sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

de vultos que surgem e ficam

um intertexto que não se diz como tal, já que tudo é dessa espécie de matéria, tudo que se pode dizer.

algo que brota do chão sem que eu veja e eu prefiro jurar que vi que lá está, ou ao menos jurar que eu soube que lá havia uma semente, ou ao menos jurar que eu soube que joguei água por ali, ou ao menos jurar que eu soube que derrubei adubo, ou ao menos jurar que eu soube desviar do local para que meus pés não impedissem o florescimento, ou ao menos jurar que eu soube evitar uma poda precoce, ou ao menos jurar que eu soube tirar júbilo do que era horrendo, ou ao menos jurar que eu soube ter algum controle sobre todo este processo que muitos preferem confessar e dizer que escapa das mãos. mas não das minhas, juro que não.

e então, alguns dias depois, afirmo saber derrubar álcool nas raízes, no caule, nas folhas, nas pétalas, nos frutos, nas sementes, afirmo saber. e afirmo derrubar. e afirmo atear fogo. mas não o faço, só afirmo.

depois, é só evitar olhar. tão simples. e claro, fica a tristeza da despedida, mesmo sabendo-se fictícia, tanto a tristeza como a despedida. se não fictícia, no mínimo inventada, como qualquer uma dessas coisas que a gente finge haver para esconder o que não se quer ver. e fica tão difícil afirmar que a palavra certo para o final é imperceptível: ou porque parece ser e não é, ou porque é mas não parece ser.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

daquela festinha que era pra ser cristã,

nada como tradições que se subvertem.

nada tão bom como tomar moet chandon numa banheira de hidromassagem brincando com a espuma nas águas.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

como ele diz: "para a realidade ter mais graça"

sempre espero o dia em que entrarei em minha casa, normalmente, olharei para cama, e lá estará uma velhinha magra e tranqüila me dando tchauzinho com um sorriso indefinível, algo como levemente insano ou levemente infantil.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

minha futura casa

dentro de aproximadamente 30m²:
eu, o carro da mari e um pônei, além de muita graminha pra ele pastar e ser feliz.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

é, sei lá, comer uns morangos

dos silvestres, não dos mofados.

pode ser uva também, com chocolate. ou morango com chocolate. gosto de felicidade, alguém me disse. que não se nomeie isso.


não que a opção não dependa do dia também. ou a vontade de nomear.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

ela disse que era uma metáfora

Saiu alardeando para todos os cantos que havia saído com os sapatos errados de casa. Com aquela chuva molhada, dizia assim mesmo, molhada, obviamente molhada, os pés ensopados marcando todos os caminhos que pisasse. Só que conseguia sorrir, à medida que o vento rodava pelo ar como se os irrigadores do jardim estivessem ligados e girando, formando redemoinhos.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

é, eu cheguei nesse estágio

Era como se quisesse escrever uma história de amor bonita e irônica, mas não tentaria por medo de falhar. O que é comum, aliás;

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

trecho de algo em processo

Vou te pedir só mais uma coisa, só mais uma coisa. Tente ver essa cena, vamos veja, é que somos como se dois corpos de areia, exatamente assim, não somente como se, não como se próximo disso, mas mesmo assim como se, nunca exatamente iguais, nunca exatamente transcritos, dois corpos de areia, vamos, veja, não vai estar muito distante da realidade. Agora veja o vento vindo, e imagine, ele vem por toda sua vida, imagine, sim? Imagine, porque é como se fosse mesmo, como se fosse mesmo. Cada grão que sai de nós também era parte de nós, talvez não deixe de ser, veja bem, talvez não deixa, como se uma gota que saiu de uma nuvem bem alta, mas no caso do grão, sabe-se lá o que vai ser dele depois, dificilmente será achado. E os grãos vão indo embora, ora mais rapidamente que outras horas, ora não, só veja a imagem deles indo, tão aos poucos, como quando se vive. Às vezes o vento leva um corpo assim, num átimo, de uma vez só. Noutras tudo vai sendo carregado tão lentamente como dizem que deve ser, como se diz como deve ser, dizem, mas sabe-se lá o que deve ser. Eu não sei, você não sabe. Mas o importante, meu caro, meu raro, é que assim se vai. E não se acha. E tudo finda. Bem simples.

domingo, 2 de dezembro de 2007

esclarecimento:

abaixo, totalmente e tortamente ficcional, não sei a quem foi escrito. aliás, foi escrito a alguém que não existe. e ainda bem que é assim, pois que já não é mais.

espero que jazz não seja óbvio

Esta talvez deveria começar como as coisas começam normalmente, com uma saudação. Mas não tenho pretensões saudáveis. Aliás, há tempos não penso muito bem sobre o que exatamente espero, mas seria agradável deitar a cabeça no seu peito e simplesmente ouvir os ruídos e sua voz baixa enquanto o quarto está escuro. Seria legal ver a fumaça saindo de nossas bocas, nossas bocas se tocando depois. Só que não é única e exclusivamente isso que te proponho. É uma daquelas coisas que talvez um dia você vai saber que existe. Aliás, eu poderia te mostrar algo que você ainda não sabe que existe. É interessante. Podemos dizer que você fez alguns progressos, não? Seu rosto está mudado. Toda sua conduta também, as coisas que você fala e deixa de falar, os lugares que frequenta, o tom, a possível polidez, as pessoas às quais você dirige a palavra. Eu sei que tenho a ver com isso, e mais uma vez, tenho intenções messiânicas, de ser um marco na sua vida. Talvez eu queira isso com todas as pessoas com as quais eu me proponho contruir algo firme. É provável. Será que te irritaria minhas vontades de eternização? Acho que não, acho que você entenderia. É tudo fraqueza, afinal, e as suas e as minhas se somariam e ficariam nojentas grudadas a paredes que jamais seriam pintadas novamente. Eu não quero te salvar de nada, eu acho, e ao mesmo tempo quero tanto. Ou morrer com você também, talvez, é que nunca acho que eu tenha concretizado e ao mesmo tempo eu sei que já e tudo se perde assim, numa frase, sem direção. E um simples enunciado seu mais uma vez turvou as águas. E eu sei que de alguma forma, já estou em suas entranhas. Concluindo, nem sei se te quero ou o que quero com você.

sábado, 1 de dezembro de 2007

sentado em sua cadeira,

olhando as coisas pela mesa. um calendário dos dias que você viveu, em branco, e os dias repletos de horas repletas de coisas ou vazias como nada aqui em volta é; um copo de vidro quebrado, como também já quebrei alguns seus, com fitinhas daquelas do bonfim, e se você faz promessas a santos talvez também acredite nisso; um parafuso solto, perfeitamente em seu lugar; as contas de seus outros dias, talvez complementando um roteiro do passado que eu poderia seguir; um número anotado num papel, anotações em italiano noutro, teoria política contemporânea ainda noutro; a caneta, o grampeador, o isqueiro, a luminária, aposento iluminado e não deixando nenhuma das idéias claras, e ficam coisas então pelo meio.

e isso tem uma beleza levemente inominável. ou bastante.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

do público

tinha tudo, pelo título, para ser mais que isso. é que é estranho, e basta. é meu, certo? como se disse. okay, completamente paradoxal.


