segunda-feira, 27 de julho de 2015

que bom

o sentimento que me sente
e o sentido é um teste.

o objetivo: engodo-farsa,
pantomima, fantasia de plumas,

quantos pavões
precisaríamos matar
para um bom show?

o ator no palco
grita, sem modos, com a platéia:
"vocês já estão se divertindo?"

não, que é tudo muito boring,
and the music is boring me to death,
sem cores, sem crianças, ando

pela casa

arrasto
grilhões.

pela janela
árvores que crescem, alto e avante,
riem:

que bom que elas estão se divertindo

terça-feira, 14 de julho de 2015

minha, meu, meus

deixe
sua mão longe
de minha barba,
que eu não quero

que eu não posso
ter
vontade

de tocar sua barba, desvie
seu olhar de meu
olhar, que eu não
quero
posso ter
vontade

de olhar o seu olhar, sua voz
distante de meu
ouvido
que é em par
então vou ficar calado,

mas dentro assim calado estarei
pedindo
implorando
que sua voz fique bem distante
dos meus
ouvidos

que não
quero posso ter vontade
de sua voz dos meus ouvidos
de que seja sua voz
secreta
no fundo de meus ouvidos
que fure meus tímpanos
sua voz
em
meus
ouvidos

segunda-feira, 13 de julho de 2015

terça-feira, 16 de junho de 2015

sem título, sem título

bon iver tocando
peças à vontade
vontade de peças
óleo vazando
sinapses ruidosas
ritmo dissoluto
sístole e diástole
revoada de gafanhotos
bandeira fincada no topo
solitária e tola
eu assisto.
grey's anatomy.
e me desidrato.

sábado, 13 de junho de 2015

não

coração bomba
coração belo
coração bigorna
coração santo antônio

tentações tentativas
laceradas
descem o escorregador

com deus não se brinca,
e ele ficava sozinho no canto

elliot smith morreu
nick drake morreu
jeff buckley morreu
e eu não poderia jamais estar me sentindo bem

eu prefiro não
eu definitivamente prefiro não

quando um idioma se intromete
não há muito o que fazer
exceto deixar ele abrir caminho

nesse caso, sim
nesse caso, definitivamente sim

não fale do computador
não mencione os dedos
esqueça a cabeça
coração bomba tic tac

eu não sei nada,
pessoa não sabia,
plath não sabia,
hilst também não sabia,
e ginsberg não sabia

eu não vou escalar a montanha
a boa vista não compensa
esse não é meu monte roraima
essa não é uma novela das nove da globo
os abutres sequer vão encontrar meu corpo
serei tão anônimo que jamais voarei
nem na barriga de outros

abra sua boca
e tente me digerir meu corpo
parte de mim será de você
parte de mim vai pelo esgoto

quando os canos tiverem entupido
tudo vai vazar e inundar a cozinha
e os livros também ficarão molhados
porque foram deixados no chão
alguém esqueceu os livros no chão
o lugar dos livros é no chão

coração bigorna
fale alguma coisa
coração não tem boca
bigorna não tem boca
não fale nada então

consulte os registros
veja de onde você pode retomar
qual a ligação que pode ser feita

telefone não toca
motor não pega
impulso não flui

luz acesa/luz apagada
todos os corpos que já entraram em mim
e também os que jamais entraram
mas que de alguma forma entraram
são muitas as formas
poucos os encaixes

um toque na face
um pouco de simpatia
uma palavra doce
uma explosão
uma garrafa quebrada

a guerra foi tão grande
ceifou tantas vidas

banalidade é uma palavra banal aqui
quando se passa tanto tempo
dizendo a mesma coisa
ou quando não se diz mais
com o peso do que se deveria ter
ou seja, com o peso da bigorna,
o coração flutua, o vento leva,
o coração já é só fina poeira

alguém falou alguma coisa
e não fez diferença

não fale disso
não fale daquilo
não mencione os pés gelados
não mencione a escalada que você começou
e nunca terminou
ninguém está interessado em seus fracassos
ninguém está interessado em você

e se você procura
com força o suficiente
você encontra

não.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

not making much sense
Or
too tired to think
Or
comendo um sandu vencido
Or
viciado em grey's anatomy
Or
too much caffeine in your blood stream

quarta-feira, 10 de junho de 2015

você sol

persigo-te pelas vias
labirinto
não-você
teu avesso
casca oca

a carne tem fome
seu véu escorre

derretendo-se
bem aos poucos
caudalosa, mas delicada
desforme e etérea

desforra!
sessenta segundos
de brindes tontejantes

tanajuras
voam enquanto teu não-amor
me surra, escrevente

dos caminhos, um jardim:
em seu centro
prêmio recôndito
exceto que,

fita de moebius, voilá:
fora, estou novamente aqui.

oca casca
não-eu
osso osso osseva torso
larva larva ojesed lava
algo houve, voou

asas de cera as minhas, e você sol
(atenta-te, luís catorze)
(você rainha, luíz catorze nadinha)

você sol
você sol
você sol
você tão quente e sol

testemunha

mão suja de barro
do fazer das horas
amareladas

e sopro
o vidro
pra dar forma
com fome

enfio minhas mãos
num foguete com
fogos de artifício
depois de cortá-las fora

não,
não,
não não não,
não me pergunte como o fiz

só lhe conto que o fiz
pois você sabe guardar segredos

bitches

carência is a bitch
inconstância is a bitch
desejo is a bitch
suspense is a bitch
e suspenso suspiro sustenido
singro sibilante
socorro silente

cigarro is a bitch
café is a bitch
cerveja is a bitch
maconha is a fucking bitch
e tudo que se pode contar
se escapa por entre
um longo percurso descaminho
de ossadas e travessuras

sucesso is a bitch
fracasso is a bitch
plantio is a bitch
colheita is a bitch

all in all
afterall
gotta
fuck and
love ur bitches

sábado, 6 de junho de 2015

sucessão

caranguejos me rodeiam
estou centralizado
borrões de tinta vermelha

cai uma chuva
de vagalumes
e fito o móbile floral

certamente há o desencontro
de cada palavra
que sulca a terra
e mente ao chão

metade de um rosto
se combina com a de outro
encaixes são mágicos
são tônicos
são simétricos

suspensos por cordas
em seus vestidos
flutuam

pintar a pele
com novos bordados