domingo, 26 de outubro de 2008

da experiência estética da realidade (ou: da metáfora ao abismo)

antes de mais nada, talvez toda linguagem seja metáfora, e tudo passível de associação. e é claro que abismo também é uma metáfora. (água molhou um papel de)

antes talvez meu contato com o belo (anotações importantes que eu tinha. o lance é que) que gritava fazia-se inevitavelmente com o recurso [da minha janela, quando o vento é bom, sempre] das palavras. por meio das associações discursivas eu conseguia fazer com que uma pedra brilhasse mais que uma estrela no céu, ou que o fogo molhasse meus dedos. e por duas dinâmicas distintas isso passava: a necessidade de comunicar (várias cores de canetas utilizadas no papel, vermelho, azul, outro tom) para estabelecer contato e a comunicação como forma de domínio, sendo que esta última envolve a necessidade de se tornar sol. era a metáfora, as analogias, e tudo mais que estiver entrelaçado.

hoje as coisas são muito mais abstratas. ou [entra uma ou outras dessas florezinhas de] quase totalmente. a minha (de azul, já que eu por volta e meia perdê-las acabava variando nas cores. por mais que) relação com o que não se diz torna-se cada vez mais acentuada. cada vez mais questiono o potencial das palavras e o uso dessas. para que? para quem? até quando? até onde? [jardim. sempre das miúdas, brancas, quase] nada que eu disser vai fazer com que entendam o que é o mar além de: imenso. e ninguém jamais compreenderá esse mesmo imenso. uma ode [invisíveis por vezes. e hoje isso é tão bonito.] indireta a klee e as harmonias bizarras do caos das coisas, pois que mais uma vez as formas se casaram. (tenha me fodido, a água, ficou bonito.)

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

complemento de "falando nisso,"

o último post de tópicos tinha a mesma quantidade de tópicos. isso me lembra uma onda, que me lembra uma conversa que rolou justo hoje e não necessariamente teria que ter rolado hoje, mas na verdade uma coisa referencia à outra e a constrói, mas como explicar o caso do súbito aparecimento dela quando pensei nela e ela também pensava em mim, como explicar o recebimento de notícias de alguém desaparecido, sendo que hoje pensei nele, como?

jung filhodaputa.
mentira, tpm. eu filho da puta.
pretensiosamente (e suado) digo: venci
e me lembrei de lúcifer. puta mitológico eu esses tempos. junguiano. puta onda, hein?

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

falando nisso,

1. odeio o fato de meu vênus ser em câncer.

2. eu queria também poder culpar a tpm por mil de meus atos. puta injustiça. ou Injustitia, a bela puta da Piazza de la Mamma, rindo bem alto.

3. vontade de engolir o mundo voltando. ou de ser engolido. ou de não ter boca, nem dentes, nem língua. ou de não ter vontade, nem veias, nem sangue. e tudo meio num liquidificador, tipo o doidão do baumam que ainda vou/preciso ler. aliás, pilhas e pilhas espalhadas pela casa, sempre me lembrando do fracasso. e não são só livros. metáfora ridícula, nem vai sair aqui pra que não se envergonhe de tão defeituosa que é, sou tipo Juno que vou te jogar de um abismo.

4. o tópico primeiro foi o início. o resto é complemento. parle le bouche, je ne sais pas qu'est-ce que je vais faire avec mon français, parce je suis sans Anima. ria, jung, ria, junto com freud porque do outro lado da vida aposto que vocês fodem um ao outro e merda tem cheiro de dama da noite.

5. uuuuh!, o beto é dramático e histérico! uuuuuh!

6. ria também porque na verdade foi só não ter encontrado o significado exato. ria mesmo, por achar que no fundo sabe. e eu não sei porra. nem lembro mais de meus sonhos, seu tolo. ou melhor, dos seus. tá, mas ria, porque hoje lembrei de você de novo. e você tem me perseguido, tipo o marx perseguindo uma amiga minha. vou começar a te personificar também, viadinho filho da puta.

7. uuuuh!, um beto raivoso!

