segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

fazendo-me muito rir

procurando uma citação, revistando páginas de a náusea, ouvindo músicas new wave, fiquei imaginando como seria ler o livro com essa trilha sonora.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

ok.

olho a paisagem da parede e vejo uma espécie de cena primaveril, ou veronil, sei lá. me diz muito. me diz tudo, praticamente. o fato de que existimos e morremos, e no meio desse percurso, tanto drama, tanto choque, tanto assombro, tanto desencontro, tanto desenlace, tanto desentendimento, tanta merda, tanto movimento, tantos banhos e piqueniques. é meio doloroso. e nesse momento de estar longe é sempre como se eu fosse outro, dá alguma preguiça então de acordar e retomar tudo. não é tão certo bater assim uma saudade, mais fácil que eu me bata na cara. tão acostumado a um olhar específico em cima de si mesmo que estranha quando percebe que outros possíveis olhares também ocorrem, e não menos válidos. e também sobre os outros. não menos sobre os outros. os fabulosos e torpes, com seus universozinhos em miniatura, globos de vidro com neve & pinheiros ou sol & coqueiros. não é simples. e a quase certeza de amanhã acordar, a não ser que. esse pequeno resíduo de incerto, tão distante. quase um alento, por outro lado desesperos sem fim. normal, conturbado, sem rumo. nada de muito, sei lá, diferente de tanto tempo. enfim, vontade de ficar só. por um dia só, poderia ser. ok.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

ho-ho-ho-how feliz natal!

então, fim de ano está aí, logo precisarei passar por qualquer desses longos revisionismos chatos. natal taí, simbolismo e blá blá blá, não sei se ganharei presente, ou o que. se é que me salvaria, e creio que não, foram só boas as intenções. o espírito natalino me visitando, puxando meu pé, me seduzindo, plantando coisas sujas na minha cabeça. nenhuma novidadade. nenhuma mesmo, que fique bem claro. ou que fique no mínimo claro. já pensei que teria sido melhor matar antes de nascer, depois já amei tanto o filho que eu poderia quase devorá-lo. sem ofensas a cronos, mas é que esse lance de tempo inevitavelmente me vira do avesso. e viraria, e virava, e virará. enfim, infinito como modo e tempo verbal, existe qualquer coisa nesse estilo? a questão agora não é mais decidir quais sacrifícios que quero que façam em meu nome, a verdade acaba sendo o quanto eu me imolaria no altar ou não. por qualquer coisa tão humana. as formiguinhas que se chocam, e eu olho a mim mesmo de cima também. vocês ficariam assombrados, tenho certeza, com o que um bom jogo de espelhos pode fazer. assustados. eu mesmo, quase me encolho no canto do quarto ao pensar. qualquer coisa de decisões e conseqüências, de ética, moral, e o diabo a quatro por trás disso tudo. é inevitável estar natalino, não é? não é? diz-se que é. inevitável que eu me conduza por esses becos imundos e malcheirosos. inevitável. inevitável que se venha. e qualquer coisa muito mais vasta que isso que envolve um tanto de figuras e representações e projeções e ilusões, talvez, por que não? no fundo, talvez seja uma espécie de oração, ou qualquer coisa estranha assim, algo como 'tempo, que venha de outros modos e com outros auspícios'. tempestades podem ser mornas, penso por um momento. aí fico na dúvida se descarto o pensamento ou bom, difícil dizer o que é melhor. cada vez mais difícil dizer.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

almodovárianas

1. odeio essa onda da língua portuguesa só acentuar até as proparoxítonas.

2. eu e uns coleguinhas vamos criar um programa de tv baseado em sucídios televisionados. filme o seu também e nos envie!

3. depois de tantos lepsos de palavras, resolvemos soper entrar na onda, não é masmo?!

4. bom ver meu amargor se diluindo em altas doses de risadas gratuitas.


domingo, 14 de dezembro de 2008

algo como sobre ternura

meio truncado dizer, meio que saindo pela ponta da língua aos atropelos, afundar a obsessão de auto-afirmação, estabelecer pontes, dizer sim's que valem mais a pena que não's amargos, notar os limites de cada um, abrir mão. toda uma onda.

isso me faz pensar que talvez eu sempre tenha pensado amor em termos muito distantes do que seriam humano. não que esses sejam menos ou mais humanos, mas são simplesmente tons de cor que deveriam estar nos meus desenhos, e que tem passado longe. umas coisas mais cor-bebê. menos vermelho-sangue ou azul-marinho ou verde-musgo. amor tem dessas coisas, de se não se dizer tão bem, e às vezes nos pegar pelas pernas em um tropeço que deixa o joelho doendo. mas que faz rir.

nem eu sei ao certo do que tou falando. o post vai tomando quase um tom de auto-ajuda. quero guardar esse silêncio, de alguma forma, comigo mesmo, até que ele crie esqueleto.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

t-t-t-t-t-trague-isso-rápido

Um repetido mantra que não é fácil, que não é fácil, que não é fácil, que não é fácil de dizer, dizer, se mover, acordar, levantar, mexer as pernas a cada manhã, e fazer o café, e não ter o conhecimento das borras ou ver tudo aos borrões, só os hematomas, o céu violeta violento, o teto do quarto, o medo que vai vindo pelos cantos aos pouquinhos de morrer na cama a cada noite, e a cada noite os sonhos às metades, só em pedaços, uma grande ânfora dourada onde todas as misérias estariam depositadas, displicentemente esbarrada, como para se divertir, que não é fácil, se divertir, não é fácil mesmo, coloca cd no som, tira, planta bananeira se for o caso, come doce de banana, tem um caso, escuta outro cd, canta bem alto, bem alto, bem alto mesmo, canta que não é fácil, e põe o cd pra repetir no final, e quando acabar, joga na parede, gruda no teto as estrelas pra iluminar, estrala, estrala os dedos, a coluna inteira, a face manchada da maquiagem de três dias atrás, que não é fácil sair, a tinta, a tintura, a tinturaria, vai pro trabalho, depois dos dias de recesso, que não é fácil mesmo, encontra o chefe, bom dia bom dia, ou a chefe, que não é fácil, marido e mulher, medíocre medíocre, tons pastéis no conjuntinho vestido e terninho, tons escuros ou cinzentos quase grafite nas camisas e nas gravatas, tropeçar, derrubar o café em cima daquelas páginas, trabalhei uma semana, bosta, e o pc pifou, perdi todos os arquivos, como um mantra que não é fácil, como uma porra de roda de gira que vai pro mesmo lugar porque é giro, candomblé, pomba gira, vomitar no final de tanta vertigem de tanto asco de qualquer coisa que seja, qualquer tentativa de explicação, qualquer coisa que faça com que engasgue, e sem sangue, sempre que tente dizer de novo, que não é fácil, e as pernas trêmulas, oh tanto trabalho em vão como assim o que vou fazer oh oh oh que desespero quanta bagunça meu deus do céu o que fazer agora que grande merda, que não é fácil, e as mãos também igualmente trêmulas, ou até mais, e a apatia, e pegar o pano, e limpar a mesa, e recomeçar, e depois derrubar o café novamente, senão o suco, talvez a água, desse amor infindo de si consigo mesmo até o fim dos tempos e amém no final, amém porra, amor porra, é uma lacerante paixão e um caminho de espinhos retorcidos e envenenados, com o dom de deixar os movimentos mais lentos, que não é fácil, como um mantra, como uma verdade dolorida, macerada, amassada no potinho, com um cheiro grotesco, impregnando os quatro cantos da sala e do mundo, que gira, porra de globo, porra de roda, volta, porra, merda, caralho desgraça mesmo lugar desgraça, que não é fácil, e volta a escrever, porque é assim mesmo, lhe pedem, se doa, te dão, é isso, não há muito mais o que ser dito ou quisto ou tido, há tanto tempo que se dissesse que se jogasse da janela e voasse como no filme, mas ah se voasse, e não é fácil, as palavras saindo baixinho escorrendo pelas quinas e quintos, gotejando, asquerosamente gotejando, como desde o início dos tempo, e em cima do piano, para sempre, um copo de veneno, que ninguém ousa deixar-se não beber, seria um absurdo que ninguém saísse, mas saísse do que, porra, a roda gira, gira, gira, gira e em sua maquinaria, e em suas engrenagens, e na falta de óleo, nos gemidos, nem olhos, parecem que ao fitar se ouve dizer, como correspondência, que não é fácil, que não é fácil, como um mantra, como uma praga, como a psicografia coletiva que seria feita ao contar a história de frustrações de toda as humanidades juntas, e são tantas as humanidades nos peitos descarnados sob a terra a sete palmos ou a seis pés, e a gente volta ao trabalho, a gente volta e termina novamente, mesmo que tenha que virar a noite, mesmo que então só se sonhe com os hipotéticos arranhões que unhas poderiam marcar pela pele, mas não, e mesmo que o esmalte fique desgastado de tanto furar a mesa de irritação, mesmo que uma unha ou outra quebre porque não dobra, e que os ossos nos dias seguintes, dois ou três sempre, lhe pareçam a carga do peso nas costas de atlas, e queime queime queime a língua ao beber esse chá e depois do grito dizer, que não é fácil.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

pra postar um momento de felicidade

1. as vocalizações dos demônios da garoa e o jair rodrigues ensandecido bêbado,

2. achar dois cds meus que eu achei terem sumido,

3. ok, só pensei em três coisas, porque infelizmente vejo as contrapartidas também. : ( rsrsrs "drama mode on"

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

quem dera, kundera

alguém uma vez me falou sobre o caráter desse blog, meio que pendendo pra uma análise que focava em algo que, saliento que eu, poderia colocar em termos próximos a "depositório de frustrações". ok, voilá, vou indo na mesma linha agora. chega uns momentos específicos, tipo esse, do qual começo a rir do meu próprio desespero e rir de desespero. são 03:40. às 08:00 terei que entregar uma prova. ok, posso atrasar até às 08:30, creio. a última coisa que eu gostaria de estar fazendo agora era isso. preferia morrer. sim, bem dramalhão, com carinha de ava gardner do estilo i-hate-the-world. risos. melhor, i-hat-the-world, meio surreal e pastiche. vou mandar fazerem uma camiseta assim pra mim. quase auto-irônico, até porque o sei lá se o que é o que é. enfim. tudo isso pra dizer do desespero de pensar na falta de perspectiva, do desencontro, do entrelugar, que bate às vezes de madrugada. e eu tenho uns mecanismos de auto-punição tão refinados... vocês precisariam ver. a cada palavra que escrevo meio que me chicoteio junto, como se eu me dissesse que é exagero e mentira. a verdade é que, se extendendo, penso isso sobre minha vida também. isso me soa verdade agora, e também exagero e mentira. é extremamente complicado, me parece até paradoxal e besta, mas enfim, i hat the world and i want to dye. risos. de preferência, tinta azul, uma coisa bem iconoclasta e chamativa mesmo. novamente qualquer bobagem. algo do tipo uma muçulmana lésbica e feminista que escreve um livro chamado "o véu e o velcro". as comparações entre a vida e a ficção, a dificuldade de pensar soluções para problemas, ou quando as penso, no momento seguinte já foram embora pelo meu tubo digestivo. até a metáfora ficou pelo meio do caminho e pouco bem formulada. esses dias eu tava pensando porque gostamos tanto de metáforas. é bonito ser comparado a uma flor, né? porque se a flor é bonita, eu também sou bonito. e cheiroso. e tenho pétalas também?! e raízes?! e não ando?! é isso que vocês querem dizer?! algo de traiçoeiro na linguagem e podre no reino da dinamarca. também me faz pensar na necessidade de fazer o ego brilhar quando reconhecemos citações implícitas ou sei lá. pensei na linha de resolução de enigmas, já que sempre somos confrontados de alguma forma com a necessidade de pensar como enfrentar a medusa sem olhar diretamente para ela, porque ela petrifica, não é? assim como olhar diretamente de forma prolongada para o sol cega, é mais ou menos isso? acho que encontrei uma possibilidade de eixo para uma análise simbólica. já que não tem nada de muito sociológico nisso, decidido, vou mudar de curso. risos. risos. risos. risos. favor remeter agora ao início do texto novamente. tenham um bom dia. uma boa noite também. melhor que essa, por favor. risíveis.

domingo, 30 de novembro de 2008

arrasa lévi-strauss

"FOLHA - O senhor sempre tomou o partido da ciência, mas, na releitura de Montaigne que faz em História de Lince, mostra também suas distâncias em relação a uma fé no conhecimento. O senhor se tornou mais cético em relação à ciência?
LÉVI-STRAUSS - A lição que tirei de Montaigne é que estamos condenados a viver e pensar simultaneamente em vários níveis e que esses níveis são incomensuráveis. Há saltos existenciais para passar de uma outro. O último nível é um ceticismo integral. Mas não se pode viver com ceticismo integral. Seria preciso se suicidar ou se refugiar nas montanhas. Somos obrigados a viver ao mesmo tempo em outros níveis em que esse ceticismo está moderado ou totalmente esquecido. Para fazer ciência, é preciso fazer como se o mundo exterior tivesse uma realidade e como se a razão humana fosse capaz de compreendê-lo. Mas é "como se"."


