segunda-feira, 9 de junho de 2008

poderia ser só miséria de segunda feira

duas pessoas se pegam no banheiro e é claro, voce quer as duas;
o teclado que é um momento de fuga do dezoito brumário falha com seus circunflexos;
todos os possíveis momentos de conversas longas no dia ficam meio que pela metade;
o sol vem forte e inclemente, mas não há praia próxima;
pela madrugada, de início das coisas, uma possível depressão: que boa notícia!;
repito: eles se pegam no banheiro;
conhecer a mulher da sua vida. ela é lésbica e namora um cara. e pra piorar: voce é broxa;
as quinhentas páginas de leitura estão por aí e só aumentando: não, elas não evaporam;
uma das duas pessoas vem pegar um preservativo enquanto isso, dá oi e tchau. nada de convite;
vontade de comer um pedaço de torta, das raras vontades de comer doce: é lógico que já tinha acabado;
e a tentativa de encontrar as mesmas satisfações em atos que não preenchem;
e a certeza de não saber formular perguntas;
e a constatação da falibilidade das palavras;
frustração por saber que nem o chocolate;
tampouco a cerveja ou sexo;
muito menos a longa conversa;
em outras palavras: nem nada do que voce imagine trará saída;
(talvez deus ou o ioga);
um celular toca: não, não é nenhum dos sete ou quinze amores da sua vida te ligando;
perceber que o casal agora está no banheiro única e exclusivamente porque voce é um impecilho;
supor que isso demonstra algo sobre seu papel na vida alheia e se sentir meio que dramático e ridículo;
quase rir;
constatar que pela impossibilidade de punição voce jamais conseguirá se estabilizar no protótipo de amor romantico que voce mesmo sempre quis;
incomodo também por ter saído da linha: no sentido mais amplo possível;
e todos perguntam como foi a porra da viagem, e voce queria era, de fato, ter morrido na praia;
uma brincadeira de si pra si pode tomar uma dose de verdade tão pesada, um suspiro mudo;
e o rir de desespero tem se tornado constante, ou talvez já fosse, e voce nao sabia;
saber que voce queria que as coisas fossem mais simples, como já as acreditou te-las visto;
imaginar que talvez de fato as tenha visto mais simples e agora não mais;
e o grand-finale: não ter certezas úteis.

2 comentários:

luiza disse...

e o meu momento de egoísmo do princípio ao fim:
mesmo tudo vive sem mim, mesmo tudo, tudo se esquece, não se pode viver ligado a tudo todo instante, tudo se desvanesce e eu sorrio, ainda, e ainda olho presentes como se fossem pessoas, e ainda amo, e ainda vivo surrealidades. mas tudo vive sem mim.
às vezes tudo bem. mas hoje não muito. quero alguém que também possa amar meus pecados e excentricidade.

Aline disse...

Fazia tanto tempo que eu não entrava aqui,
e olha o que eu estou lendo.
E olha que ruim é imaginar um amigo super bem e se sentir idiota porque na verdade você não conversou com ele nos ultimos dias e tudo vai mal.
(E você queria ter morrido na praia.)

Ah, a distância não permite que eu te dê um abraço apertado e suspire com você, e nem sei se no momento você quereria.

Mas respira mais.