8. falando em Juno, no caso dela o filho voltou. e no meu? e voltou coxo, vejam só! isso porque já era feio! (não se choquem, eram os gregos que achavam isso um problema), e falando em gregos, porra de mitologia que volta. aposto que jung também escreveu sobre isso.

9. se eu terminasse no tópico oito jung venceria. não sei porque, senti isso, tipo um insight. mas foda que ainda acho que ele venceu... porra!

10. GAH! eu não sei como terminar essa desgraça! não consigo me decidir! finjam que isso não tem fim!

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

copas

as historinhas de amor que eu escrevia, antes dos doze ou treze, nem sempre resvalavam pra um shakespeare-trágico-barato. depois, risível, acho que passei a me auto-profetizar.



besta essa história de tarot...

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

apanhado de nonsense de ontem, de hoje, de agora, de amanhã...

1. acho que nunca quis tanto estar em goiânia de novo.

2. aha! saquei! o talentoso ripley é uma releitura de persona do bergman!

3. só quero dormir. nada mais da vida. e ver filme. e comer. pronto, falei.

4. auto-revisionismo pseudo-filosófico-poético de madrugada tendo aula amanhã às 8h e precisando ainda ler uma pá de coisa é dose. auto-masoquismo. self-masochism, porque em inglês é mais bonito.

5. buddypoke podia ter mais opções. do tipo: beto está se sentindo torto. mas bah, resolvi o problema, desfiz o meu.

6. tarôt filhodaputa! 10 de ouros cruzado com ás de espadas MY ASS! dédalo MY ASS!

7. falando em desejos contraditórios, como conciliar querer não ter amarras à vontade de ter grana? (ou porque cafés frappes não nascem em árvores?)

8. aquele dia bonito, que imagino que foi o primeiro dia que constatei, na minha vida, que as aleluias brotavam juntas do chão, e provavelmente de uma hora pra outra, foi bonito pra caralho, não foi?

9. eu queria me ler em alguma das entrelinhas do seu blog. bet you do want the same. ha ha!


10. às vezes eu rio como se chorasse e a recíproca é mais raramente verdadeira.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

vespertino

aurora no carro, a tarde me vem quase cegando os olhos, o sol não queima, só brinca, risonho, faz criar daquelas sensações de que é gostoso, mas dormir é muito bom, oxe!, como é bom, é meu casulo, não é com você, nao é comigo, eu sei lá, ao mesmo tempo é comigo, com você, com todo mundo, e sempre que eu perder minha voz, um sonho, pequenas luzes, glóbulos dourados flutuantes, como aqueles rastros de fotografia que dizem que são espíritos, ah esses espíritos brincalhões e risonhos!, como o sol, como a aurora no carro, pelas ruas, às vezes a trinta, às vezes a oitenta, a mesma via, desfazendo suavemente, isso não é para ser um derrame, isso é para ser uma poesia pagã, uma espécie de homenagem, um roubo gelado que acalenta um fim de tarde, ou um começo, ou um meio, essas tardes que se tornam minhas manhãs de recomeço e dádiva, um lugar escondido, ninguém encontra, só eu e estou lá e é quase inexplicável, ou totalmente, como aquela tulipa na porta do prédio caída do céu, o sol na minha boca, uma citação, como isso que remete a mim, diretamente a mim, que não sou só mim, a vontade machucada e machucando, os escapismos, ler sobre milhares de pessoas e pensar nas muitas mais aindas possibilidades, eu vou e volto a mim, e revolto, a terra machucada, queimada, depois renascida, as cascas rígidas, pelo solo as muitas folhas, o degelo, como o problema em um eco e uma mancha, moinhos em uníssono.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

teoria da amizade

após bastante observação empírica (e ah!, ele tinha material para isso!) resolveu, singelamente, juntar os dados num esquema maior pensando: "tanto faz... ou vai ser ignorado, ou vou virar dono da minha própria igrejinha teórica". com vocês, o resumo de Por Uma Teoria Funcionalista dos Grupos de Amigos:

Nas situações sociais convencionalmente chamadas "amizade", mais especificamente pelo que se entende de grupo de amigos, no qual seus membros se engajam em situações recorrentes e recursivas de afeto, confiança, apóio mútuo e discussão de relação, percebe-se a regularidade de certos papéis por meio de repetições.

