domingo, 15 de junho de 2008

Sem Ana, Baião

, e escrito em sua testa, ou em sua camiseta, ou em suas costas, ou em um colar que carrega no braço em letras garrafais PURGATÓRIO, porque, convenhamos. Inferno seria, sem dúvida alguma, por demasiado dramático, e bem sabemos que hoje em dia não são tão bem tolerados esses tipos de arroubos. Céu seria irônico e risível, por mais que tudo que fosse necessário agora era uma boa dose de comédia. E na jukebox só tocava alceu. Subindo aquele cheiro fictício, pobre e roto, espalhado pelas narinas, impregnando na pele meio que sagrado, meio que vil. A calça é só uma mancha de café de dias passados. Os olhos se tornam meio caleidoscópicos tentando se perguntar que dia é, que dia foi, que dia vai ser, que dia nunca seria mais do mesmo, mais do mesmo, mais do mesmo, como se fosse tudo cíclico, mas tão turvo, quanto se uma barcarola tentasse atravessar de uma margem à outra de um rio largo sem saber se há uma margem do outro lado, sem saber se, no meio do caminho, há um arrecife e ficará encalhado até que o sol faça com que toda a água suba e tudo se torne um mar de areia. E a gente se ilude, dizendo uma besteira dessas. Só que não adianta quanta cerveja se beba ou o quanto sonhe essa noite ou quantas risadas acaba que é tudo eco: nada de paredes fechadas ou de aposentos mornos e mantas xadrês azul-e-vermelho. Mês de são joão nada são, coração.

Um comentário:

Bruna Seixas disse...

"quanto se uma barcarola tentasse atravessar de uma margem à outra de um rio largo sem saber se há uma margem do outro lado, sem saber se, no meio do caminho, há um arrecife e ficará encalhado até que o sol faça com que toda a água suba e tudo se torne um mar de areia."

e não é exatamente assim a vida? :)