sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

revirando coisas antigas

"Nem a pé, nem andando de rastros,
nem colando o ouvido no chão
voltarás a ouvir nada do que ali se falou"



estranhamento até bom. quase mágico.
aí a vida me faz querer chorar o absurdo que é vivê-la. claro que transbordando. certamente que extasiante.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

quase sísifo, só que a pedra fica MESMO no chão

essa é uma história de vida, um exemplo para todos vocês. é sobre não mentir.

o amigo F lança o desafio na mesa: eu não fico bêbado. e os amigos, vários eles, mandam um "pago pra ver". e pagam mesmo, doses duplas de vodka, cinco no total. ou seja, DEZ doses de vodka. sim, sim, simples assim. e o amigo F continua a dizer: não tô bêbado, falar lento não é estar bêbado, embolar palavras não é estar bêbado, quase cair da escada e precisar de apóio nas paredes para não meter a boca no chão não é estar bêbado. estar bêbado é dar bafão!

pois então, não é o fim da peripécia. continuemos, sim?

alguns instantes depois ele está abraçando amigos, vários amigos, ainda insiste que não está bêbado, pega a amiga B e a joga no chão, abraçado a ela, fala bobagens impublicáveis e admite, enfim, que não está nem levemente sóbrio. ou seja, está totalmente bêbado. enfim ele deu o bafão que esperava.

após a confissão, percebem todos, é necessário dar um jeito de levá-lo em casa. enquanto esperamoes que uma das integrantes do grupo vá embora pois sua irmã vem buscá-la. esperando, vejam bem, na porta de um bar numa avenida famosa de goiânia, bar este que já se encontrava então fechado. decidem colocá-lo para deitar no banco de trás de seu carro enquanto aguarda.

depois de muito discutir sobre se ele deveria dormir em casa ou na casa de um amigo, resolvem deixá-lo em casa mesmo. um amigo, o amigo B, que ainda não tirara sua bendita carteira de trânsito, vai dirigindo o carro da pessoa tombada. ao chegar no carro percebe-se que ele vomitou. passam na casa da amiga B, pegam uma camiseta limpa, uma toalha umedecida, e rumam à casa do amigo F, aquele que não ficaria bêbado mas de fato está.

após uma grande dificuldade em achar a casa, depois outra grande dificuldade para achar a chave do portão, enfim ele é levado para dentro pelo amigo M. outros amigos esperam longamente e apreensivos do lado de fora, mesmo assim já quase aliviados. o problema é que, vejam só, o amigo M não é onisciente. e bêbados são completamente imprevisíveis. o amigo F, em sua própria casa, tão pouco ciente de coisas básicas como 'barulhos podem acordar minha mãe ou mesmo minha avó e levar a um sapo absurdo', abre o sofa cama da maneira menos delicada possível. após deitar, também pouco delicadamente, tenta levantar algumas vezes até que explica que precisa de um copo de água.

o amigo M, solícito, e repleto de inocência, vai à cozinha buscar a água. enquanto faz a tarefa que lhe foi incumbida, ouve barulhos. barulhos. daqueles que podem acordar a mãe. ou mesmo a avó.

ao reencontrar o amigo F (aquele que teoricamente não fica bêbado), este está movendo as cadeiras. dançando, provavelmente, e imagino que seja alguma música do Mika. o amigo M, imediatamente, tenta acalmar a criança utilizando frases doces como 'vamos dormir agora?' 'vamos então?' e outras do estilo.

eis que, nem a mãe, nem a avó, mas o tio, aquele que ainda não havia aparecido na história, aparece perguntando o que estava ocorrendo. o amigo F, sobrinho deste, responde feliz: ooooooi tiooooooo!

eis que o amigo M volta acompanhado do tal tio que inicia algo como um sermão dizendo coisas do estilo 'vida é uma só' e 'todos sabem do seu limite' e 'há necessidade de ficar até tão tarde na rua?' e 'ele não deve ter bebido só cerveja'. todo o plano prévio de levar o amigo F em casa sem gerar grandes problemas foi arruinado.