(editado posteriormente: legal a polissemia da idéia de público. fechando-a, no caso, refiro-me ao público que tem o ator. todos são, público e ator e lalalá. e tudo é público também. e há problemas em generalizações, sempre, ainda, sempre.)

sábado, 24 de novembro de 2007

olhar para o passado, imprimir significado

as coisas de ontem, as que chamamos de fato, elas são as de ontem. e são os fatos. como num livro já lido, a página cheia de partículas que saem do ar que jogamos para fora. porque jogamos nosso ar nos outros e nas coisas, e lá estamos, por lá também estamos. e elas, as coisas e tudo, não tem um nome exato, mas com o tempo inventamos algo que possamos usar para nomeá-las. ou elas até tem um nome e forma definida, mas colocamos um laço em seguida, envolvemos tudo, e toda a forma e nome transmutam e cores novas surgem e cheiros doces e convidativos e uma orquestra toca então ao fundo. e o gesto final então tem uma razão, afinal.

e é o que buscamos não?, razões.
e é o que buscamos, não razões.
(as duas frases oscilando de modo que não se sabe qual está sendo escolhida na roleta. e quando algo se torna razoável, não necessariamente é racional. e eis o grande problema dessa palavra. linda e odiosa, como a realidade. e é por isso que é crucial que os olhos possam também ter mãos que desenhem. é vital. é a única maneira de fazer o sangue correr de forma satisfatória.)

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

vontade de parar e

escrever, sobre o que quero escrever.

mas não arrumo o ambiente, o tempo, e aliás, desculpas, minhas desculpas, são, minha grandíssima e máxima culpa. aliás, brinco muito de cristo, mas não tenho girocóptero. aliás, é bom quando sai algo que não é hoje. e é bom saber que meu blog é tão pouco cronológico também.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

notas de minha casa

é que ela está uma bagunça das mais que já esteve, uma cadeira se quebrou, a outra virou depósito de roupas e textos que se amassam, o chão tem várias manchas, várias, a mala está cheia, muito disso é típico. o diferente é que estou com vontade de arrumá-la, mas acho que não tenho tempo.

mas aliás, o que estou fazendo aqui? também não há tempo.

e geralmente minha casa é uma metáfora de mim. hoje não, eu acho.

eu não não não não

não quero. (sim, um chilique).

não quero que amanhã chegue, ou que seja amanhã, ou que eu tenha que fazer o que eu tenho que fazer, ou que qualquer coisa do estilo, não quero, não quero não quero, não quero não quero, não quero não quero não quero não quero,

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

meu olho esquerdo,

está funcionando melhor que o meu olho direito. e é exatamente onde guardo o que é onde você está guardada. entendeu? não? é que é bem pessoano mesmo. e pessoal.

sábado, 10 de novembro de 2007

não, não estou falando de amor-próprio nem de auto-conhecimento

nunca paramos para olhar nosso próprio corpo, ou paramos somente quando somos bem pequenos, ou eu parei, somente eu parei para isso, ou nunca parei e quis acreditar que provavelmente parei, porque não me lembro de fato se parei, apenas imagino que o fiz. enfim, nunca parei para fazer isso. especialmente meus braços. fiquei pensando em como, como é? como é que quando estamos com alguém e tocamos no braço dessa pessoa e brincamos com sua pele e a estendemos, fazemos com que fique vermelha, que mostre seus padrões, seus tons invisíveis e sutis e escondidos e inexistentes, a fugacidade de impressões digitais e marcas, e cada cicatriz pode ser uma história, se dita com talento e a língua tocando os lugares certos da boca. e fazemos isso com o outro, o outro que nos é alheio, o outro que queremos nosso em cada fresta que buscamos jogar luz, mas que bem sabemos que não buscamos também jogar luz em todas as, mas talvez façamos isso, não sabendo bem se fazendo ou não. e o olhar para o outro é de admiração, porque é outro, e sua pele é outra que não a sua. pegue seu braço, olhe para seu braço, para cada detalhe como se olhasse o de outra pessoa. é o seu braço ainda?

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

como se chama isso?

de repente, uma coisa de ''preciso me comunicar'', uma coisa de não posso dormir agora, uma coisa de vou sair e gritar bem baixinho pelas ruas porque não posso acordar ninguém e não devo, o mais importante é que não devo, devo, confesso, pago quando puder, e de repente fica difícil simplesmente deixar de lado isso e, afinal, eu tenho algo para dizer?, diga-me alguém, talvez eu para eu, eu que não converso mais tanto comigo assim, eu tenho algo?, coloquei até um álbum que eu nunca tinha ouvido e parece ser bom, parece que estou gostando, mas é que eu não converso mais comigo então, então como saber se estou gostando?, e como é tentador simplesmente apagar o que escrevi agora, parece só uma grande babaquice.

ou seja, chamarei isso de babaquice.

domingo, 4 de novembro de 2007

ainda bem que...

que resta um pingo de bom senso.

aliás, acho que ele está escorrendo pela ralo. putz, pega...! alguém pega, por favor?! não o deixem escorrer assim...

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

romantismo

o dia passa com um calor abafado, mas não tão intenso. chato, apenas.

chega a madrugada, um vento insano. e ensandecido.


não, não é uma descrição de meus estados de espírito.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

rumo ao ar

fomos tomar banho de chuva, demoramos demais, a chuva acabou. e estava tão linda antes, tão forte, tão violenta. "acontece."

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

domingo, 21 de outubro de 2007

escrito para alguém, não enviado

em flashes confusos toda confusa numa confusa confusão dum confuso texto visual confuso com confusas cores confusas que confuso grita confuso e sussurra confuso simultaneamente e confuso confuso confuso. não, para ser mais exato, sem fuso algum, nem horário, nem de tecelagem, nem qualquer outro.

terça-feira, 16 de outubro de 2007

morte...

deve ser uma dor tão bizarra que a pessoa simplesmente não vê sentindo em expressá-la, né? como se nada que ela dizesse chegasse perto da intensidade do sentimento.

