quarta-feira, 5 de abril de 2017

simplesmente foi

eu caminhei
passo rápidos
rápidos e curtos
pés tocando diretamente o chão
e encontrei a árvore de meus dias ontens
não foi nada igual
mas pude sentir exatamente
exatamente "como se"
e foi tão bom
foi tão bom

terça-feira, 28 de março de 2017

marte urano netuno plutão

quanto tempo
dura
um ano?
um segundo
estou em saturno,
em segundo lugar,
digo à guisa de tenta-
tiva, missiva, altiva,
corrida da diva,
o salto sempre se que-
bra, queda de braço, garrafa ao mar,
garrafa partida,
de um ano
para outro
de um segundo
estou em júpiter
marte urano
netuno plutão
a ordem
dos fatores
alteraria a equação?
uma eterna subtração:
extração de apêndice,
o meu, fora de ordem,
produzia o licor
que me fazia seguir,
portanto eu, repartida aos pedaços,
em cada planeta em simultâneo,
meses mais em um,
meses mais em outro,
motéis, minas, metades,
eu engulo as pílulas
jeito
de ver
se dá jeito
- não dá,
segue sua nau,
sem cessar,
e naufraga

pessoa

ao mar
meio confuso
volta e meia

quinta-feira, 23 de março de 2017

eu olho eu vejo

desloco o possível de mim, desloco o ombro,
encravo a unha, cravo os dentes no ar,
troco peles, danço

e fogueiras me acompanham,
o mover das chamas me diz pra ir além,
eu olho as chamas eu vejo
eu não vejo nada.

dentro de mim eu vejo você
e você fala bem alto e eu
só escuto sua voz, eu nem me escuto,
eu caminho por terras radioativas,
tudo tão reluz reluz reluz

e não é ouro, é latão,
é latrina, não é fácil não,
não é fácil não
n'é fácil não

terça-feira, 21 de março de 2017

nos rastros, formatos abstratos

sempre de cada em quando me deparo
com teus sapatos no meio da sala, não,
com a imagem
dos teus sapatos no meio da sala, com
o espectro dos teus sapatos
no meio
da sala

eu me confronto com uma assombração
de um dia de uma tarde de sol fraco,
várias nuvens no céu, formatos abstratos,
de um mim que dizia 'me escolha me escolha
me escolha me escolha me escolha
me recolha',
eu não sei decifrar

sempre de cada em quando me deliro
com uma noite esquecida, taças de vinho na mesa,
batons nas bordas, mim e ti,
chuva que caía forte, seu barulho dizia
tanto, mais do que lágrimas, mais do que sonhos,
vestes feitas de vontade, o amor mais sombrio e
demente, cai feito estrela

eu me dirijo à gaveta, eu abro, um pouco
tontura, sempre de cada em quando, mim, vejo
cada uma das gravuras papel e nanquim, é bonito,
é ruim, florestas morreram para você deixar pegadas,
eu perdição nos rastros,
velas acesas, queimam velozes, vento forte,
desejo que esta casa pegue fogo

segunda-feira, 20 de março de 2017

poeta beat

queria ser um poeta beat
mas um poeta beat não posso ser
pois um poeta beat pensa em tudo
já eu só penso em você

o sonido o zumbido

o sonido da cidade
é um zumbido que alucina
com outros sons recuerdos
de uma ladeira e sobe-e-desces
soube-e-desses nos teus pelos
réus meus eus e você a executar
a peça a sinfonia o sonido o zumbido
todo retorna meio assim
flores de lótus noche outra
todas as possibilidads pela janela
se vê a ciudad toda adiante
e nada acontece entretanto

sexta-feira, 17 de março de 2017

antiga foto

uma foto antiga olho
olho no olho, quando
foi que tudo
perdeu a
cor?

antiga foto que
olho se tivesse voz, diga
o que é
que diria
você?

que antiga a foto
que olho, meu olho
óculos na frente,
igual hoje, tudo
diferente?

foto que antiga olho
que olho longamente, penso
aquele tempo nem
lembro, mas que
era?

olho que foto
antiga, nem sei bem
razão, meio confuso,
meio confundo, só não
sei?

quarta-feira, 8 de março de 2017

museu-eu

museu-eu, museu-mim,
tantas coleções, estátuas nos jardins

de reinos nunca habitados
de aldeias e coisas de caça
de civilizações quase-prósperas
mesa cama cadeira taça

de lugarejos que nunca vi/vi
de habitações em que passei rápido
sou de passado, é o jeito, é fado
no revirar constante, os tempos

adornos de cabeça egipto
tokugawa espadas samurai
painéis muitas cores basquiat
moedas do pirata que mais trai

museu-eu, museu-mim,
tantos corredores, nem se vê um fim