é claro que murphy riu muito nessa hora. é evidente. a moral que fica é: não tente dar uma de fodão e aparecer para os amiguinhos dizendo que não está bêbado ainda, se você já está. é perigoso.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

parando e pensando

sabe quando você está no ônibus, com uma amiga, entediados até dizer chega, e então você pára e pensa: vou olhar ao redor e levar uns sustos.

então, nessa nobre tarefa, do lado esquerdo me deparo com uma blusa meio lilás ladeada por uma bolsa amarela berrante. combinação hm... digamos... heterodoxa. e aí que me veio o insight:

"nessas horas a gente pára e pensa que o mundo provavelmente seria mais bonito se fosse em preto e branco, não é?"

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

silêncio? sem resposta,

não é O silêncio, é ESSE silêncio. que de silêncios existem muitos. também aquele que a maioria das pessoas entendem. e se a maioria não entende, o contexto pode ajudar. deve. e comunicação só se estabelece com significados compartilhados. palavra furo? palavra muro? palavra escuro.



lucidez? resposta.

além da miopia, agora o estigmatismo. meu olhar se perde e se fragmenta, seja pelo horizonte, seja por estrelas cadentes. entretanto, me parece, que ainda é, como há pouco tempo, uma cadência menos desatinada. que pausa é pausa, silêncio é silêncio, comunicação é comunicação, tentar é tentar, olhar reto é olhar reto, se sentir turvo é se sentir turvo. e essas coisas, por vezes, se separam sim. talvez na maioria das vezes: nem tudo o tempo todo é ambigüidade, antítese ou paradoxo. às vezes o que é branco é simplesmente branco. e o que é preto, simplesmente preto.

e o mundo nos pede isso. simplificar, menos é mais. é muito mais, aliás. e tão sério.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

touché

é que o esforço é o contrário do não movimento, é o que nos faz desembrutecer e lapidar, é o que nos faz ter passos e pegadas no chão, é o que nos faz ter os inícios, é motor e é faísca, é prometeu indo contra os deuses, é até mesmo a curiosidade de pandora e de eva levando tudo para a decadência. mas é ainda assim necessário. obrigatoriamente.

nada se toca

é extremamente estranho que lá esteja o outro, e ele olha a ti, ele vê como você se fala, e você não se vê, talvez se ele lhe filmasse você tentasse chegar perto, talvez, do que ele enxerga, e ainda assim não, pois que ele não tem de ti só o que os olhos lhe dão, ele tem uma série de palavras, e mesmo que ele as tentasse descrever, ainda que ele as tentasse deixar gravadas para serem lidas, você não saberia se faltou alguma, e ele talvez também não soubesse, e você também não saberia se com alguma letra a mais ou a menos que ele lhe disse estaria impresso um aroma específico, de tão único que você jamais sentiu, e não só ele, o outro, são tantos outros, e cada um deles está em algum lugar agora fazendo uma coisa, e eles vivem, e é diferente de ti, sem dúvida que é, mas ao mesmo tempo, como não notar o absurdo, que sejam também vida, como não notar?, eles olham para você!, olham!, você não olha para você como eles olham e jamais olharia!, e um dia eles não vão estar mais lá e você estará lá até o momento em que não estiver mais aqui, você estará você até o momento em que não estiver mais, como não notar?, como não?