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

les enfants

a verdade é que crio aqui realidades e brinco de faz de contas. a verdade é que a massa de fatos indistintos que me entregam são organizados por mim e por mim finalmente. a verdade é que isso não impede o fato de fatos existirem. a verdade é que não sei fazer contas, mas eu já soube tão bem, eu já soube. a verdade é que sempre seremos crianças e não seremos jamais eternos. a verdade é que nada disso é terno e eu não usaria terno nesse dia quente porém nublado. a verdade é que brindo faz de contas. a verdade é que é poético que hoje seja mais um dia no qual tudo foi e pode ser. a verdade é que seria poético, se fosse verdade.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

terça-feira, 2 de outubro de 2007

neurótico

não sei bem o que é neurose, mas devo ter uma. dizem que está na moda.

é que eu fico agoniado com um bando de coisas que tenho a fazer, mas não as faço como deveria, e fico com a sensação abstrata de agonia e não consigo cuidar dela e... ficou confuso, né?

sábado, 29 de setembro de 2007

o problema das analogias

às vezes, numa exemplificação, usa-se o recurso da analogia. esse recurso utiliza a comparação entre duas situações/fatos/explicações para que uma legitime a outra. o que faz com que seja válido? quais são os critérios? seria apenas o bom senso?

"E se pudermos supor que os homens nunca estiveram no estado de natureza, porque pouco sabemos dos homens em semelhante estado, poderemos igualmente supor que os soldados de Salmanasser ou de Xerxes nunca foram crianças porque pouco ouvimos dizer deles até que se tornassem homens e formaram exércitos."

não, John Locke. a analogia não coube. foi mal. tenta outra.

(esse blog está se tornando pseudo-cult. medo. muito medo.)

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

coisas para as quais hobsbawm se mostra útil

inspirado numa amiguinha, eu diria que esse é um post wannabe intelectual. dito isso, vamos lá...

em um ensaio do livro 'sobre história', ele cita Moses Finley e dita que há uma diferença ''entre o Ulisses de Homero e o de Samuel Butler, que é concebido de modo natural e nada homérico como um homem de meia-idade voltando para uma esposa idosa depois de vinte anos de ausência''.


e então eu digo que quero ter um olhar mais homérico para a vida. entendem?

terça-feira, 25 de setembro de 2007

idéias legais do que pode ser a morte

alguma coisa que não seja viver de novo. porque, convenhamos, é bem chato. tem coisa melhor pra se fazer, eu acho.

que tal: "mas não seria mais lógico cada qual cumprindo até o infinito o ofício da paixão?", Lygia Fagundes Telles pela voz de um personagem, num conto que não me lembro o nome.

aquela em waking life, em que comentam algo sobre uma tese ou sei lá o que, não me recordo, de que o sonho parece com a morte. então quando morrermos, simplesmente sonhamos livremente, como um sonho que não tem fim.

um grande descanso. só o nada. o nada. nada além do nada. é até impossível de imaginar.

alguma coisa que não seja reencarnação, por favor? a troco de quê? alguma coisa que não peça sentido, por favor, porque é falsa. é falsa a idéia de sentido. é falsa sim. nada disso tem. esse texto, muito menos.

pausa para o comercial

club social ervas finas. é recomendável. é muito bom.

outro: iogurte activia amexia. é recomendável. é muito bom.

domingo, 23 de setembro de 2007

de uma injustiça

é injusto a gente estar nesse passeio e escrevendo coisas na parede sem saber como ela vai cair no final, se vai ruir aos poucos pelo vento, se vai ser marretada violentamente, se vai ser abduzida por et's ou torrada pelo sol. é injusto.

buñuel disse que, depois que morresse, queria voltar a cada dez anos para ler os jornais e saber o que estava rolando no mundo. só para isso. e depois voltar a dormir.

eu gostaria de poder fazer isso todos os dias de minha morte. quero ficar vagando como uma sombra que apenas tudo vê e em nada interfere.

pode ser, né? vou prosseguir na idéia de morte após o comercial.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

apresentações de powerpoint,

daquelas que eu recebo por email, nunca leio.

mas tem uma pessoa em específico que as manda para mim e só o gesto dessa pessoa já me faz ter vontade de chorar. é como se eu imaginasse a emoção que a pessoa sentiu ao me passar. até porque, essa pessoa sempre manda só para mim e direcionada com outras palavras que ela mesmo acrescenta.

até me incomoda não apreciar isso da mesma forma que a pessoa a qual me refiro.

domingo, 16 de setembro de 2007

aqueles dias que passam, e não vão voltar,

aqueles de olhar grama seca e sinais do tingimento que a água faz. aqueles de pensar nos amanheceres e cabelos com cheiro de sono e xampu do dia anterior, aqueles.

e o olhar de isso tudo, que vai vir depois esse olhar, ele será de gosto amargo na boca ou de satisfação morna e acalentadora?

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

confundo os nomes e respectivas obras de:

polanski, coppola, scorcese, de palma.

não que sejam lá muito semelhantes mas... vá saber a associação que minha mente torta faz para misturá-los!

ps: tá que os três últimos tem nomes de origem italiana, mas e o primeiro? pra dizer a verdade, acho que não confundo o primeiro não, é o diretor de 'o bebê de rosemary' que, aliás, ainda preciso assistir.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

de anéis quebrados e outros objetos

é que o que eu te dei era vidro e eu não sabia e você não cuidou bem.

e isso me faz pensar que eu devo amar mais meus enganos. em seguida penso que é muito engraçado tomar uma resolução esperando que as flores levantem-se e comecem a dançar te louvando, que todos os pássaros cantem juntos uma melodia vitoriosa, que o sol brilhe sem queimar, que o vento refresque cada passo, é engraçado sim, porque quando acontece exatamente o contrário, tomem cuidado, é que você andou descalço e se esqueceu que tinha vidro no chão, tinha vidro.

domingo, 9 de setembro de 2007

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

rugas

daqui há tempos o futuro de cada um vai vir, futuro, futuro, o futuro chega todo dia, cada dia é uma coisa que vai formando o depois, cada instante, eu aqui me levo ao que vem em seguida, cada coisa tem encaixe, ou pode ser que seja tudo ilógico, ou simplesmente uma linguagem inacessível à humanidade e todos seus indíviduos tão humanos, talvez os loucos a entendam, talvez nem eles, mas são loucos e talvez só o sejam por sentirem como se fossem parte do ilógico, mas que não são, ninguém alcança, e eis o desconforto e a incoerência, a que eu digito, claro, porque não fez sentido minha tese, foda-se sentidos de teses, pelotão... sentido!

terça-feira, 4 de setembro de 2007

otimismo-pessimismo ou pessimismo-otimismo?

