalmente esquecido. Para fazer ciência, é preciso fazer como se o mundo exterior tivesse uma realidade e como se a razão humana fosse capaz de compreendê-lo. Mas é "como se"."


(ps: é, eu não tenho tido muito a dizer por mim mesmo...)

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

oi

"Os teólogos há muito o notaram: a esperança é o fruto da paciência. Deveríamos acrescentar: e da modéstia. O orgulhoso não tem tempo de esperar... Sem querer nem poder estar à espera, força os acontecimentos, como força a sua natureza; amargo, corrompido, quando esgota as suas revoltas, abdica: para ele, não há qualquer forma intermédia."

terça-feira, 25 de novembro de 2008

a respeito da digressão (parte 3)

sabe, coerência em excesso ou tentativa dessa faz um mal do caralho. faz um puta mal mesmo. determinadas coisas talvez nem mudem, fico pensando ao escrever isso. não mudam em essência, né? mudam de nome ou de roupagem. de sexo talvez. como se existisse uma essência. é sempre uma linha tênue. cair na conclusão de que não devemos chegar a conclusões já é uma conclusão! a solução é um descaminho. aí caímos na loucura? paranóia... conclusão. não é tão simples, nunca fui, uma questão forte e que eu sinto tão humana em mim, quase como se eu falasse por todos os viventes. claro que eu não chego a tanto, acabei estudando antropologia, o que faz um bem e um mal da porra. sempre tive medo de me repetir, mas sempre me repeti tanto. sempre foi um medo grande. do tipo, toda vez que falo em público, numa voz que pretenda verdade, (até porque acho que não toda voz almeja a verdade), como por exemplo, na sala de aula ao fazer uma observação, atento-me muito se não estou usando palavras repetidas, e a relação com a platéia é sempre martirizadora. é, talvez eu tenha sempre querido fazer a linha jesus cristo. e é por essas e outras que eu e lúcifer somos tão parecidos. e dédalo, é claro. mas acaba que tenho sina de ícaro. idéias repetidas. não tem problema. por aqui todos te julgam e ninguém ao mesmo tempo, é o que eu diria a mim para me tranquilizar. mais um desses paradoxos.

ps: se não estava tão claro, o lance da linguagem foi proposital a derivado de uma birra que já tive com a gramática e uma atração pelo que não precisaria se explicar, ou seja, foda-se qualquer motivo para usar ou não uma linguagem adequada. pueril. e fantástico.

sábado, 22 de novembro de 2008

a respeito da digressão (parte 2)

eu tenho essa merda de relação com a memória. eu sei que ela mente, sim eu sei. assim como sei que as fotos que vejo do passado são recortes da realidade. tudo isso sei, tranquilo e pacífico. aliás, nem tão com toda essa ausência de guerra. é meu jeito bélico. comigo mesmo, com os outros, vontade de domínio. nem vou tentar exercer a tentativa de controle sobre mim mesmo agora e dizer que não é sempre vontade de domínio. mas já o fazendo, mais uma vez, um paradoxo que eu vou dizer a mim mesmo que é tranquilo. mas nem tanto assim. sabe, interlocutores, é como aquela idéia que me amedrontava tanto e agora me recordei dela com ênfase. foi por causa de uma discussão de hoje mais cedo. era tão aterrorizante, uns tempos atrás, para mim, chegar a conclusões! nem sempre foi assim. mas houve um tempo em que esse era o grande berro, sabem? entendem? era. como se toda conclusão fosse em si mesma autoritária. nem sei se em sua essência autoritária, mas acho que não. pensava que relacionalmente mesmo ela seria essa voz de mando, entendem? sempre uma voz calando a outra. é desesperador que esse fosse meu lugar tranquilo e ao mesmo tempo é quase um calmante ou um bâlsamo que eu perceba ainda ter isso com algumas coisas.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

a respeito da digressão (parte 1)

aproveito a oportunidade pra me despir numa espécie de grito. é claro que isso não é um grito. eu falo quase me desculpando. eu tenho essa mania. começo pedindo desculpas a mim mesmo por me desculpar tanto. é bom cair nesse parodoxo intranquilo, porque ele me tranquiliza. é bom. é inusitado ver o que foi feito com todos esses processos. sabe, interlocutores, se existam, que loucos, internos, executores, se existam. saibam, é que eu já tive aquela época das vontades muito maiores que eu mesmo. não que eu já tive, ainda meio que tenho. agora, inclusive, nesse e no outro, voltando a uma letra maior. é engraçado dar voz a isso que meio que fala. mas não exatamente, porque eu sempre tenho esses filtros. é engraçado esse exercício. sinto como se estivesse frente a um exército com seus fuzis nas mãos por vezes. mas é engraçado mesmo, mas daquele jeito meio desesperado e meio irônico. é engraçado porque eu não dou conta do meu passado, do meu futuro, e nem do meu presente. é difícil lidar com as contradições de si que se acumulam, com os projetos deixados para trás, sempre tão deixados para trás como se já mortos. mas é claro que nunca esqueço, sabe?

ps: no escrito, era de fato "não deixe que a chama", e não "não deixe que chama". valeu, cazarim. esse nem notei. :*

the col. mustard desperate hearts club band

ei, todos vocês, idiotas. não deixem que algo massa que poderia ser não seja. não deixem.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Digressão

Não! Não deixe que falem por você! A gente tem tanto a ver, viver! Tanto! Não deixe que falem por você! Não deixe que as paredes permaneçam brancas! Pimte! Desenhe! Imvemte! Não deixe que nada te engesse! Não deixe que as muletas te tomem! Não deixe! Não deixe! Não deixe que o sol te segues a tu que enxergas por entre a luz! Não deiche! Nao deixe! Toda vez que vier o lamento! Não deixe que fale por voc~e! Grite tão auto que ninguén nem ouviria o que dizes a tu e a qualquer outro! Não deixe! Não deixe que a chama morra! Não deiche que a paz venha! NÃO! Não fassa com que tudo seja um grito solitário e mudo e rouco!