babel (ou curto trecho de um tratado do esforço dialógico-compreensivo para as relações humanas)

todos tem seus próprios idiomas: por vezes abissalmente distintos, mas com um ou outro existem raízes comuns ou intercâmbios sintáticosemânticomorfológicos. meu esforço diário é estabelecer pontes, às quais podemos chamar gramáticas e dicionários, e que chegando ao outro, eu chegue mais a outros lugares, descobrindo novos de/em mim, encontrando o êxtase de ajudar alguém a se dar à luz (que fique claro, não a dos iluministas, mas do parto), revalorizando sentidos, colocando caleidoscopia no olhar.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

como um cartão vermelho

A falta de leveza que me faz pisar em pés nas valsas, a falta de vírgulas em períodos longos que propositalmente incômoda como se se dizesse algo até perder o fôlego, a falta que eu sei que não estou sentindo e não é nem por anestesia é talvez superação, a falta de pudor nas referências, a falta de medida de horários e assim uma hora de súbito o trem já terá partido exatamente como chegou sem mim, a falta de lugares para encostar a cabeça e poder cantarolar em paz uma canção, a falta de empenho ao limpar a boca e tirar os gostos ruins e as palavras mofadas, a falta de virtude e sabedoria que só me virá provavelmente quando eu estiver à beira da morte e sei que estou errado nessa pois tenho tendência a ser o outro de mim em questão de meses, a falta de pudor e cuidado por instantes que leva a exposição , a falta de vestes e o vento frio que em alguns instantes incômoda e depois simplesmente queda quase confortavelmente sobre mim, a falta do explícito no agir no falar no ser no estar no gravar a ferro fogo limalha transformando o sucata em escultura, a falta de bom senso ao tacar pedras no espelho ou ao gritar no gravador e depois fazer a fita repetir repetir repetir no mais alto volume possível até surgir a possibilidade de parar e ficar apenas um zumbido na cabeça depois, a falta que isso deveria me fazer e não faz.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

relógios se derretendo (e eu também, aliás)

a lembrança mais antiga, de todas as que tenho, é tão como uma foto, ou como algumas. é impressionante. e acho que não há fotos desse se dia. se elas existem, faz muito tempo que não as vejo. foi exatamente no dia do meu aniversário de 3 anos. tenho uma imagem de uma prima, de eu e outras crianças brincando no quarto de meu irmão, acho que lembro que meus vizinhos que eram amiguinhos próximos estavam lá. e a impressão que tenho (e tenho medo de ser uma impressao errada) é que neste dia acordei sem conseguir me lembrar do que havia no dia anterior. de nada que havia, aliás. e o engraçado é q eu tenho essa impressao há muito tempo, ou tenho a impressao que tenho essa impressao há muito tempo, não sei.

e o que resta depois são pedaços mesmo. flashes. la jetée.
mesmo o ano passado já não é um ano inteiro. mesmo a semana passada. é assustador como é isso. assustador como é isso. como de horas a outras as coisas se escapam. se é um filme, muitas partes ficam enegrecidas, ou assumindo tom leitoso, ou borrando, ou se misturando, ou dobradas se escondendo.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

não foi escrito por mim, mas há motivo para a falta de aspas

Hoje não conseguiste chorar. Mas como não temer? E sentes aquele costumeiro medo - és medrosa também. Mas és tão fraca e habituada; só consegues pensar que isso te faz falta. Arriscas um otimismo. Não acreditas nisso, mas bem que parece um desses recados-presságio que te anunciam o início de uma nova era. Nada. Pensas na dor. Pedes chuva. Música triste, música triste. De volta à angústia. Tão distante de ti mesmo, que essa risada te soaria auto-piedosa. É que é estranho demais. Nem poderias. Melhor não rires. Risada mais macabra essa... Tens vontade de rir. Fazes uma força danada... nada. Forças a memória. Novamente forças as pálpebras. Algo de ti inseparável, tão comum, quase rotineiro. Até ouviras histórias desse tipo... mas nunca acreditarias que pudesse ser contigo. Inacreditável. Mas ainda não. Fechas os olhos com força.