até o título já direcionaria a visão, então deixa de lado uma preferência. se bem que eu escrevi primeiro a idéia que dá privilégio ao enfoque otimista.

enfim, e faz sentido. porque, pelo que me lembro, eu nunca fui uma criança pessimista. pelo menos não que eu me lembre. com o tempo tornei-me levemente pessimista. a observação cotidiana dos fatos e as análises sobre, o mundo super confuso e etc e tal...

aí eu percebi recentemente que a curto prazo geralmente sou muito otimista. sempre acredito nas possibilidades de fins-de-semana e coisas à fins. ou, sei lá, que é melhor falar que não falar. no geral. coisas do tipo. acredito que é sempre válido tentar, coisa e tal, coisa e tal.

mas a longo prazo não costumo enxergar as coisas por uma ótica positiva. do tipo, não acredito em futuro de humanidade, ''melhorias'', coisa e tal. também não vejo minha vida muito positivamente a longo prazo. não acredito muito no meu futuro pessoal. tenho uma mini-crençazinha, vou vivendo cada dia e só. viver não me anima.

conclusão? nenhuma. mas é só que eu acho que sou isso aí, defini razoavelmente bem. se é por questão de cronologia, diria que sou otimista-pessimista.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

sábado, 1 de setembro de 2007

moral cristã, s&m

aquela coisa de infância. lembro uma vez que me maltrataram de alguma forma e eu não reagi. quando perguntaram o porque de eu não fazer nada eu simplesmente evoquei as palavras de cristo sobre dar a outra face. medo dessa moral cristã. putz. essa entraria para uma possível série 'eu era uma criança estranha'. sem dúvida.

mas ao mesmo tempo, eu sei muito bem, já maltratei outras pessoas. foi na mesma época?, antes?, depois? a noção de tempo, sem dúvida, com o tempo, simplesmente se embaralha.

lembro uma vez que me auto-analisei e pensei que meu apego por sofrimento talvez venha daí. achar válido sofrer, por me achar pecador. achar necessário, mesmo que para um possível aprendizado. 'porque quem sofre, aprende', dizem os antigos. rsrsrsrs. será que faz sentido que seja assim comigo? e o sadismo? mas é que fazer a si próprio sofrer também é sadismo. agente e paciente da ação. acho que sim então. e fazer os outros sofrerem direta ou indiretamente, hoje tenho achado e tem algum tempo que acho, é algo tão natural quanto estar respirando em sociedade.

e o engraçado de estar pensando nisso agora é que encontrei um sentido curioso para a frase de uma música duma banda que muito gosto. eis a frase: 'she was into s&m and bible studies'.

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

o menino e o mapa-mundi

eu não era lá muito de rua, bola, pipa e essas coisas. não que eu não gostasse, mas sei lá, não sei explicar, muitas vezes eu não participava das brincadeiras das crianças aqui no prédio. meio mínimo de apartamento, meio totalmente.

gostava de ficar em cima do atlas geográfico que veio em fascículos no jornal. rsrs. meu pai os encadernou e eu me divertia bastante, tinha interesse principalmente nos países que eu nunca tinha ouvido falar. gostava de decorar o nome das capitais e também às vezes o nome das moedas que usavam.

gostava também de reordenar fronteiras. às vezes eu fazia o brasil englobar outros países da américa latina. sejamos um grande império! rsrsrs. noutras, eu fragmentava meu país em outros menores, ou criava novos estados. era muito legal, era o tipo de coisa que eu achava que jamais deixaria de fazer de tão legal que eu achava.

lembro que sempre me atentava para a rússia. muito grande, muitas nacionalidades, coisa e tal. não que eu entendesse bem o que seria nacionalidade, mas eu sabia que tinha outras dentro do mesmo país.

aí agora, estou me realizando no wikipedia e pesquisando sobre as repúblicas autônomas que existem dentro da rússia.

vou falar de duas: Adygea e Altai. colocarei os links no final do post, está em inglês. na primeira, russos são 64.5% do total, adyghe são 24.2%. na segunda, russos são 57.4%, altai são 30.6%. é uma pena. russos, vão embora! deixem o país para a etnia original!




post humorístico. sei, mesmo falando isso, como pode ser rico o intercâmbio multi-étnico. rsrsrs
os links:
http://en.wikipedia.org/wiki/Adygea
http://en.wikipedia.org/wiki/Altai_Republic

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

minha avó

uma está viva, a outra nunca conheci. hoje aconteceu algo tão engraçado. eu, num parque, vi uma pomba. e relacionei a tal pomba à minha avó. e não a tal pomba, qualquer pomba. é como se minha avó parecesse muito uma pomba. é abstrato mesmo, mas a impressão que tenho é essa. o porte da minha avó lembra o de uma pomba.

(hipotéses da figura pomba... uma vez eu tive um pintinho, desses que se ganha em exposição de animais. obviamente ele ia crescer e virar um galo ou uma galinha. ele foi levado para a casa de minha avó, que tem um grande quintal. e ela iniciou uma criaçãozinha de galinhas e tal. um dia, o tal pintinho já estava velha, minha avó perguntou se poderíamos almoçá-lo. eu concordei. sei lá, nem senti nada de errado com isso. sou muito cruel? rsrsrsrs. aí, uma galinha lembra uma pomba. talvez seja isso. ou pelo fato de minha avó, a que morreu, a que eu não conheci, ser de Rio Pomba eu associo com a avó viva a ausência que sinto da morta ligando-a à figura de uma pomba. hipotéses. forçadas e tolas. ela pode de fato parecer uma pomba. rsrsrs. enfim...)

nunca tivemos muito contato. só aquele de infância, meus pais viajando, eu e meu irmão dormindo na casa de minha madrinha e do meu padrinho, que era nos fundos da casa dessa avó. eu era uma criança exageradamente afetuosa. beijava a minha madrinha o tempo todo, que na verdade, não é minha madrinha de fato, é do meu irmão. a minha de batismo é outra, mas peguei a do meu irmão emprestada por extensão. meu irmão a chamava de madrinha, eu também aprendi a chamá-la pela mesma alcunha. e minha avó permanecia aquela figura distante. e pouco afetuosa. não que ela brigasse ou coisa parecida, só era meio indiferente. carinhosa a seu modo, sem abraços ou brincadeiras ou mimos.

sempre imaginei que minha outra avó, a mãe de minha mãe, a que morreu quando esta tinha lá seus quinze anos, seria mais afetuosa que minha avó que está viva. com o tempo percebo que não. mas isso é incerto também. pelo que sei, minha avó, a que morreu, não era das mais afetuosas. mas quem sabe ela não transferiria todo o carinho para os netos futuramente se tivesse vivido para vê-los? ninguém sabe, eu não sei, mas de certo modo muito idealizei essa avó que nunca tive.

