sexta-feira, 23 de setembro de 2016

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

lendo cultura e razão prática do sahlins

pra variar, antropologia is making me crazy

em marx, no dezoito de brumário, via sahlins

“Os homens fazem sua própria história, mas não a fazem a seu bel-prazer; eles não a fazem em circunstâncias escolhidas por eles… A tradição dos mortos permanece como um pesadelo na cabeça dos vivos”

l'arbre

a árvore
com frutos amarelos maduros e
alguns ainda verdes e pode-se portanto
escolher entre um e outro e até
mesmo o fruto verde pode ter seu uso, imaginemos um,
tal qual fazer uma bebida de gosto ruim,
se a intenção é sentir um gosto ruim
à boca

a árvore
que está lá e parece que convida, sendo que
somos eu e tu e cada um que colocou sua
própria árvore lá, escolheu onde plantá-la, pois
que a árvore não existe de fato, mas
a árvore também foi nos entregue nas mãos, e ainda assim
o horizonte de buracos que, imaginemos,
caberia a árvore,
é vasto e amplo

a árvore
que, imaginemos, daria diferentes frutos
de diferentes cores sabores texturas cheiros
a depender do solo, imaginemos essa árvore,
que é tanto real e quanto imaginada, e assim sendo,
feita por mim e ainda assim já dada,
mas ainda assim feita por mim e eu e tu e cada um
com o que foi dado, mas
ainda assim feita
(por quem?)

a árvore
que com cada fruto se faria um suco
e com cada suco, ou feitiço, um efeito,
e por cada olhar no copo que contém
cada suco de cada fruto
teríamos uma visão gosto cor textura e portanto
a questão:
qual fruto?

e outra questão:
como pegá-lo?

veloz & rapidamente? lenta & langorosamente?
com temor? com gana?
com ansiedade?
com fé?

o que e como.
para não passar fome.
(só que: a fome nunca passa)

domingo, 18 de setembro de 2016

do lado de cá


desexecuto o passo tanto ensaiado, é a
fome, devora as razões, não se sabe do que, para que, aonde,
enfim, alojada tão fundo no estômago que dá até gastura,
a gente volta no termo, no remo, ao léu,
sempre um tanto algo diferente não?
aos torneios aos destocados,
paralelos às banananças

meridianos às medianas

meridianos às medianas
aos meneios aos marinados,
revoluções tornam ao mesmo eixo?
desfecho de xote, de capote, de pacote,
de tanta coisa funda e aos atropelos tropeços se está no
pântano, e é lodo, é seiva, é flor morta, é flor viva, é jacaré,
aqui não me dá pé, reconheço, é hora de
voltar
ao
lado
de

aqui não me dá pé, reconheço, é hora de
pântano, e é lodo, é seiva, é flor morta, é flor viva, é jacaré,
de tanta coisa funda e aos atropelos tropeços se está no
desfecho de xote, de capote, de pacote,
 revoluções tornam ao mesmo eixo?
 aos meneios aos marinados,
 meridianos às medianas

sábado, 10 de setembro de 2016

revolteio em loucas

ocasionalmente tenho projetos, ocasionalmente deixo palavras correrem algo livres nunca risonhas minto às vezes sim risonhas e livres mas só às vezes, ocasionalmente começo algo e chego no final com outro-algo, o algo do início não disse ao algo do final como o queria, como quando dizem ao ser que ele é menino mas ele é menina, ou qualquer coisa entre menino e menina ou além ou antes ou depois, às vezes eu corro pra alcançar e às vezes corro pra ficar longe, às vezes nem corro e fico só olhando e lá vem o trem e ele vem do céu e das nuvens e é o juízo final, aloka, ocasionalmente ou até via de regra eu me digo para não me levar a sério e disso encontro os efeitos mais estranhos, já que não sei medir os efeitos ficam como feitos, desses de menor valor, voltaemeia, porque o menor valor é importantíssimo necessário e eu diria mais até diria que ele é crucial pro bom andamento das coisas, não que se busque aqui um bom andamento, veja só, vezes se busca andamento algum, ausência de andamento, vezes rolamento, vezes paralisia, é que é necessário articular situações me parece, se bem que vezes a gente pega o necessário e mete nele roupas bufas, então dá-lhe misturas heterodoxas, tipo feijoada e chocolate no mesmo prato cê arrisca hã quem arrisca me diz me diz quem arrisca




inevitavelmente isso se tornou uma referência a uma amiga querida, ainda que sem intenção de tal

rotas & riscos

habita-me
nos traçados trajetos gestos
degredos negativas paralelos
                                 e meridianos,
em greenwhich, em kuala lumpur, horas
diferentes, linhas idem, linhas conectam
- ou tentam, alguém diz -
e outra pessoa as rompem, quem
fez isso?, habita-me
nos desejos dramas dragões
gritos suspiros prisões
                          e praias,
em honolulu, em maragogi, tempos
diferentes, areia idem, areia e cacos
- nem tentam, alguém diz -
e outra pessoa que as jogou, quem
fez isso?,

habita-me
enquanto fazes isso
habita-me
e fazes aquilo outro
habita-me
e fazes tanto lá quanto queiras fazer
pelos rumos rimas ramos risos rasgos
rotas & riscos

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

espadas

e uma deusa brotou da terra
e disse: QUERO ESPADAS AMARELAS,
e outra deusa brotou
também da terra e disse:
QUERO ESPADAS AZUIS,
e uma terceira deusa
brotou da terra e
disse: QUERO ESPADAS VERMELHAS,

e assim se seguiu por milênios,
tantas deusas sucessivas, brotando da terra,
uma às outras dirigiam seus berros,
suas negações:
VIOLETAS!, PRETAS!, LILASES!,

e as gentes todas estavam confusas,
bem, como ela estavam confusas...,
e em suas confusões permaneceram

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

de malfunção

você entra no quarto e
vejo como tudo está fora do lugar e tudo
simplesmente evapora e você
entra no quarto e é uma bagunça gigantesca
das maiores possíveis e você entra no
quarto e eu às metades às quintas partes aos
quintos de infernos e sete círculos e sou tão tolo
e és a essência de um ser tolo toda a conjugação possível de
tolice encarnada em teu corpo que se move e anda e
entra no quarto e eu começo a derreter imediatamente
cada célula de meu corpo uma usina de força
células átomos explosões eu te digo eu te sigo eu lato para você
que eu sou seu cão seu cão seu cão
seu cão guia seu cão noite
seu cão de sombra e terror eu quero
devorar sua cara
e depois vomito porque és
uma pessoa das mais indigestas e ganindo
uivando
desesperadamente
porque você
ousa
entrar no quarto