terça-feira, 27 de maio de 2008

de volta ao inferno astral

rindo de desespero, a lâmpada queimou, aliás, toda a fiação tá estragada, e a louça há dias na pia, e dá-lhe mais pratos e talheres sujos, e lavá-los então, ligando a torneira e postergando as muitas páginas a serem lidas para a prova de amanhã, e aí me lembro, me lembro também que o encanamento tá com defeito de novo e eu quase praguejo, e minhas costas dóem, e o chão já meio encharcado, jogo a camiseta que usei ontem e que estava pelo chão jogada para absorver a água enquanto, porra de dor nas costas, desgraça de intestino preso, as páginas pra serem lidas, as mil coisas pendentes que precisam de resolução, e não é pra agora, é para ontem, e a bendita conexão que não funciona no momento em que mais se precisa, e preciso, preciso de um banho, dormir, arrumar a porra da coisa de abrir a torneira, porque tá frouxa, e não consigo me lembrar se aquilo tem nome ou não, e a porra da coisa de abrir o chuveiro também e o corredor da casa já tá imundo, e além de tudo os muitos textos espalhados e pendentes e que continuarão ainda mais, e as vontades pendentes também, e as necessidades, ver pessoas chorando e ter que fazer uma merda ou outra de responsabilidade, ver pessoas morrendo e não poder parar, que desgraça, que coisa mais filhadaputa é essa na qual por vezes me enredo, (também faço minhas teias, digo-me, aliás, tenho pagado língua demais...), pensar se posso ou devo ligar para alguém de quem quero notícias se vai bem, ao mesmo tempo o cansaço por ter que correr atrás de mil outras respostas de outros assuntos de outros indivíduos, e a vontade de ir para o bar e beber até passar mal, ou de ir ver a casa nova do amigo, ou de rumar à asa sul e ver a outra amiga, ou de ficar sem fazer nada com vinte outros, ou de simplesmente sair correndo e querer que tudo evapore, e saber que é tudo culpa minha e que porra!, não há trégua, não há, não adianta.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

reiterando

que fique bem claro meu ódio à morte. quero que ela morra.

ou lembrar de lispector e não morrer em forma de protesto. e que ninguém também morra.

sábado, 24 de maio de 2008

ódio a tons

são sempre as mesmas imagens!, sempre as mesmas! são as palavras, barragens, as palavras, obstáculos, as palavras, tropeços. e eu que sempre tão bem articulado por aqui patino, deslizo pelo chão, quebro um dente ou dois, tento fazer uma ligação e é claro que não atendem. e as mesmas árvores são só as mesmas asas batendo ao redor e se reproduz o mesmo som, e se é o mesmo som, não é que seja, o som só se repete, e eu detesto pessoas monótonas, e eu sou só a mesma nota, lá e zero, lá e zero. aqui e um. ou nenhum. e se eu quero falar da turbulência eu jamais pensaria em algo que não ondas batendo contra as pedras da praia, mesmo sabendo que não é a areia, nem a luz da lua acima como que julgando, nem as roupas encharcadas e depois esquecidas ou queimadas num momento de febre numa fogueira dessas que qualquer dois ou mais fariam, ou mesmo um, aqui e um, dois e zero, lá, lá, lá, sol, sol, estou cego e estou sedento. e é eu, é eu, e é eu. são as mesmas letras sempre, e o mesmo som de árvores batendo asas e o sol molhando as pedras na parede e as roupas cheias de areia. óh lua, salve teu filho. salve teu filho que não quer salvação. me faça desmoronar e que então eu encontre só os retalhos e a partir daí, porque não?, um espantalho.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

umas aprendizagens (ou o livro sem prazeres)

1. você não é a pessoa mais importante do mundo;
2. nem deveria ser considerado assim;
3. nem nunca vai ser;
4. você se engana demais;
5. você acha que busca umas coisas mas busca as opostas;
6. você parece hitler ou stálin;
7. você tem que aprender a fazer seu chão;
8. tem que saber que marx podia estar certo sobre falar de solidez e desmanche;
9. precisa saber da margarina e inglês e o que não sei mais;
10. e da solidão do deserto;

11. da falta de encaixe que pressupõe a existência cotidiana;
12. e que murros doem mas ajudam.