(ps: é, eu não tenho tido muito a dizer por mim mesmo...)

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

oi

"Os teólogos há muito o notaram: a esperança é o fruto da paciência. Deveríamos acrescentar: e da modéstia. O orgulhoso não tem tempo de esperar... Sem querer nem poder estar à espera, força os acontecimentos, como força a sua natureza; amargo, corrompido, quando esgota as suas revoltas, abdica: para ele, não há qualquer forma intermédia."

terça-feira, 25 de novembro de 2008

a respeito da digressão (parte 3)

sabe, coerência em excesso ou tentativa dessa faz um mal do caralho. faz um puta mal mesmo. determinadas coisas talvez nem mudem, fico pensando ao escrever isso. não mudam em essência, né? mudam de nome ou de roupagem. de sexo talvez. como se existisse uma essência. é sempre uma linha tênue. cair na conclusão de que não devemos chegar a conclusões já é uma conclusão! a solução é um descaminho. aí caímos na loucura? paranóia... conclusão. não é tão simples, nunca fui, uma questão forte e que eu sinto tão humana em mim, quase como se eu falasse por todos os viventes. claro que eu não chego a tanto, acabei estudando antropologia, o que faz um bem e um mal da porra. sempre tive medo de me repetir, mas sempre me repeti tanto. sempre foi um medo grande. do tipo, toda vez que falo em público, numa voz que pretenda verdade, (até porque acho que não toda voz almeja a verdade), como por exemplo, na sala de aula ao fazer uma observação, atento-me muito se não estou usando palavras repetidas, e a relação com a platéia é sempre martirizadora. é, talvez eu tenha sempre querido fazer a linha jesus cristo. e é por essas e outras que eu e lúcifer somos tão parecidos. e dédalo, é claro. mas acaba que tenho sina de ícaro. idéias repetidas. não tem problema. por aqui todos te julgam e ninguém ao mesmo tempo, é o que eu diria a mim para me tranquilizar. mais um desses paradoxos.

ps: se não estava tão claro, o lance da linguagem foi proposital a derivado de uma birra que já tive com a gramática e uma atração pelo que não precisaria se explicar, ou seja, foda-se qualquer motivo para usar ou não uma linguagem adequada. pueril. e fantástico.

sábado, 22 de novembro de 2008

a respeito da digressão (parte 2)

eu tenho essa merda de relação com a memória. eu sei que ela mente, sim eu sei. assim como sei que as fotos que vejo do passado são recortes da realidade. tudo isso sei, tranquilo e pacífico. aliás, nem tão com toda essa ausência de guerra. é meu jeito bélico. comigo mesmo, com os outros, vontade de domínio. nem vou tentar exercer a tentativa de controle sobre mim mesmo agora e dizer que não é sempre vontade de domínio. mas já o fazendo, mais uma vez, um paradoxo que eu vou dizer a mim mesmo que é tranquilo. mas nem tanto assim. sabe, interlocutores, é como aquela idéia que me amedrontava tanto e agora me recordei dela com ênfase. foi por causa de uma discussão de hoje mais cedo. era tão aterrorizante, uns tempos atrás, para mim, chegar a conclusões! nem sempre foi assim. mas houve um tempo em que esse era o grande berro, sabem? entendem? era. como se toda conclusão fosse em si mesma autoritária. nem sei se em sua essência autoritária, mas acho que não. pensava que relacionalmente mesmo ela seria essa voz de mando, entendem? sempre uma voz calando a outra. é desesperador que esse fosse meu lugar tranquilo e ao mesmo tempo é quase um calmante ou um bâlsamo que eu perceba ainda ter isso com algumas coisas.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

a respeito da digressão (parte 1)

aproveito a oportunidade pra me despir numa espécie de grito. é claro que isso não é um grito. eu falo quase me desculpando. eu tenho essa mania. começo pedindo desculpas a mim mesmo por me desculpar tanto. é bom cair nesse parodoxo intranquilo, porque ele me tranquiliza. é bom. é inusitado ver o que foi feito com todos esses processos. sabe, interlocutores, se existam, que loucos, internos, executores, se existam. saibam, é que eu já tive aquela época das vontades muito maiores que eu mesmo. não que eu já tive, ainda meio que tenho. agora, inclusive, nesse e no outro, voltando a uma letra maior. é engraçado dar voz a isso que meio que fala. mas não exatamente, porque eu sempre tenho esses filtros. é engraçado esse exercício. sinto como se estivesse frente a um exército com seus fuzis nas mãos por vezes. mas é engraçado mesmo, mas daquele jeito meio desesperado e meio irônico. é engraçado porque eu não dou conta do meu passado, do meu futuro, e nem do meu presente. é difícil lidar com as contradições de si que se acumulam, com os projetos deixados para trás, sempre tão deixados para trás como se já mortos. mas é claro que nunca esqueço, sabe?

ps: no escrito, era de fato "não deixe que a chama", e não "não deixe que chama". valeu, cazarim. esse nem notei. :*

the col. mustard desperate hearts club band

ei, todos vocês, idiotas. não deixem que algo massa que poderia ser não seja. não deixem.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Digressão

Não! Não deixe que falem por você! A gente tem tanto a ver, viver! Tanto! Não deixe que falem por você! Não deixe que as paredes permaneçam brancas! Pimte! Desenhe! Imvemte! Não deixe que nada te engesse! Não deixe que as muletas te tomem! Não deixe! Não deixe! Não deixe que o sol te segues a tu que enxergas por entre a luz! Não deiche! Nao deixe! Toda vez que vier o lamento! Não deixe que fale por voc~e! Grite tão auto que ninguén nem ouviria o que dizes a tu e a qualquer outro! Não deixe! Não deixe que a chama morra! Não deiche que a paz venha! NÃO! Não fassa com que tudo seja um grito solitário e mudo e rouco!

sábado, 15 de novembro de 2008

qualquer coisa de reflexivo (e bárbaro)

ao som de l'amitié, françoise hardy

mas é, o tipo de filme que move, e que me move, que mexe, liquidificador por dentro, os pensamentos todos jogados na parede, dissecados alguém pensaria, mas não, nem perto disso, cobertos por aquela película de indizível mas que ainda assim nos impele, e as fotos como boas partes de si que ficaram, e o apego é pelo ontem mas é também pelo amanhã, por enquanto vinte anos, depois cento e vinte anos atrás você viveu e talvez encontrem algum traço de você por aí, seja na geração que você deixou como miséria ou glória, seja num pedaço de lápide, seja nos restos de ti que agora já são alfaces e cenouras e beterrabas, quase irônico, ou fragmentos de nuvens e gotas de chuva, também temos essa beleza em nós, não é?, fica uma dor meio, sei lá, não exatamente uma dor, sabem?, não sei, é a película do jamais-será-dito, isso não se diz de forma alguma, só fica como que te fazendo sentir, e sentir é simplesmente sentir, mas a vontade de manter isso vivo ou que sintam, qualquer coisa de em volta da fogueira, qualquer coisa de casas pegando fogo e nossa língua se perdendo, as velhas muralhas em frangalhos, as belas sedas feito panos de chão acinzentados, somos tão cinzentos e ainda assim conseguimos muitas vezes brilhar mais que fogos de artifício. é, eu sei, move.

sábado, 8 de novembro de 2008

enfim, bonito esse amanhecer, mesmo que o sol esteja espancando minha cara

essa multiplicidade de interlocutores mudos, essa segunda madrugada não dormida. o café, a cocacola, o cigarro, a ausência de cerveja. olhar fotos, pensar inconseqüências. oh não, oh não, quero fugir, sabe? risível. mas não do jeito ruim. aliás, não necessariamente.

aquela canção, ela achava que ele gostava de vê-la viva andando por aí. mas não, não mesmo. é assim que se é. matamos, mas enterramos no jardim. e então, sei lá, talvez até dois dias depois já esteja lá uma árvore inteira. meio macabra, sem frutos, sem sombra. se você para do lado dela e a toca, sente que ela queima sua mão. à noite, quando venta, você parece ouvir "eu não morri" quase cantarolado. e não sabe dizer se é um alívio ou não, não sabe.

mas você corta a árvore, sim, ou come a mandioca, no caso dos indígenas, afinal, sou meio antropológico, né? antropofágico. continuando, da árvore você faz um papel e com a mandioca você vomita nele. ou come o papel e vomita na mandioca, tanto faz. é, eu não cansei nem de metáforas repetidas nem de nojeiras. mas continuando, vomita nele as mesmas coisas. ninguém morreu, ninguém morreu, e levantando pela sala dançando compulsivamente uma valsa consigo mesmo ou com ninguém (é a mesma coisa às vezes, não acham?). quase cômico, ou meio cômico mesmo, é melhor que julguem a cena como preferir. eu não estou lá muito pro sistema judiciário hoje.

sempre monotemático... impressionante. aí eu me consolo tentando dizer que todos na verdade falam das mesmas coisas sempre. frustração frustração frustração e espi(r)ro.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

prova de teorias sociológicas contemporâneas

sinceramente? eu não me lembro da última que fiquei, simultaneamente, tão cansado e desesperado. pior que não acabou.

domingo, 2 de novembro de 2008

carta ao vento e em chamas

fiquei pensando nessas coisas todas a medida que eu virava as cartas e se repetiam a minha frente espadas e corações. regiões de fachada e de fundo, espelhos e máscaras, holofotes e sombras, maquiagem e chuva. "circo pegando fogo, palha assada, palhaçada". dia dos mortos, só me lembrei de relance, acredite. tanto que se morre todos os dias, tanto que não se que viver, e em contrapartida, querer explodir de uma vez só. com tudo, em tudo, contudo é necessário qualquer coisa de ode. espadas, espadas, auto-empunhadas, brincando de auto-duelo, sabendo do resultado final, um ou dois membros decepados. tem qualquer coisa de explícito nesse hermético, acho. pensando nessas escalas, nesses tons graves, nessas escaladas, nesses tons escuros, nesse excesso de marrom e preto e vermelho e verdemusgo, nesse filme que lembra fulano ou naquela canção que lembra ciclano ou ainda naquele trecho de livro que lembra beltrano e aquele momento de vento que lembra fulana e aquele jeito de alguém sorrir que lembra ciclana e aquele drinque que lembra beltrana. é assim mesmo. vai-se indo nesses esbarros de coisas, nos quais os rastros de caminhos idos vão se impregnando no presente como traça em página de livro. pode dizer que me quer mesmo que diga que não vá poder, dói mas é melhor saber. ou não dizer e mostrar e ao se confrontar com verdades, fingir ser cego. dói, mas é melhor. esse complexo sadismo masoquismo. e eu vejo esses sinais pelos cantos meio que jogados displicentemente, como quem deixa uma rosa cair sem notar, como que sem notar, claro, mas sabendo, e não sabendo dizer o que fez de fato. vontade de te socar, mas só se minha mão também doer. sempre dolorosamente multifocal, mas com uma dose de niilismo lirismo auto-condescendente. obrigado, palavras que falam por mim, que não sejam jamais minhas, que essa compulsão por ouro de tolo permaneça.