e na figura da avó que tenho, engraçadas são as vezes que tento demonstrar carinho. ela sabe que somos distantes, eu acho, sinto que ela sabe isso tão bem, que das vezes que demonstro algum afeto ela:
1,ou um pouco se assusta e não demonstra de volta porque fica meio envergonhada;
2,ou demonstra, mas também envergonhada.
seria envergonhada? talvez desconcertada. não sei. sempre me interessei muito por genealogia, raízes, desde pequeno. adoro saber dos sobrenomes que não tenho. a mãe dessa avó, sei muito pouco dela. mas lembro uma vez que perguntei dessa avó sobre o nome da avó dela. não me lembro. mas ficou fixo em mim o que ela falou: essa avó bebia muito. e falou risonha. e minha avó é evangélica, então foi surpreendente a reação. fiquei imaginando uma mulher, lá em meados da década de vinte/trinta, já senhora, numa cidade do interior do rio grande do norte, com problemas de bebida, e minha avó criança olhando. a cena foi inusitada.

sempre acho muito engraçado também imaginar como meu pai saiu da barriga dela. muito engraçado.

um dia minha avó vai morrer. talvez eu chore por tudo que não aconteceu ou pelo muito pouco que aconteceu. talvez. e vai ser estranho. lembro quando o marido dela e meu avô morreu. não acho que eu tenha chorado. talvez eu tenha forçado algumas lágrimas. e não é insensibilidade, é a pura falta de contato? eu ia colocar um ponto final na frase, ela seria uma afirmação, mas deixei ser uma interrogação.

da minha outra avó, a que morreu e eu não conheci, minha mãe sempre falou muito pouco. minha mãe sempre falou quase nada, como ela quase nada fala do passado mesmo. é engraçado. é como uma lacuna. fico só tentando imaginar o que aconteceu. pergunto às vezes a alguns tios, também geralmente falam pouco, mas um pouco mais que minha mãe. e minha mãe sabe como isso me faz falta. mas eu vejo como é difícil para ela falar disso. fico só com as elocubrações de como deve ter sido difícil, coisa e tal, tanto imagino quando ela estava viva tanto imagino quando ela morreu. fico só imaginando.

da avó que está viva, e vai morrer um dia, tenho a dizer tão pouco exceto o que sinto a respeito. talvez seja o máximo que vou conseguir. isso é um pouco ruim, talvez seja muito ruim. mas no momento a dor nas costas que estou sentindo é mais tangível.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

blog x fotolog

antes de criar o blog, eu pensava nisso. mas como criei o blog por impulso, não pensei. é que às vezes acontece de os contra-argumentos da minha cabeça, frequentemente tão concretos, simplesmente virarem fumaça. é bizarro. e com muitas coisas. enfim, não vou tentar me analisar, mas eu diria que é uma vontade de se perder. rsrsrsrs. tá, não faz sentido, e já tentei.

é que com o fotolog eu fazia algo parecido com o que faço no blog, só que com fotos. e agora, josé? (nada como não ser original e citar drummond no final... aposto que ele tá cansado disso, esmurrando o caixão nesse exato instante.)

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

eu também gosto, ora essa,

de ser creditado. do tipo: 'fiz tal coisa, foi meio que porque o beto fez e achei bonito' ou 'conheci tais música pelo beto' ou 'o beto teve tal idéia ou idéia parecida' e coisas do gênero.


que bestinha.

sábado, 25 de agosto de 2007

e de repente, do nada,

alguém morre.


é tão absurdo. é tão somente isso e muito mais que isso: absurdo. e tudo que cabe dentro da palavra e nada cabe ou limita o sentimento. absurdo.

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

retomando eu do passado, tão presente

vamos ver se a gente rouba riso e ar de algum lugar,
dia desses,
porque faz falta.





ps: obrigado à quem me fez lembrar disso.

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

como percebeu lispector,

é necessário o amor it. preciso disso urgentemente, mas não estou buscando. eu tenho esse problema com buscas, jornadas, odisséias. eu jamais seria ulisses. é melhor ficar em casa remoendo barulhos de moinhos e retalhando as linhas que me tecem.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

de juras

não gosto de quebrar promessas. por isso evito a muito custo fazê-las. é que tenho tanto medo das transformações que posso passar, das circunstâncias, do incerto.

como, sei lá, prometer eternidade. acho surreal, mas às vezes sinto a vontade e compartilho da promessa, mesmo correndo o risco de no futuro me contradizer, mesmo sabendo de tudo. na lógica do apesar de.

terça-feira, 21 de agosto de 2007

mais uma de infância

lembro que tinha mania de achar que eu jamais enjoaria das brincadeiras que eu inventava e de doces e guloseimas, porém enjoei e eles e elas mudaram de forma.




cada vez mais sentindo que mudanças bruscas de personalidade não ocorrem.

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

revirando túmulos (ou sarcófagos?)

tá que eu tinha mania de ir nos meus posts antigos de fotolog e ficar lendo e lendo e lendo e mesmo sem chorar ficar lendo e lendo e lendo e ficando incomodado e rindo e lendo e lendo e lendo, mas... fazer isso com o blog de outra pessoa é exagero, não? (egito para ser chique)



como dizem: 'get a life!'

olhando raízes

que brega, né? metáfora de árvore. originalidade zero. enfim...

eu sou uma pessoa chata com as palavras. no geral, extremamente cuidadoso, tomo muito cuidado com o que estou dizendo ou quero dizer. não que eu seja perfeito, claro. quer dizer, hahahaha, continuando...

aqui no meu prédio, quando eu era mais novo, andava com os meninos mais velhos e eu tive muito que aprender a falar na hora certa e as coisas certas porque se não eu era zoado.

pavlov explica.


ps: sim, pessoas, eu sempre falei besteiras sem-graça.

terça-feira, 14 de agosto de 2007

talvez seja o fim, parece que é...

