domingo, 30 de março de 2008

depois paro para pensar em advérbios

eu olho pra minha mãe e me pergunto como eu saí de lá, tipo, olha o meu tamanho!, olho pro meu pai e me pergunto como ele e os sete irmão saíram de dentro de minha avó e, putz!, não tem lógica alguma! aliás, até tem, mas é tão estranho! eu olho para uma criança que brinca e sei que ela sabe que existe e acho que a consciência que tenho de existir é a mesma que a dela, é simplesmente poder repetir que eu existo, tão certo disso, mas achando tão estranho que eu exista agora e que não vou depois, e que também existe o tempo, e que aqui fora a vida corre e lá dentro também, cada um simplesmente existindo. e existir é simplesmente indizível também, é de uma tontura quase leveza mas não tontura, é alguma coisa, é como, sei lá, gerúndio.

quarta-feira, 26 de março de 2008

coisinhas para preencher o tempo

se eu acreditasse que minha vida tem vontade própria, eu diria que ela adora o número três. e conseqüentemente, triângulos. só que eu sei que não tem e eu só posso me rir dessa trágica regularidade. porque é, mesmo que não me faça chorar.

odeio espirrar, odeio coriza, odeio nariz entupido. demais.

tipo momento sei que não tenho sorte. uma pessoa muito foda. ela mora em maceió. droga.

tipo momento sei que tenho de esperar. outra pessoa que diz que agora não, que viajemos juntos, que vamos beber juntos, que etc juntos. ok ok.

tipo momento porque eu ainda não agi interrogação. pra variar, a três. é só comprar uma tal coisinha, combinar de vir aqui para casa, chamar as outras duas pessoas e tá feito. o que eu estou esperando?

o tempo em que eu fazia interpretações mirabolantes das coisas era mais divertido. vamos lá, vou fazê-las, mesmo que não acredite nelas. acho que tudo isso representa minha intensa vontade de auto-martírio e que na verdade tudo que faço é buscando uma redenção maior, ou alguém que me louve no final. e ainda consigo enfiar uma metáfora aqui envolvendo lesmas, vocês não acreditariam.

agora chega desses momentos. e eu preciso estudar. preciso. preciso. pessoalidade tá out, mas foda-se.

domingo, 16 de março de 2008

acontece às vezes

aqui, na frente, clicando alí, digitando aqui, ou lá, sei lá, e de repente uma angústia e vontade desesperada de sair aqui da frente.

(se o modo drama estivesse ativado:

de sair aqui da frente? de sair do mundo!)

terça-feira, 11 de março de 2008

quanto ao factual

e que eu penso tanto que a escrita seja uma tentativa de eternização, meio que meio torta, mesmo que meio, me faz também pensar que não costumo escrever do meu dia. do tipo, hoje fiz isso e aquilo. ou senti isso ou senti aquilo. que fique impessoal, vá lá, é algo que aprendi a admirar e admiro. mas eu vou me perdendo.





só que eu tenho uma idéia que pode resolver isso.

domingo, 9 de março de 2008

jogos de palavras memoráveis

"empty nest", "emptiness", "we're fishes", "weird fishes",

Rascunho Em Água

Por onde esteve por um bom tempo, espelhos não havia, e assim teve que se acostumar aos poucos com tentar se ver refletida em superfícies de água ou em vitrais da janela. A si mesmo, borrada, às vezes embaçada, por vezes com uma mancha na testa, e que a fazia ter sobressaltos ao tentar entender se o pó estava nela ou não.

Com o tempo, evidentemente, veio o costume. Sabia distinguir perfeitamente os sinais de si dos que não. Daí para a não necessidade deles foi um pulo. Chegava a se assustar quando se via em reflexo. Para medir o volume ou o jeito que o cabelo estava chegou a desenvolver uma interessante sensibilidade de tato. Sabia ao toque como estava um determinado cacho, e nem fazia uma imagem de si, é como se não fosse necessário.

Demorou, evidentemente, a pegar o jeito com quantidade certa de maquiagem. Por vezes tinha dúvidas de quão palhaça estava no dia, ou quão vadia, que tanto de ingênua, ou de limpa, mas não demorou tanto que aprendesse o suficiente para distinguir perfeitamente a textura do rosto e a quantidade de camadas a serem aplicadas.

Então, evidentemente, chegou o dia de se mudar, assim, como um vento que leva as folhas e a poeira deixando tudo nas roupas dependuradas no varal. Ironia de muitas, que não estão aqui explícitas, mas diárias e subentendidas, sua nova casa tinha espelhos aos montes. No início, o pensamento que mais freqüentemente a assaltava era a vontade de quebrá-los todos. Sentia-se numa casa de espelhos, mal conseguia acreditar que aquilo era ela mesma, passava horas se medindo, tentando pregar sustos, e quando não assustava se incomodava profundamente. Olhava seu corpo inteiro, detalhadamente, a si e na imagem, tentando brincar num jogo de sete erros, e não conseguia evitar o alarme que sentia quando não conseguia encontrar as diferenças.

terça-feira, 4 de março de 2008

sem compromisso com o discurso

era uma vez um meninho que disse que ia fazer algo, e achou mesmo que faria. e não fez. aí ele disse de novo, e não fez. e disse de novo, e não fez. de novo, não. de novo, não, etcetera etcetera etcetera...

deu pra entender, né?

segunda-feira, 3 de março de 2008

coleçãozinha de bobeiras

E eu me peguei pensando porque afinal eu me emociono geralmente mais com a arte do que com a vida. E percebi com calma que é porque ela faz com que eu sinta mais do que estou vivendo, ou mais forte ainda o que estou vivendo, ou o que já vivi, ou o que vou viver, ou poderia.

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Eu sei o sentido da vida. Pergunte-me como.

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Adoro o fato de conserto e concerto terem o mesmo som.

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O dia que só acontece há quatro anos passou. E eu nem me atinei para o fato. Droga de ausência de calendário... Se eu fosse um pouco mais místico (ou muito mais, pois sou muito pouco) eu faria um chazinho e respiraria o ar de um dia que só vai se repetir novamente daqui a quatro anos. Mas é claro que antes eu me lembraria que não, isso não é verdade, que é só a diferença das horas que sobram no final do ano pra encaixar no calendário gregoriano. E eu me perguntaria: porque não usamos um calendário melhor? E me perguntaria também se é possível. E porque estou usando maiúsculas no começo da frase se isso não é uma ficção. Mas é!, tudso é relatchífffo.

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Dias recentes: ver um buraquinho na parede. Não conseguir evitar para de olhar para ele. Não saber como consertá-lo. Imaginar que logo virá uma enchente ou dilúvio ou maré ou qualquer coisa com muita água. E eu vou morrer afogado, por não poder enfiar o dedo lá. E porque não posso? Porque não isso é uma lenda holandesa e isso não é um dique, ora essa!

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A vida imita a arte, e vive e versa. E eu imito a Lyanna. Sem vice-versa.