domingo, 26 de outubro de 2008

da experiência estética da realidade (ou: da metáfora ao abismo)

antes de mais nada, talvez toda linguagem seja metáfora, e tudo passível de associação. e é claro que abismo também é uma metáfora. (água molhou um papel de)

antes talvez meu contato com o belo (anotações importantes que eu tinha. o lance é que) que gritava fazia-se inevitavelmente com o recurso [da minha janela, quando o vento é bom, sempre] das palavras. por meio das associações discursivas eu conseguia fazer com que uma pedra brilhasse mais que uma estrela no céu, ou que o fogo molhasse meus dedos. e por duas dinâmicas distintas isso passava: a necessidade de comunicar (várias cores de canetas utilizadas no papel, vermelho, azul, outro tom) para estabelecer contato e a comunicação como forma de domínio, sendo que esta última envolve a necessidade de se tornar sol. era a metáfora, as analogias, e tudo mais que estiver entrelaçado.

hoje as coisas são muito mais abstratas. ou [entra uma ou outras dessas florezinhas de] quase totalmente. a minha (de azul, já que eu por volta e meia perdê-las acabava variando nas cores. por mais que) relação com o que não se diz torna-se cada vez mais acentuada. cada vez mais questiono o potencial das palavras e o uso dessas. para que? para quem? até quando? até onde? [jardim. sempre das miúdas, brancas, quase] nada que eu disser vai fazer com que entendam o que é o mar além de: imenso. e ninguém jamais compreenderá esse mesmo imenso. uma ode [invisíveis por vezes. e hoje isso é tão bonito.] indireta a klee e as harmonias bizarras do caos das coisas, pois que mais uma vez as formas se casaram. (tenha me fodido, a água, ficou bonito.)

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

complemento de "falando nisso,"

o último post de tópicos tinha a mesma quantidade de tópicos. isso me lembra uma onda, que me lembra uma conversa que rolou justo hoje e não necessariamente teria que ter rolado hoje, mas na verdade uma coisa referencia à outra e a constrói, mas como explicar o caso do súbito aparecimento dela quando pensei nela e ela também pensava em mim, como explicar o recebimento de notícias de alguém desaparecido, sendo que hoje pensei nele, como?

jung filhodaputa.
mentira, tpm. eu filho da puta.
pretensiosamente (e suado) digo: venci
e me lembrei de lúcifer. puta mitológico eu esses tempos. junguiano. puta onda, hein?

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

falando nisso,

1. odeio o fato de meu vênus ser em câncer.

2. eu queria também poder culpar a tpm por mil de meus atos. puta injustiça. ou Injustitia, a bela puta da Piazza de la Mamma, rindo bem alto.

3. vontade de engolir o mundo voltando. ou de ser engolido. ou de não ter boca, nem dentes, nem língua. ou de não ter vontade, nem veias, nem sangue. e tudo meio num liquidificador, tipo o doidão do baumam que ainda vou/preciso ler. aliás, pilhas e pilhas espalhadas pela casa, sempre me lembrando do fracasso. e não são só livros. metáfora ridícula, nem vai sair aqui pra que não se envergonhe de tão defeituosa que é, sou tipo Juno que vou te jogar de um abismo.

4. o tópico primeiro foi o início. o resto é complemento. parle le bouche, je ne sais pas qu'est-ce que je vais faire avec mon français, parce je suis sans Anima. ria, jung, ria, junto com freud porque do outro lado da vida aposto que vocês fodem um ao outro e merda tem cheiro de dama da noite.

5. uuuuh!, o beto é dramático e histérico! uuuuuh!

6. ria também porque na verdade foi só não ter encontrado o significado exato. ria mesmo, por achar que no fundo sabe. e eu não sei porra. nem lembro mais de meus sonhos, seu tolo. ou melhor, dos seus. tá, mas ria, porque hoje lembrei de você de novo. e você tem me perseguido, tipo o marx perseguindo uma amiga minha. vou começar a te personificar também, viadinho filho da puta.

7. uuuuh!, um beto raivoso!

8. falando em Juno, no caso dela o filho voltou. e no meu? e voltou coxo, vejam só! isso porque já era feio! (não se choquem, eram os gregos que achavam isso um problema), e falando em gregos, porra de mitologia que volta. aposto que jung também escreveu sobre isso.

9. se eu terminasse no tópico oito jung venceria. não sei porque, senti isso, tipo um insight. mas foda que ainda acho que ele venceu... porra!

10. GAH! eu não sei como terminar essa desgraça! não consigo me decidir! finjam que isso não tem fim!

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

copas

as historinhas de amor que eu escrevia, antes dos doze ou treze, nem sempre resvalavam pra um shakespeare-trágico-barato. depois, risível, acho que passei a me auto-profetizar.



besta essa história de tarot...

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

apanhado de nonsense de ontem, de hoje, de agora, de amanhã...

1. acho que nunca quis tanto estar em goiânia de novo.

2. aha! saquei! o talentoso ripley é uma releitura de persona do bergman!

3. só quero dormir. nada mais da vida. e ver filme. e comer. pronto, falei.

4. auto-revisionismo pseudo-filosófico-poético de madrugada tendo aula amanhã às 8h e precisando ainda ler uma pá de coisa é dose. auto-masoquismo. self-masochism, porque em inglês é mais bonito.

5. buddypoke podia ter mais opções. do tipo: beto está se sentindo torto. mas bah, resolvi o problema, desfiz o meu.

6. tarôt filhodaputa! 10 de ouros cruzado com ás de espadas MY ASS! dédalo MY ASS!

7. falando em desejos contraditórios, como conciliar querer não ter amarras à vontade de ter grana? (ou porque cafés frappes não nascem em árvores?)

8. aquele dia bonito, que imagino que foi o primeiro dia que constatei, na minha vida, que as aleluias brotavam juntas do chão, e provavelmente de uma hora pra outra, foi bonito pra caralho, não foi?

9. eu queria me ler em alguma das entrelinhas do seu blog. bet you do want the same. ha ha!


10. às vezes eu rio como se chorasse e a recíproca é mais raramente verdadeira.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

vespertino

aurora no carro, a tarde me vem quase cegando os olhos, o sol não queima, só brinca, risonho, faz criar daquelas sensações de que é gostoso, mas dormir é muito bom, oxe!, como é bom, é meu casulo, não é com você, nao é comigo, eu sei lá, ao mesmo tempo é comigo, com você, com todo mundo, e sempre que eu perder minha voz, um sonho, pequenas luzes, glóbulos dourados flutuantes, como aqueles rastros de fotografia que dizem que são espíritos, ah esses espíritos brincalhões e risonhos!, como o sol, como a aurora no carro, pelas ruas, às vezes a trinta, às vezes a oitenta, a mesma via, desfazendo suavemente, isso não é para ser um derrame, isso é para ser uma poesia pagã, uma espécie de homenagem, um roubo gelado que acalenta um fim de tarde, ou um começo, ou um meio, essas tardes que se tornam minhas manhãs de recomeço e dádiva, um lugar escondido, ninguém encontra, só eu e estou lá e é quase inexplicável, ou totalmente, como aquela tulipa na porta do prédio caída do céu, o sol na minha boca, uma citação, como isso que remete a mim, diretamente a mim, que não sou só mim, a vontade machucada e machucando, os escapismos, ler sobre milhares de pessoas e pensar nas muitas mais aindas possibilidades, eu vou e volto a mim, e revolto, a terra machucada, queimada, depois renascida, as cascas rígidas, pelo solo as muitas folhas, o degelo, como o problema em um eco e uma mancha, moinhos em uníssono.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

teoria da amizade

após bastante observação empírica (e ah!, ele tinha material para isso!) resolveu, singelamente, juntar os dados num esquema maior pensando: "tanto faz... ou vai ser ignorado, ou vou virar dono da minha própria igrejinha teórica". com vocês, o resumo de Por Uma Teoria Funcionalista dos Grupos de Amigos:

Nas situações sociais convencionalmente chamadas "amizade", mais especificamente pelo que se entende de grupo de amigos, no qual seus membros se engajam em situações recorrentes e recursivas de afeto, confiança, apóio mútuo e discussão de relação, percebe-se a regularidade de certos papéis por meio de repetições.

Há o eixo central, podendo ser constituído por uma ou no máximo duas pessoas, que se mantém razoavelmente estável enquanto todos seguem como que gravitando nos entornos. Eis o início do esboço de uma tipologia, com os tipos identificados até agora. Salienta-se que não são utilizados como tipos-ideais, a correspondência empírica se dá com exatidão. Segue-se:

Há os tipos A (arroz), aqueles que são encontrados em fotos antigas e poderiam ter vingado mas escaparam da característica da regularidade, tão cara à reprodução e compartilhamento das práticas.

Os tipos R (riscados) são aqueles que, desde o início da formação do grupo ou seu ingresso no mesmo, indicavam a tendência de surtar grande no sentido de uma egolatria negativa e não terem mais seu convívio tolerado. Acabam, por fim, realizando sua sina.

Os tipos D (dull) demonstram uma ou mais das seguintes características em diferentes arranjos, constituídos marcantamente por degenerações progressivas. Dentre os focos , destaca-se a perda da capacidade de manter a sanidade mental e o senso de realidade, perda do auto-controle corpóreo, perda da percepção externa, perda do foco e da atenção. Em casos agudos, verfica-se a perda da capacidade de ficar acordado.

Os tipos M (malcomidos) apresentam a característica distintiva de estar à parte dos processos de sexualidade tão característicos de contextos de juventude. A partir daí podem qualificar M+ ou M-, o segundo caracterizando a tia solteirona rabugenta, enquanto o primeira caracteriza a tia solteirona solícita e risonha.

Os tipos T (tradicionais) são aqueles que sao tranquilamente tomados como parte, talvez até, do eixo central do grupo. Seguem as práticas recorrentes, possuem senso de realidade, e tendem a ter relativa autonomia de margem de ação no sentido de introduzir novos valores.