referência:
http://lavivant.blogspot.com/2008/02/incomum.html

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

arcas em dilúvio

é extremamente estranho que as coisas vão, um dia, após a outra, como num desfile, mesmo que as imagens se misturem às vezes, e que o ontem não é hoje, mesmo que seja às vezes, e que o que se vive agora, o que se é, o que se imagina ser, simplesmente não será, quando se descobre que é, ao reconhecer que há doçura, mesmo então senti-la no amargor, e saber que tudo se vai, tudo me vai, se esvai, um dia, é completamente surreal, transcende, imaginar a não existência, é uma negação lógica pensar no não pensar, projetar a não-projeção, antever o invisível, o que não se vive, pois que não se vive então, e quando morrer, quando morrer não se viverá, então a morte não existirá, a vida também não, isso é completamente absurdo.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

divagaçãozinha aleatória

se subitamente um dia todos, exceto eu, acordassem esquecendo-se completamente do que é audição, como se tal sentido tivesse simplesmente sido nulificado, sem existência no antes sequer, sem mesmo memória. se assim, será que todos os meus pensamentos poderiam e seriam enunciados em voz alta? e o quanto estranhariam minha boca se movendo? e qual seria o ritmo deles? e quão rápido eu poderia falar? pois que ninguém moveria a boca, talvez. me engano, claro que moveriam. ainda comem, ainda respiram, ainda amam. mas menos que eu, certamente. e o quanto seria estranho que só eu ouvisse tudo quanto digo!

domingo, 10 de fevereiro de 2008

(pseudo-anti-)solipsismo made in hong kong

nem consciência de si do presente, nem possível ruptura com uma continuidade arqueológica, nada de conseguir fazer a imagem das fotos ficar diluída, mesmo que se use solvente, nenhuma solução possível para que, para que mesmo? o que se queria no momento atrás?, não resta sequer o presente, ele está passando exatamente agora, não é possível reter nas mãos nem mesmo os pensamentos, que são outros a cada segundo, e é como ver a reprodução do real e tomá-lo como tão grande quanto o original, é o extremo do kitsch, é apenas casca, a capa do livro, que não é seu conteúdo, mas dirão que diz algo sobre seu conteúdo, e não há como ter conclusão, existem sentidos que não são pensamentos e pensamentos que não derivem de sentidos?

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

de crime

sensação de ser torpe quando vejo que quero retirar da realidade algo de como ela foi e fazer uma colagem numa composição que deveria ser criação. quando percebo que é impossível esculpir algo sem ao menos usar um pouco de barro. e o barro não fui eu que criei, ora essa. eu vim do barro!, como poderia tê-lo criado? e bem que eu queria.
sensação de ser pouco quando vejo que quero recortar do vivido e recompô-lo. quase uma aberração, quase um monstro feito de partes mortas de muitas coisas.
sensação de inevitabilidade, contudo.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

é preciso que não seja para mim!

love and communication

é preciso que seja para mim!

só o egoísmo salva!

vontade de gritar ainda

algo do tipo, por estes instantes, surtei. patético patético, patético é a palavra do dia. ou do instante. sei lá, não me pergunte, porra. vontade de apagar tudo de uma vez. inclusive essa merda desse drama. mas vou deixar. ridículo. covarde. birra. catarro.

quantos?

quantos pateticismos numa madrugada só?, ou pior, em questão de meia horinha de uma madrugada só? melhor não tentar contar. eu não deveria estar aqui, ora essa!, quem está fazendo isso?!

gah!

gaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah! porque eu não consigo me convencer?! falta de vontade?! falta de empenho?! falta de coragem?! falta de...
argh. patético.

a fonte do meu blog

descobri que ela se chama georgia. god!, isso é patético.
(nada a ver com o resto do dia. tenham um bom dia. e para que vou deixar essa porra clara?!)

acho que é necessário

mas... para que?

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

domingo, 3 de fevereiro de 2008

como com um ponto de exclamação

é preciso impedir o uso do corrimão, caso ele vá te impedir de cair, e o que você queira de fato é fraturar a coluna e correr o risco de tetraplegias.