terça-feira, 20 de maio de 2008

um retângulo de lados tortos

é da beleza das coisas que tenho vivido mais, me embebido, inebriado, dançado com ao som de um tom, essas eufonias estranhas, harmonias caóticas, as tentativas fendidas e fundidas, e ao redor todo esse cenário de filme, essa tentativa de perfeição, mas há também o incômodo, acho que eu queria mais, eu já me disse, o sul e o norte tinham que ser copias estruturais, e não são, e cada quadra tem seu plano e enquadramento e quadratura, a lua deve estar por agora em câncer, e eu sei lá, mas ontem cheia no céu era um sol, e durante o dia, logo ao lado, por ali pisou antônio carlos magalhães e heloísa helena, juscelino e médici, e de outro lado dali eu me jogaria, não seria ruim morrer em queda dessa ponte, penso, se possível, penso, e há também esse céu e essas luzes todas e meu olho fechando e abrindo, contexto, intertexto, o leste e o oeste talvez também precisariam ser igual na minha cabeça, e aquelas vias vazias, e os carros de sempre incômodos, deserto, oásis, e tudo isso me soa fictício como se num filme, mas eu meio que fecho os olhos grato e sorrio bobo.

mãe, olha só

olha só o que eu faço ao invés de estudar dádiva ou formas elementares ou intelligentsia ou luta de classes...

sábado, 17 de maio de 2008

de oscilações

quando do fundo, depois um pico de endorfina. depois de dormir pouco, levantar quase dando saltos e no decorrer do dia rir do vento.

terça-feira, 13 de maio de 2008

diarinho (em tópicos)

* ondas fortes, redemoinhos, leves tremores de terra, queimadas em matas ciliares. pronto, usei os quatro elementos aristotélicos de forma aplicada pra definir o contexto geral da semana recente e da atual.

* foi do lado errado, mas foi de leve. aí cortei a pontinha. tipo YES, sou um gênio. ou OUI. ou SUPPA. ou EBA. sei lá. chega de poliglotismo banal por agora.

* sabem ressaca moral? então, é quase isso. só que sem bebida, sem envolver uma burrada qualquer feita sobre o efeito desta, só que num contexto completamente diverso. é tipo se arrepender da bulimia por ver na sua frente o quanto a sua própria alimentação pode estar sendo potencialmente pobre.

* "i've been waiting all day, i've been waiting only you". ainda espero cantar essa música pra alguém. e também "mulher barriguda que vai ter menino, qual o destino que ele vai ter?, quem será ele quando crescer?... haverá guerra ainda? tomara que não, mulher barriguda, tomara que não...", e mais, da criança que eu for padrinho, ou pai, porque ao menos uma dessas coisas espero ser, andarei com ela naquelas redinhas que prendem ela contra o peito. e quando ela der birra, vou sufocá-la de abraço. espero que dê efeito.

* às vezes me acho tãaaaaaaaaao homenzinho cliché. noutras, tão meninha cliché. identificações.

* olha, eu amo mesmo dormir. pra caralho. e principalmente nos horários em que menos posso. falando nisso, será que já acumulei umas quinhentas páginas de débito com a unb? não duvido...

* e porque letras me persegue? que inferno!

tentativa de poesia pura e solta

é que vou perdendo meu nome pelos cantos,
e revendo os nomes que tive
e aquele que tão impregnado em minha pele
torna-se quase imperceptível
tal qual o sol ao meio dia
que se grita: incômodo!
e não: acalento,

mas é um quê, ou um pê, ou um erre, ou um erro,
de interpretação de texto
uma má leitura,
um possível analfabetismo,
ou o surgimento de uma dislexia pós-momento-exato-que-acho-que-seria-o-de-diagnóstico]
ou qualquer coisa de fracasso e risos
só que sem qualquer desespero
(e a culpa é da miopia
e que sem óculos meus olhos ficam maiores
e então se óculos os vêem menores
assim talvez eu possa me rir)

e é um segredo me dizer,
e há tantas palavras e tantas conjunções ao meu redor
e tanta dificuldade de poder tocar além das paredes e chegar a desertos,
e neles poder achar cristais, navios de guerra,
ou cigarros,
esses que agora me fazem falta

e eu sei que isso pode ficar insuportavelmente longo,
e é mais belo se curto
e eu sei que o excesso de letras cansa
e que esse silêncio não se diz
e a contemplação é como aquele vento frio,
que bate num fim de tarde,
enquanto você pensa nesse absurdo repleto de significados tortos e difusos que chamamos de vida e que nada mais é do que a experiência de existir que cada um tem,]
enquanto o sol levemente me doura e se esconde,
e a contemplação é como ele e essa repetição,
essa repetição nada nada nada faz faz faz
além de esconder

sábado, 10 de maio de 2008

dos novelos nos anelares

se todas as risadas ecoadas pela sala cessassem de imediato e num súbito, como se orquestradas ou concertadas ou consertadas, e por um momento fosse ouvido aquele imenso nada ao redor eis o que eu teria:










(e eis o meu medo. e também no silêncio a vontade. e a fragilidade. e todos esses outros sentimentos quaisquer que eles sejam.)

caralho!

estupidamente quão importantes nós somos!