Interessante notar que acontece, intra-grupalmente, frequentemente intercâmbio entre os papéis. Um tipo A pode se tornar um tipo D. Um tipo M pode perder tal caractere e acabar revelando-se simplesmente um tipo A. Mas o mais comum é que o tipo T migre: comumente para os tipos M, D ou R.

sábado, 4 de outubro de 2008

apelo

seres humanos, morram todos, e de uma vez só, e com muito sofrimento








(e uma vontade imensa crescente de ser orgulhar de ser um nojo)

picotando revistas, em partes

ela está pior, tenho certeza disso,
e é extremamente uma desgraça,
tudo que precisamos é de um pouco de salvação,
de coisas simples como um pouco de mel e pêssegos frescos
na beira de um mar com vento pouco
e muito amplo,
e que ela me diga que agora sabe e agora tem
norte
(com asas e tudo, diga-se de passagem)

ela está se enovelando, como se fosse um gato,
ao brincar consigo mesma, rolando pelo chão,
por sob o tapete, sentindo em si as próprias unhas,
cravando fundo pra ver se sob, sobretudo,
acha-se
(ao perder-se, que se explicite)

ele está dizendo,
mas eu sou tomé,
e preciso do toque de midas
pra que as coisas voltem a ter algum brilho
(mesmo que nada volte, de fato)

ela está roendo a si mesma
de rogar a quem seja
que nada seja assim
e que consiga levantar e viver,
ah!, essas coisas banais
que a gente espera tentar
usar para preencher, repete repete repete,
repita
(e é um medo que fins sejam finais, permanece)

ela, sem amêndoas,
com jujubas que não me alimentam,
com estiletes que não me entalham,
com mãos que não me sufocam,
ou não exatamente isso,
só se fosse, que fosse
(nome estranho que é isso, omisso)

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

high and heavy

1. eu queria simplesmente conseguir te odiar;
2. eu queria que você nunca tivesse existido;
3. eu queria que muito disso fosse verdade;
4. eu queria jamais ter querido;
5. eu

estanho

dia, semana

terça-feira, 30 de setembro de 2008

seria uma pena se não

si si si, como se fosse a nota músical, nós de nós, sabe? bem aos poucos se enredando, formando tapeçarias bonitas, padrões que nos fazem lembrar de tempos distantes, quase ancestrais, uma vovó na frente da fogueira e balança e que conta histórias de quando ela conseguia se transformar em nuvem, ou de uma espada que era feita de água e cristalina e por ela raios de luz em arco íris, toques leves de todas as flores, ela sempre dizia, mais a frente uma rosa, minhas palavras são pétalas, são espinhos, e hoje eu pensei em te levar algo, uma folha, e dizer que era tudo uma questão de alteração morfológica, e se você risse?, ah!, eu ia gostar tanto!, gosto tanto mesmo, chocolate e café sem açúcar, sabe?, dessas assimetrias belas quase, desses quebra cabeças, dessas vozes quase roucas se fossem ditas do tanto que poderiam ser, dessa vontade de se perder num encontro, sem perder, sem se encontrar, você entende?, sabe?, dessas repetições chatas, das coisas que preciso ouvir mais vezes para que fiquem cravadas, firmes, como a pedra que não se revelará uma armadilha, no meio do caminho, sabe?, referências, eu roubando cada uma dessas coisas, esse tanto, sabe?, um ladrão vil e sujo, falho, humano, é bonito isso, sóis que se chocam sem eclipse enquanto chove bom rindo meio gostoso gargalhadas jardim-de-infância sagradas,

domingo, 28 de setembro de 2008

come with me

eu sei que eu só poderia viver essa vida que vivo e ao mesmo tempo vivo outras, as de que ouço falar, as das quais vejo, o de todos que vieram antes e que jamais conheci e que agora sigo também de certo modo porque eles seguiram e disseram que precisamos construir incessantemente, eu sei dessa minha vontade recorrente, mas não com tanta frequência, de deglutir o mundo e querer fazer parte de tudo, eu sei sentir que outros também amam e querer amá-los por isso e querer saber de cada coisa de cada canto, eu sei dessa vontade de que o dia tenha mais vinte horas ou que eu pudesse dormir muito menos do que me soa aos ouvidos como necessário, sei que ouvir essa música repetitivamente pode me fazer enjoar dela, sei que os sentimentos ternos de agora também são doloridos, e não sei bem porque, disso não sei, alguma consciência de que as coisas vão embora, (ou uma dor de saber que não sou eterno nem onipotente ou onipresente ou onisciente), uma percepção torta da transitoriedade e do quanto tudo tem tanto, e quase simultamente, (ou ainda assim preferir ser incompleto e poder sentir isso), e do quanto consigo amar de forma estranha essa merda toda, e do quanto também minha prosa é dura mas meu sentir é pesado, mas não duro, porém pesa mesmo toneladas, mas consegue ser doce, dolorido também, vontade de declarar amor em vão, fugaz amor em vão, sabendo do fim, sabendo que existem momentos em que nos esmaga inclemente tudo que é horrendo, mas mesmo assim, and yet we go on, isso é um estar bem dos mais estranhos possíveis mas dos melhores.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

pequeniníssimo, quase invisível

até entendo essas nuvens, acho que já estive por aí, brincando de pula-pula, algodão doce... mas acho que agora prefiro essa lama e esse lodo. é chato saber que eu deveria estar em outra vida para que as coisas fossem diferentes. ou que você espera essa luz sendo que te dou esses véus,

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

se eu voltasse a ser um trovador (ou: confissões de um pobre tolo possessivo)

gostava quando parecia que em minhas mãos eu tinha um violão, e lhe fazer dançar bailar pelo salão, dava-me então a mão,
e eu aninhava minha cabeça entre seus cabelos, maiores na época, meio indefinidos, fazendo com que você parecesse mais nova, e aquilo era quase um terreno seguro,
quando era mais fácil dizer-lhe as coisas belas que eu não via, mas agora que as vejo e as sinto não lhes tenho mais em palavras, ou mesmo sentir que mentir era como criar, exatamente análogo, e ao inventar uma qualquer besteira que ligasse as luzes do céu a qualquer coisa que envolvesse qualquer coisa que lhe fizesse qualquer efeito parecido com querer-me,
que fosse bem, que fossem mal,
intolerável ver que tentam, ou utilizam, dos mesmo artificios,
pra lhe arrancar sorrisos,
que são arrepios, que são tonturas,
e eu não tolero,
absolutamente não tolero,
que alguém além de mim lhe faça
sorrir

domingo, 14 de setembro de 2008

E Agora Me Deito

Espero que tenha tido a capacidade de enxergar meus sinais por trás da opacidade que parecia envolver meus gestos, e mais ainda, que jamais chore ou queira me procurar, mesmo que saibas exatamente para onde vou. Rogo que me trate exatamente como faz com suas páginas, com seus amores ou amados ou amos grafados em letras, fugidos da imaginação de outra pessoa que não pensava em ti ao escrever, mas que, dizia você, tocava alguma coisa que se poderia dizer ser a alma humana. E como sei que os busca, ao ter saudade, apenas lendo-os, e sabes bem, por outro lado, que não os encontrará para dizer uma palavra de acalento, que jamais lhes faria ver um pôr-do-sol com você, ou comer de seu dito fabuloso ensopado. Quero que pense assim também, de mim, mesmo que saiba meu paradeiro, mesmo que saiba que eu ainda exista de alguma forma. Melhor: que deixe de saber, que deixe que tudo fique registrado naquelas velhas cartas. Junte-as, faça delas um livro, e finja que elas não foram escritas diretamente a alguém. Pois bem, que talvez, não tenham sido de fato, senão a mim. Pense em mim sempre como se eu fosse o tilintar de moedas que estaria dentro de um cofre ancestral, lá no final do arco-íris, sabendo que por mais veloz que corra, nada, e as cores reluzentes que aos poucos, no céu, esmaecendo, nos revelam a verdade da vida. Acima de contestação, muito maior e mais ridícula do que qualquer palavra ou sentença ou gesto, e tanto eu como você sabemos como fui redundante nessa enumeração. Não faz mal. Nem bem. Simplesmente não faz.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

como uma praga, como psicografia

os meios que não consonam enfim, puro caos, entrópico, autofágico, grande explosão ao inverso, grande nada, mínimo de tão oco, insipído, incolor, inodoro, que não conflui, que não faz, as conjunções que não, os mapas que se queimam ao se acender a vela para melhor vê-los, o esmagar das circunstâncias, um choque de um navio contra um penhasco, um corpo que se joga ao alto para então beijar por fim o abismo, depois de tanto de encontro calor vida ar puro mescla, longo café amargo vem, longo beber vômito, engolir tudo quanto necessário para que se continue vivendo mesmo assim, saber do novo e do velho, ter a consciência de todo o cansaço de todos os homens desde o começo da humanidade e ter a consciência do unívoco de cada traço e do universo de cada vírgula, mas é nada, é o nada, é o não completo, é o extremo desse não, é aquele resfolegar que a palavra não tangencia, que a agência não alcança, é o derramar-se de si em ruídos que são lacunas, é o deletério da concretização da eterna ausência do deleite, não te encontrarás em si, nem saciedade, e nem ao sono te deitarás como um mesmo, e nem te encontrarás ao mesmo em sim, nunca nunca extremo, escapando sorrateiramente, é a sina, é o som nenhum de um grito desesperador horrendo feio morto defunto que ninguém ouvirá em seu inteiro, átimo de nulo devorando, cêntimo de calo rasgando, jornadas que venham e que vão e nada se repete em nada nada nada e é nada que se tem e somente isso é nada.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

des peso

mesmo com o puta calor, olhar para a esquerda a oeste e ver o sol alaranjado para caralho e pintando tudo meio de ferrugem é absurdamente bonito e absurdamente absurdamente plenificador. qualquer coisa assim.

sábado, 6 de setembro de 2008

besteirinhas

1. estar aqui significa postergar os estudos. ok. mas toda e qualquer coisa implica em postergar outra coisa. tudo que faço, na verdade, é postergar a morte!
pronto, me convenci que é ok ficar mexendo no computador ao invés de fazer as resenhas que tenho para amanhã.

2. vai ser um teste interessante falar menos do que sinto. normalmente o inverso ocorre com mais freqüência, e como sei que me faço à medida que falo, e assim também falho, e qualquer outro trocadilho besta, repito que vai ser um teste interessante e depois vocês saberão do resultado. (e sobre isso, uma interpolação escrita postumamente, pois que depois da morte do parágrafo anterior: hoje mesmo, ao explicar que prefiro arte que fuja da realidade, percebi que de fato prefiro arte que fuja à realidade. não, não tou falando de super-heróis. foda-se, preguiça de explicar.)

3. será que meu corpo está desenvolvendo resistência à cafeína? e agora?! isso, sinceramente, é desesperador.

4. interessante por vezes pensar novamente que é possível pensar de outro modo. desinteressante notar que você já sabia que era possível pensar de outro modo e isso simplesmente não, diabos!, alterou seu modo de pensar. interessante pensar que uso umas interjeições na escrita que eu não uso no dia a dia. e foda-se, por fim, o que é interessante ou desinteressante porque acabei por falar nada com nada.

5. tenho que pensar que a necessidade de confissão envolve a necessidade de movimento. não sei se por fora, mas como se uma constituísse a outra, mas sem saber se uma origina a outra. ou se são dois filetes de água brotando da mesma fonte. ou se, diabos novamente!, são só fatos de mim que escapariam de uma tentativa boçal de genealogia. ou, vá lá, pra não se auto-valorizar tanto, fiapos de mim, e mudando o eixo de perspectiva de si mesmo: enquanto colcha de retalhos. o que me lembra, deixo claro, minha avozinha costureira. (na verdade eu ia falar que lembra o conceito de cultura encontrado na mead ou na benedict, não lembro, e criticado pelo radcliffe-brown, isso lembro, mas resolvi deixar o pedantismo entre parêntes pra soar menos, diabos com o problema da redundância!, pedante)

6. o que freud diria com tantos diabos pelo meu texto? melhor ainda, o que jung diria?! extrapolando mais ainda: o que marx diria? "aaah seu burguesinho preso na super-estrutura que não consegue ver que, na verdade, você está simplesmente postergando o movimento da história!"

7. preciso contar ao meu irmão que me deu uma onda bizarra recentemente de ouvir blind guardian. ele vai ficar tão orgulhoso! :)

8. arbitrariedades aleatórias são legais.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

lembrai sempre

"Rapidamente, como se algo a requisitasse ali, voltou-se para a sua tela. Lá estava seu quadro. Sim, com todos os verdes e azuis, as linhas subindo e se cruzando, a tentativa de alcançar alguma coisa. Seria dependurado no sótão, pensava; seria destruído. Mas que importa?, perguntou-se, tornando a pegar o pincel. Olhou os degraus: estavam vazios; olhou a tela: estava indefinida. Então, com uma repentina intensidade, como se pudesse vê-la nitidamente por um segundo, traçou uma linha ali, no centro. Estava pronto; estava acabado. Sim - pensou, pousando o pincel, com extremo cansaço -, eu tive a minha visão."

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

tentativa de resposta a alguém (e a mim)

"Then looking upwards
I strain my eyes and try
To tell the difference between shooting stars and satellites
From the passenger seat as you are driving me home.

"do they collide?"
I ask and you smile.
With my feet on the dash
The world doesn't matter.