depois de tantos meses, algumas esperanças, dessas certas muito intensas, parece que agora não vai ser mais, parece que não vai, engraçado a coincidência de resoluções no mesmo dia (será que foi? vou descobrir logo, digo sobre o dia, não sobre a resolução, essa ainda demora), não mais acreditando naquelas duas cores e na possibilidade delas voltarem, não mais, não mais com a fé meio cega meio duvidosa que eu tinha de que talvez ainda houvesse uma longa respiração, não, não mais,

não que eu já não esperasse, mas, mas,

mas é que são decisões, não as minhas, eu que nunca me decido, nunca,
não me obrigue a decidir, eu não me decido, e isso é um pouco menos dolorido do que eu pensava, isso de agora, ou mais, menos por um lado, mais por outro, só que a figura é de muitas faces e ainda tenho mais lugares para
colocar os olhos e, no final, não me decidir,

depois de tantos meses, respiração ora ofegante ora profunda, dores em diferentes partes do corpo, membro amputados, hemorragia, dramas imensos, micro ficções, um grande peso esmagando e quase transformando o sólido em líquido, a coragem nunca é minha, não foi já, não é de novo, já foi, mas nunca em definitivo, nunca verdadeiramente, depois,
depois do tanto que engoli, do tanto que digeri, que regurgitei, que engoli novamente, depois do tanto, agora é o fim, mas não é o primeiro fim, percebo que as coisas se acumulam assim mesmo, não é no mesmo mês, mas é como se fosse, não vai mudar, pode ser que mude,
depois, só depois, que eu percebi como é tudo tão

eu, tudo tão,
eu, tudo tão,
eu,

mas chega de pensar em tempo, chega de pensar em minutos, chega de pensar em esperas e luzes distantes, chega de, eu só preciso de

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Análise: Perfume: A História de Um Assassino

Primeira tentativa de análise. Nem de longe quero tentar cobrir a maior parte do filme, não tenho cacife para tanto. Na verdade, muito pouco é o meu cacife. rsrsrsrs. Vou analisar por aspectos, que, acredito eu (já que não li a obra literária), estão presentes na versão escrita da história, antes de ser adaptada para o cinema. Aliás, preciso ler o livro depois. Ou seja: meu foco é uma interpretação possível do roteiro.

Vejo uma relação entre a idéia do que é o perfumista (expressa na figura de Jean-Baptiste Grenouille) com uma das grandes pretensões da arte: contar a realidade. O perfumista busca extrair os aromas de tudo, simplesmente tudo, que existe ao seu redor. Uma busca que, para qualquer pessoa normal, seria inicialmente já impossível. Mas não para ele, já que possui uma habilidade além da de qualquer pessoa comum em detectar cheiros. Entretanto, não percebe inicialmente o motivo pelo qual empreende a jornada (hercúlea jornada, eu pagando uma de erudito... rsrsrs). Com o tempo, lhe fica claro. É que lhe falta algo. Tal percepção é explicitada na cena da caverna, em que percebe que não possui um cheiro próprio: é a sua ausência de um eu.

O artista, quando empreende suas obras, com elementos de sua realidade concreta inventa sua realidade interna. Porém Jean-Baptiste, ele inventa uma realidade interna calcada na ausência da sua, na busca do que nunca teve (e não terá). Sempre foi um apanhador de sonhos, um recipiente, um frasco, para que tudo nele ficasse porém nada nele entrasse. Quando percebe tal incômodo, empreende sua procura. Por fim, falha.

O artista busca reproduzir e prender as sensações, não importando quais sejam. Visa prendê-las e exprimi-las, nada deve se perder, há tanta infinidade em tudo, cada coisa tão única e intensa. É preciso manter, é preciso que os outros conheçam, é preciso lutar contra o dilacerante tempo. Mesmo objetivo do perfumista no filme.

Na obra cinematográfica Perfume, encontra-se permeada a idéia de que é o amor o tal sentimento que é necessário ser alcançando, emulado, criado. Porém o artista/perfumista permanece ausente, ele não tem a capacidade de sentir plenamente. Mesmo que consiga (como consegue o perfumista) causar tal sensação em outras pessoas, sua ausência permanece. É em vão, o trabalho do artista. Mas não menos belo.

Quando o perfumista consegue com sua criação que todos sucumbam ao amor, eis uma cena de ímpar beleza. De uma beleza assombrosa, atordoante, devastadora. Seria essa a busca? O artista com sua ausência, o público com seu deleite.

Acredito que seja possível estender tal aspecto em direção a todos os âmbitos da vida, já que todos são criadores de suas próprias ilusões e caminhos e são ao mesmo tempo platéia um dos outros e recebem aplausos ou vaias. E é o amor que redimirá tudo?

(outra análise, MUITO boa:

http://persuasiofalsa.blogspot.com/2007/05/anlise-perfume-story-of-murderer.html)

sábado, 11 de agosto de 2007

eu sou tão bobo

ai ai ai ai. primeiro que eu fiquei incubando merda. merda merda merda. que gracinha. aí agora tou com cheiro de merda. é sim, eu não aguento, mal tenho vontade de sair de casa. só consigo me limpar quando os melhores sanitaristas estão por perto. mas gosto tanto da merda que eu evito a cura.

(não, não vou relativizar a noção de cura)


então, aaah, tem tanta coisa a dizer. mas vou tentar não me perder e dizer baseado na intenção inicial quando eu tinha quando vim aqui escrever hoje. (tá, se perder é legal também e... cala a boca, porra!). é o seguinte: acho tão engraçado como momentos são tão distintos. como, no decorrer de um dia, uma coisa explode em muitas cores e noutro só em preto-e-branco pálido e seco. muito estranho. é que eu adoro a transitoriedade, ou digo que adoro sempre, não sei, mas ela volta e meia me puxa pelas pernas e eu meto a boca no asfalto e quebro os dentes (coisa que sempre acontece nos meus sonhos, aqueles que se tem quando dorme).

e agora estou bastante bem. feliz. grato. mas logo não vou estar, é engraçado isso. parece que faz com que as coisas tenham, sei lá, uma ironia por trás. como se estivesse meio assim: ''ah, nem é tão sério, seu bobo!, vai passar.'', e para tudo, sabe? (pára tudo! pára tudo!), sim, para tudo. (ou quase tudo, sei lá, foda-se). chateação os parênteses e a pontuação.


porra, tou com vontade de digredir. vamos lá... é engraçado também pensar numa pessoa com um sorriso que mistura raiva e carinho. muito. raiva da pessoa não estar com você, carinho por tudo que a pessoa é, por ela ser ela. eu não gosto de coisas boas. é um saco isso. aí hoje, conversando com o amiguinho, entrou em pauta a questão do que é artificial. e tipo, não deu, tudo é. aí entrou em pauta a questão do que é forçado. e meio que tudo é, de certa forma, eu acho, talvez indiretamente. também talvez não. mas é que eu me pergunto: não, deixa, não me pergunto não. chega do tipo de perguntas que não tem resposta.

não era pra ser tão grande, eu juro que não era...

mas dos motivos porque sou tão bobo:

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

os pais (ou dessacralizando)

imaginem stálin virando para os soviéticos: ''posso errar às vezes, mas sempre erro esperando acertar, e acima de tudo, quero o melhor para vocês''. e isso, obviamente, não impediu genocídio ou morte política alguma.

ainda há uma crença generalizada de que os pais são seres totalmente desapegados e altruístas com seus filhos, mais ou menos como o amigo stálin acima, e não sei se essa é salutar ou não para o corpo social (sim sim, linguajar positivista). o que importa é que é demasiado irritante nas relações cotidianas.



mas o que me irrita em pensar nos métodos de 'diálogo' do meu pai é pensar que talvez eu aja em certos pontos de forma muito parecida ao expressar meu descontentamento com alguém. preciso observar isso. vou anotar no meu celular.

o problema dos filme de romance (ou o meu problema)

é que dá aquela sensação de querer viver algo igual, aí penso nas coisas que já tive iguais e são bonitas, e penso como sou idiota, e penso como tenho preguiça de talvez cometer os mesmos erros e me machucar e machucar os outros e penso que...

a vida só parece um seriado ou um filme às vezes. bem às vezes.