sábado, 15 de novembro de 2008

qualquer coisa de reflexivo (e bárbaro)

ao som de l'amitié, françoise hardy

mas é, o tipo de filme que move, e que me move, que mexe, liquidificador por dentro, os pensamentos todos jogados na parede, dissecados alguém pensaria, mas não, nem perto disso, cobertos por aquela película de indizível mas que ainda assim nos impele, e as fotos como boas partes de si que ficaram, e o apego é pelo ontem mas é também pelo amanhã, por enquanto vinte anos, depois cento e vinte anos atrás você viveu e talvez encontrem algum traço de você por aí, seja na geração que você deixou como miséria ou glória, seja num pedaço de lápide, seja nos restos de ti que agora já são alfaces e cenouras e beterrabas, quase irônico, ou fragmentos de nuvens e gotas de chuva, também temos essa beleza em nós, não é?, fica uma dor meio, sei lá, não exatamente uma dor, sabem?, não sei, é a película do jamais-será-dito, isso não se diz de forma alguma, só fica como que te fazendo sentir, e sentir é simplesmente sentir, mas a vontade de manter isso vivo ou que sintam, qualquer coisa de em volta da fogueira, qualquer coisa de casas pegando fogo e nossa língua se perdendo, as velhas muralhas em frangalhos, as belas sedas feito panos de chão acinzentados, somos tão cinzentos e ainda assim conseguimos muitas vezes brilhar mais que fogos de artifício. é, eu sei, move.

sábado, 8 de novembro de 2008

enfim, bonito esse amanhecer, mesmo que o sol esteja espancando minha cara

essa multiplicidade de interlocutores mudos, essa segunda madrugada não dormida. o café, a cocacola, o cigarro, a ausência de cerveja. olhar fotos, pensar inconseqüências. oh não, oh não, quero fugir, sabe? risível. mas não do jeito ruim. aliás, não necessariamente.

aquela canção, ela achava que ele gostava de vê-la viva andando por aí. mas não, não mesmo. é assim que se é. matamos, mas enterramos no jardim. e então, sei lá, talvez até dois dias depois já esteja lá uma árvore inteira. meio macabra, sem frutos, sem sombra. se você para do lado dela e a toca, sente que ela queima sua mão. à noite, quando venta, você parece ouvir "eu não morri" quase cantarolado. e não sabe dizer se é um alívio ou não, não sabe.

mas você corta a árvore, sim, ou come a mandioca, no caso dos indígenas, afinal, sou meio antropológico, né? antropofágico. continuando, da árvore você faz um papel e com a mandioca você vomita nele. ou come o papel e vomita na mandioca, tanto faz. é, eu não cansei nem de metáforas repetidas nem de nojeiras. mas continuando, vomita nele as mesmas coisas. ninguém morreu, ninguém morreu, e levantando pela sala dançando compulsivamente uma valsa consigo mesmo ou com ninguém (é a mesma coisa às vezes, não acham?). quase cômico, ou meio cômico mesmo, é melhor que julguem a cena como preferir. eu não estou lá muito pro sistema judiciário hoje.

sempre monotemático... impressionante. aí eu me consolo tentando dizer que todos na verdade falam das mesmas coisas sempre. frustração frustração frustração e espi(r)ro.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

prova de teorias sociológicas contemporâneas

sinceramente? eu não me lembro da última que fiquei, simultaneamente, tão cansado e desesperado. pior que não acabou.

domingo, 2 de novembro de 2008

carta ao vento e em chamas

fiquei pensando nessas coisas todas a medida que eu virava as cartas e se repetiam a minha frente espadas e corações. regiões de fachada e de fundo, espelhos e máscaras, holofotes e sombras, maquiagem e chuva. "circo pegando fogo, palha assada, palhaçada". dia dos mortos, só me lembrei de relance, acredite. tanto que se morre todos os dias, tanto que não se que viver, e em contrapartida, querer explodir de uma vez só. com tudo, em tudo, contudo é necessário qualquer coisa de ode. espadas, espadas, auto-empunhadas, brincando de auto-duelo, sabendo do resultado final, um ou dois membros decepados. tem qualquer coisa de explícito nesse hermético, acho. pensando nessas escalas, nesses tons graves, nessas escaladas, nesses tons escuros, nesse excesso de marrom e preto e vermelho e verdemusgo, nesse filme que lembra fulano ou naquela canção que lembra ciclano ou ainda naquele trecho de livro que lembra beltrano e aquele momento de vento que lembra fulana e aquele jeito de alguém sorrir que lembra ciclana e aquele drinque que lembra beltrana. é assim mesmo. vai-se indo nesses esbarros de coisas, nos quais os rastros de caminhos idos vão se impregnando no presente como traça em página de livro. pode dizer que me quer mesmo que diga que não vá poder, dói mas é melhor saber. ou não dizer e mostrar e ao se confrontar com verdades, fingir ser cego. dói, mas é melhor. esse complexo sadismo masoquismo. e eu vejo esses sinais pelos cantos meio que jogados displicentemente, como quem deixa uma rosa cair sem notar, como que sem notar, claro, mas sabendo, e não sabendo dizer o que fez de fato. vontade de te socar, mas só se minha mão também doer. sempre dolorosamente multifocal, mas com uma dose de niilismo lirismo auto-condescendente. obrigado, palavras que falam por mim, que não sejam jamais minhas, que essa compulsão por ouro de tolo permaneça.