When you feel embarrassed then i'll be your pride
When you need directions then i'll be the guide
For all time.
For all time."

terça-feira, 26 de agosto de 2008

de dois momentos loser atemporais, mas nem por isso constantes

da percepção da ficção de uma impotência:
antigamente eu cantaria ''take me out tonight'' e soaria cem por cento verdadeiro.
hoje tenho um carro e o incômodo permanece.


e já que eu ando meio nacionalista:
"Quando de noite me der / Vontade de me matar", como diz bandeira, só que eu desfiz qualquer pasárgada por hoje, eu só respiro e rio desse niilismozinho xinfrim de fim de noite.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

e caronte nos disse

a realidade que nos é circundante é um texto que é escrito e apagado incessantemente e descontroladamente em alguma (grande ou pequena?) medida.

a consciência de que lemos esse texto e o acessamos das mais diferentes formas por meio do que entendemos por linguagem faz pensar que o que é coerção é também possibilidade de ação, e a seguir, criação. escrevemos o texto também, assim como o lemos, co - cons ti tu ti va men te.

tanto por cópia, como por leitura, como ladrões por vezes, dessas palavras que foram dadas, desses significados que me postos a mão, tijolos (possibilidade de construção e possibilidade de arma), desse caminho contra o qual se luta e ao qual rendemos bençãos.

e isso faz pensar em ulisses e seu auto-controle quanto ao canto das sereias, mesmo que eu tenha lido mal a odisséia. é uma jornada, há um direcionamento, destino se faz na polissemia, tanto por onde se vai, como para onde se vai. a consciência da historicidade, da casualidade e da causalidade que são compostas pelas exatas mesmas letras.

ser à deriva e ser a deriva. a possibilidade de entendimento. o paradoxo que funda e afunda.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

"alegria de rico"

já que isso é uma contraposição à "alegria de pobre", vá lá:
não conseguir comprar o tocqueville, mas um bom de um virginia woolf há muito procurado. conseguir comprar o foucault e de quebra achar um sacher-masoch. perder um papel importante, mas ainda assim cumprir com algumas das responsabilidades. tomar um milk shake ruim, mas abastecer o carro a um preço razoável e ainda ganhar uma lavagem de pintura das boas.

besteirinhas bobas, mas que dão uma alegria também das bobas. tem sido importante.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

sem deixar entrar luz em casa

um dia vens,
me abraça, me enlaça, me arrasta, me arrasa,
e depois,
seu toque,
consegue mudar as cores do crepúsculo,
deixando tudo mais cinza,
mas sem perder o carmim,
que derrama, silente e incessante, óleo pelo asfalto,
à espera de um acidente de carro,
que com suas luzes, como fogos de artifício,
como um chamariz,
esclareça os caminhos e proponha uma
dança,
só que louca dança sem cadência,
decadência, deca dance,
com anéis jogados pelo chão,
misturados,
junto aos dedos decepados,
já que o que está cravado na pele,
dizem,
o que está profundamente cravado na pele,
persistem em dizer,
não se remove com água e sabão,
e acaba por exigir das cartas um parecer,
qualquer coisa com extremismo,
uma solução incisiva, quem sabe,
pois que podemos encontrar um bufão ou uma dama ou uma espada,
ou mesmo escritos fajutos, tentativas de traduzir nada,
e montando aviões, arremessando em direção à sua
alta torre de marfim sacrossanta,
meu medo é, veja,
que meu gesto faça cair por terra
o esboço desse castelo
(ou o castelo desse esboço, ou pior:
o esboço encastelado,
eterno desenrolar do espelho sobre si mesmo)

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

de rotas de fuga

podia ser verdade. podia ter verdade. podia haver a beleza de fins de tarde na grama, olhando as sombras que as árvores fazem nos carros, brincando de vertigem, se irritando com mosquitos. podia ser um cigarro se apagando aos pouquinhos, quase como um choro baixo. podia ser uma madrugada menos voraz, um sono mais clemente, um cinzeiro que me cause menos vontade de dizer coisas bonitas que eu não sei mais com que letra começam. podia ser mais fácil, repetindo, podia ser mais fácil. podia haver mais esforço. podia não haver o sono, ou mesmo a vontade de dormir, e que tudo fosse daquelas densidades, parecidas com a imagem de um tumor se espalhando pelo corpo. podia ser menos estranho pensar nos dias que virão. podia ser menos estranho pensar nos dias que se foram. podia haver mais doçura, ou que a acidez e o amargor fossem mais constantes, algo de menos fluido do que esse todo rodeante, circundante, vibrando, incomunicável, imenso, etéreo, fictício. podia ser menos adolescente, menos quase-vinte-anos, menos vacina-contra-rubeóla-só-após-domingo. podia haver entedimento, sem pouca luz, uma certa tomada de rédeas, ou uma brincadeira com conta-gotas. podia até haver mais tarô. podia ser que fosse brincadeira, antes que tudo virasse um jogo, antes que a estação das chuvas viesse sem que tivesse comprado um guarda-chuva. podia ser outra parede a minha frente, outras em volta, outro piso, outro teto. podia ser medalhas de ouro após esfolar os joelhos. podia ser uma consciência menos de enlaçe e mais de assombro.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

minha lástima

meu cansaço, minha lástima,
é de tão cansado que ao começar a se dizer,
vai meio que lento de início e então acelera tanto
quase sem fôlego a ponto de que se fosse preciso fazer com que tudo fosse conciso não se conseguiria e é uma repetição verborrágica de faltas de sentido e setas de orientação e mapas queimados no meio e qualquer dessas coisas meio que com um quê de um soco, minha lástima,

e de tão cansado que se segue,
eu me perco,
e ao contar uma história de cavalos,
ou cavalgadas,
ou cavalhadas,
saio de cascos ou cowboys ou pirenopólis
para amendoins e manguezais,
ou mesmo para lugar algum ou coisa, minha lástima,

e é então uma lástima que eu não saiba lhe dar um nome,
mesmo que eu quisesse,
porque, veja bem, minha lástima,
eu não quero,
imagine esse não em itálico,
bem enfático,
levemente cortante,

mas não por ser lâmina, não para roubar seu sangue, minha lástima,
mesmo que seria necessário jogá-lo ao chão para que desse chão,
tão acinzentado e fosco, pobrezinho,
mesmo que pouca, fosse a fertilidade,
mesmo que ainda que,
e já fiz o suficiente, minha lástima, de concessões, é o que você diria,
se existisse, sentada no sofá amarelo à minha frente,
que se assemelha levemente, que seja dito bem de passagem, como no cruzamento de duas avenidas,
a um que está na casa de um tio,
e que mesmo que eu só tenha tido a oportunidade de vê-lo uma vez ou duas,
está fixo na minha cabeça e cortando, portanto,
e o não não era enfático, exatamente enfático, minha lástima,
mas incisivo,
uma chuva de ouro por sob sua cabeça
e mel e flores e perfumes e bençãos e
aqui estaria nosso éden, minha lástima,
é que tudo seria perfeito, minha lástima.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

de qualquer bobagem com fumaça e restos

chegava a ser muito patético, aquilo tudo, você numa cadeira de balanço ou alguma espécie de coisa parecida e eu, esparramado pela cama. e eu lhe perguntava se os pensamentos faziam linhas ao mesmo tempo que, de olhos fechados, nos via como leões e como crianças que brincavam em algum país distante e inóspito. nem um pouco tropical, em contradição com a música que tocava, que você pediu que tirasse pois ela lhe retirava do bem de si. e eu, ali na cama, pensando sobre como queria simplesmente lhe convencer e não lhe entender, e eu era todo expectativas projetadas e um gosto quase de fel e uma vontade de rir descontroladamente que raras vezes se materializava numa espécie de suspiro. e uma vontade de fugir do sono por medo da morte, esta mais presente, esta reptícia, meio sibilante, quase que eu sentia seu resfolegar no meu cangote enquanto eu queria que os vestidos pelo chão fossem outros que não os que jaziam e antes disso eu quebrara um copo e eu era o copo quebrado e todas as minhas vontades alvejadas e não mais almejadas e toda a necessidade de dizer meio que fi can do par ti da em pe da ços

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

i'm alive

eu choro com filmes, e reconheço que estou vivo, e é quase um leve embebecimento, e um esquecimento das mazelas, ou não exatamente, mas como se também elas reforçassem e explodissem tal sensação, como centenas, não, milhares de bombas ao mesmo também,

e é simplesmente esplendoroso estar vivo, magnífico, do mais absurdo êxtase, e é mais ou menos isso, mas mais longo que isso, e resvala, por vezes, no amor que salva,

quase de forma irremediável, e na necessidade da comunicação, da construção de coerência também, por mais que esta não seja nem de perto, nem de longe, nem de distância alguma, a negação da incoerência geral das coisas, acontece que,

por vezes, o incompreensível não é tão dilacerante, e é como se ele se tornasse então tão repleto em si, tão vasto em sua incomensurabilidade, e uma beleza que esmagaria se captada, e a idéia de plenitude tomando todas as coisas de sopetão, jogando-as ao chão, pisando nelas, fazendo jorrar por todos os poros, soberana, majestosa, ilibável, e isso é se sentir vivo, nem de perto se cortar para ver o sangue escorrer, é, enfim, como sentir que apesar de, apesar de nada fazer sentido é tudo. é tudo. é tudo,

e a consciência da morte é indissociável dessa consciência de vida, uma fica como que uma marcação perfeita da outra, o compasso oposto, aquilo que dá beleza a outra, que faz com que um não pareça tanto um caminho estranho e sem vagalume ou vago luzir qualquer, e isso, nada disso faz querer viver mais, ou querer viver menos, ou com mais força ou menos, pura e simplesmente faz,

é como olhar para a mesma coisa factralizando-a a cada vez, e em cada imperfeição nada há de asqueroso, ou como se o próprio terror das coisas torpes, desse surgisse a possibilidade de algo que supera, perpassa, transborda,

o significado diluido e o urro do significante.

terça-feira, 29 de julho de 2008

terceiro pedaço de uma série de respostas (que também são perguntas)

(...)

2. suas letras pequenas chegaram a mim com uma surpresa. um leve contentamento de me ver presente, já que eu gostaria de estar em todos os lugares ao mesmo tempo. não é tão brincadeira assim dizer querer ser deus, exceto se eu for pensar que poder implica em responsabilidade. mas logo qualquer joguinho de lógica me faria pensar: não, poder é só poder e ponto. e de suas letras pequenas eu vi um mundo meu também, de uma caligrafia que não existiu, pois que ela logo vem materializada em qualquer coisa dessa frialdadade, da mesma que materializa essa minha, eu vi a mim que existo e penso que sim, parece que é assim mesmo como você relata.

(...)

7. não venha me dizer que eu deveria analisar as coisas da mesma forma que vocês, não me faça pensar que as possibilidades de abrir mão são as mesmas, vocês não conhecem nem a metade do meu universo e se confundem quanto ao que deveriam fazer a respeito. aceitar? beijar na testa? crucificar e torturar? vocês não sabem direito, e que ódio tenho, que ódio tenho de minhas culpas e do fato de que assim que você fala, brincando de porta-voz da verdade, ao mesmo tempo que diz que eu deveria estar aberto à percepção do erro, você me faz sentir que eu deveria estar seguindo sua vontade (e eu de fato sinto que deveria fazê-lo então - o que é ainda pior) e não se aproxima de tentar pensar que você talvez estaria errado. e mais uma vez, condescência geral e nada como tentar se culpar enquanto eu gostaria de simplesmente brincar de chacina. sendo assim, eu imagino que você poderia pensar também que vocês estão errados. e sei que eu deveria estar fazendo milhares de coisas que se traduziriam em resolver minha vida para poder fugir de tudo um pouco à beira de uma praia. ou tentar morrer no mar de novo. e não fazer essas milhares de coisas só faz de vocês mais certos. e nesse caso, mais do que em outros, eu odeio muito errar.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

segundo pedaço de uma série de respostas (que também são perguntas)

(...)