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

fashion never goes out fashion (a revanche)

quanto a questão de se incomodar quando algo que vc gosta deixa de ser tão exclusivo:


não é tão idiota assim. nem só arrogância, nem necessariamente arrogância.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

sobre o tamanho da fonte,

eu vou diminuir.

fashion never goes out fashion

que agonia da moda simpsons. acho que quase 50% do orkut colocou ao invés da foto própria (tirada por uma máquina ou algo similar) uma gravurinha ao estilo dos desenhos do matt groening.

(será que vou aderir após assistir o filme? medo.)

título é referência a uma música do garbage. pop e deliciosa. agora falando de moda, é mais um daqueles assuntos confusos ao qual não chego a uma conclusão firme (como a maioria dos assuntos...).

no quesito roupas, estilistas criam sua arte (não vou discutir se é ou não é) e lançam a tendência que será copiada. e as pessoas, no geral, simplesmente seguem. é um código, um modo de inclusão num grupo. claro que obviamente percebe-se o desejo de ser aceito e se integrar. mas há algo de 'kinda creepy' em, por exemplo, alguém que nunca gostou de esmalte vermelho e de repente porque todos usaram passou a achar lindo.

claro que pode ser que a pessoa questionou seu gosto e resolveu tentar experimentar pintar as unhas da cor. e de repente, voilá, tomou gosto! e acho que isso acontece com muita coisa no quesito gostos mesmo. muito difícil traçar a linha da influência e falar a palavra 'originalidade'.

como é muito difícil a maioria das definições, só mais uma no mesmo estilo.

e tem também o outro lado da moeda, aquele que faz com que algo seja rejeitado quando vira moda. esse eu invalido mais que aquele que a pessoa segue modas cegamente. há um quê de grande idiotia em mudar de idéia negativamente sobre algo só porque a maioria gosta. e dessa 'grande idiotia' verifica-se a arrogância, que é uma coisa que muito me irrita. de volta ao relativismo, queridos.

epa, vontade de relativizar minha irritação com a arrogância, mas deixa...

domingo, 5 de agosto de 2007

quanto a nuvens negras

eu não vou deixar que venham, não agora,
eu não quero de forma
alguma macular esse céu
azul com qualquer tom escuro
demais ou amargo demais ou
como aquilo que sobe na garganta e
deixa um gosto horrível, não quero,
e então não vai acontecer.

e o céu está tão como naquela música
está tão, como naquela música.

sobre o 'arroz'

sabe quando você vai tirar aquela foto fantástica, todos seus amigos juntos, e tem aquele ficante da fulana no meio?

aaaaaaaaaaaah queódio. rsrsrs. tipo, não encaixa, sabe? eu quero eternizado o momento com os MEUS amigos, fixamente eternizado e lindo, perfeitinho, isolado e pronto. sem qualquer anexo que eu mal conheça ou que não sei nenhum dos sobrenomes (porque ao menos um, de cada amigo, eu sei) ou do que gosta de ouvir ou conversei minimamente sobre o quanto as coisas são confusas.

sei que é tolo, sei que é irreal (é falsear a realidade, as coisas não são sempre lindas e fechadas nos limites exatos que quero), mas pôxa! como colocar, sei lá, num mural uma foto que tem o tal do 'arroz' (é acompanhamento, nunca prato principal) lá e não sentir raivinha? rsrsrs

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

acho que ainda vou me debater por um bom tempo

aquela velha decisão entre ser independente (utopia) e depender dos outros. porque o outro lado também não é uma utopia? veja bem o que quero dizer: dois extremos, um utópico, o outro não! se são extremos, ambos deveriam ser utópicos, ora essa. entende mais ou menos?

enfim. é que agora tudo está muito mais legal quando eu posso ter muitos momentos bons e tento até ver a poesia deles e até vejo. é que eu me alimento dos outros. eu me alimento muito dos outros. antropofagia. mas deixa de problematizar, ainda bem que está bem.

me desculpe por ter matado você

então, me desculpe, não era para ninguém ter sabido. ou melhor, não era pra você ter sabido. não pense que isso faz de mim uma pessoa muito má, não seja tão tendecioso assim, por favor.


obrigado, tenha um bom dia.




(isso também entraria no 'mediocridade', mas deixa quieto)

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

já fui mais xiita

já teve época em que eu vomitaria em qualquer coisa que é dita pop, mas o tempo faz ver as coisas com mais leveza. seria leveza isso? tanto faz. só sei que com o tempo deixei essa bobagem de lado e passei a gostar da coisa não por qualquer coisa que seja guitarras ou ser alternativo ou algo do feitio.

god, como já fui babaca. não é? é.

fico sempre pensando na falta de critérios. não que eu coloque bach e tati quebra-barraco no mesmo patamar, mas pôxa, gosto de ambos! claro que com diferenças, mas pôxa. é complicado. tem que ter critérios para algumas coisas. mas é sempre tão difícil dosar ou sou eu? preciso ser mais condescendente com a moça aqui de casa quando ela erra na quantidade de açúcar que põe no suco.







isso tudo pra dizer que gosto demais da música 'sweet escape' da gwen stefani. muito MESMO.

segunda-feira, 30 de julho de 2007

essa coisa é engraçada,

porque é meio confusa, já que como sempre ao certo não sei direito o certo e o errado dentro de mim, ou o que quero e o que nego, ou do que gosto e do que não gosto, ou de como me porto e me comporto ou não, ou do que faço dos dias ou não, ou de tudo isso,

mas é uma confusão mais doce, dessa vez, essa.

sábado, 28 de julho de 2007

queria não estar lúcido, ou não estou?

só para variar, tentar fazer um auto-exame.

antes de começar, já dá preguiça, a velha sensação de que não vou chegar a resposta alguma porque 2 +2 pode ser igual a 5.

