terça-feira, 29 de julho de 2008

terceiro pedaço de uma série de respostas (que também são perguntas)

(...)

2. suas letras pequenas chegaram a mim com uma surpresa. um leve contentamento de me ver presente, já que eu gostaria de estar em todos os lugares ao mesmo tempo. não é tão brincadeira assim dizer querer ser deus, exceto se eu for pensar que poder implica em responsabilidade. mas logo qualquer joguinho de lógica me faria pensar: não, poder é só poder e ponto. e de suas letras pequenas eu vi um mundo meu também, de uma caligrafia que não existiu, pois que ela logo vem materializada em qualquer coisa dessa frialdadade, da mesma que materializa essa minha, eu vi a mim que existo e penso que sim, parece que é assim mesmo como você relata.

(...)

7. não venha me dizer que eu deveria analisar as coisas da mesma forma que vocês, não me faça pensar que as possibilidades de abrir mão são as mesmas, vocês não conhecem nem a metade do meu universo e se confundem quanto ao que deveriam fazer a respeito. aceitar? beijar na testa? crucificar e torturar? vocês não sabem direito, e que ódio tenho, que ódio tenho de minhas culpas e do fato de que assim que você fala, brincando de porta-voz da verdade, ao mesmo tempo que diz que eu deveria estar aberto à percepção do erro, você me faz sentir que eu deveria estar seguindo sua vontade (e eu de fato sinto que deveria fazê-lo então - o que é ainda pior) e não se aproxima de tentar pensar que você talvez estaria errado. e mais uma vez, condescência geral e nada como tentar se culpar enquanto eu gostaria de simplesmente brincar de chacina. sendo assim, eu imagino que você poderia pensar também que vocês estão errados. e sei que eu deveria estar fazendo milhares de coisas que se traduziriam em resolver minha vida para poder fugir de tudo um pouco à beira de uma praia. ou tentar morrer no mar de novo. e não fazer essas milhares de coisas só faz de vocês mais certos. e nesse caso, mais do que em outros, eu odeio muito errar.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

segundo pedaço de uma série de respostas (que também são perguntas)

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3. em resumo, tente entender porque estou aqui na frente, e não deveria estar aqui na frente, porque me visto de sílabas e tentativas e deveria estar longe daqui, fosse que fosse sonhando minhas frustrações (e é claro, é auto-condescendência e auto-piedade, aliás, já que estamos em parêntese, preciso dizer, tenho NOJO IMENSO de auto-piedade e então agora NOJO IMENSO DE MIM MESMO, bem em caixa alta, pra ficar uma ênfase dramática e meio histérica, bem teenager) ou fosse que fosse tentando concretizar uma qualquer coisa no mundo, meio que palavras, ou gestos, comunicação no fim das contas. só que hoje não quero. e não é tão fácil, não tão fácil mesmo assim, ou assim mesmo, ser escravo de si mesmo, e platão riria de mim, ou renato russo depois de chupá-lo.

4. quanto a uma certa ausência de respostas, tenho minhas explicações, e elas estão por aqui espalhadas. não sei o que esse 'aqui' quer dizer. se é referente a este escrito de agora, aos outros, ou ao que está dentro e não saiu.

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quarta-feira, 16 de julho de 2008

primeiro pedaço de uma série de respostas (que também são perguntas)

1. é que não faz diferença perceber que seria possível fazer algo a respeito se você não sentir que poderia fazê-lo. é quase como imaginar a possibilidade de construir uma ponte que fizesse possível a travessia mas não ter o ímpeto, ou não ter a argamassa, ou não saber projetá-la, ou sentir que a primeira chuva vai derrubá-la, ou até notar os pés afundando à medida que se tenta carregar as pedras e pensar que calejar as mãos assim levaria apenas à completa perda de sensibilidade nas pontas dos dedos.

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5. e a respeito de várias promessas de passados, de pessoas que esmolam ao redor ou até de fariseus, que fique, por agora, um grande MY ASS. sim, bem garrafal e dramático.

6. e de covardia: é claro que eu não conseguiria enunciar esses retalhos de frustrações meio desencontradas a ninguém especificamente. mesmo que por entrelinhas sutis ou, extremo oposto, com as mais explícitas palavras. quanto mais impessoal melhor, pois que não mais verdadeiro e então assim menos danoso. não estamos dançando em campo minado minha gente, só eu estourei minhas pernas por enquanto. e sozinho. deixem que tudo fique assim até que talvez tudo exploda no dia de um possível juízo final. (auto-alfinetada: ah!, sim!, você gosta MESMO de brincar de deus!)