3. em resumo, tente entender porque estou aqui na frente, e não deveria estar aqui na frente, porque me visto de sílabas e tentativas e deveria estar longe daqui, fosse que fosse sonhando minhas frustrações (e é claro, é auto-condescendência e auto-piedade, aliás, já que estamos em parêntese, preciso dizer, tenho NOJO IMENSO de auto-piedade e então agora NOJO IMENSO DE MIM MESMO, bem em caixa alta, pra ficar uma ênfase dramática e meio histérica, bem teenager) ou fosse que fosse tentando concretizar uma qualquer coisa no mundo, meio que palavras, ou gestos, comunicação no fim das contas. só que hoje não quero. e não é tão fácil, não tão fácil mesmo assim, ou assim mesmo, ser escravo de si mesmo, e platão riria de mim, ou renato russo depois de chupá-lo.

4. quanto a uma certa ausência de respostas, tenho minhas explicações, e elas estão por aqui espalhadas. não sei o que esse 'aqui' quer dizer. se é referente a este escrito de agora, aos outros, ou ao que está dentro e não saiu.

(...)

quarta-feira, 16 de julho de 2008

primeiro pedaço de uma série de respostas (que também são perguntas)

1. é que não faz diferença perceber que seria possível fazer algo a respeito se você não sentir que poderia fazê-lo. é quase como imaginar a possibilidade de construir uma ponte que fizesse possível a travessia mas não ter o ímpeto, ou não ter a argamassa, ou não saber projetá-la, ou sentir que a primeira chuva vai derrubá-la, ou até notar os pés afundando à medida que se tenta carregar as pedras e pensar que calejar as mãos assim levaria apenas à completa perda de sensibilidade nas pontas dos dedos.

(...)

5. e a respeito de várias promessas de passados, de pessoas que esmolam ao redor ou até de fariseus, que fique, por agora, um grande MY ASS. sim, bem garrafal e dramático.

6. e de covardia: é claro que eu não conseguiria enunciar esses retalhos de frustrações meio desencontradas a ninguém especificamente. mesmo que por entrelinhas sutis ou, extremo oposto, com as mais explícitas palavras. quanto mais impessoal melhor, pois que não mais verdadeiro e então assim menos danoso. não estamos dançando em campo minado minha gente, só eu estourei minhas pernas por enquanto. e sozinho. deixem que tudo fique assim até que talvez tudo exploda no dia de um possível juízo final. (auto-alfinetada: ah!, sim!, você gosta MESMO de brincar de deus!)

(...)

segunda-feira, 14 de julho de 2008

o refrigerador agora está funcionando

não há inocência, por aqui, ele disse, com algumas pausas, meio irregulares, quase uma gagueira, besteira alguma, ele disse, ficaria nesse altar, isso ele não falou, que não ficasse pedra sobre pedra, aí então outra pessoa falando, enquanto, e o cigarro se acendendo, e um cão que latia, mas nem poderia, completo isolamento, quase um aquário, tantas fotos, poucos fatos, porcos tatos, jogue tudo pelo liquidificador, sim, é certamente um trocadilho genial, e foi ela que disse então, e perguntou, você, interpreta o tempo todo, e é aquela coisa, não é, que se focarmos o olho fixamente, em pausa, sob qualquer coisa, ela do familiar, não mais então, o que, comunicação, não, semiótica, também, espelhos, não temas, ela disse, ou foi ele, a ausência de temas, mais um jogo, não é amarelinha, nada de interrogações, é o contrário agora, não é você, quem foi então, é melhor, ou pior, tenso e tênue equilíbrio de mundos em bolhas de sabão que se chocam e explodem por quanto tempo puder ser e se é intensidade que se busca mesmo que não se diga é então de alguma forma e o que não se diz e a ausência de coerência e as bolas de neve e os aeroplanos e os apitos e a elasticidade e tudo isso logo longo logo denso logo extenso logo imenso sempre novo só repetido como performance como suspiros, ou soluços, ele disse interrompendo.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

do resultado

umas dores mais fortes, tão mais fortes, como se as paredes fechassem o ar e a asfixia pusesse ardência no peito. a tontura não salvou ninguém, muito menos o descanso, menos ainda a vertigem, de forma alguma o perdão. não há sossego, não há trégua. as garrafas vazias são as testemunhas, porém as provas do crime já foram ocultadas, as manchas pelos cantos e o restos de maçã. doce, maçã, qual é o doce mais doce?, de amor, talvez-não-sim, parecendo festa de são joão. gêmeos foi o mês passado, câncer é o mês presente, leão é o mês seguinte, e todos os dias que se passam então ficam cravados na pele, escândalo todo esse, o chão é só água agora e não há banca de júri. quanto a mim? esconder-se atrás de palavras ou da ausência delas.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

como se fosse uma cena de filme

um grupo de amigos, vinho barato, queijo e salame, jazz, depois músicas variadas, caetano em londres, risadas, Giulietta degli Spiriti ao fundo e suas imagens de frustrações e seu reencontro e paz finais, e garrafas ficando vazias, cigarros nos cinzeiros repletos, pouca iluminação, pelo chão mochilas e bolsas e sapatos, na parede tons de vermelho forte, tão forte!, e truco, mei-pau, nove, doze!, e sou eu agora

segunda-feira, 7 de julho de 2008

miscelânea de fatos ou observações aleatórias

1) cansaço-número-um: tou cansado de sonhar que perco os dentes. que merda. :(

2) eita-porra!-mais-cansaço: tou cansado dessa coriza filhadaputa. tou super "o menino catarrento da escola".

3) momento sou-muito-legal da semana: ler um conto pseudo-100%-erótico do caio fernando abreu, dentro de uma igreja evangélica, durante o casamento de uma prima um ano mais nova que eu, faz a gente se sentir meio herege.

4) da minha relação com passado e memória:
eu compulsivamente copiava do celular para o computador, digitando manualmente, toda e qualquer mensagem que eu enviasse ou rebecesse pelo meu celular. todas mesmo, até as mais idiotas. pois bem, pretérito imperfeito. isso recentemente mudou.

5) de aproveitar coisas do passado: peguei lá em casa uma agenda antiga, de quando eu tinha, sei lá, oito anos?, que quase não foi usada. também um caderno do brasas, também quase não usado. a agenda é o do flamengo e foi autografada por alguns jogadores do time após um jogo que fui. inclusive, pasmem!, pelo romário.

6) sobre utópicos e/ou revolucionários:
ainda bem que eles acreditam. ou que nunca conseguem tudo. ou 'que pena' para ambas as coisas.

7) reflexões sobre eternidade, inconstância, medos e elefantes: é
engraçado todo esse sentimento e tentar entender como a minha relação com o tempo, com a morte, com as mudanças, define tanto o que sou no meu dia a dia a respeito de desejos e projeções. talvez com todos? sei lá. mas comigo é numa medida que acontece de eu pautar muito minhas relações pela vontade de eternidade. é uma sina bizarra.

terça-feira, 1 de julho de 2008

dorme enquanto é tempo

um som com cor, gosto e cheiro de café
para manter acordado enquanto
à frente só se vê um filme chato,
e duas e vinte e quatro da manhã são quase oito horas
e eu não vou dormir hoje,
eu não vou dormir hoje,
para tentar ver o momento exato em que as coisas deixam de existir
que acontece sempre quando, imaginem!, durmo.

eu aperto meus olhos,
eu já lavei a louça,
eu não tenho outros temas,
eu quero que isso seja uma ficção,
eu quero que isso seja uma ficção,
e eu canso e olho pela janela e vejo o mar.

na minha cama você jaz ouvindo meus resmungos,
ou nem sei se ouve mais, pois que não durmi, e quanto a você?,
essas coisas não se medem, e delas não vamos falar agora, você me disse,
e eu esbarrei mais uma vez no álbum de fotografias e ele caiu no chão
e tantas delas já estavam apagadas!, fiquei surpreso,
e um pássaro entrou voando pela janela e suas asas eram negras, mas
era um morcego?

eu percebo, enfim, que papel é feito de árvore,
e ao redor desta, casca,
e desta, chá,
e deste, a ausência de plantas em casa, um vaso que seja!, fica aqui como um apelo,
do alto desse décimo sétimo andar eu começo a estranhar as letras
e me perguntar se amanhã é mesmo o dia em que preciso
preciso, enfim, acabar com isso.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

resumo do semestre

"I sit in the dark light
To wait for ghost night
To bring the past to life
To make a toast to life
Cause I have survived"

"Show me the way
To the next whiskey bar
Oh, don't ask why"


e a dialética gera movimento. e é um feixe de relações caleidoscópico. parece um carrossel.

terça-feira, 24 de junho de 2008

adendo astrológico

mercúrio em virgem, vênus em câncer, marte em áries, saturno em sagitário.

sintomas de pieguice aguda

pieguice aguda é quando você ouve,

"i went to the doctor guess what he told me
guess what he told me
he said girl you better try to have fun
no matter what you do
but he's a fool
'cos nothing compares
nothing compares to you",

e acha a coisa mais fofa e linda do universo.

em uma palavra só:

fuga

ícaro aguçado

séeeeeeeeeeerios problemas de auto-controle

segunda-feira, 23 de junho de 2008

a mais recente definição de mim mesmo

não consigo me ater a meus isqueiros e a meus guarda-chuvas e a minhas prioridades quando racionalmente definidas.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

domingo, 15 de junho de 2008

Sem Ana, Baião

, e escrito em sua testa, ou em sua camiseta, ou em suas costas, ou em um colar que carrega no braço em letras garrafais PURGATÓRIO, porque, convenhamos. Inferno seria, sem dúvida alguma, por demasiado dramático, e bem sabemos que hoje em dia não são tão bem tolerados esses tipos de arroubos. Céu seria irônico e risível, por mais que tudo que fosse necessário agora era uma boa dose de comédia. E na jukebox só tocava alceu. Subindo aquele cheiro fictício, pobre e roto, espalhado pelas narinas, impregnando na pele meio que sagrado, meio que vil. A calça é só uma mancha de café de dias passados. Os olhos se tornam meio caleidoscópicos tentando se perguntar que dia é, que dia foi, que dia vai ser, que dia nunca seria mais do mesmo, mais do mesmo, mais do mesmo, como se fosse tudo cíclico, mas tão turvo, quanto se uma barcarola tentasse atravessar de uma margem à outra de um rio largo sem saber se há uma margem do outro lado, sem saber se, no meio do caminho, há um arrecife e ficará encalhado até que o sol faça com que toda a água suba e tudo se torne um mar de areia. E a gente se ilude, dizendo uma besteira dessas. Só que não adianta quanta cerveja se beba ou o quanto sonhe essa noite ou quantas risadas acaba que é tudo eco: nada de paredes fechadas ou de aposentos mornos e mantas xadrês azul-e-vermelho. Mês de são joão nada são, coração.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

a título de esclarecimento:

não, não cortei os pulsos. o meu organismo brincou de auto-controle inconsciente e estou aqui. até sorrio, acreditem.

terça-feira, 10 de junho de 2008

um recorte analítico

e no fundo, é tudo desejo. desejo é o motor básico de todo e qualquer movimento do indivíduo.