argh. argh.

ficou tão bonitinha a repetição do 'argh' aqui acima. hahaha. eu gostei. enfim...

o lance é que eu vivi de um jeito e agora acho que tou voltando ao antes mas ao mesmo tempo é depois e que saco, eu conseguia fazer isso antes, eu juro que conseguia.

terça-feira, 24 de julho de 2007

doutor, eu me engano sim.

na verdade, ocorre com freqüência, até já espero a seguir ver que eu tinha mentido para mim.

algumas palavras tem a capacidade de me mostrar isso concretamente e deixar algo dentro do meu estômago, eu acho, revirado. incrível.

mediocridade (ou título que pode vir a se repetir várias vezes ou de como um dia na internet não é tão perdida assim)

meu intelecto está tendo uma parada cardíaca,
longa vida ao meu intelecto.

ando pensando muito em realeza, parece. e menos em realidade, parece. mentira. tenho pensando sobre como não tenho as coroas que já pensei em ter e em como o mundo é escroto e extenso e em como eu sou diariamente uma coisa, a falta de chão e tal, o velho papo, argh argh, na verdade, não tenho pensado nisso, só estou tentando sistematizar o que é um dia na internet lendo coisas muito legais e depois pensar no que se faz,

mas é, talvez venha novamente com o tempo, tente olhar para seus sucessos e viver.

ai, é auto-ajuda que tou precisando?
(momento emo 2, acho que alguém precisa dar um tiro em mim)

'mission acomplished'

como naquele jogo de videogame, que não lembro qual era,
(sei que foi meio capenga o rendimento, mas é um começo, calma, calma, relaxa e dorme...)



editado posteriormente: o jogo era command & conquer red alert.

risível,

eu.

coldplay tem boas melodias e letras medíocres

"God gave you style and gave you grace
And put a smile upon your face"

"To my surprise, my daylight
I saw sunrise, I saw sunlight
I am nothing in the dark
And the clouds burst, to show daylight"


(tá, estou generalizando, não fiz um exame geral e tal e tal e tal, mas que se foda!)

segunda-feira, 23 de julho de 2007

sobre uma coisa

parece tanto que qualquer algo que eu tentar dizer é incompleto, mas tudo envolve tantas coisas e é tão grande, então é, vou dormir,,,

sábado, 21 de julho de 2007

mais uma, essa daquelas coisas que referentes ao tempo, coisa e tals,

incrivelmente interessante e engraçado quando no orkut você encontra uma pessoa, daquelas, daquelas que você só conhecia de vista lá pela sexta série e descobre gostos parecidos com os seus,

ou sei lá, um mínimo de consciência, tomando claro, eu como parâmetro de consciência,

aí a gente já cai no problema da minha arrogância e deixa isso pra outra hora, né?

pode ser que...

será que...?



(ah se vocês soubessem quão fútil é a dúvida!)

a última, da madrugada, eu prometo

então, todo mundo sempre diz que pra um blog conseguir leitura é ideal saber dosar o tanto que se posta.

saber dosar? tou fodido.

só tou à fim de tentar explicar o que foi ou está sendo ou é essa semana esdruxula. o cansaço extremo, cansaço de ter que ouvir vozes, e respirar, e explicar, e ouvir explicações, e dialogar, e viver mesmo, e depois saber que a coisa vai acabar em frustração, e no fim morre, e não tem lá muito propósito além do diário ou de um grande que se invente, e com isso eu estava muito extremamente cansado, não era um cansaço novo, não é, não será a última vez,

um incômodo também com minha mediocridade, minha covardia, minha falta de empenho, essas coisas, incômodo com a 'vontade de potência' da qual o arrogante-prepotente-póstumo alemão muito falava e que muito me assola também, a mão quebrada, a garganta estourada, o dia passando e eu querendo viver só de ficção, só de, nenhuma que eu inventasse não, longe disso, que me dessem mesmo, e eu viveria nela,

mas sei lá, parece que é diferente agora, de alguma coisa algo força outra coisa e de coisa em coisa, tantos choques, e de novo eu tou querendo arroubos e querer isso me dá preguiça também e me faz pensar sobre minhas repetições e tudo isso é muito se repetir e tal,

mas é isso. meio emo, né?

mais uma, de madrugada, de quem talvez devesse estar lendo

então, nada decidido ainda sobre um tal de talvez tom. mas quero contar novidadezinhas, ou sei lá o quê, talvez resoluções. aaah, tou repetindo a palavra. pra quem chegou aqui por acaso e lê agora, explico: sou muito obcecado com repetições e coisas assim. sempre me encabulo, sempre observo, sempre pego no meu próprio pé, me acho relaxado e limitado.

agora falando da resolução: eu quero ter mais poesia nos dias. eu lembro que antes era um tal de rimar ali ou acolá, joguinhos de palavra, coisas assim, reparar em beleza de momentos e cenas, sei lá, sempre tive meus limites mas acho que conseguia me expressar melhor, ou de maneira mais, sei lá. não que, é que, mas não que, é só que...

(risos).

ouvindo, agora... coldplay. ai ai...

talvez seja que....

é engraçado... há quanto tempo não faço isso? um bom bocado. um bom bom bocado. enfim, não vou fazer revisões-sões-sões agora não. foda-se isso. foi só um arrroubo de madrugada, exatamente como diz o título, meio que do nada. vou fingir que tou falando sozinho. é, vou. talvez seja que fique sendo assim muitas das muitas vezes.

'qual será o tom do lugar'? engraçado imaginar que isso vai ter futuro. eita merda... onde tou me embrenhando. enfim, ouvindo strokes. tá me fazendo bem. passei por uma semana das estranhas, da bem estranhas. não sei porque digo a palavra 'passei' para dar impressão que ainda é passado. talvez porque eu ache que amanhã será diferente, mas detesto fazer planos que não necessariamente tem boas chances de concretização.

ai cacete, tá vindo um monte de filosofias de bar na minha cabeça a respeito de cada palavra que escrevo. barrar. barrar. barrar. enfim, strokes com o 'first impressions of earth'. xente, muitobom. muitobom mesmo.

agora já tou com outras vontades, a palavra tá sendo vontade, engraçado voltar a sentir vontades, tão constante essa de vontades, engraçadas essas coisas são as coisas, ah que saco, não tou dizendo coisa com coisa. porra. quem vai ter paciência pra isso? será que vou sair divulgando em breve como o bom necessitado de aprovação que sempre fui?

vou ali na loja ver se me troco. volto logo, talvez...

repetindo: ai cacete, ai cacete, ai cacete, ai cacete, ai cacete, ai cacete, ai cacete, ai cacete, ai cacete, sim, como um mantra...