(...)

segunda-feira, 14 de julho de 2008

o refrigerador agora está funcionando

não há inocência, por aqui, ele disse, com algumas pausas, meio irregulares, quase uma gagueira, besteira alguma, ele disse, ficaria nesse altar, isso ele não falou, que não ficasse pedra sobre pedra, aí então outra pessoa falando, enquanto, e o cigarro se acendendo, e um cão que latia, mas nem poderia, completo isolamento, quase um aquário, tantas fotos, poucos fatos, porcos tatos, jogue tudo pelo liquidificador, sim, é certamente um trocadilho genial, e foi ela que disse então, e perguntou, você, interpreta o tempo todo, e é aquela coisa, não é, que se focarmos o olho fixamente, em pausa, sob qualquer coisa, ela do familiar, não mais então, o que, comunicação, não, semiótica, também, espelhos, não temas, ela disse, ou foi ele, a ausência de temas, mais um jogo, não é amarelinha, nada de interrogações, é o contrário agora, não é você, quem foi então, é melhor, ou pior, tenso e tênue equilíbrio de mundos em bolhas de sabão que se chocam e explodem por quanto tempo puder ser e se é intensidade que se busca mesmo que não se diga é então de alguma forma e o que não se diz e a ausência de coerência e as bolas de neve e os aeroplanos e os apitos e a elasticidade e tudo isso logo longo logo denso logo extenso logo imenso sempre novo só repetido como performance como suspiros, ou soluços, ele disse interrompendo.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

do resultado

umas dores mais fortes, tão mais fortes, como se as paredes fechassem o ar e a asfixia pusesse ardência no peito. a tontura não salvou ninguém, muito menos o descanso, menos ainda a vertigem, de forma alguma o perdão. não há sossego, não há trégua. as garrafas vazias são as testemunhas, porém as provas do crime já foram ocultadas, as manchas pelos cantos e o restos de maçã. doce, maçã, qual é o doce mais doce?, de amor, talvez-não-sim, parecendo festa de são joão. gêmeos foi o mês passado, câncer é o mês presente, leão é o mês seguinte, e todos os dias que se passam então ficam cravados na pele, escândalo todo esse, o chão é só água agora e não há banca de júri. quanto a mim? esconder-se atrás de palavras ou da ausência delas.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

como se fosse uma cena de filme

um grupo de amigos, vinho barato, queijo e salame, jazz, depois músicas variadas, caetano em londres, risadas, Giulietta degli Spiriti ao fundo e suas imagens de frustrações e seu reencontro e paz finais, e garrafas ficando vazias, cigarros nos cinzeiros repletos, pouca iluminação, pelo chão mochilas e bolsas e sapatos, na parede tons de vermelho forte, tão forte!, e truco, mei-pau, nove, doze!, e sou eu agora

segunda-feira, 7 de julho de 2008

miscelânea de fatos ou observações aleatórias

1) cansaço-número-um: tou cansado de sonhar que perco os dentes. que merda. :(

2) eita-porra!-mais-cansaço: tou cansado dessa coriza filhadaputa. tou super "o menino catarrento da escola".

3) momento sou-muito-legal da semana: ler um conto pseudo-100%-erótico do caio fernando abreu, dentro de uma igreja evangélica, durante o casamento de uma prima um ano mais nova que eu, faz a gente se sentir meio herege.

4) da minha relação com passado e memória:
eu compulsivamente copiava do celular para o computador, digitando manualmente, toda e qualquer mensagem que eu enviasse ou rebecesse pelo meu celular. todas mesmo, até as mais idiotas. pois bem, pretérito imperfeito. isso recentemente mudou.

5) de aproveitar coisas do passado: peguei lá em casa uma agenda antiga, de quando eu tinha, sei lá, oito anos?, que quase não foi usada. também um caderno do brasas, também quase não usado. a agenda é o do flamengo e foi autografada por alguns jogadores do time após um jogo que fui. inclusive, pasmem!, pelo romário.

6) sobre utópicos e/ou revolucionários:
ainda bem que eles acreditam. ou que nunca conseguem tudo. ou 'que pena' para ambas as coisas.

7) reflexões sobre eternidade, inconstância, medos e elefantes: é
engraçado todo esse sentimento e tentar entender como a minha relação com o tempo, com a morte, com as mudanças, define tanto o que sou no meu dia a dia a respeito de desejos e projeções. talvez com todos? sei lá. mas comigo é numa medida que acontece de eu pautar muito minhas relações pela vontade de eternidade. é uma sina bizarra.

terça-feira, 1 de julho de 2008

dorme enquanto é tempo

um som com cor, gosto e cheiro de café
para manter acordado enquanto
à frente só se vê um filme chato,
e duas e vinte e quatro da manhã são quase oito horas
e eu não vou dormir hoje,
eu não vou dormir hoje,
para tentar ver o momento exato em que as coisas deixam de existir
que acontece sempre quando, imaginem!, durmo.

eu aperto meus olhos,
eu já lavei a louça,
eu não tenho outros temas,
eu quero que isso seja uma ficção,
eu quero que isso seja uma ficção,
e eu canso e olho pela janela e vejo o mar.

na minha cama você jaz ouvindo meus resmungos,
ou nem sei se ouve mais, pois que não durmi, e quanto a você?,
essas coisas não se medem, e delas não vamos falar agora, você me disse,
e eu esbarrei mais uma vez no álbum de fotografias e ele caiu no chão
e tantas delas já estavam apagadas!, fiquei surpreso,
e um pássaro entrou voando pela janela e suas asas eram negras, mas
era um morcego?

eu percebo, enfim, que papel é feito de árvore,
e ao redor desta, casca,
e desta, chá,
e deste, a ausência de plantas em casa, um vaso que seja!, fica aqui como um apelo,
do alto desse décimo sétimo andar eu começo a estranhar as letras
e me perguntar se amanhã é mesmo o dia em que preciso
preciso, enfim, acabar com isso.