(do tipo: mamãe, virei budista)

novo mantra

atentai bem: tudo é dinâmico.
vede bem: é shiva que dança.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

poderia ser só miséria de segunda feira

duas pessoas se pegam no banheiro e é claro, voce quer as duas;
o teclado que é um momento de fuga do dezoito brumário falha com seus circunflexos;
todos os possíveis momentos de conversas longas no dia ficam meio que pela metade;
o sol vem forte e inclemente, mas não há praia próxima;
pela madrugada, de início das coisas, uma possível depressão: que boa notícia!;
repito: eles se pegam no banheiro;
conhecer a mulher da sua vida. ela é lésbica e namora um cara. e pra piorar: voce é broxa;
as quinhentas páginas de leitura estão por aí e só aumentando: não, elas não evaporam;
uma das duas pessoas vem pegar um preservativo enquanto isso, dá oi e tchau. nada de convite;
vontade de comer um pedaço de torta, das raras vontades de comer doce: é lógico que já tinha acabado;
e a tentativa de encontrar as mesmas satisfações em atos que não preenchem;
e a certeza de não saber formular perguntas;
e a constatação da falibilidade das palavras;
frustração por saber que nem o chocolate;
tampouco a cerveja ou sexo;
muito menos a longa conversa;
em outras palavras: nem nada do que voce imagine trará saída;
(talvez deus ou o ioga);
um celular toca: não, não é nenhum dos sete ou quinze amores da sua vida te ligando;
perceber que o casal agora está no banheiro única e exclusivamente porque voce é um impecilho;
supor que isso demonstra algo sobre seu papel na vida alheia e se sentir meio que dramático e ridículo;
quase rir;
constatar que pela impossibilidade de punição voce jamais conseguirá se estabilizar no protótipo de amor romantico que voce mesmo sempre quis;
incomodo também por ter saído da linha: no sentido mais amplo possível;
e todos perguntam como foi a porra da viagem, e voce queria era, de fato, ter morrido na praia;
uma brincadeira de si pra si pode tomar uma dose de verdade tão pesada, um suspiro mudo;
e o rir de desespero tem se tornado constante, ou talvez já fosse, e voce nao sabia;
saber que voce queria que as coisas fossem mais simples, como já as acreditou te-las visto;
imaginar que talvez de fato as tenha visto mais simples e agora não mais;
e o grand-finale: não ter certezas úteis.

domingo, 8 de junho de 2008

quase não religiosamente

ou beber até morrer.

quase religiosamente

vontade de calar a boca pra sempre. o cansaço me toma como afundando na areia de frente ao mar, e vontade de não dizer nada por já ter dito demais tanta coisa que vai embora que o mar leva, e é realmente absurdo pensar que estou de volta e por lá estou, completamente surreal, como a água que desce pelo corpo levando embora partes de mim a cada vez, e já que assim eu não sou mais o mesmo de o momento atrás e quero tanto que isso vá embora com menos pesar, certamente quero, e que o olhar para as ondas que vão em vão, sentimento de sagrado, oração ao nada, seja simplemente tudo, e por saber da infinitude daquilo, de lá veio o que entendemos por ser, lá pelo início das coisas, esse mistério, esse fluxo do vento frio e o mar morno e as águas daqui são melhores e de madrugada é medonho, tudo é do negror do piche, e esse mar, sagrado, imenso, e que mostra com sapiência que lá há tanto tempo está e que as ondas simplesmente se movem, e a vontade de morrer na praia, o cansaço de ter que encontrar palavras no futuro e para este, e de ter que andar e saber que é tanta areia por agora e o mar longe longe, as ondas não poderão levar meu óculos nem muito menos minhas sílabas mal-articuladas, meus períodos e orações, deuses e lodo!, essa maré traiçoeira levando pra frente cínica, mas tragando na volta, as lentes que se foram, agora com algas ou em migalhas, e sentado à beira da praia só me sinto como sempre parece que me sinto: fazendo castelos, com o vento que escorre agora rumo a oeste, lá onde o sol morre, mas de onde o sol nasce também é de onde vem essas nuvens escuras, esse negrume sem luz e sem graça, eu preciso é do excesso de sal e da minha pele ardendo, até que eu evapore completamente, de êxtase, de arrebatamento.

terça-feira, 27 de maio de 2008

de volta ao inferno astral

rindo de desespero, a lâmpada queimou, aliás, toda a fiação tá estragada, e a louça há dias na pia, e dá-lhe mais pratos e talheres sujos, e lavá-los então, ligando a torneira e postergando as muitas páginas a serem lidas para a prova de amanhã, e aí me lembro, me lembro também que o encanamento tá com defeito de novo e eu quase praguejo, e minhas costas dóem, e o chão já meio encharcado, jogo a camiseta que usei ontem e que estava pelo chão jogada para absorver a água enquanto, porra de dor nas costas, desgraça de intestino preso, as páginas pra serem lidas, as mil coisas pendentes que precisam de resolução, e não é pra agora, é para ontem, e a bendita conexão que não funciona no momento em que mais se precisa, e preciso, preciso de um banho, dormir, arrumar a porra da coisa de abrir a torneira, porque tá frouxa, e não consigo me lembrar se aquilo tem nome ou não, e a porra da coisa de abrir o chuveiro também e o corredor da casa já tá imundo, e além de tudo os muitos textos espalhados e pendentes e que continuarão ainda mais, e as vontades pendentes também, e as necessidades, ver pessoas chorando e ter que fazer uma merda ou outra de responsabilidade, ver pessoas morrendo e não poder parar, que desgraça, que coisa mais filhadaputa é essa na qual por vezes me enredo, (também faço minhas teias, digo-me, aliás, tenho pagado língua demais...), pensar se posso ou devo ligar para alguém de quem quero notícias se vai bem, ao mesmo tempo o cansaço por ter que correr atrás de mil outras respostas de outros assuntos de outros indivíduos, e a vontade de ir para o bar e beber até passar mal, ou de ir ver a casa nova do amigo, ou de rumar à asa sul e ver a outra amiga, ou de ficar sem fazer nada com vinte outros, ou de simplesmente sair correndo e querer que tudo evapore, e saber que é tudo culpa minha e que porra!, não há trégua, não há, não adianta.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

reiterando

que fique bem claro meu ódio à morte. quero que ela morra.

ou lembrar de lispector e não morrer em forma de protesto. e que ninguém também morra.

sábado, 24 de maio de 2008

ódio a tons

são sempre as mesmas imagens!, sempre as mesmas! são as palavras, barragens, as palavras, obstáculos, as palavras, tropeços. e eu que sempre tão bem articulado por aqui patino, deslizo pelo chão, quebro um dente ou dois, tento fazer uma ligação e é claro que não atendem. e as mesmas árvores são só as mesmas asas batendo ao redor e se reproduz o mesmo som, e se é o mesmo som, não é que seja, o som só se repete, e eu detesto pessoas monótonas, e eu sou só a mesma nota, lá e zero, lá e zero. aqui e um. ou nenhum. e se eu quero falar da turbulência eu jamais pensaria em algo que não ondas batendo contra as pedras da praia, mesmo sabendo que não é a areia, nem a luz da lua acima como que julgando, nem as roupas encharcadas e depois esquecidas ou queimadas num momento de febre numa fogueira dessas que qualquer dois ou mais fariam, ou mesmo um, aqui e um, dois e zero, lá, lá, lá, sol, sol, estou cego e estou sedento. e é eu, é eu, e é eu. são as mesmas letras sempre, e o mesmo som de árvores batendo asas e o sol molhando as pedras na parede e as roupas cheias de areia. óh lua, salve teu filho. salve teu filho que não quer salvação. me faça desmoronar e que então eu encontre só os retalhos e a partir daí, porque não?, um espantalho.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

umas aprendizagens (ou o livro sem prazeres)

1. você não é a pessoa mais importante do mundo;
2. nem deveria ser considerado assim;
3. nem nunca vai ser;
4. você se engana demais;
5. você acha que busca umas coisas mas busca as opostas;
6. você parece hitler ou stálin;
7. você tem que aprender a fazer seu chão;
8. tem que saber que marx podia estar certo sobre falar de solidez e desmanche;
9. precisa saber da margarina e inglês e o que não sei mais;
10. e da solidão do deserto;

11. da falta de encaixe que pressupõe a existência cotidiana;
12. e que murros doem mas ajudam.

terça-feira, 20 de maio de 2008

um retângulo de lados tortos

é da beleza das coisas que tenho vivido mais, me embebido, inebriado, dançado com ao som de um tom, essas eufonias estranhas, harmonias caóticas, as tentativas fendidas e fundidas, e ao redor todo esse cenário de filme, essa tentativa de perfeição, mas há também o incômodo, acho que eu queria mais, eu já me disse, o sul e o norte tinham que ser copias estruturais, e não são, e cada quadra tem seu plano e enquadramento e quadratura, a lua deve estar por agora em câncer, e eu sei lá, mas ontem cheia no céu era um sol, e durante o dia, logo ao lado, por ali pisou antônio carlos magalhães e heloísa helena, juscelino e médici, e de outro lado dali eu me jogaria, não seria ruim morrer em queda dessa ponte, penso, se possível, penso, e há também esse céu e essas luzes todas e meu olho fechando e abrindo, contexto, intertexto, o leste e o oeste talvez também precisariam ser igual na minha cabeça, e aquelas vias vazias, e os carros de sempre incômodos, deserto, oásis, e tudo isso me soa fictício como se num filme, mas eu meio que fecho os olhos grato e sorrio bobo.

mãe, olha só

olha só o que eu faço ao invés de estudar dádiva ou formas elementares ou intelligentsia ou luta de classes...

sábado, 17 de maio de 2008

de oscilações

quando do fundo, depois um pico de endorfina. depois de dormir pouco, levantar quase dando saltos e no decorrer do dia rir do vento.

terça-feira, 13 de maio de 2008

diarinho (em tópicos)

* ondas fortes, redemoinhos, leves tremores de terra, queimadas em matas ciliares. pronto, usei os quatro elementos aristotélicos de forma aplicada pra definir o contexto geral da semana recente e da atual.

* foi do lado errado, mas foi de leve. aí cortei a pontinha. tipo YES, sou um gênio. ou OUI. ou SUPPA. ou EBA. sei lá. chega de poliglotismo banal por agora.

* sabem ressaca moral? então, é quase isso. só que sem bebida, sem envolver uma burrada qualquer feita sobre o efeito desta, só que num contexto completamente diverso. é tipo se arrepender da bulimia por ver na sua frente o quanto a sua própria alimentação pode estar sendo potencialmente pobre.

* "i've been waiting all day, i've been waiting only you". ainda espero cantar essa música pra alguém. e também "mulher barriguda que vai ter menino, qual o destino que ele vai ter?, quem será ele quando crescer?... haverá guerra ainda? tomara que não, mulher barriguda, tomara que não...", e mais, da criança que eu for padrinho, ou pai, porque ao menos uma dessas coisas espero ser, andarei com ela naquelas redinhas que prendem ela contra o peito. e quando ela der birra, vou sufocá-la de abraço. espero que dê efeito.

* às vezes me acho tãaaaaaaaaao homenzinho cliché. noutras, tão meninha cliché. identificações.

* olha, eu amo mesmo dormir. pra caralho. e principalmente nos horários em que menos posso. falando nisso, será que já acumulei umas quinhentas páginas de débito com a unb? não duvido...

* e porque letras me persegue? que inferno!

tentativa de poesia pura e solta

é que vou perdendo meu nome pelos cantos,
e revendo os nomes que tive
e aquele que tão impregnado em minha pele
torna-se quase imperceptível
tal qual o sol ao meio dia
que se grita: incômodo!
e não: acalento,

mas é um quê, ou um pê, ou um erre, ou um erro,
de interpretação de texto
uma má leitura,
um possível analfabetismo,
ou o surgimento de uma dislexia pós-momento-exato-que-acho-que-seria-o-de-diagnóstico]
ou qualquer coisa de fracasso e risos
só que sem qualquer desespero
(e a culpa é da miopia
e que sem óculos meus olhos ficam maiores
e então se óculos os vêem menores
assim talvez eu possa me rir)

e é um segredo me dizer,
e há tantas palavras e tantas conjunções ao meu redor
e tanta dificuldade de poder tocar além das paredes e chegar a desertos,
e neles poder achar cristais, navios de guerra,
ou cigarros,
esses que agora me fazem falta

e eu sei que isso pode ficar insuportavelmente longo,
e é mais belo se curto
e eu sei que o excesso de letras cansa
e que esse silêncio não se diz
e a contemplação é como aquele vento frio,
que bate num fim de tarde,
enquanto você pensa nesse absurdo repleto de significados tortos e difusos que chamamos de vida e que nada mais é do que a experiência de existir que cada um tem,]
enquanto o sol levemente me doura e se esconde,
e a contemplação é como ele e essa repetição,
essa repetição nada nada nada faz faz faz
além de esconder

sábado, 10 de maio de 2008

dos novelos nos anelares

se todas as risadas ecoadas pela sala cessassem de imediato e num súbito, como se orquestradas ou concertadas ou consertadas, e por um momento fosse ouvido aquele imenso nada ao redor eis o que eu teria:










(e eis o meu medo. e também no silêncio a vontade. e a fragilidade. e todos esses outros sentimentos quaisquer que eles sejam.)

caralho!

estupidamente quão importantes nós somos!

domingo, 27 de abril de 2008

brilho eterno

reassistir, achar estupidamente lindo, morrer de me sentir miserável, just like inside a the smiths song, querer ficar caído na cama jogado para sempre, numa certeza estúpida de que nunca nada vai dar certo na minha vida amorosa (ou que tem demorado demais para que dê), e enquanto isso posso dizer que o telefone tocou umas mil vezes interrompendo tudo.