Há o eixo central, podendo ser constituído por uma ou no máximo duas pessoas, que se mantém razoavelmente estável enquanto todos seguem como que gravitando nos entornos. Eis o início do esboço de uma tipologia, com os tipos identificados até agora. Salienta-se que não são utilizados como tipos-ideais, a correspondência empírica se dá com exatidão. Segue-se:

Há os tipos A (arroz), aqueles que são encontrados em fotos antigas e poderiam ter vingado mas escaparam da característica da regularidade, tão cara à reprodução e compartilhamento das práticas.

Os tipos R (riscados) são aqueles que, desde o início da formação do grupo ou seu ingresso no mesmo, indicavam a tendência de surtar grande no sentido de uma egolatria negativa e não terem mais seu convívio tolerado. Acabam, por fim, realizando sua sina.

Os tipos D (dull) demonstram uma ou mais das seguintes características em diferentes arranjos, constituídos marcantamente por degenerações progressivas. Dentre os focos , destaca-se a perda da capacidade de manter a sanidade mental e o senso de realidade, perda do auto-controle corpóreo, perda da percepção externa, perda do foco e da atenção. Em casos agudos, verfica-se a perda da capacidade de ficar acordado.

Os tipos M (malcomidos) apresentam a característica distintiva de estar à parte dos processos de sexualidade tão característicos de contextos de juventude. A partir daí podem qualificar M+ ou M-, o segundo caracterizando a tia solteirona rabugenta, enquanto o primeira caracteriza a tia solteirona solícita e risonha.

Os tipos T (tradicionais) são aqueles que sao tranquilamente tomados como parte, talvez até, do eixo central do grupo. Seguem as práticas recorrentes, possuem senso de realidade, e tendem a ter relativa autonomia de margem de ação no sentido de introduzir novos valores.

Interessante notar que acontece, intra-grupalmente, frequentemente intercâmbio entre os papéis. Um tipo A pode se tornar um tipo D. Um tipo M pode perder tal caractere e acabar revelando-se simplesmente um tipo A. Mas o mais comum é que o tipo T migre: comumente para os tipos M, D ou R.

sábado, 4 de outubro de 2008

apelo

seres humanos, morram todos, e de uma vez só, e com muito sofrimento








(e uma vontade imensa crescente de ser orgulhar de ser um nojo)

picotando revistas, em partes

ela está pior, tenho certeza disso,
e é extremamente uma desgraça,
tudo que precisamos é de um pouco de salvação,
de coisas simples como um pouco de mel e pêssegos frescos
na beira de um mar com vento pouco
e muito amplo,
e que ela me diga que agora sabe e agora tem
norte
(com asas e tudo, diga-se de passagem)

ela está se enovelando, como se fosse um gato,
ao brincar consigo mesma, rolando pelo chão,
por sob o tapete, sentindo em si as próprias unhas,
cravando fundo pra ver se sob, sobretudo,
acha-se
(ao perder-se, que se explicite)

ele está dizendo,
mas eu sou tomé,
e preciso do toque de midas
pra que as coisas voltem a ter algum brilho
(mesmo que nada volte, de fato)

ela está roendo a si mesma
de rogar a quem seja
que nada seja assim
e que consiga levantar e viver,
ah!, essas coisas banais
que a gente espera tentar
usar para preencher, repete repete repete,
repita
(e é um medo que fins sejam finais, permanece)

ela, sem amêndoas,
com jujubas que não me alimentam,
com estiletes que não me entalham,
com mãos que não me sufocam,
ou não exatamente isso,
só se fosse, que fosse
(nome estranho que é isso, omisso)

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

high and heavy

1. eu queria simplesmente conseguir te odiar;
2. eu queria que você nunca tivesse existido;
3. eu queria que muito disso fosse verdade;
4. eu queria jamais ter querido;
5. eu

estanho

dia, semana