(analogia: o telefone representa o meu sempre desejo de foder com tudo que me satisfaz. se eu acreditasse em freud, ou jung, ou força do pensamento, ou numa luz azul que olha por nós, ou no sentido da vida e do universo entrelaçados, talvez. hoje é só quase engraçado.)

quinta-feira, 24 de abril de 2008

vejam só

meu blog não me deixa ousar.



(pra brincar de ser hermético comigo mesmo:
medo. mas isso foi uma catarse. quer dizer, eu acho. mentira, não foi. quer dizer, foi parecido. droga, foda-se.)

jogo fácil

cosendo
coseno
co-sendo
pêndulo



(e os meus contextos teimam em vir a mim, como que negando todo e qualquer esforço.

o que é falar? jfcbjhvjhvv vjhdvjhnfdghe eghuaghsfv)

fome

etou até coendo leras

comer

eu quero devorar, vomitar, sempre. bulimia produtiva. eu quero escapar pela válvula, eu quero a inexistência da válvula, inexistência do querer, todo esse conflito tácito abaixo de mim, dualidade fazer-pensar, dicotomias abissais, repetição de palavras, fixismo de categorias de pensamento, é um eu de ontem, é um de hoje, aí está o amanhã,

ma
mãe,

vi rei
(rei)
virei
com crê tismo


só que não faz sentido aqui. vômito, porque você não sai automaticamente em graça? estátua, porque você não anda?

repe pepe tirpe
petirpe
petirpe

domingo, 20 de abril de 2008

pensamentos mórbidos (e também os não tão) sobre o futuro

será que algum dos que eu amo vai morrer de forma trágica e inesperada? vai se matar? matar alguém? ser preso? enlouquecer? aparecer em manchetes de jornais envolvido num escandâlo de corrupção? virar senador ou presidente ou mesmo deputado ou prefeito ou até vereador? ter filhos gêmeos? ser absurdamente rico? morar em algum país com nome estranho como djibuti ou butão? ter filho fora do momento esperado/planejado/ideal? lançar um cd de sucesso ou um livro ou um filme ou qualquer coisa assim? ser famoso? ficar tetraplégico? ter alzheimer? morrer de alguma doença filhadaputa como câncer ou aids?

sexta-feira, 18 de abril de 2008

patético

ligo as chapas elétricas sem saber bem qual das quatro, supondo que seriam as duas da frente, tranquilamente deixo a tampinha de plástico da lixeira por sobre uma das bocas e, de repente, ela está derretida e minha casa inteira repleta de fumaça.

para lu rossi

If you hold a stone, hold it in your hand
If you feel the weight, you’ll never be late
To understand
But if you hold the stone, hold it in your hand
If you feel the weight, you’ll never be late
To understand

If you hold a stone, marinheiro só
Hold it in your hand, marinheiro só
If you feel the weight, marinheiro só
you’ll never be late, marinheiro só
To understand…

Mas eu não sou daqui
Marinheiro só
Eu não tenho amor
Eu sou da Bahia
De São Salvador
Eu não vim aqui
Para ser feliz
Cadê meu sol dourado
E cadê as coisas do meu país



(música que o caetano fez durante o exílio. em london, london. título: if you hold a stone.
saudades imensas,)

quinta-feira, 17 de abril de 2008

momento imprensa, beeeeeijos

caso isabella
é simples. bem simples, aliás. beirando o óbvio.
a menina se espancou e se jogou da sacada. pronto. fim.


ocupação da reitoria da unb
invejinha da lixeira do timothy. bandodebaderneirodesocupado.
EXTRA EXTRA DIRETAMENTE DE DENTRO DO MOVIMENTO: proximo passo é ocupar o congresso e instituir a ditadura do proletariado!



sexta-feira, 11 de abril de 2008

tudo é relatchifffo, né?

já que elétrons são e não são matéria, argumentos também são e não são, o chão é e não é, e “O desatino na era clássica é ao mesmo tempo a unidade e a divisão dela mesma.”

foucault me mata. de ódio e desgosto.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

serragem

sem título:
e isso me soa de plástico, de acrílico, com gosto de sabão,


do meu medo de fotos:
é que a possibilidade de olhar o que já foi pode derrubar


mínima:
morrer é a coisa mais absurda que já inventaram


anotação para o futuro:
reparar mais nos sinais. o hopper, por acaso, de ontem acabou se mostrando, também por acaso, muito mais elucidativo e profético do que eu imaginaria. e claro, também por isso, irônico.

contraposto:
mas é claro que o hopper hoje só se mostrou assim porque me lembrei dele, é claro.

blues do elevador

eu que sou imperativo, é meu olhar, e ele se mistura com os arredores, vazado pelos cantos, esquadrinhando padrões de gotas de chuva pelo chão, cacos de cigarros amassados, frustrações densas que não se diluem em álcool (e nem evaporam), é só mais um dia, e a vida, que sou eu, que sou eu, que sou eu, ainda continua a me dizer que eu não posso mais renegá-la e eu aceito calado e eu poderia dizer que rio, será que o faço?

tipo um recorte

ódio ódio ódio ódio e de tanto você ri, é que é tudo que se há para fazer, como que irrestrito, vontade de burlar necessidades, mesmo que seja a do ar que se respira, de canais de comunicação, e da idéia de causalidade, e a de tempo, e a filhadaputagem que são as benditas I-DIO-SIN-CRA-SIAS, e para os diabos se dividi certo, e uma coisa que sei bem dizer é que não sei dividir certo, nada certo, uma coisa que sei bem dizer e sentir tão bem é esse ódio,

sexta-feira, 4 de abril de 2008

ponto zero

e eu me lembro de um dia exato, lá pelos meus dois ou três anos, em que acordei e é como se eu não lembrasse mais o que tinha acontecido ontem. e em nenhum ontem. interessante é que não me lembro se tentei, ou se perguntei a alguém de casa sobre o dia de ontem, só me lembro que não lembrava. e durante muito tempo lembrei desse único dia, sem jamais questionar essa lembrança. hoje, mais de quinze anos depois, não sei dizer se ela de fato aconteceu, ou se em algum momento inventei que ela aconteceu, porém eu lembro bem de tê-la vivido. mas é confuso, já que o que resta são fragmentos.

terça-feira, 1 de abril de 2008

bizarre love triangle

um dos três queria os outros dois, um dos três era ex de outro dos três e um era atual, um dos três talvez até quisesse os outros dois, o outro dos três talvez até quisesse também mas jamais saberia querer. mas ninguém caiu.

domingo, 30 de março de 2008

depois paro para pensar em advérbios

eu olho pra minha mãe e me pergunto como eu saí de lá, tipo, olha o meu tamanho!, olho pro meu pai e me pergunto como ele e os sete irmão saíram de dentro de minha avó e, putz!, não tem lógica alguma! aliás, até tem, mas é tão estranho! eu olho para uma criança que brinca e sei que ela sabe que existe e acho que a consciência que tenho de existir é a mesma que a dela, é simplesmente poder repetir que eu existo, tão certo disso, mas achando tão estranho que eu exista agora e que não vou depois, e que também existe o tempo, e que aqui fora a vida corre e lá dentro também, cada um simplesmente existindo. e existir é simplesmente indizível também, é de uma tontura quase leveza mas não tontura, é alguma coisa, é como, sei lá, gerúndio.

quarta-feira, 26 de março de 2008

coisinhas para preencher o tempo

se eu acreditasse que minha vida tem vontade própria, eu diria que ela adora o número três. e conseqüentemente, triângulos. só que eu sei que não tem e eu só posso me rir dessa trágica regularidade. porque é, mesmo que não me faça chorar.

odeio espirrar, odeio coriza, odeio nariz entupido. demais.

tipo momento sei que não tenho sorte. uma pessoa muito foda. ela mora em maceió. droga.

tipo momento sei que tenho de esperar. outra pessoa que diz que agora não, que viajemos juntos, que vamos beber juntos, que etc juntos. ok ok.

tipo momento porque eu ainda não agi interrogação. pra variar, a três. é só comprar uma tal coisinha, combinar de vir aqui para casa, chamar as outras duas pessoas e tá feito. o que eu estou esperando?

o tempo em que eu fazia interpretações mirabolantes das coisas era mais divertido. vamos lá, vou fazê-las, mesmo que não acredite nelas. acho que tudo isso representa minha intensa vontade de auto-martírio e que na verdade tudo que faço é buscando uma redenção maior, ou alguém que me louve no final. e ainda consigo enfiar uma metáfora aqui envolvendo lesmas, vocês não acreditariam.

agora chega desses momentos. e eu preciso estudar. preciso. preciso. pessoalidade tá out, mas foda-se.

domingo, 16 de março de 2008

acontece às vezes

aqui, na frente, clicando alí, digitando aqui, ou lá, sei lá, e de repente uma angústia e vontade desesperada de sair aqui da frente.

(se o modo drama estivesse ativado:

de sair aqui da frente? de sair do mundo!)

terça-feira, 11 de março de 2008

quanto ao factual

e que eu penso tanto que a escrita seja uma tentativa de eternização, meio que meio torta, mesmo que meio, me faz também pensar que não costumo escrever do meu dia. do tipo, hoje fiz isso e aquilo. ou senti isso ou senti aquilo. que fique impessoal, vá lá, é algo que aprendi a admirar e admiro. mas eu vou me perdendo.





só que eu tenho uma idéia que pode resolver isso.

domingo, 9 de março de 2008

jogos de palavras memoráveis

"empty nest", "emptiness", "we're fishes", "weird fishes",

Rascunho Em Água

Por onde esteve por um bom tempo, espelhos não havia, e assim teve que se acostumar aos poucos com tentar se ver refletida em superfícies de água ou em vitrais da janela. A si mesmo, borrada, às vezes embaçada, por vezes com uma mancha na testa, e que a fazia ter sobressaltos ao tentar entender se o pó estava nela ou não.

Com o tempo, evidentemente, veio o costume. Sabia distinguir perfeitamente os sinais de si dos que não. Daí para a não necessidade deles foi um pulo. Chegava a se assustar quando se via em reflexo. Para medir o volume ou o jeito que o cabelo estava chegou a desenvolver uma interessante sensibilidade de tato. Sabia ao toque como estava um determinado cacho, e nem fazia uma imagem de si, é como se não fosse necessário.

Demorou, evidentemente, a pegar o jeito com quantidade certa de maquiagem. Por vezes tinha dúvidas de quão palhaça estava no dia, ou quão vadia, que tanto de ingênua, ou de limpa, mas não demorou tanto que aprendesse o suficiente para distinguir perfeitamente a textura do rosto e a quantidade de camadas a serem aplicadas.

Então, evidentemente, chegou o dia de se mudar, assim, como um vento que leva as folhas e a poeira deixando tudo nas roupas dependuradas no varal. Ironia de muitas, que não estão aqui explícitas, mas diárias e subentendidas, sua nova casa tinha espelhos aos montes. No início, o pensamento que mais freqüentemente a assaltava era a vontade de quebrá-los todos. Sentia-se numa casa de espelhos, mal conseguia acreditar que aquilo era ela mesma, passava horas se medindo, tentando pregar sustos, e quando não assustava se incomodava profundamente. Olhava seu corpo inteiro, detalhadamente, a si e na imagem, tentando brincar num jogo de sete erros, e não conseguia evitar o alarme que sentia quando não conseguia encontrar as diferenças.